Chapitre 3 : Méthodologie
3.4 Le corpus de données disponibles
3.4.4 L’anonymisation de la participation des répondants
No grupo Unid@s, a forma coletiva se dá principalmente na comercialização, que é formado pela Loja Solidarte, Quiosque Solidário do Mercado Central e Feiras Solidárias.
A loja solidarte foi criada a partir de uma loja que já havia na FUNCI, localizada no centro da cidade. Então, desde o inicio do projeto, foi possível iniciar a comercialização.
A comercialização no quiosque do Mercado Central iniciou-se em junho de 2006, quando a antiga coordenadora do Nesol, Cleudes Pessoa, descobriu que a PMF tinha direito a um quiosque naquele local. Quanto às feiras, foram surgindo à medida que havia articulação entre órgãos públicos e instituições não governamentais.
Esses espaços de comercialização são importantes porque possibilitam, além da comercialização direta e encomendas, trocas de conhecimento entre as produtoras que também fabricam o produto e conhecimento do mercado consumidor. Com o amadurecimento do grupo, as produtoras começaram a perceber que o consumidor era exigente e, para conquistá-lo, era preciso melhorar a qualidade de seus produtos como afirmou Rosa.
Outro momento importante de conscientização da qualidade dos produtos foi o das feiras, pois as produtoras tiveram a oportunidade de comparar a qualidade de seus produtos com a dos outros grupos solidários. Dessa forma, elas adquiriram conhecimento e perceberam que a qualidade dos seus produtos era inferior. Foi nesse momento que as produtoras começaram a melhorar a qualidade de seus produtos. Para tal, a equipe técnica do Nesol realizou capacitações na área de qualidade do produto.
Sobre o salto qualitativo dos produtos, a produtora que mais se destacou foi Léia, pois com capacitação e apoio de outras produtoras, conseguiu reverter sua posição na participação nas vendas do grupos Unid@s. Com a capacitação adquirida, aprendeu a fabricar bolsas e, com essa habilidade produtiva, deixou de ser uma produtora sem expressão na comercialização para se tornar uma das que mais vendiam na loja.
Com relação aos produtos da loja, a produtora Iracema afirmou que quando se inseriu no projeto, em setembro de 2007, o fluxo de consumidores na loja era reduzido, devido aos produtos não serem de boa qualidade. Como agora elas mesmas estão mais rigorosas, ao perceberem algum defeito no produto, retiram da exposição e a responsável por ele o conserta. Com esse controle de qualidade, o espaço de comercialização torna-se mais atraente, aumentando o fluxo de consumidores.
A qualidade dos produtos melhorou muito. Eu fui uma que hoje tenho maior carinho pelo produto, porque de primeiro eu fazia e não ligava, e hoje não. Hoje eu tenho aquele prazer de fazer aquela qualidade, caprichar mesmo pra pessoa comprar e sentir vontade , e voltar e comprar de novo.
Essa produtora completa dizendo:
Naquele tempo ou a gente não sabia ou a gente era umas loucas. Melhorou por que houve capacitação, houve os cursos, muitas conversas.
Nos espaços de comercialização, além da qualidade dos produtos, outro fator influencia na comercialização, que é o local em que se expõe o produto. Há alguns produtos que são mais vendidos no Mercado Central, outros na loja Solidarte, enquanto alguns são comercializados com mais intensidade nas feiras solidárias. Isso ocorre porque os consumidores são diferentes nesses ambientes. Enquanto Francisca, participante do rodízio no Quiosque do Mercado Central, revelou que os produtos que são mais vendidos nesse lugar são as saídas de banho e as bolsas, Rosa, participante do rodízio na Loja Solidarte, disse que nesse local os produtos mais comercializados são roupas íntimas, panos de prato e potes de biscuit.
O grupo Unid@s tem uma produção diversificada, embora cada produtora, em geral, seja especialista em um determinado segmento da produção. A diversificação do grupo é listada a seguir, bem como representada no gráfico 2, por ordem de importância, de acordo com a quantidade produzida: GRÁFICO 2 Diversidade de produção 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 Produtos Nú m e ro d e p ro d u to ra s
Produto 1 – produtos fabricados a partir do crochê, são: saídas de banho, boleros, xales, bolsas, blusas, chapéus, sapatos de bebê, almofadas, toalhas.
Produto 2 – produtos fabricados por meio de confecção, tais como: roupas íntimas, shorts. Produto 3 – alimentação que é comercializada em feiras, como exemplo: bolo, salgado, tapioca. Produto 4 – produtos fabricados por meio de reciclagem, tais como: abajur, móbiles,
Produto 5 – tapetes feitos de retalho Produto 6 – bolsas customizadas. Produto 7 – casas de barro.
Produto 8 – produtos fabricados por meio do fuxico, tais como: bolsas, prendedor de cabelo.
Produto 9 – produtos fabricados a partir do E.V.A, como: porta-lápis, porta-guardanapo, arranjo de casa. Produto 10 – bijuterias, como: colar, brinco, pulseiras.
Produto 11 – panos de prato feitos à mão.
7.1 Feiras Solidárias
Além dos espaços de comercialização fixos, as produtoras comercializavam nas feiras. Estas foram viabilizadas pela equipe do Nesol e, às vezes, por outras entidades. A maioria das feiras ocorreu no Parque das Crianças, pois, além de ser o local onde fica a sede da FUNCI, é também um lugar de locomoção de muitas pessoas, visto que se encontra no centro da cidade.
Sobre as feiras, Amparo, produtora de alimentação, diz que ―Se houvesse feira toda semana seria bom demais, pois eu faturo bem, muito melhor que na comercialização na minha casa‖. E continua ―Nunca faltei a nenhuma feira‖.
Em uma das feiras organizadas pelo Nesol, foi realizada a experiência da moeda social. Essa moeda parte do princípio da confiança entre as pessoas que participam, pois é um simples papel que, naquele momento, se tornou um meio de troca.
Para o Banco Palmas, a moeda social tem como objetivo:
Fazer com que o ―dinheiro‖ circule na própria comunidade, ampliando o poder de comercialização local, aumentando a riqueza circulante na comunidade, gerando trabalho e renda. Desta forma a Moeda Social torna-se componente essencial nas estratégias dos bancos comunitários.
A moeda social, que circulou em todos os setores da FUNCI uma semana antes da realização da feira, foi chamada de Solares. O Clube de troca, nesse caso, foi a feira solidária. Essa moeda serviu de aprendizagem para todos que participaram e garantiu uma renda antecipada para as produtoras, pois muitos funcionários dessa instituição entenderam a lógica e já tinham efetuado a troca de R$1,00 por 1,00 Solares.
Essa experiência foi possível porque os profissionais da FUNCI entenderam a lógica do processo e, dessa forma, tornou essa feira uma das que mais proporcionaram, além de retorno financeiro, uma integração dos profissionais da FUNCI com o grupo Unid@s.
Outra feira de grande impacto foi a que aconteceu no Dia das Crianças no ano de 2007. Todo ano, a FUNCI promove festa do Dia das Crianças. Nesse dia, a equipe do Nesol mobiliza as produtoras para a feira, no momento do fórum mensal do grupo, e elas decidem quem faria a comercialização dos produtos.
A produtora Amparo lamenta que, com a extinção do Nesol, diminuiu a frequência das feiras. Essa redução afetou sua renda, pois como comercializava alimentação, era nesses espaços que conseguia obter grande parte de seus ganhos.
7.2 Extinção do Nesol
Quando a FUNCI deixou de ser uma fundação para se tornar a Secretaria de Direitos Humanos, houve um reordenamento do órgão, em que os núcleos deixaram de existir, incluindo-se o Nesol. Isso aconteceu no inicio de 2008.
A partir da extinção desse núcleo, as produtoras ficaram sob a coordenação de apenas uma educadora social do programa Família Cidadã, que dividia o seu tempo em assessorar o grupo produtivo e as atividades daquele programa.
Para Francisca, a extinção do Nesol não a afetou, muito embora ela acreditasse que outras mulheres tenham sentido, quando diz: ―o Marcos ficava ligando pra outras produtoras. Mas a mim mesmo não afetou. Pro grupo foi ruim, o Marcos ia atrás de feiras, arranjava espaço pra gente‖.
Sobre a extinção, Rosa lamentou:
Não foi nada bom, quando a gente era acompanhada pela Cíntia, pelo Felipe, pelo Marco, a Vera, a gente sentia um apoio melhor. Eu sei que a gente tem que aprender a andar com as próprias pernas, mas assim, quando era o Nesol, a gente sabia das reunião, a gente tava nos fóruns, nas coisas e hoje não.
Para Amparo, a extinção do Nesol foi ruim para o grupo, porque o assessoramento técnico diminuiu e ainda houve a redução das feiras.
Sobre as feiras, após a extinção do Nesol, Rosa destaca:
Diminuiu as feiras, e, também, assim, quando a gente vai sem ter uma pessoa pra representar lá, assim, só as produtoras eu acho um pouco complicado. É porque, assim, eles não têm aquele respeito de grupo Unid@s não, sempre que a Vera, a Cíntia e o Marco tava lá, a gente tinha aquele apoio FUNCI, né? Aí, era melhor.
Há um relato de Aparecida, produtora do grupo Unid@s sobre a geração de trabalho e renda que o Nesol proporcionou:
Era muito importante esse trabalho que o Nesol fazia porque ajudava muita gente a tirar o pé da lama, né? Mas, se tudo continuar como está daqui a um tempo a gente arranja uma vida melhor pra nós e pros filhos da gente.
De fato, com a extinção, houve uma redução na participação das produtoras, tanto nos espaços de comercialização, quanto nos políticos, em especial, o fórum mensal. Isso porque
essas produtoras estavam acostumadas a ter uma equipe para assessorá-las e, em pouco tempo, isso acabou e elas ficaram sem um acompanhamento mais efetivo.
Essa extinção foi tão marcante para o grupo que Amparo e Rosa reafirmaram a necessidade da rearticulação do Nesol para assessorá-las. Rosa afirma:
Se as pessoas que tinha, que dava apoio a gente, pudesse voltar, e as colegas do grupo que se afastaram pudessem voltar ao grupo, ele seria mais forte, porque quanto mais gente melhor era. Eu acho que se tivesse mais produtora e tivesse um apoio melhor como a Cíntia, o Marcos, a Vera, era melhor.
Outra consequência foi a redução na renda das produtoras, para aquelas que tinham uma posição relativamente consolidada.
8 – KIT PRODUTIVO SOLIDÁRIO E AS COMPRAS COLETIVAS