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2.2 Un regard dans le pr´ esent

2.2.7 Les institutions

Inicialmente, considerando o percurso da amostra do presente estudo, pode- se observar que de um total de 283 bebês elegíveis, foi possível avaliar 147 bebês no período neonatal, sendo que ao final do estudo pode-se verificar a presença de 112 bebês na última avaliação realizada na faixa de 6 a 8 meses de idade cronológica corrigida. A amostra final constituída de 190 bebês pré-termo e de baixo peso foi considerada representativa (67%) da amostra elegível com base nos critérios de inclusão dos participantes. Além disso, a dificuldade de realizar estudos longitudinais e com populações de baixo nível sócio-econômico é apontada como destaque em alguns estudos sobre o desenvolvimento do bebê pré-termo. No

estudo realizado por Canotilho (2005) em uma amostra de bebês pré-termo extremos verificou-se 30% de taxa de abandono dos participantes da pesquisa.

No que se refere aos dados do nascimento dos bebês do presente estudo, prevaleceu o sexo masculino (57%), prematuridade moderada (mediana de 33 semanas de idade gestacional), adequados para a idade gestacional (AIG) e mediana de peso de 1.610g.

O sexo masculino é apontado em alguns estudos como fator de risco ao desenvolvimento dos bebês pré-termo devido à maior vulnerabilidade do sistema nervoso central destes bebês aos insultos durante o período gestacional, peri e pós- natal. No estudo realizado por Pilz e Schermann (2007), o sexo masculino esteve presente em 60% da amostra estudada e 27% dos bebês avaliados apresentaram risco no desenvolvimento global por meio do Teste de Denver II. A prematuridade moderada pode ser apontada como um fator de baixo risco, tendo em vista que bebês com idade gestacional inferior a 32 semanas apresentam maior imaturidade dos sistemas orgânicos, podendo desenvolver maior número de problemas clínico que prejudicam a saúde no período neonatal.

Alguns estudos encontraram perfil amostral semelhante ao encontrado no presente estudo. No estudo realizado por Restiffe (2004) foi encontrado 60% de bebês do sexo masculino, prevalência de prematuridade moderada, e 60% dos bebês com peso adequado para a idade gestacional (AIG). No estudo de Constantinou, Adamson-Macedo, Mirmiran e Fleisher (2007) foi utilizada uma amostra de 130 bebês pré-termo da fase neonatal até 18 meses de idade cronológica corrigida. Da amostra estudada, prevaleceu o sexo masculino (56%) e alto risco clínico neonatal (média de 4,0 no Neonatal Medical Index) e 7% dos bebês desenvolveram seqüela de paralisia cerebral.

Quanto à evolução clínica dos bebês no período de internação após o nascimento, verificou-se na amostra do presente estudo que as complicações clínicas neonatais mais freqüentes foram a síndrome do desconforto respiratório (85%), seguida de hiperbilirrubinemia (67%) e infecção neonatal (64%), a mediana do tempo de internação foi de 26 dias e o escores do CRIB revelou baixa pontuação, indicando baixo risco neonatal. A pontuação no Neonatal Medical Index (NMI), por sua vez, apresentou uma mediana de três pontos, o que indica presença de alto risco clínico neonatal na amostra. Além disso, em relação aos resultados da ultra- sonografia transfontanela, 25% da amostra apresentou alterações, sendo 15% hemorragia perintraventricular e 10% com leucomalácia periventricular. Estes bebês com alterações cerebrais são considerados de maior risco para desenvolver seqüelas neurológicas, tendo em vista a imaturidade morfológica e funcional do sistema nervoso em desenvolvimento.

De acordo com Brum e Schermann (2004), entre as afecções do período neonatal os transtornos relacionados à prematuridade, ao baixo peso ao nascer e à síndrome do desconforto respiratório do recém-nascido são os principais responsáveis pelos óbitos ocorridos no primeiro ano de vida.

No estudo realizado por Padovani (2005) foi verificada uma média de dois pontos nos escores do CRIB em uma amostra de bebês com tempo de internação médio de 53 dias. O tempo de internação é um dos principais fatores de risco para amostras de bebês vulneráveis do ponto de vista biológico, pois a permanência no ambiente hospitalar por período prolongado além da favorecer o aparecimento de complicações infecciosas, também pode privar o bebê de ter experiências sensoriais, motoras e afetivas prazerosas em contado com sua mãe no ambiente domiciliar.

Quanto aos dados das mães dos bebês, verificou-se que 40% das mães planejaram a gravidez, a mediana de idade foi de 24 anos, com uma mediana de cinco consultas no pré-natal e prevalência de infecção do trato urinário (68%), anemia (35%) e hipertensão arterial (29%) dentre as complicações clínicas maternas. O não planejamento da gravidez pode também estar intimamente relacionado com a baixa freqüência das mães nas consultas do pré-natal. A maior parte das mães referiu que descobriu que estava grávida com dois meses de gestação e na história obstétrica a mediana foi de duas gestações para cada mãe.

O resultado a respeito do pré-natal é concordante com o estudo de Faria (2004), que estudou fatores de risco para o nascimento pré-termo e de baixo peso no estado de Goiás do ano 2000. O estudo revelou que 47% das mães dos recém- nascidos da amostra realizaram menos que sete consultas no pré-natal e em 3% dos casos nenhuma consulta foi registrada. Do ponto de vista da saúde pública, a baixa cobertura pode refletir no acesso aos serviços de saúde e maior probabilidade de riscos à saúde da mãe e do bebê.

De acordo com Prochnik e Carvalho (2001), ao contrário dos países desenvolvidos onde a primeira causa de mortalidade no período perinatal é a malformação congênita, no Brasil, a maioria dos óbitos perinatais é determinada pelas condições de atendimento à gestante, à parturiente e ao recém-nascido. Além disso, as precárias condições de vida das mães e a ausência de um pré-natal de boa qualidade podem ser fortes razões para o baixo peso ao nascimento e a prematuridade. Durante o pré-natal é possível fazer o acompanhamento da saúde da gestante, ganho de peso, hábitos de vida, monitorização da pressão arterial, realização de exames e prescrição de suplementos alimentares e vitaminas. No presente estudo, foi encontrada a mediana de 2,5 exames de ultra-sonografias

realizadas pelas mães no período gestacional, o que pode ser considerado insuficiente para o acompanhamento adequado de uma gravidez (Corrêa, 1998; Minagawa et al., 2006).

Quanto à idade da mãe, o estudo realizado por Canotilho (2005) em uma amostra de bebês pré-termo extremos submetidos ao método mãe-canguru verificou uma média de 24 anos de idade das mães (± 5,2). Este período é considerado dentro da faixa etária reprodutiva para mulheres, entre 20 a 35 anos.

Em relação aos dados sócio-econômicos dos participantes do estudo, verificou-se que 77% das mães encontravam-se em união estável com seus companheiros. Os resultados são semelhantes aos do estudo de Santa Maria- Mengel (2006) em que as famílias eram formadas predominantemente por uniões estáveis. Este resultado pode ser considerado como um fator potencialmente protetor, neutralizando o efeito de adversidade no desenvolvimento da criança. Quando os pais encontram-se em união civil estável a família apresenta maior apoio para os cuidados com o bebê, o acompanhamento ao serviço de saúde. Além disso, o bebê convive diretamente com o pai e a mãe, o que favorece as interações, o equilíbrio emocional e o desenvolvimento.

Os achados do presente estudo revelaram que o nível de escolaridade prevalente dos pais foi o fundamental (59%) e das mães foi o ensino médio (52%). Verificou-se também que 66% das mães não trabalhavam fora de casa, 94% dos chefes de família estavam empregados, 43% das famílias possuíam casa própria e a mediana da renda familiar foi de dois salários mínimos (valor vigente: R$ 300,00). Estes resultados refletem a realidade de grande parte da pirâmide social brasileira, em que a maior parte das mães são trabalhadoras do lar e o chefe da família trabalha para a manutenção das condições básicas do lar. O nível de escolaridade

dos pais também é um ponto importante na forma como a família é administrada, os cuidados de saúde e higiene com a criança, e o suporte informacional sobre prevenção em saúde.

No estudo realizado por Canotilho (2005) a escolaridade materna prevalente na amostra de bebês pré-termo foi o nível fundamental (60%), união civil estável para todas as mães e renda familiar entre dois a três salários mínimos. Esses resultados também são concordantes com o estudo de Padovani (2005) e Mello (2003). No estudo de Mello (2003), 41% das mães dos bebês encontravam-se no nível fundamental de escolaridade, enquanto no estudo de Padovani (2005), esta prevalência foi maior (60%). Estes resultados foram diferentes dos encontrados no presente estudo, em que a escolaridade do pai foi mais baixa que a escolaridade da mãe, o que pode estar relacionado ao fato de que a maior parte dos chefes das famílias encontravam-se empregados, deixando os estudos para segundo plano.

Quanto ao trabalho dos pais, os resultados do presente estudo são concordantes com o estudo de Santa Maria-Mengel (2006), que estudou uma amostra de crianças e famílias cadastradas no Programa Saúde da Família (PSF). No referido estudo, a maior parte das mães (76%) não trabalhavam fora do lar e houve predomínio da figura paterna como chefe da família.

No presente estudo foi observada uma mediana de quatro cômodos na casa, com mediana de cinco pessoas residentes no domicílio. Em relação à classe sócio- econômica, 67% das famílias apresentavam baixo nível econômico, sendo classe D (51%) e classe E (16%). A quantidade de cômodos na casa reflete a quantidade de espaços disponíveis para a mobilidade dentro do lar e está diretamente relacionado ao poder aquisitivo. Quanto a relação de número de pessoas pelo número de cômodos verificou-se também que os bebês residiam em casa com grande

densidade de pessoas, em que a mediana foi de 0,8 pessoa /cômodo. Geralmente, famílias de baixa renda não possuem condições de adquirir residências com muitos cômodos.

5.2. Indicadores de risco para problemas no desenvolvimento