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Tourismes et identités dans les Atlas

II. Le tourisme, ressource identitaire dans les Atlas

2. Les identités dans les marges : lecture par la « ressource »

Localiza-se no setor de baixa encosta do planalto sedimentar (Figura 30), em uma cota altimétrica de 415m, nas coordenadas 7º18'18,63''S e 39º15'59,38''O e distando (em linha reta) em torno de 800m da rodovia que liga Barbalha a Missão Velha. Em detalhe, encontra-se disposto na paisagem formando uma rampa que baliza o topo de uma superfície com morfologia colinosa, cujo desnível em relação ao nível de base local é de aproximadamente 70m. Geometricamente, o perfil topográfico apresenta topo suavemente plano e encosta com certa convexidade e uma base côncava.

Na área, existe uma extração intensa de material para construção, de modo que o ponto amostrado corresponde a um muro natural de material ainda preservado. Associado a isso, a jusante o perfil, existem várias voçorocas de dimensões variadas, as quais, em alguns trechos, exibem o embasamento. Na superfície, devido a remobilização do material, a unidade deposicional que forma a cascalheira encontra-se aflorando e formando um pavimento rudáceo.

Figura 30 - Perfis topográficos traçados em relação ao ponto amostrado CSB-B (Ver Figura 17); A - Visão geral da área.

O perfil estratigráfico mediu 3,60m (Figura 31) e expõe, do topo para a base, uma sobreposição de depósitos, com cores avermelhadas e estrutura maciça, sendo delimitados conforme as descontinuidades internas reconhecíveis. Assim sendo, temos: no topo, um fluxo de lama de textura areia síltica, cor avermelhada, estrutura maciça e presença de raízes hodiernas; na base daquele, um paleopavimento encontra-se formado limitando a unidade abaixo, de composição areia síltica, cor avermelhada e com presença de grânulos de quartzo. Tal paleopavimento, constituído de clastos que variam desde grânulos à fração com dimensão superior a 10cm, sendo estes distribuídos aleatoriamente e por vezes sub-angulosos, sugere a parte distal de um fluxo de detrito cuja matriz fina foi evacuada da paisagem pelos processos de erosão laminar, demonstrando uma pausa na sedimentação. A camada de areia síltica de espessura delgada, separa uma pequena cascalheira matriz suportada, cuja macrofábrica é aparentemente igual a que constitui o paleopavimento, com exceção apenas dos clastos maiores. Essas três sequências, apesar de diferentes morfologicamente, suscita a

hipótese de que seriam fluxos sobrepostos com reorganização interna diferenciada por perda de matriz.

Imediatamente, uma outra sequência de textura areia síltica com presença de grânulos, intercalada por cascalheira matriz suportada, estrutura a base do perfil. Sugere uma sobreposição de fluxos de lama e de detrito, de forma que este representaria um momento em que houve uma concentração dos grossos na matriz, formando uma cascalheira matriz suportada.

Nesse perfil, as classes modais silte/areia mostraram-se inversamente proporcionais à medida que aumenta a profundidade, sem, contudo, refutar o controle da litologia na organização interna do perfil. O aumento progressivo da fração areia em relação ao silte para a base do perfil, fato que atribui ao material um caráter arenoso e, por vezes, areno- cascalhoso, alinha com o modelo de Camargo Filho e Bigarella (1998) para os depósitos sob clima semiárido, e que foram submetidos a processos como erosão laminar, removendo as partículas lamosas da paisagem, e fluxos de detritos rasos de baixa viscosidade.

5.2.5.1 Propriedades sedimentológicas, micromorfologia e idades: compilação dos dados

Mineralogicamente o quartzo, por vezes ferruginoso, constitui a fábrica das unidades deposicionais, cuja forma dos grãos apresenta-se bastante heterogênea tanto no grau de arredondamento, quanto na esfericidade e textura superficial. Nesta ordem, variam predominantemente de sub angular a arredondado, de sub discoidal a discoidal e de transparente a brilhante. Embora a classe arredondado esteja entre as principais e que ainda possa existir uma herança genética do material parental, o arranjo morfológico dos grãos demonstra que os sedimentos foram moderamente retrabalhado durante o transporte e que estão relativamente próximos da fonte.

De acordo com os parâmetros estatísticos, tais comportam-se muito pobremente selecionadas, assimetria positiva e de hidrodinâmica alta a muito alta. Contudo, nos dados de curtose ambas apresentaram-se diferentes, reservando a categoria platicúrtica para a mostra CSB-B-1,10, de idade 28.670 ± 4.220, e a muito leptocúrtica para a amostra CSB-B-245, de idade 72.000 ± 12.900. Essas informações remete que tais depósitos foram formados em ambientes de alta energia e com variações nas condições de transporte do fluido transportador. Embora a curtose platicúrtica indique uma relativa predominância das classes modais grossas, a curtose leptocúrtica refletiu a sua majoritária concentração - 71,79% de classe modal areia e 8,045 de cascalho. Essa discrepância entre fração grossa e lamosa na

unidade basal do depósito fortalece a hipótese defendida por Camargo Filho e Bigarella (1998) do retrabalhamento dos colúvios cuja resposta é a remobilização dos finos pelos processos superficiais.

A análise micromorfológica demonstra a heterogeneidade dos constituintes, com uma tendência para as partículas mais grossas (Figura 32). São unidades deposicionais cuja distribuição relativa dos constituintes - Esqueleto (cerca de 50%), plasma (cerca de 25%) e poros (cerca de 25%) - comporta-se como porfírica fechada, com trechos porfirica aberta, gefúrica e enáulica, sendo esses situados preferencialmente nas zonas centrais das lâminas. Os constituintes do esqueleto estão distribuídas de forma aleatória, às vezes com padrão linear e estratificações discretas. Na composição do esqueleto litorrelíquias do tipo fragmentos de rochas foram encontrados.

Quanto ao plasma observa-se uma moderada a forte impregnação por óxido de ferro, disperso no fundo matricial e isoladamente gerando feições intrusiva de preenchimento solto descontínuo. Predominantemente exibe orientação indiferenciada, ocorrendo localmente manchada pontilhada e granoestriada. Apesar de limitada, verifica-se a ocorrência de pedofeições de hipocutã de depleção de grão e de impregnação de grão, sendo esta a mais recorrente em ambas as amostras. Na lâmina CSB-B-110 foi constatado um quasicutã de impregnação de poro. Dispersos no fundo matricial, também foram encontrados nódulos de ferro tanto herdados quanto formados in situ.

A porosidade encontrada compreende predominantemente a classe dos cavitários seguido dos compostos, sendo ainda encontrado poro canal e um vesicular na amostra CSB- B-110. Os poros cavitários demonstram feições de desmonte, com preenchimento solto descontinuo do material plásmico.

A organização do material plásmico em "peds" do tipo microagregados são nítidos apenas nos setores considerados enaúlica e gefúrica. Contudo, os "peds" observados apresentam-se fracamente a moderamente separados, por vezes fortemente, dispostos de forma não acomodada. Evidência de "peds" em blocos foi encontrado na amostra CSB-B-110. Os dados de difração de raios-X revelaram que esse material plásmico possui argilomineral do grupo 1:1, a caulinita.

Com base na sistematização dos dados pode-se apontar:

Trata-se de uma sobreposição de fluxos intercalado por um cascalheira clasto suportada e uma matriz suportada. Àquela indicando um possível paleopavimento resultante da perda de matriz e concentração de grossos, e esta a parte distal de um fluxo de detrito de baixa energia e sem incorporação da fração mais grossa, no qual possivelmente o tempo de ocorrência de processos superficiais não foram suficientes para remover a matriz.

A micromorfologia confirma que tal depósito é realmente alóctone e que a componente água esteve presente tanto durante como após a deposição, e nesse caso uma resposta sobretudo ao retrabalhamento pelo escoamento superficial. As microfeições pós deposicionais de hipocutãs e quasicutã, embora incipientes, associadas a ocorrência de poros cavitários com aspectos de desmonte ratificam a relativa continuidade da água no sistema e a sucessiva remobilização do material plásmico expressada pelo preenchimento dos poros cavitários e as feições de depleção.

A matriz porfírica mostra o caráter moderadamente viscoso do fluxo com elevada concentração de sedimento saturado por água, o qual, durante o processo, sofreu mudanças reológicas sutis observadas pelas microestratificações discretas (PAISANI e GEREMIAS, 2010). Esse aumento de água no processo pode ser apenas uma resposta a retenção de material ao longo da encosta. Embora os dados granulométrico apontem para uma redução majoritária da fração de finos na amostra CSB-B-245, a micromorfologia diz que certa viscosidade também esteve presente no processo deposicional dessa unidade. Nódulos de LEGENDA: CSB-B-245: A) Visão geral com microestratificações; B)1- Poro cavitário com aspecto de desmonte; 2-Pedorrelíquia; C) 3 - Litorrelíquia; D) 4 - Microagregado; I) 12- Formação de hipocutã de depleção de grão; CSB-B-110: E) 5- Poro com resto orgânico; 6) Hipocutã de impregnação de grão; F) 7- Poro com um quasicutã de impregnação;8- Nódulo herdado; G) Microestratificação; 9- Nódulo sendo formado; 10 - Poro canal; H) 11- Nódulo herdado; J) 13- Nódulo herdado.

ferro herdados e in situ, embora de ocorrência pontuais, sugerem a presença de umidade anterior e após a deposição.

O grau de pedalidade observado e a ocorrência localizada de plasma com orientação granoestriada e manchada pontilhada indicam a persistência das características deposicionais na estrutura interna do perfil, sugerindo a sua imaturidade pedogenética assim como a herança genética. De um modo geral, a espessura do perfil associada a mineralogia da argila remete a um material de origem ligado a uma cobertura pedológica de expressiva ocorrência e grau de evolução pedogeoquímica considerável. Contudo, é provável que o clima e/ou morfogênese não possibilitou o avanço desses processos na evolução pedológica do material pós deposição.