CONSTITUTION ET TRAITEMENT DES DONNÉES DU COURS D’EXPÉRIENCE
11.2 Le traitement des données
11.2.2 Identification des composantes du signe hexadique
Segundo Mascarenhas (2008) a feira livre no Brasil constitui modalidade de mercado varejista ao ar livre, de periodicidade semanal, organizada como serviço de utilidade pública pela municipalidade e voltada para a distribuição local de gêneros alimentícios e produtos básicos. Desempenham ainda hoje papel relativamente importante no abastecimento urbano, apesar das políticas públicas adversas que tiveram de enfrentar nos últimos 30 anos e a concorrência com os supermercados. Neste caso, a proposta neoliberal tenta vender a imagem dos supermercados como moderna e organizada e vincular a feira livre à ideia de sujeira, desorganização e passado.
A feira livre é uma estrutura dos tempos feudais sobrevivendo na dinâmica capitalista contemporânea. Mesmo com registro de intensa comercialização de produtos desde o povoamento da cidade, a primeira construção municipal para abrigar a feira livre data de 1907, onde atualmente fica a Praça Félix Pacheco, próximo à igreja matriz. Antes disso a feira se concentrava nos arredores da Igreja do Sagrado Coração, próximo à entrada da cidade.
Somente na década de 40 ocorre a primeira mudança significativa da feira,quando o poder público a transfere para as proximidades da catedral, com a construção do prédio do Mercado Público. Com crescimento contínuo a feira ocupava a parte interna do prédio e se aglomerava nas suas proximidades.
Figura 4: Mercado Público de Picos – 1.907
Fonte: Museu Ozildo Albano – Picos
Figura 5: Visão panorâmica da Feira em 1950
Fonte: Museu Ozildo Albano – Picos
Figura 6: Prédio do Mercado Público – 1950
A feira livre, sob a ótica neoliberal, torna-se um território desprezado pelas políticas públicas por não estar em compasso com as novas tendências econômicas e culturais mundiais. Os supermercados substituem as feiras livres atingindo outros setores informais de comercialização (entre eles a quitanda, o ambulante), ao concentrar em sua estrutura diversos produtos que consumimos. Nos supermercados não existe a negociação de preços (pechincha) ou mesmo a concorrência entre os setores (barracas) pela preferência do consumidor.
Figura 7: Feira livre de Picos - 1950
Ainda Mascarenhas (2008) apresenta como uma atividade que, apesar de estar em desarmonia com as exigências de mercado consideradas primordiais atualmente para que um empreendimento seja bem sucedido, representa em suas características de exclusão e desatenção pela administração pública, um lócus intrinsecamente pós-moderno quanto às consequências cruéis que este modelo pode gerar.
Fonte: Museu Ozildo Albano - Picos
Figura 8: Feira de Picos – 1950
A feira livre de Picos distribui-se pela cidade em 600 pontos cadastrados pela Prefeitura, no centro da cidade e no Bairro Junco. Fazendo parte da história do município desde 1907, quando o prédio do Mercado Central foi construído, a feira livre integra a dinâmica da cidade, reproduzindo em seu cotidiano as dificuldades percebidas em outros setores: falta de saneamento básico e aumento do trabalho informal. Aos sábados, quando a fiscalização da Prefeitura é ausente, a aglomeração de novas bancas próxima à feira é contínua e crescente.
As visitas permitiram perceber situações comuns aos trabalhadores, independente de sexo e específicas para homens e mulheres.
A feira livre de Picos além de espaço de convivência é o canal de escoamento dos pequenos e médios produtores da região. Mesmo com a inauguração de um grande empreendimento comercial na cidade, aproximadamente há três anos, a feira continua referência no abastecimento de hortaliças, frutas e roupas. A estrutura física insuficiente para abrigar as bancas, obriga as pessoas se aglomeram nas calçadas e ruas para montar a barraca e comercializar os produtos.
Em 2005, houve a segunda mudança, retirando as bancas das calçadas das ruas adjacentes e concentrando os pontos de venda à frente do prédio do Mercado Central, a medida foi justificada, pelo poder público, devido o comprometimento do trânsito e dificuldade de acesso às lojas locadas nestas ruas. Essa mudança provocou a reativação da Associação de Trabalhadores da Feira Livre de Picos- AVAPI. Criada em 1991, a associação esteve ativa até 1996, quando suas atividades foram quase extintas, com a mudança planejada pela Prefeitura, os trabalhadores se organizaram em torno da Associação tentando garantir a posse do ponto e uma relocação no novo espaço sem prejuízos para sua clientela. Além da permanência na feira, a outra grande preocupação seria a visibilidade no local, facilitando a identificação pelo cliente.
A Associação apresentou-se como mediadora nas negociações com o poder público durante todo o período da mudança. Em 2006, após a conclusão da reestruturação do espaço, as atividades da Associação foram reduzidas e atualmente não consegue organizar eleições para mudança de presidente por falta de candidatos. Segundo o último presidente, eleito em 2005 e com mandato até 2007, e que se denomina atualmente como representante da associação ―o grupo só se organiza quando está ameaçado‖, apresentando um dos problemas mais comuns das associações de manter-se agregados e organizados.
Mesmo representando a mesma categoria de trabalhadores, a Associação não agrega o setor de roupas, mantendo-se à parte do processo organizativo. A resposta mais frequente para a não-participação deles é que ―nossos problemas são diferentes‖.
A Prefeitura além de alterar a organização dos pontos, nessa época, definiu a localização (negociada com os trabalhadores) e definiu a taxa de contribuição de cada ponto a partir do cadastro deles junto à Secretaria de Finanças. Também organizou o acompanhamento de fiscais que continuamente conferem se não há estabelecimento de novos pontos.
Figura 9: Presença de esgoto na Feira
A feira de frutas tem 50 pontos cadastrados, divididos em dois setores: frutas/ verduras e doces/ervas. Aos sábados novas bancas são agregadas ao espaço, devido a ausência dos fiscais da prefeitura. Neste setor o maior problema observado foi a presença do esgoto a céu aberto. Em dias de chuva a situação fica crítica. Para utilizar melhor o espaço e minimizar a exposição do córrego, os trabalhadores colocaram tábuas sobre o canal, montando suas barracas na área.
Fonte: Arquivo da Pesquisadora
Figura 10: Setor de frutas e verduras na Feira
O setor de roupas tem 198 pontos cadastrados. O setor de roupas tem o tráfego de carros dividindo parte dos pontos, com a disposição das roupas a circulação de ar fica comprometida, sendo o trânsito e o calor excessivo seus reclames mais frequentes.
Figura 11: Setor de roupas da Feira de Picos – 2010
Fonte: Arquivo da pesquisadora
A dinâmica da feira livre segue uma programação diferenciada em cada setor. No setor de frutas e verduras o abastecimento ocorre na terças, à noite. O movimento segue intenso até sábado, aos domingos a feira não funciona. Muitos feirantes seguem para localidades ou cidades menores para participar da feira semanal, que acontece neste dia. Por isso, na segunda, o movimento diminui devido a ausência destes trabalhadores que não conseguem deslocar-se em tempo hábil, devido a distância destas localidades/municípios.
Aos sábados se aglomeram ao redor da feira outros vendedores (móveis, louças, objetos de decoração, alumínios), habitantes das cidades vizinhas chegam para realizar comprar e utilizar serviços que seu município ainda não possui. Ao fim do dia as barracas são cobertas com lonas ou plástico e amarrada com cordões. Tanto no setor de frutas como no setor de roupas, os trabalhadores contrataram o serviço de vigias, o pagamento é feito com arrecadação entre eles. Assim eles evitam o transporte diário das mercadorias para um depósito próximo, antes utilizado para este fim.