Surfaces de Riemann et surfaces riemanniennes
III.1. Felix Klein et l’illustration de la théorie de Riemann
Como já afirmado acima, são poucos os estudos sobre interrupção, sendo o assunto inserido na organização de eventos com características e contextos diversos, no mais das vezes situações particulares da conversa informal. A interrupção é um recurso muito utilizado e normalmente encarado com naturalidade. A sua recorrência e o tipo de evento são determinantes para diferentes interpretações, daí sugerirmos que podemos classificar interrupções como mais
negativa, neutra e até mesmo positiva.
Primeiramente, é necessário definir o conceito de interrupção à qual a pesquisa se refere, os seus tipos e quais são mais pertinentes para o estudo em questão. Marcuschi (1997) não busca desenvolver questões específicas sobre o tema interrupção, mas a conceitua como um recurso utilizado para obter o turno
durante uma interação. Assim, não consideramos a auto-interrupção, mas somente
aquela em que o falante corrente é interrompido pelo interlocutor.
Nesse estudo foram encontradas interrupções mais neutras, que não causaram um conflito direto e outras que causaram de fato um conflito ou foram negativamente avaliadas e foram chamadas de interrupções de sarcasmo ou
insulto. Os dados são associados com a impolidez, pois as interrupções causadoras
de conflitos são mais recorrentes do que aparentam ser a princípio. Como exposto, alguns autores como West & Zimmerman trabalham com um conceito de interrupção atrelado ao de poder social. A interrupção estaria ligada então a diferentes tipos de assimetrias. Essa assimetria é apenas um dos fatores que influencia a interrupção e
não o fator determinante. A interrupção em sala de aula não acontece apenas por parte do professor, que possui o maior poder nesse contexto específico, pois os alunos interrompem frequentemente.
A assimetria com certeza possui um papel importante no desenvolvimento e organização dos turnos, entretanto não é o único fator que influencia os interlocutores a interromper. Uma interrupção recorrente é por parte do professor para que apenas um aluno fale por vez, controlando assim quem fala primeiro e quem fala em seguida. A assimetria acontece em muitas vezes como um recurso gerenciador por parte do professor para organizar os turnos e a sequência e fluidez da aula.
Quando essa fluidez era interrompida com maior frequência e, consequentemente dificultava o desenvolvimento do tópico da aula, o professor sempre intervia. Em uma das aulas observadas, por exemplo, uma das alunas estava impacientemente perguntando ao professor a hora. A cada cinco ou dez minutos acontecia uma interrupção. O professor ao ver que a aluna não iria parar de perguntar, teve que ser mais rigoroso e dizer “Quando a aula terminar você vai saber, pare de continuar perguntando a hora”. Outro momento em que o professor teve que ser mais rígido foi quando uma das alunas estava espirrando sem proteger o rosto e o professor teve que parar a aula e pedir para ela usar um lenço, evitando assim proliferar o risco de contaminação com os demais colegas e com ele mesmo.
A pergunta da aluna sobre a hora e o espirro da colega contam como turnos de fala. A interrupção deve ser caracterizada como um turno que sobrepõe a o
turno de outra pessoa, causando assim uma quebra na fluidez ou mesmo um
conflito. Quando há de fato o conflito é possível haver impolidez, já que pelo menos um dos participantes considerou aquela fala ou turno como agressivo ou inapropriado.
Ademais, A interrupção, semelhantemente à impolidez deve ser analisada localmente, dessa maneira os tipos ou as motivações para as interrupções são definidas através das funções que realizam no discurso: interrupções para corrigir o outro, para encerrar um tópico, para fazer perguntas, para dar opinião, entre outras.
Como dito, Tannen (1989) discute a interrupção como algo que pode ser também colaborativo. Na pesquisa diferenciamos ações puramente colaborativas, como os sinais retroalimentadores ou backchannels das interrupções. Esses não
sofrem avaliações negativas e não ocasionam quebras na fluidez da fala dos participantes.
Nem todas as vezes em que tomamos o turno em uma conversa estamos interrompendo a fala do outro. Porém, reconhecer os momentos que permitem a inserção de uma nova fala, produzida por um novo falante nem sempre é tão clara. Quando a conversa envolve membros os quais são amigos ou próximos um do outro de alguma forma, a interação normalmente requer menos cuidado com o conteúdo das mensagens, com interrupções. Porém, quando ela ocorre em um ambiente institucional, no qual existem certas limitações ou condições específicas, tais como hierarquias em uma empresa ou ambiente escolar, essas relações alteram o gerenciamento da interação.
Em sala de aula, os momentos possíveis para interrupções são específicos e dependem bastante da avaliação feita pelos interlocutores sobre a mensagem. O professor por ter maior controle da interação e consequentemente mais poder na escolha dos tópicos desenvolvidos na aula e, até mesmo, da seleção dos falantes em algumas atividades (perguntas direcionadas para alunos específicos ou para a turma toda, por exemplo), pode potencialmente interromper mais ou fazê-lo com menos cuidado do que o aluno, por exemplo.
Algumas interrupções possuem funções exclusivamente pedagógicas no ambiente da aula se tornando mais complexas do que apenas um jogo de poder. O conceito aqui utilizado advém da análise conversacional e se baseia em Marcuschi (1997) como descrito acima, isto é, são turnos sobrepostos com funções
específicas e em Liddicoat (2007) que considera a tomada de turno como a
negociação de regras dos falantes quanto à organização dos turnos de maneira interativa, intuitiva e contextual. Ao considerar interrupção como fala sobreposta, no entanto, é necessário diferenciá-la do conceito de sinal retroalimentador, ou backchannel.