2 L’air, le souffle, le vent et l’âme
grammaticaux 2 : Le signe linguistique
4.2.3 Evolution et disparition des modèles représentationnels
A estratégia de pesquisa, ou o tipo de delineamento de uma pesquisa significa a maneira pela qual o pesquisador pretende obter os dados a serem posteriormente analisados. Tendo como ponto de partida uma natureza plural, a corrente estruturalista e qualitativa, e o caráter exploratório e descritivo do fenômeno de aproximação entre empresas ex-estatais e produtos culturais, estabeleceu-se o estudo de caso como estratégia de pesquisa (YIN, 2001; GIL, 2002; GODOY, 1995b). O estudo de caso ‘visa ao exame detalhado de um ambiente, de
um simples sujeito ou de uma situação em particular’ (GODOY, 1995b, p. 25).
A adoção dessa estratégia foi favorecida por todo o conjunto de ações componentes da metodologia de pesquisa. O uso de entrevistas como um dos principais métodos de coleta de dados, a análise interpretativa e subjetiva relacionada aos conceitos revisados no capítulo anterior, e a triangulação dos dados de campo com informações obtidas na empresa e em órgãos associados (dados da própria empresa, da agência reguladora, de órgão de proteção ao consumidor, e de empresas concorrentes), contribuíram para a adoção dessa estratégia (essas ações serão mais bem descritas nas seções seguintes desse capítulo). Os estudos de caso são mais apropriados para esclarecer questões particulares acerca de determinado fenômeno relacional e não para a análise de um único e determinado objeto. Essa característica reforça o argumento de que os estudos de caso são mais apropriados para contribuírem no desenvolvimento de pesquisas qualitativas.
Os estudos de caso tratam de casos típicos ou não usuais (GODOY, 1995b). Para esse estudo, argumenta-se que a investigação de uma empresa ex-estatal do setor de telecomunicações e sua aproximação aos produtos culturais é, de maneira mais ampla, uma situação típica, por se tratar da análise de uma grande empresa que investe em produtos culturais e tem um recente passado como estatal. Ao mesmo tempo, de maneira mais específica, trata-se também de uma investigação não usual, pois o interesse de pesquisa, referente à análise de empresa ex-estatal que investe em produtos culturais sob o escopo de marketing e estratégia, ainda é incipiente. Intencionalmente, escolheu-se uma empresa que tem boa representatividade no setor e passou pelo recente processo de reformas durante a
década de 1990, quando foi privatizada. Ademais, é uma empresa que se destaca no investimento em produtos culturais e utiliza esse investimento não apenas como recurso de marketing, mas também estratégico, como será mais bem explicitado no capítulo seguinte.
Ademais, pode-se dizer que o problema de pesquisa está relacionado com o como e o por que de determinada relação. Questões definidas pelas palavras “como” e “por que”, segundo Yin (2001), são mais bem respondidas por meio de estudos de caso (ver Quadro 3.1). Além disso, segundo esse mesmo autor, os estudos de caso se aplicam em situações em que determinado fenômeno ou evento não são controlados pelo pesquisador e assim há uma linha tênue entre esse fenômeno e o seu contexto. Em outras palavras, como uma investigação não usual, de um caso típico e recente, espera-se investigar a aproximação entre a empresa ex- estatal escolhida e produtos culturais focando ainda na importância de outras empresas formadoras do setor, nacionais e estrangeiras, nos órgãos de governo associados, nos consumidores e na sua posição quanto às ações da empresa, além de focar também nas influências do fenômeno da globalização. Portanto, “O estudo de caso permite uma
investigação para se preservar as características holísticas e significativas dos eventos da vida real” (YIN, 2001, p. 21).
O estudo de caso dá suporte para a pesquisa qualitativa, na medida em que também prevê a aproximação do pesquisador ao campo de estudo. Nesse ponto, cabe destacar que por mais que o pesquisador não seja um insider,ele não deve estar tão afastado de seu objeto de estudo (EVERED e LOUIS, 1981). É preciso, contudo, estar atento para filtrar o processo de coleta e análise de dados; afinal, por mais afastado que um pesquisador se encontre, ao adentrar no “território” de pesquisa, ele incondicionalmente incorpora visões deturpadas referentes ao seu local de atuação e análise (EVERED e LOUIS, 1981; MAANEN, 1979). Esse fato, contudo, é mais do que esperado em estudos de caso e em pesquisas qualitativas e deve ser buscada a sua atenuação por meio de auto-avaliações, autocríticas e conversas com outros pesquisadores sobre a pesquisa em curso (nesse caso, os pesquisadores interlocutores, podem ser considerados externos à pesquisa em questão).
ESTRATÉGIA Forma da questão de pesquisa Exige controle sobre eventos comportamentais? Focaliza acontecimentos contemporâneos? Experimento Como? Por que? Sim Sim Levantamento Quem? O que? Onde?
Quantos? Quanto?
Não Sim análise de arquivos Quem? O que? Onde?
Quantos? Quanto?
Não Sim / Não Pesquisa histórica Como? Por que? Não Não
Estudo de caso Como? por que? Não Sim Quadro 3.1: Diferentes estratégias de pesquisa e onde melhor são aplicadas
Fonte: YIN, 2001, P.24.
A investigação de diferentes departamentos ou funções dentro de uma empresa e a obtenção de informações por meio de entrevistas, coleta de documentos primários e secundários, e observação não participante relacionadas ao fenômeno de aproximação dessa empresa com produtos culturais, está de acordo com a conceituação de estudo caso. Em estudos de caso, unidades-caso são definidas como: “uma família ou qualquer outro grupo
social, um pequeno grupo, uma organização, um conjunto de relações, um papel social, um processo social, uma comunidade, uma nação ou mesmo toda uma cultura” (GIL, 2002, p.
138).
Apesar de a pesquisa ser eminentemente qualitativa, isso não determina o uso da estratégia do estudo de caso. Segundo Yin (2001, p.33), os estudos de caso podem servir tanto aos propósitos de uma pesquisa qualitativa, quanto aos propósitos de uma pesquisa quantitativa e adverte que “uma estratégia de estudo de caso não deve ser confundida com
pesquisa qualitativa”.
Existem algumas críticas em relação ao emprego de estudos de caso em pesquisas acadêmicas. Alguns autores chegam a denominá-los como uma pesquisa sem valor científico. Yin (2001) afirma que há três preconceitos ou possíveis limitações sob as quais os estudos de caso estão sujeitos. O primeiro seria a questão da falta de rigor metodológico, em que se argumenta que o objeto de investigação é de difícil delimitação e por isso o pesquisador poderia ser tendencioso em suas descobertas. Para a presente pesquisa, não se espera obter uma precisão quanto à unidade-caso. É possível que, ao final da pesquisa, fique mais claro para o pesquisador as fronteiras da sua unidade-caso. Isso ocorre pelo fato de não se saber precisamente quais setores e quais atores da empresa em questão se pretende analisar. Sabe-se que deve haver uma aproximação entre o pesquisador e setores e atores responsáveis pela aproximação da ‘empresa-caso’ com produtos culturais. Mas isso não significa a delimitação
acertada para esse tipo de investigação. Quer dizer, apesar de ter sido feita uma escolha de quais setores da empresa analisar e com quais funcionários se relacionar, não se pode dizer que esse era o único caminho, ou o mais correto deles.
A segunda crítica seria referente à baixa capacidade de generalização científica, em que se argumenta que não é possível, por meio de um estudo de caso, inferir sobre alguma amostra ou determinada população. No entanto, com a escolha de um uma investigação não usual de um caso típico e bastante relevante à realidade organizacional brasileira, o estudo de caso permite um maior aprofundamento sobre seus desdobramentos e particularidades, complementando pesquisas que se ocuparam em fazer inferências mais gerais sobre o setor ou sobre a aproximação entre empresas e produtos culturais de maneira geral (ver, por exemplo, LANCASTER e BRIERLEY, 2001; FARIA, 2002; DOH e TEEGEN, 2003; NARVER e SLATER, 1990; BECKER, 2003; BETTS, 2003). Argumenta-se que seu objetivo central é incrementar teorias e não enumerar freqüências (YIN, 2001).
Como uma terceira limitação, pode ser apontada a questão da demora de sua realização. Conseqüentemente, o número de documentos produzidos dificilmente é acessado, já que se espera que num estudo de caso, a produção e coleta desses documentos seja substancial para validar a pesquisa. Ademais, outras críticas sugerem que estudos de caso seriam apropriados apenas em investigações de natureza exploratória, e não para investigações causais ou explanatórias (YIN, 2001). Conforme defende Yin (2001), essa restrição aos estudos de caso não está correta. Esse autor cita um importante artigo de G. T. Allison em que analisa o processo de decisão com o clássico caso da Crise dos Mísseis de Cuba. Dessa maneira, Yin (2001) defende que os diferentes propósitos de pesquisa – exploratório, descritivo ou explanatório – podem ser atingidos pelas diferentes estratégias de pesquisa, sejam estudos de caso, sejam experimentos, ou em outras formas de coleta de dados. Justamente pela sua ampla possibilidade de realização e pela profundidade com que se obtêm dados, os estudos de caso têm importante papel científico (COOPER e SCHINDLER, 2003).
Em suma, podemos definir os estudos de caso de diferentes maneiras, a primeira delas seria “uma investigação empírica que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu
contexto da vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos”. Além disso, e como complemento da definição anterior,
uma investigação de estudo de caso enfrenta uma situação tecnicamente única em que haverá muito mais variáveis de interesse do que pontos de dados, e, como
resultado, baseia-se em várias fontes de evidências, com os dados precisando convergir em um formato, com os dados precisando convergir em um formato de triângulo, e, como outro resultado, beneficia-se do desenvolvimento prévio de proposições teóricas para conduzir a coleta e a análise de dados (YIN, 2001, p.32, 33).