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CONSTRUCTION : BATIMENTS ET LOGEMENTS

Dans le document MARS 2015 (Page 173-176)

Em paralelo às publicações de livros com a temática colonial, existiu o desenvolvimento de revistas, boletins e anais que também tratavam da questão colonial, e conferiram uma abordagem diferenciada em relação ao tema. Seu surgimento esteve diretamente relacionado à preocupação do regime em propagar e popularizar o conhecimento acerca do colonialismo.

Com abordagem mais direta e em volumes menores do que os romances e aventuras coloniais, estas publicações detêm textos carregados de ideologia e postulados, sendo um instrumento de propaganda que buscava ser menos literário e mais técnico ou cientifico, muito embora, com uma linguagem até mais acessível do que alguns romances.

Como instrumento de propaganda, buscavam descrever as paisagens, povos, as riquezas do meio colonial, como também, variados aspectos de demonstração da capacidade e realizações do gênio colonizador português. Estas publicações são claras mostras de como a Cultura pode fundamentar narrativas de dominação.

O que há de marcante nestes discursos são as figuras retóricas que encontramos constantemente em suas descrições do “Oriente misterioso”, os estereótipos sobre o “o espírito africano”, as ideias de levar a civilização a povos bárbaros ou primitivos, a noção incomodamente familiar de que se fazia necessário o açoitamento, a morte ou longo castigo quando “eles” se comportavam mal ou se rebelavam, porque em geral o que “eles” melhor entendiam era a força ou a violência; “eles” não eram como “nós”, e por isso deviam ser dominados.114

Foi através da narrativa de dominação que autores colonialistas justificaram e ratificaram o colonialismo português. Retratar o africano como exótico e bárbaro estava incluído dentro de uma lógica de apresentar a África e os seus povos ao público metropolitano, tão distante da África. Ao mesmo tempo, existia a necessidade de instigar os povo metropolitano a seguir para aquele mundo estranho africano, em missões humanitárias civilizadoras ou jornadas exploratórias das riquezas naturais, que embora distintos, eram justificativas à empreitada colonial. Neste contexto “a retórica

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73 de poder gera com muita facilidade, quando exercida num cenário imperial, uma ilusão de benevolência115”.

Os textos destas publicações abordavam a questão colonial através de narrativas de campanhas militares na África, grandes obras desenvolvidas pelo Estado nas colônias, expedições cientificas ou de aventura que desvendavam os “mistérios e segredos” da África. Também existiam textos com conteúdo institucional, na qual os órgãos da administração imperial realizavam verdadeiras descrições e prestações de contas do que estava sendo construído e administrado nas colônias. Seus autores são, em geral, militares, acadêmicos, aventureiros, políticos ou agentes do Estado, indivíduos que viveram ou constantemente visitavam as colônias.

Os mais importantes periódicos coloniais produzidos em Portugal, quer em tiragem, quer em continuidade de publicação, foram editados pela Agência Geral das Colônias ou pelo Secretariado Nacional de Propaganda - única grande exceção se dá às Edições Cosmos . A Agência Geral das Colônias foi um órgão do Estado fundado no fim da Primeira República Portuguesa – em 1924 - para cuidar da propaganda colonial, e em 1925 lança o Boletim da Agência Geral das Colônias116, tendo como diretor o renomado intelectual Armando Cortesão. Na nota de introdução ao primeiro volume do boletim, Cortesão trata dos desafios e expectativas com o lançamento do periódico.

Só há pouco tempo ainda é que a grande imprensa do país se começou ocupando com mais cuidado e interesse das nossas colônias, mas isso que é incontestavelmente muito, não basta ainda. Não se compreende que um país que desfruta o terceiro lugar entre as grandes nações coloniais do mundo, não tenha uma única publicação oficial que faça a propaganda das nossas coloniais e acção colonizadora, que mostre ao mundo o que temos feito e estamos fazendo, em que se tratem , os principais problemas da nossa administração colonial, que seja a recolha do maior numero possível de informação para os que nas colônias trabalham ou por elas se interessam [...]. O que, em matéria de propaganda colonial tem feito os países com colônias é simplesmente admirável. A revista geral e de especialidade, o folheto, a brochura, o panfleto, a organização de feiras e exposições coloniais, ou com a sua coparticipação, a boa representação em conferencias e congressos internacionais, etc., são meios de que todos os povos coloniais se servem, ou devem servir, para fazer a prpaganda do seu

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SAID, Edward W. Op. Cit. 2011. p 18.

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A revista mudaria de nome mais duas vezes, passando a se chamar Boletim Geral das Colônias (1935) e posteriormente Boletim Geral do Ultramar (em 1951).

74 valor, demonstrando à opinião internacional que merecem estar na posse de suas colonias117

O texto mostra a visão de Cortesão em torno da importância para o colonialismo e as formas a ser realizada a propaganda colonial, sempre aliando a retórica colonialista com aspectos de cultura. Para ele, era importante “mostrar ao mundo” as obras empreendidas e o progresso no meio colonial português, com o propósito de manter a opinião internacional convencida do valor do colonizador português e do merecimento do país possuir colônias.

O Boletim da Agência Geral das Colônias possuía textos de propaganda colonial voltado a um público de maior nível intelectual, interessado em números da administração, balanços financeiros, descrição de obras públicas e matérias do Diário Oficial Português relativo à administração colonial, como nomeações e aspectos legislativos. Também era dedicado um espaço para a divulgação de discurso de agentes da administração colonial, textos de opinião, além de notas sobre o cotidiano colonial.

Os exemplares do Boletim da Agência Geral das Colônias tinham cerca de 200 páginas, e tinha tiragem mensal, sendo publicado de 1925 a 1970. Tinha um caráter mais institucional, então tendo muitos leitores nas classes populares portuguesa.Tinha preocupação de fazer a propaganda internacional do colonialismo luso, e para isto tinha seções traduzidas para a língua inglesa e o francês.

Porém, apesar do entusiasmo e investimento na criação do boletim, foi só durante o Estado Novo, na gestão de Armindo Monteiro no Ministério das Colônias, que o Boletim da Agência Geral das Colônias iria ganhar força e dinamismo, acompanhado do surgimento de outras revistas com a temática, mas com outros vieses de abordagem – por exemplo, com a edição de publicações menores e com linguagem mais acessível - buscando diversificar o público leitor.

Com a visão diversificar o público leitor, popularizando a leitura dos periódicos coloniais, a Agencia Geral das Colônias irá editar outros títulos periódicos, com uma abordagem diferente do verificado no Boletim da Agência Geral das Colônias. Em 1934, em parceria com o Secretariado de Propaganda Nacional, a Agencia Geral das

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75 Colônias lança o periódico O Mundo Portugues, que tinha como linha editorial divulgar em revistas com em média 120 páginas, textos que tratavam do colonialismo português, com base tanto no resgate histórico dos feitos coloniais português, como na defesa pela manutenção da obra colonial lusa. Foi publicado entre 1934 e 1962.

Em 1935, a Agencia Geral das Colônias lança o título Pelo Império, publicação que buscava alcançar o público jovem e leitores que não se interessavam pela linguagem austera e técnica das outras publicações da AGC. Seus volumes tinha linguagem simples, eram curtos – menos de 50 páginas – e didáticos, abordando temas como a biografia de heróis coloniais e campanhas militares, buscando cativar o público em torno de um discurso de superioridade portuguesa e de reforço da nacionalidade por meio dos feitos coloniais.

Estas novas publicações da Agencia Geral das Colônias foram inspiradas em uma coleção de fasciculos que fora lançada em 1920, pelas Edições Cosmos, os Cadernos Coloniais. Este periódico foi por si só uma exceção, pois foi o único título de uma editora não vinculada ao Estado a permanecer por 41 anos sendo distribuído, só sendo encerrada em 1961, por episódio da Guerra Colonial.

Com linha editorial inovadora, Cadernos Coloniais desde o início adotou a estratégia de focar sua abordagem nos temas mais populares da questão colonial, ou seja, em biografias de grandes heróis, relatos de campanhas ou expedições aos desconhecidos da África portuguesa. Seus fascículos a cada edição tinham um tema único, com linguagem bem acessível.

Nos Cadernos Coloniais, a retórica de dominação esteve sempre presente em seus textos, algo que fascinava o seu público leitor.

Dans le document MARS 2015 (Page 173-176)