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Conclusion du chapitre 3

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Se considerarmos a área de competência do Relacionamento Interpessoal referida no Perfil dos

Alunos, esta tem como objetivo a interação com os outros em diferentes contextos sociais e

emocionais, de forma que o aluno saiba “reconhecer, expressar e gerir emoções, construir

relações, estabelecer objetivos e dar resposta a necessidades pessoais e sociais.”79. Pretende-se

assim, capacitar o aluno para trabalhar em equipa e “interagir com tolerância, empatia e

responsabilidade e argumentar, negociar e aceitar diferentes pontos de vista, desenvolvendo

novas formas de estar, olhar e participar na sociedade.”80 No campo dos descritores operativos

são sugeridas atividades como “conversas, trabalhos e experiências formais e informais”, onde

os alunos possam debater, negociar, acordar e colaborar, criando espaços de discussão e

partilha, presencial ou à distância, de maneira a aprenderem a resolver os problemas “de forma

pacífica, com empatia e sentido crítico”.81

Tal como é referido na introdução do documento, e considerando as exigências destes tempos,

é no contexto da escola que os alunos adquirem grande parte das literacias que lhes permitirão

79 Perfil dos Alunos, 25. 80 Ibidem, 25.

lidar e responder a problemas sociais graves como a intolerância e o preconceito, o racismo e a

discriminação, a radicalização e o extremismo, a xenofobia e a indiferença.

Segundo as palavras de Jorge Sampaio, enquanto Alto Representante das Nações Unidas para

a Aliança das Civilizações, a “competência intercultural” e a “literacia cultural” “permitem

apetrechar os cidadãos para lidar com a diversidade como uma vantagem competitiva ou um

trunfo e não como um fardo”82. A noção de competência intercultural refere-se ao

comportamento eficiente e adequado nas interações com pessoas de outras culturas. Algumas

das competências específicas da interculturalidade são: o respeito, a tolerância e a empatia pelo

diferente; a valorização da diversidade cultural; o entendimento da diferença como uma

oportunidade de aprendizagem e não como um obstáculo à mesma; o conhecimento das crenças,

valores e práticas das diferentes culturas; a capacidade de se “descentralizar” de si próprio e

considerar múltiplas perspetivas e, por último, a capacidade de adaptar os comportamentos a

diferentes contextos e públicos.83

Por vezes, esta competência é associada à comunicação intercultural, conceito que pressupõe

qualidades como a capacidade de compreensão, escuta ativa e atitude positiva em relação a

pessoas de outras culturas, às suas práticas, valores e discursos. No contexto do Livro Branco

sobre o Diálogo Intercultural, elaborado pelos Ministros dos Negócios Estrangeiros do

Conselho da Europa em 2008, o diálogo intercultural refere-se a um

“processo de troca de ideias aberto e respeitador entre indivíduos e grupos com origens e tradições étnicas, culturais, religiosas e linguísticas diferentes, num espírito de compreensão e de respeito mútuos.”84

82 SAMPAIO, J. “Valorizar a diversidade como fator de inclusão. A perspetiva da Aliança das Civilizações.” Editado por Conselho Nacional de Educação. Diversidade e Equidade em Educação. Lisboa, 2012: 25.

83 Cf. SANTOS SILVA, D., MARQUES DA SILVA, S. “Conhecer contextos, conhecer profissionais: Contributo para explorar o desenvolvimento de competências interculturais em contextos educativos.” Revista Portuguesa de Educação, 2018.

84 Ministros dos Negócios Estrangeiros. Livro Branco sobre o Diálogo Intercultural. Editado por Conselho da Europa. Strasbourg, 7 de maio de 2008: 21.

Segundo o Livro Branco as competências necessárias para o diálogo intercultural não são

alcançadas automaticamente, devendo ser adquiridas, praticadas e alimentadas ao longo da

vida85. Ora, por se tratarem de competências essenciais para a cultura democrática e para a

coesão social, sugere-se que sejam aplicadas aos programas e currículos de todos os níveis do

sistema educativo na área da cidadania e direitos humanos, bem como, que seja integrada nos

programas de ensino para adultos. Também é dado um enfoque especial à formação

intercultural dos professores, chamando-se à atenção para a necessidade de se encontrar

estratégias pedagógicas e metodologias de trabalho que, não só capacitem para a gestão de

situações causadas pela diversidade, pela discriminação, pelo racismo, pela xenofobia, pelo

sexismo e pela marginalização, como também proporcione ferramentas para a resolução de

conflitos de forma pacífica.

No seminário “Diversidade e Equidade em Educação”, realizado em 2012 numa iniciativa do

Conselho Nacional de Educação (CNE) em parceria com o Alto Representante das Nações

Unidas para a Aliança das Civilizações e com a Fundação Aga Khan Portugal, alertava-se para

o aumento das clivagens económicas, sociais, culturais e religiosas resultante da crescente

diversidade das sociedades. Defendia-se neste encontro que a forma de “restabelecer as pontes

entre as comunidades, promover um melhor conhecimento entre os povos e ultrapassar a

desconfiança nas e entre as sociedades”86 era através do diálogo intercultural. Num tempo de

grande fluxo migratório na Europa, de discriminação das minorias, de polarização de

estereótipos e preconceitos e de ascensão dos partidos de extrema direita e anti-imigração torna-

se indispensável “desenvolver uma estratégia de longo prazo orientada para a educação para a

diversidade, para a literacia cultural e para o desenvolvimento de competências e aptidões

85 Cf. Ministros dos Negócios Estrangeiros. Livro Branco sobre o Diálogo Intercultural, 36.

interculturais, não apenas entre os jovens, mas também como um processo de aprendizagem ao

longo da vida.”87

O que está claramente em causa quando se fala em educação intercultural, é criar o gosto pela

diversidade e reforçar o sentido da vida em comunidade, no respeito e no reconhecimento

mútuo das diferenças étnicas, linguísticas, culturais e religiosas. Basicamente, trata-se de criar

um novo espírito de tolerância. Sampaio reforçou que a inação só cria mais mal-estar e que “são

as pequenas alterações contextualizadas, que poderão “produzir grandes mudanças de

comportamento.”88

Rosário Farmhouse, Alta Comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural que conferenciou

em 2012 no mesmo seminário, refere na sua intervenção que, perante o desafio da diversidade,

os professores deverão olhar para a “alta cultura que existe e que é mais fácil de identificar (a

História, a Gastronomia, a Religião, a Língua, o Vestuário, a Arte)” sem esquecerem, porém,

os elementos da cultura dita “profunda”. E citando o Professor Pedro D'Orey da Cunha, alerta

“a tarefa atual da escola é conseguir reconhecer as diferenças da alta cultura dos alunos, assim como as diferenças da sua cultura profunda e encontrar estratégias de adaptação e desenvolvimento que a todos respeite e a todos inclua”. 89

A cultura profunda que aqui se refere é a cultura não visível, ou seja, “as formas de comunicar,

as atitudes, as perceções, os métodos e a resolução de problemas, as crenças, as conceções de

vida, os valores, as conceções de beleza, as formas de interação social.”90 O professor deve ser

um motivador e facilitador, a quem caberá a tarefa de explorar a diversidade em sala de aula,

possibilitando às crianças e jovens puderem revelar o que as torna singulares.

87 SAMPAIO, J. “Valorizar a diversidade como fator de inclusão. A perspetiva da Aliança das Civilizações.”, 27. 88 Ibidem, 28.

89 FARMHOUSE, Rosário. “Redes de apoio às escolas.” Editado por Conselho Nacional de Educação. Diversidade e equidade em educação. Lisboa. 2012: 115.

Quando se fala em diversidade na sala de aula não implica necessariamente a existência de

alunos de várias nacionalidades, mas sim, uma sala de aula com alunos de origens diferentes

sejam elas económicas, sociais ou culturais, com comportamentos e conceções diferentes sobre

a vida.

A inclusão que o Perfil dos Alunos instiga, tem de ambicionar primeiramente a um trabalho de

fundo, isto é, a combater a exclusão dentro da própria sala de aula, de forma que os alunos se

aceitem e trabalhem em conjunto para que possam, na verdade, abraçar a diversidade que o

mundo lhes apresenta também lá fora.

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