• Aucun résultat trouvé

Le commerce équitable dans les marchés publics – Selon l'article 60 de la

Section 2 : Le développement durable réincarné en commerce équitable

A) La responsabilité sociale des entreprises (RSE)

75- Le commerce équitable dans les marchés publics – Selon l'article 60 de la

O Projeto Giração inicia-se com as seguintes características: i) Iniciativa dos próprios jovens com histórico e vivência de rua, os quais questionaram a inexistência de ações voltadas ao público em questão; ii) Surge da própria Sociedade Civil em movimento de cooperação entre Cecria, Movimento Nacional dos Meninos e Meninas de Rua (MNNR), com a utilização de recursos públicos obtidos em projeto aprovado pela Petrobras. Estas informações foram levantadas nos seguintes trechos em conversa realizada com Tia Eli:

O Projeto Giração é uma iniciativa, foi uma iniciativa de dois jovens. Uma desses jovens é a D.P. que vendia flores na Rodoviária e o outro é o B. que já tinha sido um menino que já tinha sido atendido pelo Movimento372 tava trabalhando de garçom e tava revoltado com o Movimento que na época tava fazendo um trabalho com os catadores. Então ele foi lá e disse: “Ah que movimento é esse que não tem meninos de rua lá?”. Eu disse: “Ah B. vamos pensar numa proposta. Aí nasceu a ideia do Giração. A ideia do Giração era o que? Era um momento de que não tava tendo, se tava tendo, não tava atendendo. A política atendendo os meninos e meninas de rua... Então,

372 O termo Movimento é utilizado pela entrevistada/respondente para se referir ao Movimento Nacional dos

começamos um trabalho de observação na Rodoviária que é a

Metodologia do Movimento, de observação, de atividade sistemática na

Rodoviária. Daí fomos construindo essa ideia do Projeto Giração.” Tia Eli contou-me que já atuava desde o ano de 1986 com questão de direitos e

garantias da criança. Ao ingressar na seara de adolescentes foi até a cidade de Recife e pesquisou práticas pedagógicas do MNMR do local. Apesar de saberem os tipos de ações que gostariam de realizar, faltava ao grupo a articulação e a ferramenta para exercer o saber. Tinham a prática, mas era inviável realizar alguma ação sem financiamento. Assim, contaram com o apoio da própria Petrobras:

Aí a gente foi... não tinha dinheiro, fizemos a primeira ideia do projeto, mandamo pra Petrobras: nada. Ficou numa tal de cama não sei o que de projeto. Aí tudo bem, eu fui participar de um.... Oh, a gente sem dinheiro não tem como não, já tô vivendo de brisa né? Como é que eu vou fazer projeto na Rodoviária, mais um dia e aí? Isso serve pra quê? Pra nada, eu vou caçar confusão. Aí eu fui convidada para participar do encontro dos Conselheiros Tutelares. Tô lá bonitinha, aí a (nome em sigilo) me chama e fala assim: Eli, tu tava com uma ideia de um projeto que foi pra Petrobras e nada? Eu disse assim: “Eu não, os meninos”. Ela disse: vem cá que eu vou te apresentar pra uma pessoa. Eu disse: “Ah tudo bem, vamo eu vou lá”. Aí chego lá era uma pessoa que trabalhava na Petrobras. Ela me chamou lá e eu falei da ideia do projeto. Ela disse, “não, senta aqui!” Eu disse: “senta aqui?” Ela com os computadores lá. Aí ela mesma começou...eu fui falando porque até hoje eu sou ruim de informática, “analfabyte”, né? Eu disse: ah, não sei fazer isso não! Aí ela foi escrevendo e ela ia falando isso e isso. Nós acostumados com dinheiro o que? No máximo a gente tinha 100 mil. Aí eu fui contando e ela foi botando tudo.Tudo que devia ter no projeto. Eu falei: “Ah, deve ser mais uma das lendas!” Aí tudo bem, ela fez esse projeto todo, bonitinho. Eu sei que eu saí lá desse encontro, o projeto tava pronto, prontinho.

Nota-se que o Projeto Giração surge em respostas às demandas do próprio público para o qual se voltou: os jovens em situação de rua. Isto me leva a considerar a reunião desta comunidade específica e seu conhecimento pautado na vivência, na experiência, como cita Maffesoli quando distingue, em entrevista ao professor Gilberto Icle, o que seria

conhecimento do saber.

O conhecimento sob a perspectiva do sociólogo implica uma construção coletiva e conjunta, o que me aproxima da construção de como ocorreu ao Projeto Giração, que mais tarde ganharia o substantivo casa pelos jovens e ouso dizer, associado ao termo lar, que, fora de análise puramente gramatical, ganha neste ponto a qualificação de “adjetivo”. Quanto ao

saber, Maffesoli menciona que ele envolve uma organização que pressupõe uma hierarquia,

aproximando-se mais de instituições governamentais como ocorre à UNIDADE e unidades de

Entretanto, embora consciente de seus direitos e da necessidade de garanti-los, os grupos precisam se instrumentalizar, e, para tanto, as iniciativas em cooperação com o próprio governo pareceram facilitar o acesso e tornar possível a realização do projeto in casu. Neste ponto, para operacionalizar os direitos, que implicarão em garantias parece ser necessário a aquisição de um saber, uma técnica.

Com a aprovação do projeto pela Petrobras, a equipe instalou sua sede no Edifício Conic – Setor de Diversões Sul, próximo à Rodoviária do Plano Piloto, onde se concentram grande parte dos meninos e meninas em situação de rua de Brasília. Houve estratégias para ocupar a sala, tendo em vista a possibilidade de recusa por parte da vizinhança, o que mais tarde realmente aconteceu com a confecção de um abaixo assinado para a retirada dos jovens do local. Pode-se dividir as etapas do projeto, em relação à ocupação física, em três fases:

a) Fase 1: Aluguel de sala no Edifício Conic, onde os jovens inicialmente não dormiam, mas apenas ocupavam durante o dia para participarem de atividades como assistir filmes e desenhar;

b) Fase 2: Em decorrência de uma reportagem jornalística realizada com os jovens, veio à tona alguns crimes praticados contra meninos e meninas, como exploração sexual e uso para o tráfico de drogas. Assim, vários deles foram ameaçados de morte, passando a ocupar integralmente a sala que não tinha estrutura o suficiente para atender à demanda. Foi nesta fase que os responsáveis pelo projeto receberam um abaixo-assinado pela vizinhança para que desocupassem o local.

c) Fase 3: Os órgãos públicos realizam parceria com o projeto especialmente a Sedest – nome há época, tendo então ocupado novas instalações a partir do ano de 2009, local onde funciona até hoje a UNIDADE.