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2.6 1986-1990 : au-delà de la reddition

O sector dinamiza a economia

Tal como se verificou no primeiro capítulo, o sector do SSI em Portugal cresceu nos últimos anos tanto em volume de negócios, como no emprego criado. Tal como o sector da TIC, este sector não só é transversal a toda a economia, como também influencia positivamente e directamente o dinamismo da economia, como foi provado num relatório técnico, com a colaboração da CE, para a Roménia (Pascu, 2004:27).

Martins (2009) elaborou uma dissertação com o fim de entender o impacto das TI, incluindo o SSI, nas PME em Portugal. A comunicação e o processo de decisão são dois factores preponderantes na eficiência e eficácia das organizações (Martins, 2009:30-33).

O sector do SSI, em específico, revela a existência de constantes oportunidades de mercado, no qual o sector procura oferecer respostas à procura, principalmente nos negócios

Business to Business, até então por explorar.

Concentração geográfica por clusters dentro do sector do SSI

A aglomeração em clusters da actividade económica a nível regional pode gerar benefícios relacionados com as economias de escala, a concentração de mercado de bens e de trabalho e a rápida difusão do conhecimento, o que pode contribuir para o emprego e o crescimento económico de um país. Segundo Kesidou e Romijn (2005:1), existe uma circulação mais fácil e rápida do conhecimento, especialmente na sua forma tácita, entre os agentes que estão localizados na concentração ou aglomerado.

Como já referido no passado capítulo, existem esforços de alguns países como a China ou Rússia, para a concentração geográfica no sector de software em algumas regiões-chave. Actualmente os melhores exemplos de sucesso de excelência a nível internacional na geração de ecossistemas de criação de empresas encontram-se na Índia, devido à sua abundância de capital humano qualificado de baixo-custo, e nos EUA, por se encontrarem mais próximos tanto das tendências de mercado, como do capital do risco investido no sector. Por outro lado, tendo em conta os fundamentos atrás descritos no capítulo 2, a Irlanda também é um caso práctico de estudo de uma região cujo cluster se deve ao enorme IDE das multinacionais maioritariamente norte-americanas.

Portugal é caracterizado por uma concentração da actividade económica no sector do SSI. As regiões urbanas de Lisboa, Aveiro, Porto, Coimbra e Braga são as regiões onde as empresas de software se encontram maioritariamente agrupadas. Segundo Matoso (2008:28-

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49), as cidades de Lisboa e Porto são os pólos mais influentes no sector. Em Lisboa, a presença de empresas de software como serviço é mais significativa, e no Porto, o produto de software incorporado tem uma presença considerável. Partindo do mesmo estudo, no distrito de Lisboa existe em particular uma cintura com parques tecnológicos interessantes em Loures-Lisboa-Amadora-Oeiras presentes em quase todos os segmentos. No que diz respeito aos concelhos, é importante ressalvar que o concelho de Almada, por exemplo, é bastante forte na criação de middleware (Matoso, 2008:28-49), em muito devido à investigação focalizada nessa área pelo Pólo de Engenharia da Universidade Nova de Lisboa.

Por outro lado, cidades de dimensão média como Aveiro, Braga e Coimbra têm mesmo um ecossistema propício ao desenvolvimento das empresas do SSI.

O cluster de Aveiro do sector encontra-se fortemente interligado ao forte investimento da Portugal Telecom Inovação, tanto a nível académico como a nível profissional, que mais tarde acabou por provocar uma tendência centrífuga. Novos projectos, instituições e mesmo outras empresas importantes para a cadeia de valor do software ligado às telecomunicações acabaram por ser formadas, em muito devido ao facto das empresas de telecomunicações terem “atingido um alto standard de sofisticação tecnológica e competividade internacional” (Salavisa e Fontes, 2012:295). Os executivos de topo das empresas destas cidades fora das grandes áreas urbanas foram confrontados, nas entrevistas para esta dissertação (ver secção 3.1), com a possibilidade de fuga de cérebros da cidade para os grandes pólos urbanos e a resposta foi unânime: o risco de fuga de “cérebros” neste sector numa cidade média como Aveiro, Coimbra ou Braga é bem menor, relativamente aos grandes pólos urbanos. Nas cidades de dimensão média, o capital humano não é tão móvel como nas cidades de grande dimensão, o que provoca uma forte consistência no conhecimento e na especialização a médio prazo.

A cidade de Coimbra, por exemplo, oferece serviços de software transversais a vários sectores, fruto da diversidade da qualidade do capital humano formado por várias faculdades das universidades presentes. O resultado dessa transversalidade deve-se também ao forte investimento de I&D, assim como ao ambiente propício para o encaminhamento de todo um sistema de criação de start-ups e spin-off. Em 2010, o Instituto Pedro Nunes de Coimbra alcançou mesmo o 1º lugar no concurso mundial "Best Science Based Incubator"8.

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Sector criador de emprego

Esta é sem dúvida uma força do sector do SSI em Portugal. No capítulo 1 verificou-se que em Portugal, o sector apresenta valores positivos do índice bruto de emprego (base de 2005). No capítulo 2 concluiu-se que o emprego gerado pelo sector é maioritariamente qualificado e depende directamente dos investimentos na educação dos anos anteriores, principalmente em termos linguísticos e de matemática.

Língua portuguesa

Para um sector como o SSI, em que as características linguísticas dos recursos humanos contam bastante na equação da cadeia de valor, Portugal até possui vantagens competitivas muito interessantes nesta área. Portugal tem apenas 10 milhões de habitantes mas, na verdade, a língua portuguesa, enquanto língua oficial, é a sexta do mundo e a língua portuguesa é a mais falada abaixo da linha do Equador.