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Chapitre 3: Etude quantitative longitudinale avant/après le décès Processus de deuil des conjoints de patients : description et analyse des déterminants de l’ajustement à la perte

3.3 Analyses statistiques

2.6.2 Padrões Interpretativos, Padrões Institucionais e Reações Estratégicas: Proposições para o Estudo.

Como já se observou, a convergência entre explicações institucionalistas e estratégicas é uma tendência relevante na atual teoria organizacional. Essas várias formas de convergência colocam foco às vezes na seleção intencional de padrões institucionalizados presentes no ambiente, de acordo com esquemas interpretativos ou, principalmente, interesses pessoais ou organizacionais (por exemplo, SELZNICK, 1966; ABELL, 1995; BORUM e WESTENHOLZ, 1995). Outras vezes, o foco recai sobre o papel das instituições enquanto determinantes dos interesses e padrões cognitivos que, por sua vez, fundamentam as escolhas estratégicas de pessoas e organizações (por exemplo, DIMAGGIO e POWELL, 1983). Ambos os focos, de um modo ou de outro, diminuem a importância de um ou de outra possibilidade teórica como fator explicativo da ação institucionalizada, tornando a explicação da relação entre instituições e agência estratégica relativamente mecanicista.

Entretanto, alguns dos estudos de natureza interpretativa, anteriormente analisados, dão indicativos de que essa convergência pode ser compreendida de modo circular (SCOTT, 1994.; GOODRICK e SALANCIK, 1996). Goodrick e Salancik (1996, p. 1) lançam-se a um desafio: “Enquanto outros têm tentado acomodar agência e interesses na teoria institucional incorporando diretamente uma perspectiva de escolha estratégica, nós propomos [...] que instituições são primordiais, sendo elas o contexto dentro dos quais os interesses operam”. A proposta central do estudo desses autores é que o maior ou menor grau de liberdade para ação estratégica está relacionado ao grau de incerteza contido no contexto institucional. Ao contrário de admitir a escolha estratégica de adaptar ou resistir a padrões institucionais (visão política que, quando admitida seguindo-se postura realista, implica a concepção de instituições como arcabouço estrutural coerente e externo aos agentes, como parcialmente em Oliver, 1991) ou pensar no grau de institucionalização como determinante da possibilidade (baixo grau de institucionalização) ou impossibilidade (alto grau de institucionalização) de ação (o que é conseqüência daquela visão política e realista, há pouco descrita), os autores assumem a premissa central de que “[...] padrões institucionais podem ser incertos” (GOODRICK e SALANCIK, 1996, p. 4) e, assim, acreditam agregar a possibilidade de agência estratégica no âmbito da teoria institucional, sem negar premissas básicas de uma ou de outra perspectiva.

Por exemplo, Borum e Westenholz (1995) utilizam idéia próxima a essa, mas a aplicam à noção de campo organizacional ´multiplex´ ou campos organizacionais onde forças institucionais diversas e conflitantes operam. Para eles, forças institucionais unívocas provocam ações consistentes com relação à pressão institucional, constituindo outro exemplo da postura realista tradicionalmente utilizada para convergir estratégia e instituições.

Já em Goodrick e Salancik (1996) a proposta central parece conjugar duas idéias pouco presentes nos estudos institucionais, que são a noção de planos sociais de institucionalização e a idéia de que a incerteza quanto à ação não existe apenas no vácuo institucional mas, ao contrário, pode ser produto da própria institucionalização. Assim, “[...] práticas organizacionais têm lugar dentro de contextos institucionais, e interesses idiossincráticos operam na discrição permitida por aqueles mesmos contextos. Quando os padrões de atividade são certos, que significa que os agentes envolvidos concordam sobre o que é apropriado fazer, a prática é completamente determinada” (GOODRICK e SALANCIK, 1996, p. 3). Note-se, então, que a determinação da prática não é produto apenas de pressões institucionais mas, simultaneamente, daquelas pressões e de processos próprios à agência dos

atores sociais institucionalmente implicados. Ao contrário de dois momentos distintos, instituição versus agência, o que se tem nesses autores é um processo recursivo.

O que Goodrick e Salancik (1996) definem como determinação tem, ao contrário dos autores anteriores, sentido muito mais interno à organização do que externo, dependendo do que se concorda internamente, e não apenas das características objetivas dos padrões institucionalizados. O ponto relevante na teorização desses autores se encontra, portanto, na menção quanto à concordância entre agentes ou ´jogadores´ de um contexto institucional como forma operacional de identificar o grau de certeza contido em relação a um padrão institucional. Deste modo e apesar de que no restante de seu estudo a relação entre instituições e agência estratégica (ao contrário do que se podia esperar) volta a ser vista de modo relativamente dicotomizado, esse ponto em específico sugere uma vertente diferente de análise.

As implicações interpretativas da explicação do termo ´concordar´ em Goodrick e Salancik (1996) são encontradas de forma mais explícita em Lant e Baum (1995). Estes autores seguem a noção de ambiente ordenado proposta por Weick (1969) para analisar “[...] o papel da cognição gerencial na evolução de comportamentos institucionalizados em um ambiente competitivo” (LANT e BAUM, 1995, p. 16). Note-se que a proposta implica flexibilizar a noção institucional-contingencial de constituição dos comportamentos em ambiente competitivo como fruto apenas de padrões institucionais. Os mesmos autores afirmam ainda:

[...] é possível que as categorizações cognitivas de gerentes a respeito de quem são competidores relevantes [em seu setor] possam não somente refletir os atributos das empresas dentro de grupos competitivos, mas também que as ações desses gerentes baseadas nessas crenças possam de fato criar esses grupos. Isso sugere um processo recíproco, onde gerentes categorizam grupos competitivos baseados nos atributos e ações dessas empresas, e simultaneamente, os gerentes agem de forma consistente com essas categorizações, deste modo ´ordenando´ uma estrutura de grupos estratégicos (LANT e BAUM, 1995, p. 19 – itálicos no original).

Esse processo circular entre cognição, ou interpretação, e estrutura da indústria é modelo que sugere outras formas possíveis para análise da relação entre padrões institucionalizados e reações estratégicas, para além das abordagens lineares ou dicotômicas. Ela consegue capturar, em um único processo, os três fenômenos implicados no processo de

institucionalização, quais sejam, pressões ambientais, interpretação e reação dos atores estratégicos (os dois últimos elementos baseados, como se percebe, na noção de agência).

Em consonância com toda a fundamentação até aqui apresentada, parece possível pensar-se em um fluxo mútuo ou circular entre padrões institucionais e as reações estratégicas que, simultaneamente, refletem, ordenam e criam aqueles padrões. Tal estratégia analítica, além de ser uma via possível para superação das várias dicotomias que marcam a teoria institucionalista em organizações - a principal delas, ao menos em termos de ênfase recente, com a noção de agência estratégica como ela é tradicionalmente entendida – pode também contribuir para a própria expansão do conhecimento em estratégia organizacional, intenção que fica explícita, por exemplo, em esforços recentes de autores brasileiros como Machado- da-Silva e Fonseca (1999); Machado-da-Silva, Fonseca e Fernandes (1999) e Vasconcelos (2002).

Lant e Baum (1995) desenvolvem seu esquema analítico apenas em torno da questão institucional-cognitiva – agentes organizacionais definem atributos e ações que consideram caracterizadores de determinados grupos competitivos e também adotam esses atributos e ações, deste modo reforçando a noção por eles mesmos construída. Retomando uma das categorizações propostas na teoria institucional em organizações, sintetizada por Scott (1994; 1995; 2001), parece possível adaptar o argumento fenomenológico central de Lant e Baum (1995): pode-se admitir que agentes organizacionais, principalmente no âmbito estratégico das organizações, em face de convenção normativa socialmente relevante, definem para si o modo como se deveria responder a tal padrão e, então, agem em consonância a isso; ou, em face a uma lei ou qualquer padrão regulativo, definem para si o que a lei (ou padrão) está prescrevendo e, então, agem em consonância com a prescrição interpretada. Em todos os casos, a idéia básica é que não se está respondendo a um padrão externo, mas sim ao resultado de um processo de interpretação e, também, que a própria resposta constitui o mecanismo principal pelo qual aquela interpretação específica adquire conotação de externalidade e passa a constituir o próprio ambiente construído ou, ordenado. Tal modelo é, assim, circular e, concomitantemente, aberto ao ambiente mas também parcialmente fechado pelos processos de definição e interpretação da realidade, sempre necessários para a relação entre sistemas ou atores sociais e a estrutura social, da perspectiva admitida neste estudo (GIDDENS, 1984; BLIKSTEIN, 1995; LUHMANN, 1989; 1995).

Em resumo, parece possível sugerir então que há três formas dominantes de se compreender a relação entre pressões institucionais e a ação organizacional, que são: 1) a idéia de que instituições constituem diretamente as ações (modelo contingencialista puro) –

exemplo parcial em Oliver (1991). Nesse mesmo modelo, incluem-se as perspectivas que admitem a versão contrária, isto é, de que são as ações intencionais que constituem as instituições (modelo econômico); 2) as instituições afetam e são afetadas pelas ações, mas em momentos distintos, como se ocorresse troca de influências. Já nessa linha os processos interpretativos aparecem como importantes elementos intervenientes na troca de afetamento (MILES e SNOW, 1978; FIOL e ALDRICH, 1994; ROBERTS e GREENWOOD, 1997; MAZZIO e MACHADO-DA-SILVA, 2001, e também, parcialmente, OLIVER, 1991); 3) o contexto ambiental, tanto quanto as respostas estratégicas, são constituídos simultaneamente por padrões institucionalizados e pela agência dos atores sociais, pelo menos nos aspectos relevantes para a própria ação21.

Assim, instituições e ações não apenas se afetam, mas se constituem mutuamente, para o que os aspectos interpretativos são entendidos como centrais, o próprio locus e o mecanismo dessa circularidade. A diferença entre a segunda e a terceira formas de compreensão acima delineadas não é grande. Repousa apenas na constatação de que, nos autores que admitem a segunda forma, não se dá foco à possibilidade de uma segunda via de interrelação instituição-ação: o foco geralmente está na relação entre ambiente e organizações, intermediadas por processos interpretativos. Não negam, mas também não analisam, a possibilidade, em um único modelo, de afetamento das ações organizacionais sobre o ambiente.

Com base nisso e seguindo modelos já analisados previamente (os modelos baseados nas proposições de Oliver, 1991, e o modelo de construção do referente proposto por Blikstein, 1995), apresenta-se a seguir uma sistematização dessa terceira possibilidade, que representa a inserção da discussão funcional-fenomenológica na proposta de relação entre ambiente institucional e reações estratégicas. O Esquema 3, abaixo apresentado, retrata o modelo teórico geral subjacente a este estudo, que por sua vez dá sustentação a uma série de proposições empíricas que são em seguida delineadas e são exploradas na continuidade deste estudo, em conformidade com parâmetros metodológicos considerados apropriados aos objetivos aqui estabelecidos.

Como bem se percebe, propõe-se aqui seguir a orientação do estudo de Oliver (1991), mas agregando perspectiva que considere não o impacto de características ambientais objetivas sobre a configuração de diferentes respostas estratégicas, senão um possível

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Não é o caso, aqui, de postura construtivista radical: não é premissa deste estudo a negação de qualquer realidade objetiva, nem que essa realidade objetiva seja produto social. A realidade que é socialmente construída é a realidade que é relevante para sistemas ou agentes e não todos os aspectos, quaisquer que sejam eles, daquela realidade.

processo circular entre as próprias respostas estratégicas, os processos interpretativos, na conformação das características do ambiente institucional conforme ele se manifesta para os diferentes agentes e as diferentes organizações implicadas no estudo, além das próprias orientações ambientais externas às organizações.

Lant e Baum (1995) demonstraram como padrões de conformação de setores competitivos podem ter sua origem no âmbito das próprias organizações que os adotam, posteriormente, como modelos externos a serem seguidos. Parece possível sugerir, portanto, que padrões institucionais possam dar origem a respostas organizacionais. Mas é possível também sugerir que o tipo específico destas respostas esteja mais relacionado com padrões interpretativos internos às organizações do que com determinações ambientais. Novamente, demandas objetivas podem ser, da perspectiva dos sistemas, organizações ou agentes, fontes de alguma ação, mas o conteúdo desta ação será explicado pela construção do ambiente, que é feito pelos próprios sistemas, organizações ou atores, de modo completamente autônomo (como supõe a teoria neo-funcionalista) ou, na linha institucional que aqui se utiliza como base, a partir de padrões culturais-cognitivos constituídos em interação social.

Significação (esquemas interpetativos, interesses) Padrões cognitivos (definição da situação) Respostas Estratégicas - Aquiescência - Compromisso - Evasão - Oposição - Manipulação

Ambiente Institucional Ambiente Institucional Decretado

- Padrões legais

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