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2.3 UN SERVICE COMMUN D’ANIMATION SPIRITUELLE ET

2.3.4 Analyse globale du Cadre

Neste tópico será feita uma análise da rentabilidade da produção agrícola de citros, mais precisamente da laranja. Peres et al. (2004) afirmam que a rentabilidade é um importante fator para o sucesso de um sistema de produção, assim, na citricultura, esta realidade não é diferente.

Os custos de produção e os preços são os grandes determinadores da opção por uma atividade citrícola, uma vez que por meio deles tem-se a rentabilidade da atividade, ou seja, quanto o produtor tem de retorno sobre sua atividade, o retorno do seu investimento.

Neste tópico do estudo optou-se por utilizar para as análises os custos de produção dos pomares das indústrias. Os custos dos pomares da indústria, apesar de apresentarem defasagem de períodos, sendo os últimos levantamentos feitos para a safra de 2009/10, representam um dado real, uma média ponderada dos custos reais de 40% dos pomares do cinturão citrícola (40% representam o total dos pomares das indústrias nos pomares do cinturão citrícola) e, segundo Ghilardi (2006), na citricultura os custos de produção levantados pelos órgãos de levantamento de custos, são levantados por meio de estimativas que buscam ter maior representatividade de um amplo conjunto de produtores ou então tratam de um único estudo de caso, ou seja, não representam a realidade fiel, ao contrário dos custos dos pomares das indústrias.

Realizando um comparativo de resultado financeiro entre os custos de produção dos pomares da indústria, os custos de produção reportados pela Agra FNP e os preços médios da caixa de

laranja para indústria e da laranja para o mercado interno (Gráfico 23), verificou-se que se os produtores tivessem os mesmo custos de produção da indústria e destinassem sua laranja para processamento, no período de 2005 a 2010, teriam resultado financeiro positiva na atividade, exceto no ano 2009, um ano de grande safra de laranja, alta produção de suco e altos níveis de estoque de passagem, que derrubaram os preços da caixa de laranja. Caso os produtores tivessem os custos de produção reportados pela Agra FNP, e destinassem sua fruta para indústria, só teriam resultado financeiro positivo na atividade quando os preços da caixa estivessem em alta, em patamares superiores a R$ 10 por caixa de laranja.

Gráfico 23 – Histórico da Resultado financeiro da citricultura

Fonte: Elaborado pelo autor a partir de Neves et al. (2010); Agra FNP (2011) e CEPEA (2013)

Caso os produtores optassem por destinar sua fruta ao mercado in natura, e tivessem os custos de produção da indústria, a atividade seria altamente rentável, com alguns anos obtendo retornos de até 200% sobre seus investimentos. Já se tivessem os custos de produção reportados pela AgraFNP e destinassem sua produção para mesa, também conseguiriam resultados financeiros positivas na atividade.

Vale ressaltar que se trata apenas de uma simulação simples. Não se considerou que quando se destina a fruta para o mercado in natura pode-se ter um custo de produção maior, devido a maiores tratos culturais e cuidados específicos com características intrínsecas e externas do fruto, porém não foi encontrado na literatura um histórico de custos de produção de fruta para o mercado in natura com histórico de dados relativo aos dos custos dos pomares próprios da indústria.

De acordo com esta simulação pode-se concluir que quando a produção é destinada à fruta para o mercado in natura, tende-se a obter uma rentabilidade maior na atividade que quando se destina à indústria. Isto mostra que uma alternativa para produtores que não são muito eficientes na atividade, possuem custos mais elevados de produção, podendo mudar o foco da produção de laranja, destinando a produção para mesa.

Uma nova simulação foi realizada procurando-se analisar o perfil do citricultor com o resultado financeiro da atividade. Considerando o custo operacional efetivo + colheita e transporte do Modelo Consecitrus, elaborado pela MBAgro (2012), que foi de R$ 9.355 por hectare (custo operacional de R$ 6.114/hectare para uma produtividade de 982 caixas/hectare + R$ 2,15 por caixa para colheita e R$ 1,15 por caixa para transporte) e o preço médio da laranja destinada à indústria dos últimos 5 anos (R$ 9,97 por caixa de 40,8 kg), pode-se simular o resultado financeiro do produtor nas diversas faixas de produtividade, caso o custo por hectare se mantivesse o mesmo, independente da produtividade (Tabela 12). De acordo com este exercício, é possível verificar que em apenas 40% dos hectares (com exceção dos que possuem produtividade entre 900 e 915 caixas por hectare) ou 58,7% da produção se conseguiriam resultados positivos. Ou seja, em 60% dos hectares cultivados com laranja, ou 41,3% da produção, não se teria rentabilidade positiva com a atividade, devido aos baixos níveis de produtividade. Para que o produtor tenha rentabilidade positiva é necessário que ela tenha uma produtividade maior que 916 caixas por hectare.

Tabela 12 – Resultado financeiro por faixa de produtividade considerando o custo operacional efetivo + colheita e transporte do modelo Consecitrus

Faixa de

produtividade hectares % dos % das caixas Produtividade caixas/hectare

Custo operacional efetivo + colheita e transporte (R$/caixa) Resultado médio (R$/caixa) Acima de 1.300

caixas por hectare 11 21,1 1.592 7,14 2,83

Entre 1.100 e 1299 caixas por hectare 12 17,1 1.175 8,50 1,47 Entre 900 e 1.099

caixas por hectare 17 20,5 1.000 9,41 0,56

Entre 700 e 899

caixas por hectare 24 22,2 773 11,21 -1,24

Entre 500 e 699

caixas por hectare 18,7 13,3 605 13,41 -3,44

Entre 300 e 499

caixas por hectare 9 4,3 410 18,21 -8,24

Abaixo de 300

caixas por hectare 7 1,5 117 55,56 -45,59

TOTAL 100 100 849 10,50 -0,53

916 caixas por

hectare 916 9,97 0,00

Fonte: Elaborado pelo autor a partir de Neves et al. (2010); MBAgro (2012), e CEPEA (2013)

Isso revela uma situação em que parte dos produtores consegue lucrar com a atividade devido à boa produtividade, mas outra parte não está lucrando por apresentar baixa produtividade em seus pomares. Segundo Neves et al. (2010), são estes fatores que vem fazendo com que produtores menos eficientes deixem a atividade e passem a se dedicar a outras culturas, devendo aqueles que permanecerem encontrar o melhor caminho para cada perfil de propriedade.

Diante das crescentes pressões de custos, pragas e questões climáticas, na citricultura o produtor rural tem três caminhos a seguir: focar na produção destinada a indústria, diversificar sua produção com outras atividades agrícolas ou focar seu produto para fruta de mesa (NEVES et al., 2010).

Para Neves et al. (2010), os produtores que desejam destinar sua fruta para a indústria, devem adotar a estratégia da liderança em custo, concentrando seus esforços para manter baixos seus custos de produção, uma vez que o preço pago na caixa de laranja pela indústria é menor e sua rentabilidade, por consequência, acaba sendo menor, é preciso também ter escala de produção e boas produtividades. Por outro lado, os produtores que pretendem produzir frutas para o mercado de mesa devem buscar se diferenciar, produzindo frutas com atributos que são

valorizados pelos consumidores de fruta de mesa, sendo um mercado disposto a pagar preços mais altos por um produto diferenciado. Nesta estratégia, as propriedades menores têm vantagens, já que podem fazer um controle de qualidade mais intenso. Já os produtores que pretendem diminuir seus riscos, podem optar por diversificar sua atividade agrícola, implementando outras culturas como goiaba, manga, entre outras, sendo uma estratégia que pode ser adotada por pequenos e médios produtores.