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Une via media ?

Tentatives infructueuses

V. Une via media ?

Ao fazer o contraponto entre o pintor e o cinegrafista, Benjamin (2000) refere-se a um ponto, que, para o paradigma da tecnologia digital, é essencial: a composição da imagem digital com qualidade fotográfica em contraponto com a captura direta da realidade.

Ele distingue a atuação do par pintor e cinegrafista como homóloga à do mágico e do cirurgião. O pintor, como o mágico, observa uma distância natural entre a natureza dada e ele próprio, enquanto o cinegrafista, como o cirurgião, penetraria profundamente

6 Perfectibilidade: qualidade do que é perfectível. Perfectível: que se pode aperfeiçoar. MICHAELIS:

moderno dicionário da Língua Portuguesa. São Paulo: Cia Melhoramentos, 1998. p. 1595. (Dicionários Michaelis)

nessa realidade produzindo imagens essencialmente diferentes. Fazendo o pintor uma imagem total, enquanto o cinegrafista cria a partir de fragmentos, que se recompõem segundo as novas leis da edição, tornando a descrição cinematográfica da realidade mais significativa que a pictórica para o homem moderno. No caso, Benjamin cria assim um paradoxo do aparelho: a imagem da realidade se apresenta livre de qualquer aparelho por meio da atuação do próprio aparelho que atua no âmago da realidade.

Na construção da imagem digital, com qualidade fotográfica, feita inteiramente por um programa de software em um computador, obtemos uma imagem, que guarda maior aproximação à técnica pictórica do que a cinematográfica. Como o pintor, o artista mantém sua distância da natureza dada, a imagem pode ser tanto composta em um total como em fragmentos. Aqui dependendo da técnica, tanto personagens quanto cenário poderiam ser compostos em conjunto ou separadamente, criamos assim um novo paradoxo, a imagem “fotográfica” não tem suporte físico real, o processo todo acontece a partir da imaginação do artista.

O cinegrafista/pintor, ou melhor, um construtor ou escultor da imagem digital, trabalha com uma aproximação maior às técnicas de animação tradicional do que as do cinema de estúdio. E, posteriormente, o espectador pode vir a interagir com a cena ou modificar a imagem através de uma atuação mais próxima à de um diretor de cinema, ou de um ator de teatro. Funções e designações têm suas propriedades alteradas e misturadas, de uma forma bem mais dinâmica e fluida do que nas técnicas tradicionais de estúdio. A relação entre a pintura e o cinema então deixa de ser tão distanciada como anteriormente, podendo determinar não um caráter qualitativo desta aproximação, mas sim quantitativo e de mudança radical da relação entre obra e público, entre criação e experimentação, entre apreciação e critica.

A busca do equilíbrio entre o homem e o aparelho de que fala Benjamin encontra-se na função social criada principalmente pelo Cinema, que representa o mundo por meio do próprio aparelho, que se dá através de sua linguagem própria usando desde detalhes a grandes planos para construir a ação e o pensamento. Na interatividade digital, este espaço entre a imagem, sua ação e pensamento se tornam abertos; quer dizer possíveis de ser modificados ou experimentados de uma forma diversa, contínua e dinâmica, como a conceituação feita por Umberto Eco, em seu livro

A obra aberta, de 1969. Justamente o limite que existia entre a obra e o observador foi

Os limites entre a imagem e o objeto se diluem com as técnicas de realidade expandida, vídeo-mapping e a invenção de uma diversidade de materiais luminosos que criam imagens em suas estruturas, rígidas ou flexíveis, como os planos de vidro adaptados para serem telas interativas. (FIG. 15)8

Figura 15– Possibilidades da imagem inserida no smart glass.

Fonte: Extraído de: <http://www.corning.com/index.aspx>. Acesso em: 11 jan. 2011.

Nas grandes telas de led, em que cada pixel corresponde a uma unidade de luz, todo o conjunto se torna uma escultura imagética, muito utilizada em grandes eventos e concertos. Especificamente, no Sticky & Sweet Tour da cantora Madonna9. Uma estrutura cilíndrica de led foi construída, criando uma tela circular, dentro da qual a cantora se apresenta. A imagem real, imersa na imagem representada, interage dinamicamente, em uma sobreposição de tempos e espaços: a presença em camadas transparentes de real e virtual, a atualização e representação sobre o corpo físico (FIG. 16). Existe, aí, uma relação visual com a interface arquitetônica cilíndrica utilizada

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O vídeo pode ser acessado no endereço: http://www.youtube.com/watch?v=6Cf7IL_eZ38.

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O vídeo pode ser acessado no endereço:

pelos Sliders, uma das obras analisadas.

Figura 16 – Tela de led cilíndrica. Sticky & Sweet Tour.

Fonte: Extraído de: <http://blog.livedesignonline.com/briefingroom/2008/11/12/grandma-treats- madonnas-sticky-sweet-tour-to-a-tasty-triumph/>. Acesso em: 15 mai. 2011.

Benjamin fala de uma natureza dirigida à câmera e outra ao olhar, diversas, principalmente, em relação ao espaço em que o homem age, conscientemente, substituído pela ação inconsciente. A câmera então abriu a experiência do inconsciente ótico, por meio de seus inúmeros recursos auxiliares: imersões e emersões, interrupções e isolamentos, extensões e acelerações, ampliações e miniaturizações; justamente sobre este espaço criado no intervalo ínfimo entre a ação e o pensamento. Com isso, ampliam- se entre os dois inconscientes suas relações, pois os aspectos registrados da realidade além de estarem situados em grande parte fora do espectro da percepção sensível normal, são criados de forma digital sem qualquer relação direta com esta realidade. A estética que se apresenta com a forma cambiante da interatividade, instaura uma problemática ainda aberta. A reprodutividade técnica amplia-se para produzir novas possibilidades de experimentação, modificando a relação entre criador, obra e receptor. Ao aproximar os diferentes estágios do processo, diluímos os limites com maior liberdade de participação, praticando, pelo menos virtualmente, o poder de escolha, a liberdade de criação e a produção de uma nova estética.

3 A EXPANSÃO DO CINEMA