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L’ ANCRAGE TERRITORIAL DES CAPACITES D ’ ADAPTATION COMME GRILLE DE LECTURE DES DYNAMIQUES AGRICOLES DANS UN

Section 1. Concepts et outils pour appréhender les dynamiques territoriales liées à l’évolution des activités agricoles liées à l’évolution des activités agricoles

1. Le système famille-exploitation, un niveau de fonctionnement

1.4. La typologie, outil privilégié de description de la diversité des exploitations

«Vossa Excelencia procure efficazmente que venha ordem pozitiva a Balbasses para hir ás audiencias dos mesmos Senhores Infantes sogeito ao mesmo ceremonial das de Sua Magestade»673.

Ao exigir aos dois Embaixadores espanhóis que solicitassem uma audiência pública aos infantes seus irmãos, teria D. João V consciência que estava a abrir caminho para criar uma das maiores disputas “protocolares” entre as duas Coroas ibéricas? Possivelmente, sim. Em 1716, Filipe V deu instruções ao Marquês de Capecelatro para visitar, caso fosse necessário, os irmãos ilegítimos do rei de Portugal674. Desconhecendo qual foi a sua posição relativa a este assunto, sabemos que, pelo contrário, sempre se negou a visitar os irmãos legítimos de D. João V, os Infantes D. Francisco e D. António, por estar em desacordo com a exigência feita pelo

668 Vide Ofício do Marquês de los Balbases para o Marquês de la Paz, Lisboa, 7 de Janeiro de 1728. AHN, Estado, Legado 2517, fols. 1 e 1v.

669 Vide Relação da Embaixada do Marquês de Abrantes […]. BNP, Reservados, Cód. 418, fol. 77. 670 Vide Relacion de la Embaxada Extraordinaria [...]. BNE, Manuscrito nº 10747, fol. 36. 671 Vide Relaçaõ da grandioza […], p. 15.

672 Vide Abraham Wicquefort, op.cit., p. 279.

673 Vide Carta de Diogo de Mendonça Corte Real para o Marquês de Abrantes, Lisboa, 8 de Janeiro de 1728. BNP, Reservados, Cód. 9562, fol.258.

674 Vide Ynstruzion al Marques de Capicelatro [...], Madrid, 2 de Março de 1716. AGS, Estado, Legado 7082, fol. 3v.

monarca português, para que os visitasse e tratasse com as mesmas cortesias que concedera ao próprio soberano675. Este debate reacendeu-se aquando da embaixada do Marquês de los Balbases em Lisboa (1727-1728). Tendo em conta todas as objecções que aquele ministro voltou a colocar sobre o assunto, não teve dúvidas o Padre António Baptista de que «esta poeira»676 havia sido novamente levantada pelo Embaixador Ordinário, Marquês de Capecelatro. O rei português pretendia que os dois diplomatas de Filipe V pedissem audiência aos seus irmãos, seguindo o mesmo cerimonial anteriormente praticado pelo Monsenhor Bichi. Segundo Capecelatro, este último só havia solicitado um encontro com os dois infantes movido por interesses políticos, o que fora «muy notado de todos los Embaxadores, y de ninguno seguido»677. Estava também em desacordo com o cerimonial daquelas audiências, uma vez que este se baseava nas cortesias concedidas, no século XVII, pelos os ministros estrangeiros ao príncipe D. Pedro (futuro D. Pedro II). Na sua opinião, isto só acontecia por estarem conscientes, dada a conjuntura política do reinado do seu irmão, Afonso VI, que em breve assumiria o trono de Portugal, como de facto aconteceu678. Ora, o Secretário de Estado de D. João V considerou extremamente ofensivo este argumento apresentado pelo Marquês de Capecelatro. Questionou-o directamente, perguntando-lhe se estaria a insinuar que os elementos da família real portuguesa deveriam ser tratados com maiores ou menores distinções dependendo da sua proximidade na sucessão do trono? Isso significaria então que «se El Rey [D. João V] agora tivesse hum filho não devia ser vizitado dos Embaixadores»679? Ora, se isso acontecesse, não seria justo que os diplomatas portugueses em Madrid deixassem também de visitar os filhos mais novos de Filipe V, uma vez que estavam mais

675 Vide Carta do Padre António Baptista para o Marquês de Abrantes, Lisboa, 28 de Maio de 1727. BNP, Reservados, Cód. 9562, fols. 113v-11; Ofício do Marquês de Capecelatro para o Marquês de la Paz, Lisboa, 20 de Abril de 1727. AHN, Estado, Legado 2517, fol 2v.

676 Vide Carta do Padre António Baptista para o Marquês de Abrantes, Lisboa, 9 de Agosto de 1727. BNP, Reservados, Cód. 9562, fol. 1153v.

677Vide Ofício do Marquês de Capecelatro para o Marquês de la Paz, Lisboa, 20 de Abril de 1727. AHN, Estado, Legado 2517, fol 2v. A visita que fez o núncio Bichi aos infantes irmãos de D. João V, segundo o Marquês de Capecelatro, deveu-se ao pedido de ajuda que fez em nome do Papa para o envio de navios para Corfú na batalha que Roma travava contra os turcos. idem, Lisboa, 6 de Julho de 1728. AGS, Estado, Legado 7363, fol. 1v.

678 Vide Ofício do Marquês de Capecelatro para o Marquês de la Paz, Lisboa, 6 de Julho de 1728. AGS, Estado, Legado 7373, fols. 1 e 1v.

679 Vide Carta do Padre António Baptista para o Marquês de Abrantes, Lisboa, 9 de Agosto de 1727. BNP, Reservados, Cód. 9562, fol. 154.

distantes na linha de sucessão? «Hé certo que não»680, respondeu retoricamente, Diogo de Mendonça Corte Real. Até porque – rematou – de acordo com aquele raciocínio se todos os filhos de D. João V falecessem seria o infante D. Francisco, seu irmão, o próximo e legítimo rei de Portugal.

A partir daqui, D. João V assumiu uma postura inflexível. Exigiu que o Marquês de los Balbases solicitasse um encontro com os seus dois irmãos no mesmo dia da sua entrada e audiência pública, pois causaria «grande estranheza nesta Corte ver, que achando Suas Altezas nella o dito Embaixador não os vai cumprimentar»681. Caso se negasse a fazê-lo, não teria audiência de despedida e, para além disso, o rei não admitiria na sua Corte nenhum outro ministro castelhano que se recusasse conceder-lhes este mesmo obséquio682. Finalmente, após de vários meses de negociações, mediante a condição de que, no futuro, todos os ministros estrangeiros acreditados em Lisboa fossem obrigados a seguir este exemplo, Filipe V deu ordens aos seus dois Embaixadores para visitarem D. Francisco e D. António, de acordo com as exigências de cerimonial impostas por D. João V683, como, de facto, aconteceu684.

Por uma questão de logística, o Marquês de los Balbases não conseguiu solicitar atempadamente as audiências com os irmãos do rei de Portugal naquele dia. Só o fez, posteriormente, através dos seus Secretários, agendando-as duas semanas antes da sua partida para Madrid, de acordo com o cerimonial ajustado685. No dia 5 de Março de 1728, o Embaixador espanhol foi conduzido pelo Conde de Aveiras, gentil- homem do infante D. Francisco, até ao palácio Corte Real, local onde residia o irmão mais velho de D. João V, um espaço famoso por ter sido a antiga morada de D. Pedro II. Esperavam-no vários soldados e o tenente da guarda. Ao subir as escadas, foi introduzido nos aposentos de D. Francisco pelo seu gentil-homem, D. Vasco da Câmara, e neles encontrava-se um grande número nobres titulares enviados pelo rei

680 Vide idem, ibidem, fol. 154. Veja-se esta conversa relatada na primeira pessoa pelo Secretário de Estado ao Embaixador português em Madrid. Cf. Carta de Diogo de Mendonça Corte Real para o Marquês de Abrantes, Lisboa, 18 de Novembro de 1727. BNP, Reservados, Cód. 9562, fol. 222v-223. 681 Vide Carta do Padre António Baptista para o Marquês de Abrantes, Lisboa, 19 de Novembro de 1727. BNP, Reservados, Cód. 9562, fol. 228v.

682 Vide idem, ibidem, Lisboa, 8 de Janeiro de 1728, fols. 256v-258.

683 Vide idem, ibidem, fols. 257v-258. Quanto ao cerimonial acertado entre o Secretário de Estado e o Marquês de los Balbases: Papel que o Senhor Secretario mandou ao Marques dos Balbases para as

audiencias dos Senhores Infantes. Lisboa, Março de 1728. ANTT, MNE, Livro 149, fol. 66v.

684 Vide Formalidade que a corte Portuguesa [...]. BGUC, Manuscrito 629, fol. 6.

685 Sobre o cerimonial destas audiências: Ofício do Marquês de los Balbases para Marquês de la Paz, Lisboa, 13 de Fevereiro de 1728. AHN, Estado, Legado 2517, fols. 1-2; Audiencias dos Senhores

Infantes D. Francisco e D. Antonio, ao Marques dos Balbases Embaixador Extraordinario de Casttela,

Março de 1728. ANTT, MNE, Livro 149, fols. 67-69; Frei José da Natividade, op.cit., pp. 134 e 135;

de Portugal, para «fazer esta função com mais grandeza»686. Conforme acordado, o ministro de Filipe V, no dia 6 de Março, visitou também publicamente o infante D. António, cujos aposentos se localizavam no interior do palácio real, concretamente no «quarto dos passarinhos»687 . O Conde de Coculim, Camarista do infante, desempenhou a função de Condutor e o Conde de São Miguel, seu gentil-homem, introduziu-o naquela audiência688.

Com alguma ingenuidade se pensou que a iniciativa tomada pelo Marquês de los Balbases coagiria o Marquês de Capecelatro a seguir-lhe o exemplo, sem mais objecções ou demoras. Contudo, dias antes da data marcada, numa tentativa desesperada, lembrou-se aquele Embaixador de alegar, recorrendo ao primeiro argumento que utilizara no passado, que nem os diplomatas espanhóis seus antecessores, nem o Embaixador francês ou o núncio Firrao haviam no passado século visitado o infante D. Pedro689. O Secretário de Estado português limitou-se a responder-lhe que quando aqueles ministros iniciaram funções em Lisboa, D. Pedro já assumira a regência e que o cerimonial destas visitas ficara apenas «suspenso e não extinto»690. Assim, finalmente, após 12 anos a residir em Portugal, a 30 de Agosto e 6 de Setembro de 1728, o Embaixador de Filipe V obteve as audiências dos infantes D. Francisco e D. António. Nelas cumpriu o mesmo cerimonial e «estylo já referido praticado com o Marquez de los Balbazes»691.

686 Vide Frei José da Natividade, ibidem, p. 134.

687 Vide Cerimonial que se observou na hospedagem [...]. ANTT, MNE, Livro 149, fol. 173v. 688 Vide Frei José da Natividade, ibidem, p. 135.

689 Vide Copia de papel del Secretario de Estado D. Diego de Mendonza [...], Lisboa, 4 de Julho de 1728. AGS, Estado, Legado 7363, fol.1-1v. Copia de la respuesta del Señor Marques de Capecelatro [...], Lisboa, 4 de Julho de 1728. AGS, Estado, Legado 7363, fol.1-1v; Ofício Marquês de Capecelatro para o Marquês de la Paz, Lisboa, 13 de Julho de 1728. AGS, Estado, Legado 7363, fol.1-1v.

690 Vide Copia del papel del Secretario de Estado D. Diego de Mendonza [...], Lisboa, 4 de Julho de 1728. AGS, Estado, Legado 7363, fol. 2.

691 Vide Frei José da Natividade, op.cit., p. 138. O Marquês de la Paz pediu inclusivamente ao Marquês de los Balbases que redigisse uma relação referindo o cerimonial da sua audiência com os dois infantes irmãos do rei de Portugal, para que o Marquês de Capecelatro reproduzisse o mesmo procedimento. Cf.

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