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2 Techniques et procédés dépassant le modèle de la procréation naturelle

A seguir, listamos nossas perguntas de pesquisa, aqui retomadas:

1- O que os estagiários revelam nos documentos que produzem durante o Estágio Supervisionado Obrigatório de observação e regência?

Os estagiários da instituição A revelam, em seus relatórios, os aspectos ligados ao ensino/aprendizagem de línguas que mais lhe chamaram a atenção ou os que mais tinham conhecimento, como podemos verificar nas categorias enumeradas na seção 3.1.1 deste estudo. Já os estagiários da instituição B, além de revelarem em seus relatórios alguns aspectos sobre ensino/aprendizagem de línguas (categorias enumeradas na seção 3.1.2 deste estudo), como os estagiários da instituição A, também revelam o descaso com que a instituição B trata o Estágio Obrigatório Supervisionado de Língua Espanhola.

Os relatórios da instituição A revelam uma articulação ou tentativa de articular as teorias estudadas nas disciplinas Linguística Aplicada e Estágio Curricular Supervisionado I e II: Língua Estrangeira com as práticas assistidas e ministradas durante os estágios. No caso dos relatórios da instituição B, ao invés de apontarem para um ajuste entre teoria e prática, percebe-se que há graves problemas na grade curricular da instituição que fazem com que a formação dada seja deficiente tanto nos conteúdos teóricos quanto nas atividades práticas.

Muitos relatórios apresentam algumas opiniões que, acreditamos, podem refletir a opinião de algum professor que os estagiários tiveram durante a graduação ou sua própria experiência como aprendiz, isto é, muitos relatórios apontam alguns fatos e opiniões que acreditamos que foram relatados a partir de crenças e competência implícita dos estagiários. Acreditamos que isso seja comum no início da formação docente.

Constatamos também que os estagiários da instituição A, quando desenvolvem os relatórios de estágio individualmente, fazem seus registros com mais reflexões sobre a prática do que quando estão acompanhados de um colega. Como já dito na seção anterior,

acreditamos que isso ocorra pelo fato de que as duplas podem apresentar pensamentos diferentes e a interação em lugar de enriquecer o relatório com pontos de vista diferentes, leva a um texto mais neutro que apresenta menos conflito de opinião entre seus autores, e por isso é um texto mais descritivo.

O modelo de relatório de estágio da instituição B revela que essa instituição de ensino está ciente dos objetivos dos estágios supervisionados, no entanto, o que encontramos nos diários reflexivos dos estagiários desta instituição não condiz com o discurso que a instituição faz os estagiários reproduzirem, visto que esses estagiários, praticamente, não articulam teoria e prática por não possuírem aulas pedagógicas que poderiam dar suporte para essa articulação, por isso, quando há alguma reflexão, esta aparenta estar amparada em crenças da competência implícita (como a admiração por um professor).

Os relatórios de Estágio Supervisionado também revelam que há pouca interação entre professor e estagiário durante os estágios supervisionados. Esse distanciamento entre professor e estagiário é lamentável, visto que os professores têm muito a oferecer aos estagiários devido à experiência que possuem.

Em nossa segunda pergunta de pesquisa observamos:

2- Os relatórios de Estágio Supervisionado de Regência indicam uma prática coerente com as reflexões feitas nos relatórios de Estágio Supervisionado de Observação?

Os relatórios de estágio da instituição A indicam tanto relatos de práticas coerentes com as reflexões feitas nos relatórios de estágio de observação, quanto relatos de práticas incoerentes com as reflexões feitas anteriormente durante o estágio de observação, como podemos encontrar nas subseções intituladas “cruzamento entre os dados dos relatórios de estágio de observação e dos dados dos relatórios de estágio de regência de A1/A2/A3/A4/A5/A6” da seção 3.1.1 deste estudo.

A dupla de estagiárias A5, por exemplo, critica o fato de o professor regente assistido, durante o estágio de observação, não apresentar aos alunos as variantes linguísticas da língua espanhola, e, durante as aulas ministradas pela dupla no estágio de regência, apresentaram aos alunos variantes linguísticas de léxicos ensinados por elas e também algumas variantes de algumas palavras que os alunos já conheciam.

As estagiárias A1, A3 e a dupla A4, por exemplo, não relataram práticas coerentes com as ideias que apresentaram no relatório de observação. As estagiárias, por exemplo,

durante a observação, discursaram que professores de língua estrangeira deveriam utilizar somente a língua estrangeira durante as aulas, no entanto, no estágio de regência, houve momentos em que utilizaram a língua materna para ministrar as aulas.

O fato de que em alguns momentos os estagiários da instituição A não terem sido coerentes em seu discurso também contribuiu para sua formação, visto que, muitos deles, perceberam que a prática que idealizavam antes de entrarem na sala de aula nem sempre pode ser aplicada na realidade, ou seja, conseguiram refletir sobre o que teorizavam antes de experimentarem a prática. A “incoerência” entre o dizer (observação) e o fazer (regência) pode demonstrar já um amadurecimento, um “colocar-se no lugar do outro”.

Os relatórios da instituição B apresentam poucos registros de reflexão, por isso, em sua maioria, não foi possível detectar se os relatos apresentados nos relatórios de observação e regência eram coerentes. Os estagiários B2, B3 e B4 indicaram, tanto no relatório de estágio de observação quanto no relatório de estágio de regência, uma visão simplista de que o material didático é o centro do ensino/aprendizagem, isto é, nos relatos sobre o estágio de observação pautaram-se na sequência de atividades do livro didático assim como fizeram nos relatos das aulas que ministraram durante o estágio de regência. Essa é a única visão coerente que pudemos encontrar nos relatórios de estágio de observação e regência desta instituição de ensino, e como os relatos são breves e com pouco teor reflexivo, também não conseguimos encontrar relatos incoerentes entre os relatórios das duas modalidades de estágio.

Com a terceira pergunta de pesquisa notamos:

3- Há nos relatórios momentos de reflexão teórico-metodológica sobre a observação e a regência que se articulam com os estudos da LA?

A instituição A possui disciplinas como: Linguística Aplicada e Estágio Curricular Supervisionado I: Língua Estrangeira e Estágio Curricular Supervisionado II: Língua Estrangeira como parte obrigatória da grade de sua graduação. Essas disciplinas objetivam o desenvolvimento de um olhar mais reflexivo sobre o estágio, o que acreditamos que auxiliou a maioria dos estagiários a apresentarem uma reflexão teórico-metodológico sobre a prática observada e realizada. No entanto, acreditamos que possa haver falta de interesse ou maturidade acadêmica e profissional por parte de alguns licenciandos, visto que alguns relatórios quase não permitem que identifiquemos características de um professor crítico- reflexivo, ou seja, as reflexões parecem estar pouco desenvolvidas.

Na parte inicial dos relatórios de estágio da instituição B aparecem reflexões sobre a importância da disciplina Prática de Ensino para a formação de professores, mas a própria instituição não possuía essa disciplina na grade regular do curso de Licenciatura em Letras. A instituição também evidencia, na parte inicial dos relatórios, que é durante as disciplinas ligadas à prática de ensino que se pretende estabelecer o devido ajuste entre a prática e teoria, mas este ajuste não é desenvolvido pela maioria dos estudantes da instituição, e acreditamos que isso ocorra pelo fato de não terem acesso às aulas de prática de ensino. O fato de não termos conseguido identificar um perfil crítico-reflexivo nos relatórios desta instituição, provavelmente, está ligado diretamente à falta de sustentação teórica que os estagiários tiveram durante a graduação.

O momento de maior reflexão teórico-metodológica articulada aos estudos da LA encontrado nos relatórios está na “categoria 3 – sugestões propostas” apresentada neste estudo, visto que, nessa categoria, os estagiários apontam a sua apreciação e reflexão sobre momentos que julgaram problemáticos daquilo que vivenciaram durante o estágio, e para isso, precisam das teorias ligadas à LA. Nenhum estagiário da instituição B apresenta essa categoria em seu relatório e, nas demais categorias, não identificamos momentos reflexivos. Os relatórios da instituição B são muito descritivos e não permitem identificar um perfil de professor crítico-reflexivo.

Por fim, concluímos que os relatórios dos estagiários da instituição A revelam de fato o desenvolvimento de ajustes entre teoria e prática realizados durante as disciplinas de práticas de ensino, isto é, em sua maioria, os estagiários apresentam reflexões teórico- metodológicas ligadas à LA, como podemos comprovar nos excertos/exemplos apresentados na seção 3.1.1 deste estudo. No caso dos estudantes da instituição B, os relatórios, em lugar de apresentarem a formação da reflexão a partir da prática, são textos “pró-forma” que revelam pouco sobre os estágios e não apresentam reflexões teórico-metodológicas ligadas ao estudo da LA, como podemos verificar nos excertos/exemplos apresentados na seção 3.1.2.

A diferença qualitativa entre os relatórios das instituições A e B demonstra a importância da grade curricular dos cursos de licenciatura em Letras dedicarem uma carga horária adequada para a formação profissional dos estudantes, que não se limita ao estágio supervisionado obrigatório, mas que deve estar presente no decorrer do curso através de disciplinas específicas relacionadas à LA e nas próprias atividades das demais disciplinas do curso de Letras.