A sociologia é um instrumento de auto- análise extremamente poderoso que permite a cada um compreender melhor o que é, dando-lhe uma compreensão de suas próprias condições sociais de produção e da posição que ocupa no mundo social (BOURDIEU, 2004a, p. 118).
A presente pesquisa, vinculada ao Programa de Pós- Graduação em Educação da UFSC, situa-se no espectro de estudos do projeto “Educação escolar, justiça social e memória docentes: as múltiplas faces das desigualdades escolares em Santa Catarina” (2015-2018)32, coordenado pela Professora Dra. Ione Ribeiro Valle. Tal projeto, apoiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnologia (CNPq), por meio do Programa de Bolsa de Produtividade em Pesquisa, desenvolve- se dentro do Grupo de Pesquisa Ensino e Formação de Educadores em Santa Catarina (GPEFESC/UFSC)33, que, dentre
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Este projeto dá continuidade aos seus antecessores; o primeiro iniciado em 2009 e o segundo, em 2012, com a seguinte ênfase: “Memória Docente e Justiça escolar: os movimentos de escolarização e de profissionalização do magistério em Santa Catarina”. A agenda de estudos que vem se desenvolvendo desde 2009 possui como referência uma questão geral norteadora da execução do projeto-matriz e dos subprojetos que o integram, a saber: como passar de uma política de democratização da educação, que tem se configurado fundamentalmente como “demografização” (restrita à ampliação da oferta), a um projeto de justiça escolar? Tal questão impeliu o Grupo a investigar as múltiplas faces das desigualdades escolares em Santa Catarina, ao longo das últimas décadas, de modo a contemplar dimensões políticas, institucionais, profissionais e pedagógicas, a partir de uma das teses centrais da modernidade: a diferenciação social. 33
Alguns dos trabalhos já desenvolvidos por alunos (de Graduação e de Pós-graduação) e professores deste grupo incluem:
- a dissertação “Um dispositivo meritocrático de seleção para ingressar na UFSC”, de Silvana Rodrigues de Souza Sato (2011);
- a dissertação “Quando os degradados se tornam favoritos: um estudo de trajetórias de estudantes do pré-vestibular da UFSC ingressos em cursos de maior demanda”, de Francini Scheid Martins (2013);
outras abordagens, tem se dedicado a investigar o movimento de escolarização no Estado, com foco na democratização da educação, na meritocracia escolar, nos princípios das políticas educacionais brasileiras e, sobretudo, no direito à educação como medida de justiça social.
Uma vez inscrita no campo acadêmico estrito pertinente, parte-se para a situação desta tese num âmbito mais amplo: o da produção acadêmica nacional. É fato que toda pesquisa pressupõe, como ponto de partida indispensável, o levantamento de informações referentes ao estado da arte do assunto objeto de estudo. Este procedimento busca conferir visibilidade às produções acadêmicas então existentes no país sobre a temática e, além disso, oferece a possibilidade de se construírem, em paralelo, consensos e dissensos melhor fundamentados no âmbito da Pós-graduação, mediante o refinamento das convicções apresentadas pelos pesquisadores.
Segundo Zago (2006, p. 226),
Nas últimas duas décadas, estudos no campo da sociologia da educação produzidos no Brasil e no exterior vêm fornecendo indicadores teóricos importantes para problematizar o que tem sido chamado “longevidade escolar”, “casos atípicos” ou “trajetórias excepcionais” nos meios populares.
Inaugura-se, assim, uma nova tendência nessa disciplina em se começar a estudar casos que não correspondam à reprodução da tendência dominante, assimilada tradicionalmente à noção do “fracasso escolar” nesses meios sociais. Aliás, esta expressão já foi referida como alvo de certo esgotamento quanto
- o trabalho de conclusão de curso “Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM): uma tentativa de democratização do acesso ao Ensino Superior”, de Melina Kerber Klitzke (2014);
- a dissertação “Do Ensino Médio à Educação Superior: caminhos e descaminhos de alunos egressos da escola de Educação Básica de São João Batista/SC”, de Paulo César de Carvalho Jacó (2014);
- a dissertação “A expansão da educação superior brasileira: diferentes oportunidades segundo a origem social, diferentes percursos segundo o sexo”, de Mariele Martins (2014).
à sua produção de sentido no campo científico, por pesquisadores como Zaia Brandão (1983). Para além dos fatores clássicos de análise na sociologia da educação, como renda, ocupação e trabalho dos pais, parte-se, então, para a reflexão a respeito das práticas de pais e filhos para a constituição de trajetórias escolares bem-sucedidas (ZAGO, 2006, p. 227). Há, por conseguinte, o despontamento de novos temas e questões de pesquisa no campo da sociologia da educação: “Embora com produção ainda pouco expressiva, a realidade desses estudantes vem ganhando visibilidade na produção acadêmica” (ZAGO, 2011b, p. 132).
Em atenção a isso, quando da elaboração inicial do projeto de pesquisa, o recurso à obra “O Estado da Arte sobre juventude na pós-graduação brasileira: educação, ciências sociais e serviço social (1999-2006)”, coordenada por Marilia Pontes Sposito, apontou que a discussão sobre a escolarização de jovens provenientes das classes populares ainda era bastante incipiente no Brasil.
No período analisado naquela obra, existiam apenas 2 teses e 1 dissertação34 que apresentavam a análise de trajetórias escolares de “sucesso” de alunos das camadas populares, motivo pelo qual se concluiu à época (2011) que a temática ainda carecia de maiores debates, sobretudo, a partir dos trabalhos já realizados com a necessária construção de um diálogo horizontal com os outros pesquisadores, com vistas à acumulação também horizontal do processo de conhecimento sobre a matéria.
Romanelli (2013) também contribuiu no esclarecimento de algumas percepções preliminares para esta tese, visto ter apresentado interessante estudo, intitulado “Levantamento crítico
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As pesquisas referidas na obra citada são: (1) LACERDA, Wania Maria Guimarães. Famílias e filhos na construção de trajetórias escolares pouco prováveis: o caso dos iteanos. 2006. Tese (Doutorado em Educação) - Universidade Federal Fluminense, Rio de Janeiro, 2006; (2) PEREIRA, Adriana da Silva Alves. Sucesso escolar nos meios populares: mobilização pessoal e estratégias familiares. 2005. Dissertação (Mestrado em Educação) - Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Minas Gerais, 2005; e, (3) SILVA, Jailson de Souza e. Por que uns e não outros? Caminhada de estudantes da maré para a Universidade. 1999. Tese (Doutorado em Educação) - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1999.
sobre as relações entre família e escola”, realizado a partir da leitura de artigos produzidos na área de sociologia da educação publicados em periódicos nacionais, de 1997 a 2011. Por meio dele, foi possível direcionar melhor a pesquisa.
Com essas informações prévias, mas ainda um pouco inespecíficas quanto ao objeto, partiu-se para a realização de novo levantamento, agora a partir de vetores mais precisos. A pesquisa exploratória deste estudo, então, compreendeu dois momentos distintos, sucessivos e complementares. Logicamente, este levantamento também possui limitações, já que não é exaustivo e não consegue esgotar toda a produção acadêmica nacional pertinente. Além disso, foi eleito apenas um veículo de pesquisa, que é a base de dados de dissertações e teses da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
Num primeiro instante, como o estudo se propunha a investigar trajetórias de “sucesso escolar” de jovens provenientes das camadas populares na UFSC, as categorias escolhidas para este levantamento foram: “sucesso escolar” e “camadas/classes populares”.
Num segundo momento, houve um redimensionamento do tema, que passou a se concentrar nas trajetórias universitárias de jovens provenientes de camadas populares na UFSC, e não mais propriamente no “sucesso escolar”. Esta modificação se verificou a partir da constatação de que as trajetórias universitárias, justamente por já terem se iniciado, pressupõem o “sucesso escolar” dos indivíduos ao concluírem a Educação Básica e acessarem o nível superior de ensino. Em outros termos, não se poderia equiparar o sucesso escolar no percurso da Educação Básica com o “sucesso universitário”. Aliás, nem mesmo cabe falar em “sucesso universitário”, pois a presente análise não pretende se reduzir à dicotomização fracasso/sucesso do estudante universitário.
A pesquisa é proposta, por conseguinte, no sentido de identificar os trajetos de estudantes das camadas populares no Ensino Superior, suas eventuais convergências e dissonâncias. Logo, não é o caso de se elencarem fatores ou elementos que definam um suposto “sucesso universitário”, tampouco sua assimilação simplista ao conceito de “sucesso escolar”, já consolidado nas teorias da educação, sobretudo na disciplina de sociologia da educação.
Por exemplo, no livro “Por que uns e não outros?”, decorrente de tese defendida em 1999, o autor define “sucesso escolar” a partir da obtenção do diploma de Ensino Superior (público ou privado) por estudantes das camadas populares (SILVA, 2011, p. 18). Porém, a situação do presente trabalho é diversa desta: problematiza-se aqui esta noção de “sucesso escolar”, bem como se investiga em que termos se dá a passagem destes alunos pela Universidade. Zago já havia iniciado anteriormente esta linha de raciocínio, pois seria redutor considerar o acesso ao Ensino Superior, mesmo sendo público, como uma ilustração do “sucesso escolar”. Assim, questionava a respeito deste termo: “Ele representa o acesso, ou vai além para definir tanto a chamada ‘escolha’ pelo tipo de curso quanto as condições de inserção, ou seja, ‘sobrevivência’ no sistema de ensino”? (ZAGO, 2006, p. 228).
Por essa razão, a referida modificação do foco do estudo incitou um novo levantamento da pesquisa exploratória a partir das categorias: “trajetórias universitárias/escolares” e “camadas/classes populares”.
Assim sendo, faz-se importante referir as informações colhidas em ambos os levantamentos aludidos, de modo a melhor caracterizar o objeto de estudo, a partir da base de dados constante do portal da CAPES (disponível em: http://capesdw.capes.gov.br/capesdw/Teses.do). Nos dois levantamentos, a coleta de informações se deu nos níveis de mestrado e doutorado e compreendeu as produções na área de educação. A seguir, eles serão apresentados em sequência e, neste sentido, devem ser compreendidos como complementaridades.
(1) Primeiro levantamento – Assunto: sucesso escolar das classes populares.
A priori, para esta pesquisa, foi analisado todo o período disponível na base citada à época do primeiro levantamento, que se verificou em junho de 2012 –, ou seja, os dados se situam de 1987 a 2010.
Na primeira etapa da pesquisa, foram selecionados resumos a partir da expressão exata “sucesso escolar” na base, com a obtenção de 185 trabalhos ao todo. Ao analisar os resumos, foram selecionados aqueles que mencionam a relação de “sucesso escolar” com “camadas/classes populares”, com o
resultado de 10 trabalhos ao final, sem a distinção do nível de ensino a que se referiam as pesquisas (Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio ou Ensino Superior).
Na segunda etapa, foram selecionados mais 35 resumos a partir dos termos “sucesso escolar classes populares”, com o descritor “todas as palavras”. Ao analisar os resumos, foram selecionados aqueles que mencionam a relação de “sucesso escolar” com “camadas/classes populares”, após a retirada daqueles que já apareceram na primeira etapa, o que resultou no acréscimo de mais 2 trabalhos.
Na terceira etapa, foram selecionados mais 33 resumos a partir dos termos “sucesso escolar camadas populares”, também em descritor “todas as palavras”. Destes, restou o acréscimo de mais 2 trabalhos, após a observação daqueles que mencionam a relação de “sucesso escolar” com “camadas/classes populares”, e a subtração dos que apareceram na primeira e segunda etapas.
Ainda, numa quarta etapa, houve a análise da seleção dos 3 trabalhos feita por Sposito (2009), no livro “O estado da arte sobre juventude na pós-graduação brasileira: educação, ciências sociais e serviço social (1999-2006)”. Destes 3 trabalhos, mais 2 vieram a integrar a amostra.
Portanto, ao final, havia 16 resumos a serem analisados. Importa referir que, nesta análise, não foram considerados os resumos que poderiam ser encontrados a partir da pesquisa dos termos “fracasso escolar” (670 trabalhos); “classes populares” (688 trabalhos); e, “camadas populares” (569 trabalhos), que, embora tivessem relação com o assunto deste levantamento, não constituíam seu foco principal, nem apresentavam perspectiva de análise análoga a ora proposta. Ainda, além dos 16 trabalhos componentes da amostra, é interessante mencionar que outros 20 resumos apresentavam temática afim, embora não coincidente (como, por exemplo, aqueles que traziam as representações de professores sobre noções de sucesso escolar de seus alunos). Deste modo, estes 20 resumos também não compuseram a amostra citada, mas merecem tal referência.
A seguir, a amostra dos 16 trabalhos passou a ser analisada com base em seis indicadores previamente estipulados, quais sejam:
a) Tipo de trabalho (Nível de mestrado ou doutorado) – Dentre os 16 trabalhos, 11 eram dissertações de mestrado e 5 eram teses de doutorado, o que indica uma concentração expressiva de 68,75% dos trabalhos no âmbito do mestrado. b) Locais de produção dos trabalhos - Os locais de produção dos 16 trabalhos estão geograficamente assim situados:
Quadro 2 - Distribuição regional da produção de trabalhos – Primeiro levantamento
ESTADO QUANT. INSTITUIÇÃO PÚBLICA INSTITUIÇÃO PRIVADA Minas Gerais 6 (1) UFJF – Juiz de Fora
(1) UFSJ – São João Del Rei (3) UFMG
(1) PUC-MG
São Paulo 3 (1) USP
(1) USP – Ribeirão Preto
(1) PUC-SP Rio de Janeiro 3 (1) UERJ
(1) UFF (1) UnC-RJ Distrito Federal – Brasília 2 - (2) UnC-Brasília Goiás 1 - (1) PUC-GO
Santa Catarina 1 - (1) FURB
TOTAL (16) (9) (7)
Fonte: CAPES
A amostra revela que a maioria dos trabalhos (75%) tem sua produção concentrada na região sudeste do Brasil, dado que também merece ser relativizado se for sopesado que a maioria das Universidades do país também está ali geograficamente situada, o que reforça a maior produção no âmbito da pós- graduação nesta região.
O Estado de Minas Gerais merece destaque neste cenário, pois concentra 37,5% das produções. Outra pontuação a ser feita é que, comparativamente, instituições públicas e privadas concentram as produções de forma equilibrada, com 9 e 7 trabalhos respectivamente.
c) Anos de produção dos trabalhos (1987 a 2010) – A produção está assim distribuída conforme o ano de produção:
Quadro 3 - Distribuição por ano de produção dos trabalhos – Primeiro levantamento
ANO DE PRODUÇÃO QUANTIDADE
1987 a 1997 0 1998 a 2005 1 por ano 2006 2 2007 1 2008 2 2009 1 2010 2 Fonte: CAPES
Pode-se notar que até 1997 não houve produção de trabalhos sobre esta temática; de 1998 a 2005, encontra-se apenas 1 produção por ano; e a partir de 2006, o interesse na temática aumentou de forma ainda bastante inexpressiva, alternando-se 1 ou 2 produções a cada ano.
Interessa referir que o início das pesquisas nesta área se dá em 1997, ano em que, coincidentemente, o Brasil está diante da expansão do Ensino Superior, com alterações legislativas que passam a autorizar a inserção de instituições privadas, com fins lucrativos, neste espaço. Assim sendo, veja-se que o próprio campo de pesquisa (universitário) também se amplia na medida em que também potencializa o surgimento de novas análises teóricas.
d) Referenciais teóricos – Neste particular, embora fosse desejável que todos os resumos contivessem os referenciais teóricos adotados, 6 deles não o fizeram (37,5%). Por sua vez, nos 10 trabalhos que traziam referências, as perspectivas e os autores citados foram os seguintes35: Lahire (4), Bourdieu (4), Elias (3), sociologia da educação (3), Portes (2), Laurens (1), Rochex (1), Terrail (1), Zeroulou (1), Thin (1), Paixão (1), Nogueira (1), Viana (1), Zago (1), Pedro Silva (1), psicologia sócio-histórica (1), perspectiva histórica-cultural – Vygotsky (1).
Nota-se, assim, que a maioria dos trabalhos apresenta seus referenciais (62,5%), quando, na verdade, todos os resumos deveriam expressá-los. Merece destaque a referência
35
O número entre parênteses explicita a quantidade de vezes em que foram citados.
da sociologia da educação francesa, com os expoentes de Lahire e Bourdieu.
e) Tipos de pesquisa (metodologia) – Dentre os 16 trabalhos, 14 mencionam o tipo de pesquisa (metodologia) adotado (87,5%). Destes, 4 referem-no como “qualitativo”.
Por sua vez, sobre os instrumentos de pesquisa, as referências foram36: entrevistas (8), análise documental (4)37, notas etnográficas ou etnografia (3), estudo de caso (3) 38, análise de histórias de vida (1), pesquisa assistemática – registros (1), questionário (1) e observação participante (1).
Verifica-se, assim, que apenas 2 trabalhos não apresentavam o tipo de pesquisa realizado. Destacam-se, neste indicador, na condição de tipo, a pesquisa qualitativa e, na condição de instrumentos, as entrevistas com pequenos grupos de participantes, que são, preferencialmente, os estudantes alvo das análises.
f) Temas das pesquisas – Em geral, os trabalhos situam a definição do sucesso escolar em relação à Educação Básica: 5 deles remetem ao Ensino Fundamental; e, outros 5, ao Ensino Médio. Há 2 trabalhos que não mencionam o nível de ensino nem a série analisada. E apenas 4 trabalhos referem o sucesso escolar no Ensino Superior.
Além disso, grande parte dos trabalhos se propõe a compreender, sob diversos ângulos, as variáveis que oportunizam o bom desempenho escolar de alunos provenientes das classes populares, apesar das condições socioeconômicas desfavoráveis. Nas análises, despontam três categorias fundamentais das pesquisas: a escola, o aluno (filho) e a família.
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O número entre parênteses explicita a quantidade de vezes em que foram citados.
37
Nos seguintes termos: análise documental (1), coleta de registros (1), coleta de dados em publicações (1), análise de dados estatísticos do INEP (1).
38
Nos seguintes termos: estudo de caso (1), estudo de caso com entrevistas e observações (1), estudo de caso com grupos focais e levantamento por amostragem (1).
De forma sintética, a seleção de trabalhos apresentou os seguintes objetivos nas pesquisas, extraídos a partir dos resumos:
a) descrição e análise de situações de sucesso escolar em meios populares a partir do pressuposto de que tanto o aluno quanto a sua família desempenham um importante papel para que essa situação se configure (PEREIRA, 2005);
b) descrição e análise do processo educativo de um aluno que conseguiu concluir o primeiro ciclo do Ensino Fundamental ao obter sucesso escolar quando a previsão era de fracasso (CARVALHO, 2006);
c) exame das dimensões simbólicas que permeiam a construção do sucesso escolar de adolescentes mulheres no Ensino Médio (VASCONCELOS, 2001);
d) investigação de manifestações e fatores responsáveis pelo fracasso escolar no Ensino Médio, a fim de identificar prováveis caminhos para a consecução do sucesso na rede pública (CAMPOS, 2002);
e) investigação dos agentes que ingressaram na Universidade pública e alcançaram aproveitamento escolar superior aos estudantes provenientes da rede particular de ensino (TARABOLA, 2010);
f) compreensão da trajetória escolar de alunos secundaristas dos meios populares na década de 60 e análise dos mecanismos utilizados pelos indivíduos e pelas suas famílias para alcançarem o sucesso escolar (TRAD, 2009); g) descrição e análise dos processos de constituição do pensamento categorial em relação com as mediações parentais e docentes, que podem ser determinantes do sucesso escolar de crianças do Ensino Fundamental (SANTOS, 2000);
h) compreensão do sucesso escolar, estatisticamente improvável, de jovens oriundos de camadas populares, sob três ângulos: a família, o filho-aluno e a escola (VIANA, 1998);
i) análise das disposições leitoras de jovens de meios populares considerados bem-sucedidos, para se compreender as dinâmicas intrafamiliares, as práticas de socialização primária e os investimentos familiares
mobilizadores do sucesso escolar e da inserção desses jovens em práticas efetivas de leitura (MELO, 2007); j) compreensão do gerenciamento da escolarização dos
filhos de famílias com baixo nível de escolaridade e de renda, cujos filhos obtêm resultados escolares bastante diferentes dos esperados (COSTA, 2008);
k) análise da dinâmica das práticas educativas desenvolvidas nas famílias de camadas populares e na instituição escolar e a influência que ambas exercem na aprendizagem de crianças do Ensino Fundamental (PEREZ, 2004);
l) conhecimento das diferentes estratégias adotadas pelas famílias e as mobilizações no interior do ciclo familiar, como forma de promover a escolaridade dos filhos sem maiores entraves (MACHADO, 2008);
m) discussão da universalização do acesso ao ensino básico, no Brasil, a partir do confronto entre a aparência da democratização da educação e a realidade de exclusão em que vivem os filhos de trabalhadores inseridos nos sistemas de ensino; e análise das falas de agentes das camadas populares, relativamente bem sucedidos na escola e em situação de seleção no vestibular, acerca das concepções sobre seus próprios desempenhos escolares (SILVA, 2003);
n) investigação dos discursos e das práticas de famílias populares na escolarização de seus filhos (TERTULIANO, 2010);
o) estudo das trajetórias escolares bem sucedidas realizadas por jovens moradores de favelas até à Universidade (SILVA, 1999);
p) compreensão das variáveis que oportunizaram o ingresso de alunos provenientes de famílias das classes populares em renomada instituição de Ensino Superior (LACERDA, 2006).
(2) Segundo levantamento – Assunto: trajetórias universitárias das classes populares.
Como já dito, para esta pesquisa, foi analisado todo o período disponível na base referida, de 1987 a 2011, vez que este levantamento se verificou em agosto de 2012 e, portanto,
época em que a CAPES já havia disponibilizado dados de mais um ano de produção acadêmica (2011)39.
Na primeira etapa da pesquisa, foram selecionados resumos a partir do descritor “todas as palavras”, com a expressão “trajetórias universitárias camadas populares”. Foram obtidos 5 trabalhos, dentre os quais foram selecionados 4 resumos para análise.
Na segunda etapa, foram selecionados mais 64 resumos a partir dos termos “trajetórias escolares camadas populares”, com o descritor “todas as palavras”. Ao analisar os resumos, foram selecionados aqueles que mencionam a relação com o Ensino Superior, após a retirada daqueles que já apareceram na primeira etapa, o que resultou no acréscimo de mais 10 trabalhos.
Na terceira etapa, foram selecionados mais 5 resumos a