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MYANMAR Context del conflicte

Dans le document anuari 2010 de processos de pau (Page 191-200)

A tabela do anexo 10 sintetiza a descrição dos dados apresentada no anexo 11, relativa à participação de 26 formandos do curso de Direito, do turno matutino, com o seguinte perfil médio:

Quadro 11 - Perfil médio do formando de Direito

Característica Percentual (Quantidade de alunos) Observações i. Sexo feminino 53,84% (14)

ii. Idade de 20 a 24 anos 76,92% (20) - Há 3 alunos de 25 a 29 anos; e 3 de 30 a 39 anos

iii. Cor branca 84,61% (22) - Há apenas 3 negros. Não há pardos ou amarelos

iv. Solteiro 84,61% (22) - Os cônjuges referidos possuem as ocupações de “administrador”, “empregado”, “desempregado” e “estudante” v. Nascido em SC 76,92% (20) - 12 são de Florianópolis vi. Residia em SC antes

de ingressar na UFSC 88,46% (23) - 19 já moravam em Florianópolis vii. Reside em Florianópolis atualmente

88,46% (23) - Apenas 3 não residem: moram em São José

viii. Mora em bairro ao lado da UFSC (dos que moram em Florianópolis)

56,52% (13) - Outros bairros citados: Santo Antônio de Lisboa, Cacupé, Centro, Estreito, José Mendes. Em São José: Centro, Campinas e Real Parque

ix. Ingressou na UFSC em 2010.1

69,23% (18) - 4 ingressaram em 2009; 2 em 2008; 1 em 2010.2 e 1 em 2012.1

x. Mora com um dos pais pelo menos

53,83% (13) xi. Pai com Ensino

Superior

73,07% (19) - 4 com Ensino Médio - 1 com Ensino Fundamental - 2 sem escolaridade xii. Pai na ocupação de

“profissional liberal”, sendo a profissão mais citada a de “Engenheiro” (3 vezes) 30,76% (07) - Ao se somar advogados (profissional liberal) com servidores públicos, há 6 pais em carreiras jurídicas

xiii. Mãe com Ensino Superior

65,37% (17) - 8 com Ensino Médio - 1 com Ensino Fundamental xiv. Mãe na ocupação de

“servidor público”

xv. Renda familiar mensal acima de 10 salários mínimos 61,52% (16) - 5 referem de 4 a 10 SM - 4 referem de 2 a 4 SM - 1 refere até 2 SM

- Há 5 alunos das classes populares

xvi. Cursou Educação Infantil apenas em instituição particular, no turno vespertino 65,38% (17) e 57,69% (15)

- 6 alunos apenas em escola pública

xvii. Cursou Ensino Fundamental apenas em instituição particular, no turno matutino 73,07% (19) e 65,38% (17)

- 6 alunos apenas em escola pública

xviii. Cursou Ensino Médio apenas em instituição particular, no turno matutino 80,76% (21) e 73,07% (19)

- 1 aluno estudou nos Estados Unidos

xix. Não fez curso técnico 96,15% (25) - 1 aluno fez o técnico em Saneamento

xx. Não fez supletivo 100% xxi. Fez curso pré-

vestibular, em instituição privada

65,38% (17) e 94,11% (16) xxii. Ingressou na UFSC

por vestibular

92,30% (24) - 2 alunos ingressaram por transferência externa

xxiii. No ano de ingresso, também passou em outros vestibulares

80,76% (21) - Cursos mais citados: Direito e Administração

xxiv. Não faz outra graduação

88,46% - 3 alunos cursam: Administração, Ciências Contábeis e outro

xxv. Não fez outra graduação

96,15% - 1 aluno fez Letras xxvi. Trabalha 69,20% (18) - 15 estão em estágios

- 3 alunos nunca tiveram experiência profissional

- 5 não estão trabalhando, mas já trabalharam antes (3 em estágios)

xxvii. Não precisa trabalhar para ajudar no sustento da família

73,07% (19)

xxviii. A família lhe ajuda financeiramente durante a faculdade 84,61% (22) xxix. Já planejou os objetivos profissionais para o período após a formatura

76,92% (20) - A maioria refere a intenção de: prestar concurso público (9); advogar (6); e fazer Pós- Graduação (4)

O que esses dados revelam?

O curso de Direito, quinto mais concorrido da UFSC, além de também ser seletivo, destaca-se dos demais pelo fato de ser o que apresenta maiores desigualdades entre os estudantes. Ao se examinar os dados, muito embora se consiga ver que as respostas também se concentram, em geral, numa das opções de resposta do questionário, nota-se que existem dois pólos que concentram os alunos, com características opostas.

Os formandos, em tese, seriam os 45 alunos ingressantes no primeiro semestre de 2010, mas participaram da pesquisa 26 deles. De fato, a maior parte da turma ingressou neste período: 69,23% (18 alunos). Entretanto, interessa notar que os outros 8 alunos vieram de diferentes semestres: 2009.2 (3), 2009.1 (1), 2008.2 (1), 2008.2 (1), 2010.2 (1) e 2012.1 (1). No Direito, o fato de 30% destes alunos não ser da turma original é um dado incomum, pois, tradicionalmente, o costume era observar que as turmas mantinham-se praticamente iguais, do início ao fim do curso, com pequenas variações (de trancamentos, desistências ou novas entradas). O currículo do curso, em geral, dificulta que o aluno possa estar em diferentes fases ao mesmo tempo, pois as matérias, em sua maioria, são sequenciais (como Direito Civil I, Direito Civil II, Direito Civil III etc.), ou seja, se por alguma razão o aluno tem certa disciplina pendente, é difícil prosseguir para a fase seguinte sem que haja choque de horário desta com as demais matérias. Além disso, apesar de não haver dados empíricos para atestar, reprovações nas matérias do Direito não são muito usuais – tal como se sabe, em termos de senso comum, ser diferente no caso das ciências exatas, em que reprovações são mais frequentes. Enfim, por esse conjunto de razões, chama a atenção o fato de haver esta heterogeneidade da turma quanto ao semestre de ingresso.

De acordo com o Relatório Oficial do Vestibular de 2010, da Comissão Permanente de Vestibular da UFSC, à época do vestibular, a média da relação entre candidatos e número de vagas foi de 13,49: os não optantes pelo PAA concorreram à razão de 15,90 para 63 vagas; os autodeclarados negros ou pardos, 4,22 para 9 vagas; e os egressos de escola pública, 9,67 para 18 vagas.

O perfil do calouro em 2010, segundo o Relatório, era o seguinte:

- 48,89% de homens (e se inscreveram 37,15%) e 51,11% de mulheres (e se inscreveram 62,85%);

- 69,32% com até 19 anos (índice geral para todos os cursos); - 85,55% de brancos, 7,77% de negros, 5,55% de pardos e 1,11% de amarelos (e nenhum indígena); - 78,88% oriundos de SC, 7,77% do RS, 6,66% de outros estados, 5,55% de SP e 1,11% do PR;

- 74,44% de egressos de Ensino Médio de escolas privadas (e 24,44% de escolas públicas)

O perfil do formando de 2014 também apresenta as mesmas características do perfil do calouro de 2010: de uma mulher, jovem, branca, solteira e catarinense.

O sexo feminino, assim como na entrada da faculdade (51,11%), permaneceu em maioria até o final (53,84%). Contudo, percebe-se que a turma se mostra dividida praticamente pela metade entre os sexos.

Quanto à idade, a maior parte enquadra-se na faixa de 20 a 24 anos, de forma que se pode enxergar uma continuidade direta da Educação Básica para o Ensino Superior.

A respeito da cor declarada pelos alunos, tanto os calouros quanto os formandos apresentam a grande maioria branca: a variação percentual foi bem pequena, de 85,55% para 84,61%. A turma de calouros tinha um índice ligeiramente menor de negros (7,77%), em comparação com o índice dos formandos (11,53%). Contudo, os pardos (5,55%) e amarelos (1,11%) presentes na turma inicial não estão mais na turma de formandos.

Sobre o estado de origem, a maioria dos alunos de 2014 são catarinenses, como são os de 2010, mas em índice ainda mais elevado. Quanto aos outros estados, houve modificações. Em 2010, ingressaram 7,77% do RS, 6,66% de outros estados, 5,55% de SP e 1,11% do PR. Já em 2014, havia mais paulistas (11,53%), igual índice de gaúchos (7,69%) e maior índice de paranaenses (3,84%). Os alunos de outros estados não se encontram mais na turma.

No tocante à escolarização, a turma de calouros apresentava 74,44% que cursaram apenas escola particular no

Ensino Médio. Já para os formandos, este índice é ainda maior: 80,76%. Aqueles que cursaram apenas escola pública eram 24,44% em 2010 e 19,23% em 2014, isto é, uma redução de 5,21% deste grupo ao final do curso.

Além destes dados comparativos entre 2010 e 2014, existem mais circunstâncias a serem discutidas a seguir.

Nas cidades de origem dos alunos, o percentual de catarinenses é expressivo: 76,92% (20 alunos). Também é expressivo o fato de que destes 20 alunos, 12 nasceram em Florianópolis. Em comparação com as cidades em que residiam antes de ingressar na UFSC, o índice de catarinenses é ainda maior: 88,46% ou 23 alunos. E, destes 23 alunos, 20 já moravam na região da Grande Florianópolis, sendo que 19 na própria capital. Ou seja, a maioria da turma estava bastante próxima da UFSC. Este dado também se relaciona ao fato de que 53,83% moram com, pelo menos, um dos ascendentes (com ou sem irmãos) e 15,83% com cônjuges – percentuais que, somados, representam 18 alunos (69,21%) morando com familiares.

Atualmente, 13 dos 23 (56,52%) que disseram residir em Florianópolis, afirmaram viver em bairros vizinhos à UFSC. Os outros 10 alunos residem em bairros mais distantes em Florianópolis e mais 3 alunos residem em bairros de cidade vizinha (São José).

Em relação à escolaridade dos genitores, os pais apresentam alto nível de escolaridade, vez que 73,07% têm Ensino Superior. Em compensação, 7,69% não têm escolaridade alguma e 3,84% até o Ensino Fundamental. No rol de ocupações referidas, a maioria deles é “profissional liberal” (30,76%). Porém, se desta categoria forem subtraídos os 2 advogados citados (7,69%) e somados à categoria dos “servidores públicos” (15,38%), haverá o percentual igual de 23,07% de pais com carreiras jurídicas e 23,06% de pais profissionais liberais.

No caso das mães, nota-se que possuem escolaridade superior menor que a dos pais: 65,37%. Porém, não há nenhuma sem escolaridade, visto que as demais possuem Ensino Fundamental (1) e Médio (8). No que concerne às ocupações, a maior quantidade de mães é de “servidoras públicas”, com carreiras relacionadas ao Direito (23,07%). É inegável reconhecer a influência destes pais e destas mães com experiência profissional no Direito na escolha do curso dos filhos.

Acerca da renda familiar mensal, há 61,52% das famílias com renda superior a 10 salários mínimos; 19,23% na faixa intermediária; e 19,23% nas classes populares (abaixo de 4 salários mínimos). Isto é, há uma grande concentração de famílias na classe de alta renda e uma grande desigualdade desta classe com as demais.

Não surpreende, portanto, o importante recurso das famílias exclusivamente às escolas privadas em todos os níveis de ensino: 65,38% na Educação Infantil; 73,07% no Ensino Fundamental; e, 80,76% no Ensino Médio. Isto é, ao longo da escolarização dos filhos, cada vez mais a escola particular foi utilizada como relevante recurso de formação. E note-se que, apesar de 3 alunos não terem respondido, todos os outros 23 disseram não ter necessitado de bolsa de estudos em sua escolarização.

Muitos ainda recorreram, para complementar os estudos, aos cursos pré-vestibulares, na razão de 65,38%, sendo a maioria do tipo privado (94,11%).

Esta boa preparação escolar se refletiu também na aprovação da maioria (80,76%) para outros cursos superiores, sobressaindo as opções por Direito e Administração.

Aqui também cabe a menção de que, ao contrário dos outros cursos discutidos, nem todos ingressaram por vestibular. No Direito, especialmente nas fases finais, costumam ser abertas algumas vagas para candidatos à transferência. De fato, 2 alunos (7,69%) da turma vieram de outras instituições, por meio de transferência externa.

Sobre o desempenho de atividade remunerada, 69,20% (18 alunos) disseram estar trabalhando atualmente e a maioria deles está ocupada com estágios para complementar a formação acadêmica – no atual estágio, há alunos cuja experiência varia de 3 meses a 4 anos. Em contrapartida, o importante percentual de 30,76% diz não ter nenhuma atividade remunerada no momento. Destes, 19,23% referiram que haviam obtido anteriormente alguma experiência profissional, especialmente por meio de estágios na área (cujo tempo variou de 5 meses a 14 meses). Dos alunos ainda, 11,53% declara nunca ter se envolvido com qualquer tipo de atividade remunerada.

Com exceção de 2 alunos que disseram atuar como servidores públicos, todos os demais que estão trabalhando ou já trabalharam referem apenas os estágios acadêmicos. Há uma

correlação tanto da alta procura por estágios, quanto pelo índice de cerca de 30% não trabalhar, dado o anseio da maioria deles em passar em algum concurso público após a formatura. Provavelmente, muitos alunos passam grande parte do seu tempo estudando, para muito além dos conteúdos da faculdade, vez que os concursos da área, além de muito concorridos, apresentam em geral alto nível de exigência. Ainda, é bom que se diga que, no Direito, as carreiras jurídicas, sobretudo as mais procuradas que são as da Magistratura (Juízes) e as do Ministério Público (Promotores e Procuradores), demandam que o candidato possua, no mínimo 3 anos de atividade jurídica – prazo que apenas começa a contar depois da formatura do bacharel em Direito.

Enfim, pelo fato de empregarem seu tempo majoritariamente entre faculdade e estágio, a maioria precisa de auxílio da família para o seu sustento (84,61%). Também, perguntados se eram/são requisitados para ajudar financeiramente os outros membros da família, apenas 26,92% (7 alunos) disseram que sim – percentual que, comparado aos demais cursos analisados, é o maior.

Para o futuro, 20 alunos (76,92%) fazem planos, os quais se concentram em: passar em concurso público para variadas carreiras (9); advogar (6); e continuar a formação em Pós- Graduação (4). Apenas 2 alunos mencionam não ter a pretensão de continuar na área após a formatura.

Acerca das descrições que os alunos escreveram sobre a sua trajetória universitária até então, as mais citadas foram: decepção, enriquecedora, evolução e paciência. Ao lado da palavra decepção, referida acima, chamam a atenção outras que têm sentido negativo: cansaço, conturbada, desilusão e dificuldade. No mais, referem muito trajetórias que se resumem a esforço e persistência.

Síntese – C: Medicina, Arquitetura, Engenharia Civil e Direito

O Direito, apesar de ter a maioria dos pontos em comum com os demais, apresenta algumas particularidades como:

ü “Suposta” ausência de alunos pardos e amarelos;

ü Grande concentração de alunos catarinenses, maior inclusive que a da Engenharia Civil;

ü Maior diversidade de alunos quanto ao semestre de ingresso;

ü Maior percentual de pais com Ensino Superior;

ü Único curso em que a escolaridade dos pais é maior que a das mães no Ensino Superior;

ü Maior quantidade de pais e mães na ocupação de “servidor público”;

ü Maior concentração de renda de todos os cursos: maior quantidade de famílias com renda mensal superior a 10 salários mínimos;

ü Menor percentual de famílias na classe média;

ü Maior quantidade de famílias nas classes populares, isto é, é o curso mais desigual, mais heterogêneo, pois são poucos os alunos das classes médias, de modo a se ter em maioria ou alunos das classes abastadas ou alunos das classes populares;

ü Há 2 alunos que entraram por transferência externa e 3 cursando outra faculdade;

ü Maior concentração de alunos no ensino privado, no Ensino Fundamental e no Ensino Médio – na Educação Infantil, só é menor que o índice da Arquitetura;

ü Redução do percentual de alunos de escola pública, comparado ao seu ingresso;

ü Com exceção de 2 alunos servidores públicos, o restante que está trabalhando ou já trabalhou refere apenas estágios acadêmicos;

ü Maior percentual de alunos que ajudam financeiramente a família.

6 O PERFIL DE CADA TURMA DE FORMANDOS: CURSOS

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