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Frontera del Nord-est (Waziristan i FATA) Síntesi del conflicte

Dans le document anuari 2010 de processos de pau (Page 151-159)

METODOLÓGICOS

Mais do que sonhar em atingir o segredo das almas, aceitemos as coisas como elas se apresentam sem acreditar muito e sem muito duvidar delas. Basta observar que os agentes são obrigados a se construir, inclusive numa boa-fé relativa, que essa construção compromete uns com os outros e que os sociólogos não são muito diferentes daqueles que eles observam e ouvem (DUBET, 2014, p. 360)

Este trabalho se propõe a analisar de que modo se projetam as trajetórias de alunos que, apesar de condições socioeconômicas desfavoráveis, conseguem percorrer o Ensino Superior brasileiro e concluí-lo. Neste particular, supõe-se que, independentemente da classe social a que pertença o agrupamento familiar, seu trabalho escolar existe, ainda que possa ser reduzido e descontínuo.

Portanto, o problema que se coloca é o seguinte: quais são essas estratégias materiais e simbólicas, adotadas pelo estudante das classes populares e por sua família, que caracterizam sua trajetória universitária?

Parte-se da hipótese de que os alunos que acessam o Ensino Superior não ocupam a mesma “posição” na Universidade, no sentido de que há diferenças na composição de capitais que cada um detém (sobretudo, o econômico), o que oportuniza condições diferenciadas também para a sua formação universitária. Assim, os jovens de camadas populares9 (classes D e E) e suas respectivas famílias desempenham ações específicas ao longo do percurso de formação para que seja esta, após acessada, concluída. Neste sentido, a importância que a família confere à progressão da escolaridade dos filhos parece ser relevante para que acessem o Ensino Superior. Assim, se “Os estudantes não são todos estudantes no mesmo grau e os estudos ocupam um lugar variável em suas vidas” (ZAGO, 2011b, p. 141), torna-se relevante investigar as dinâmicas socializatórias imanentes às trajetórias desses alunos.

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No Brasil, existem diversos critérios que se prestam a definir as classes sociais, sem que haja preponderância de algum deles sobre os demais. Portanto, para a consecução da presente pesquisa, adota-se o critério por faixas de salários-mínimos (SM), a partir dos dados do censo populacional constantes da base do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatística (IBGE). Segundo o IBGE, existem cinco classes sociais (ou cinco faixas de renda):

(1) Classe A – renda familiar acima de 20 SM; (2) Classe B – renda familiar de 10 a 20 SM; (3) Classe C – renda familiar de 4 a 10 SM; (4) Classe D – renda familiar de 2 a 4 SM; (5) Classe E – renda familiar de até 2 SM.

Em atenção a este parâmetro, as classes populares compõem as classes D e E.

A estreita ligação da formação universitária com o mercado de trabalho indica que, durante o curso superior, diferentes capitais serão mobilizados pelos estudantes para estruturarem suas carreiras futuras e manterem suas condições de classe, se forem da classe alta, ou melhorarem suas condições, se forem da classe média ou da classe popular. Para quem provém da classe popular, a ideia é de que o acesso ao Ensino Superior é uma oportunidade de ampliação de seus capitais – visto que o momento universitário traz especialmente projeções futuras para o mercado de trabalho.

Para operacionalizar a sistematização teórica a respeito do assunto não se pôde prescindir do estudo do campo empírico, o qual, por sua vez, só pôde ter seus mecanismos de funcionamento desvelado a partir das proposições teóricas lançadas no projeto de pesquisa. Assim é que, metodologicamente, com o objetivo de investigar as impressões dos estudantes das classes populares a respeito de suas trajetórias universitárias, esta tese se embasa em uma pesquisa de campo, sob a perspectiva comparativa, realizada nos cinco cursos de graduação mais concorridos10 e nos cinco cursos menos concorridos da Universidade Federal de Santa Catarina, a partir da aplicação de questionários com a totalidade dos alunos formandos destas turmas (isto é, que cursavam o penúltimo semestre da graduação no momento da colheita de dados, primeiro semestre de 2014).

Na sequência, foram selecionados alunos de cada turma que tenham se definido, quando da aplicação do questionário, como provenientes das classes populares, para a realização de entrevistas semi-estruturadas, a fim de descreverem suas trajetórias universitárias então no último semestre de graduação, qual seja, o segundo semestre de 201411.

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No caso deste trabalho, os cursos que apresentaram maior índice de candidato por vaga são considerados altamente seletivos e elitizados, contudo, é preciso considerar que nem sempre um curso com alto índice de concorrência seja desta natureza.

11 Os alunos que foram entrevistados não necessariamente cursaram todos os anos da Educação Básica em escola pública, pois importa que a família esteja situada, por suas condições socioeconômicas, no estrato popular da população brasileira. Ademais, considerando que a Universidade Federal de Santa Catarina adotou, desde o ano letivo de

O recurso a instrumentos de pesquisa como o questionário e a entrevista semi-estruturada (a partir de roteiros pré-definidos, com perguntas abertas) oportunizou um levantamento de dados para uma pesquisa do tipo qualitativa, muito embora, na primeira fase da pesquisa de campo, tenham-se colhido informações com relevância quantitativa também.

A metodologia escolhida implica trabalhar o objeto da pesquisa na perspectiva relacional, o que significa utilizar o recurso de que o real é relacional. Por isso, a utilização de questionários e de entrevistas nesta investigação, já que oferece condições adequadas para o estudo das organizações sociais na totalidade, a partir da imersão em uma delas especialmente (a UFSC). O recurso da entrevista na pesquisa social especificamente pode revelar que o processo de produção do significado é tão importante quanto o significado produzido. A necessidade de se recorrer às entrevistas justamente adveio da noção de que “A propensão para tomar a palavra, até mesmo, da maneira mais rudimentar – ou seja, produzir um sim ou um não, ou inscrever uma cruz diante de uma resposta pré-fabricada – é estritamente proporcional ao sentimento de ter o direito à palavra” (BOURDIEU, 2011a, p. 384).

Os limites dos dados coletados no questionário foram balizados pelas entrevistas. De qualquer forma, foi preciso

sobretudo, aprender pouco a pouco a transgredir a regra não escrita que deseja que apenas possam intervir na construção científica os dados coletados em condições socialmente definidas como científicas, isto é, pela entrevista ou observação armada, para fazer ressurgir toda as informações que o sociólogo, enquanto agente social, possui inevitavelmente e que, controlada pela confrontação com os dados mensuráveis da observação, podem entrar no discurso científico (BOURDIEU, 2011a, p. 466). 2008, com base na Resolução n. 008/2007, do Conselho Universitário (CUn), o sistema de cotas para egressos de escolas públicas, este fato foi levado especialmente em conta, pois, a partir de 2012, os cursos de graduação de 4 (quatro) anos começaram a formar os primeiros alunos que ingressaram por meio deste sistema.

Assim é que, a partir de um olhar sociológico, desvelar/desnaturalizar o objeto de pesquisa se torna possível. Ou seja, não tomar as informações preexistentes a seu respeito como absolutas e passar a encará-las de acordo com o contexto em que são forjadas e, também, de acordo com os agentes que assim as apreendem em suas compreensões.

O teórico francês Pierre Bourdieu, uma das principais referências que norteiam esta tese, procurou superar em sua obra a oposição entre objetivismo e subjetivismo, de modo a fundar uma teoria praxiológica, com o intuito de explicar como acontece o ajustamento das partes da estrutura e da ação dos agentes. Assim é que, por buscar compreender como os agentes assimilam as estruturas sociais que lhes são externas, começa a caracterizá-las como disposições duráveis e estáveis em suas ações e representações: o que denomina de “habitus”12, cuja conotação é melhor detalhada adiante. Segundo Bourdieu, o habitus é moldável pelo espaço social e pela ação do agente – a qual está indissociavelmente relacionada a uma condição de classe, seja o processo consciente ou não. Nesse conceito também se pode inscrever a noção de “estratégias” materiais e simbólicas empregada para compreender as trajetórias dos formandos neste trabalho.

Assim se pode dessumir que o objeto de pesquisa é um constructo teórico relativo, que, para ser desvelado, incita que as condições de sua produção e os modos de interpretá-lo sejam evidenciados.

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