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Dans le document Problèmes inverses en génie civil (Page 38-42)

A sessão seguinte surgiu na sequência da descrita anteriormente, com o propósito de partilhar com os alunos um texto lindíssimo de José Saramago, um texto em prosa poética. Um texto que levei para a sala com a confiança plena de que os meus alunos o iriam perceber. Pretendi, com esta sessão, que se estendeu em duas sessões, dar

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Em anexo, apresento alguns textos elaborados pelos alunos – Anexo 5.

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a conhecer aos alunos a existência de textos poéticos sem a configuração do verso – a prosa poética.

Mais, quis que os alunos provassem a eles próprios que conseguem ler Saramago, compreender os seus textos e conversar sobre eles. Pretendia reconhecer nos alunos a sua progressão a nível da sua capacidade inferencial, procurando que se recusassem a aceitar o significado literal; reconhecer o desenvolvimento da expressão escrita dos alunos em termos de adequação ao tema, de linguagem utilizada e de originalidade; e, por último, testar a sua capacidade dialógica, pois disponibilizei uma sessão de hora e meia apenas para a leitura e diálogo do (e com o) texto. A expressão escrita ficou para a sessão do dia seguinte.

Iniciei a sessão conversando com os alunos sobre o texto poético que lemos na sessão anterior, em que chegámos à conclusão que a infância é um tempo que é sentido com saudade por parte dos adultos, para que pudesse estabelecer uma ponte com o texto da sessão planeada para esse dia. Assim, conversámos sobre os mais velhos, os nossos avós, e disse-lhes que o texto que lhes trazia se chamava Carta para Josefa, minha avó. Não hesitaram e começaram a dizer que se tratava de uma carta que um neto escreveu à sua avó.

Revelei-lhes que o neto de que falavam era José Saramago, e a maioria dos alunos endireitou as costas, arregalou os olhos e um deles conseguiu expressar, com alguma admiração: Saramago? Fiz que sim com a cabeça. O aluno continuou: Mas Saramago não é só para adultos? Fiz que não com a cabeça e expliquei-lhes que Saramago escreveu apenas duas obras para crianças, mas alguns dos seus textos para adultos podem igualmente ser lidos por crianças/adolescentes desde que devidamente abordados e conversados. Senti que os alunos ganharam, assim, alguma confiança para receber essa Carta.

Distribuí os textos e pedi aos alunos que fizessem uma primeira leitura em silêncio. Depois dessa primeira leitura, realizei a leitura em voz alta do texto e os alunos seguiram-me: eu ia dizendo o nome dos alunos de forma aleatória, de forma a mantê-los atentos, e eles iam lendo o texto. Tal como a leitura em voz alta, a leitura silenciosa torna-se também fundamental em sala da sala, porém em textos mais longos e de mais difícil compreensão. Assim, optei por tal estratégia para que os alunos pudessem

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apropriar-se do texto, do seu vocabulário, para depois fazerem a leitura em voz alta de forma mais confiante e ponderada.

A leitura demorou-se, não tanto como a conversa, mas demorou-se, pois que o tempo para que os alunos se apropriassem das palavras, dos sentidos, dos sons era o factor determinante para que conseguissem entrar no texto, para que conseguissem conversá-lo, para que conseguissem (con)viver com ele e com as imagens que dele pudessem criar.

A conversa estendeu-se ao longo do texto: numa triangulação dialógica (alunos, texto e professora), revelámos cada frase como se revelássemos ideias nossas; estabelecemos paralelismos entre a avó Josefa e os nossos avós, entre os tempos antigos e os de agora, entre o sujeito poético e nós próprios; recordámos coisas que não entendemos uns nos outros, mas respeitamos; fizemos analogias entre o mundo de ontem e o de hoje, entre os avós de ontem e os de hoje; descobrimos palavras novas em contexto, praticando a competência inferencial; contámos uns com os outros para que o texto nos fizesse sentido. Comovemo-nos juntos ao ler, na verdadeira acepção da palavra, esta bonita carta de amor.

O tempo de que dispus para que se esgotasse o texto na sua plenitude mostrou-se sobremaneira proveitoso, pois consegui, sem pressas, que os alunos se imiscuíssem no texto, sem recearem as palavras desconhecidas, sem recusarem a sua natureza polissémica e intimista. Sem fecharem a janela.

Impunha-se a escrita, intrínseca a todas as sequências didácticas que planeei. Porém, fui obrigada a deixá-la para a sessão posterior, pois que o horário escolar do 1º CEB também se estrutura em blocos por áreas. Assim, deixei para o dia seguinte a produção escrita, a realizar no bloco destinado à Língua Portuguesa.

Os alunos denunciaram a falta da produção escrita nessa primeira sessão dedicada ao texto de Saramago, denotando uma certa ânsia por escrever algo relacionado com o texto lido. Desafiei-os, então, na sessão seguinte, a escreverem uma carta a título individual aos seus avós: poderiam escolher se queriam escrever a uma avó ou a um avô. A maioria escolheu escrever a uma das suas avós. Os lápis começaram a marcar o papel, o desenho das letras começou a surgir, as manchas cinzentas começaram a fazer-se notar. Fui estando muito atenta a todos os textos, sempre

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disponível para ajudar a construir o texto, a encontrar a palavra certa, a incentivar os alunos a aperfeiçoarem os textos à medida que os iam escrevendo.

Inicialmente, a maioria dos alunos socorreu-se do texto do autor. Começaram com algumas das suas ideias iniciais, mas, depois, ao longo das suas produções, soltaram-se, desprenderam-se das ideias do Saramago e deram a conhecer os seus próprios avós, os reais destinatários de tais cartas. Além de contarem dos afectos que mantêm com os seus avós, das situações que os ligam, do amor que vivem com eles, confessaram, tal como o autor (embora a outro nível), algumas inquietações, algumas perguntas que lhes enchem o pensamento de forma sã.

Os textos escritos foram lidos pelos seus remetentes, pois que são cartas, e nelas as letras surgem inflamadas de alma e desenhadas com poesia. Os textos lidos foram comoventes: emocionámo-nos uns com os outros. O momento de partilha de textos tão belos e tão bem lidos denunciou-me a certeza de que o meu dever estava a ser cumprido, de que todo o plano que ponderei e implementei abriu caminho para que os alunos fossem leitores proficientes e selectivos, cidadãos conscientes, críticos e fluentes na sua escrita12.

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2.2.2 Plano de Acção implementado no 2º CEB

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