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La question des livraisons de sel aux cantons suisses

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La d´ ecision de construire une nouvelle saline

1.1 Une r´ eponse aux besoins de la Saline de Salins

1.1.3 La question des livraisons de sel aux cantons suisses

No tocante ao gênero cordel, é importante resgatar o estudo de autores como Batista (1977), Maxado (2011), Santos (2006), Marinho e Pinheiro (2012), entre outros, que discutem o gênero e sua importância social e cultural como meio de comunicação para o povo brasileiro. Na antologia organizada por Batista (1977), por exemplo, podemos analisar parte da obra de centenas de autores que se dedicaram à escrita do gênero cordel. A obra resgata a bibliografia de vários autores colocando em destaque muitos folhetos de cordéis que fizeram história no Brasil. Também, em Batista (1977), é possível aprofundar os conhecimentos acerca da origem9 desse gênero que veio de Portugal e fez história em terras brasileiras.

Para compreender um pouco da história do gênero no Brasil, vejamos o que diz a cordelista Maria do Rosário Lustosa da Cruz, num folheto escrito em 2003, intitulado A história do cordel (CRUZ, 2003, p. 3):

Quando chegou ao Brasil O cordel se transformou Aqui ganhou vez e voz E logo se emancipou No Nordeste ele nasceu E foi onde se criou A história do cordel Fez parte da tradição Desempenhou seu papel Escrevendo com ação E se tornou em herança Para muita geração O cantador de viola vivia a cantarolar de tudo o que sucedia cantava a versejar mas nada ficava escrito pra poder memorizar Foi no século dezenove Bem pertinho do seu fim Que resolvera escrever O que cantavam e assim

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O nome de literatura de cordel vem de Portugal, e, como todos sabem, tem esse nome pelo fato de serem folhetos presos por um pequeno cordel ou barbante em exposição nas casas em que eram vendidos. Com esse nome já os assinala Teófilo Braga, em Portugal do século XVII, senão mesmo antes. Pode-se dizer também que esse tipo de poesia está relacionado ao romanceiro popular, a ele se ligando, pois se apresenta como romance de poesia, pelo tipo de narração que descreve. A presença da literatura de cordel no Nordeste tem suas raízes lusitanas; veio-nos com o romanceiro peninsular, e possivelmente começam esses romances a ser divulgados entre nós já no século XVI, ou, no mais tardar, no século XVII, trazidos pelos colonos em suas bagagens (BATISTA, 1977, p. 1).

O que antes era música Virou também folhetim Leandro Gomes de Barros Fazer cordel entendeu Na gráfica de um jornal Onde imprimir resolveu Na cidade de Recife assim o cordel nasceu [...]

Segundo Evaristo (2000), podemos compreender a história do cordel relacionando-a à tradição medieval que cultuava a atividade de contar histórias. A tradição popular da contação de história dos cordéis era a de transmissão do gênero por via oral, como ilustra Cruz (2003) na terceira estrofe. Os folhetos quase não existiam na forma escrita, pois as histórias, depois de lidas, eram repassadas de boca em boca10, graças à astúcia daqueles que conseguiam decorar as narrativas. Mesmo sem saber ler, muitos se tornaram autores ou catadores que reproduziam os folhetos para familiares ou amigos nas rodas de conversa ou nas feiras livres. Isso está revelado em vários estudos científicos, como no de Cavignac (2006), sobre a importância do cordel no Nordeste brasileiro.

Mesmo que se trate de uma literatura escrita, a transmissão do cordel é essencialmente oral: analfabetos compram regularmente folhetos e pedem a um vizinho ou a um amigo que os leiam.

[...]

A escrita se mescla assim inextricavelmente à voz: o poeta se inspira na tradição oral para escrever seus poemas e uma vez gravado pela memória, o folheto, enquanto objeto – história escrita – não tem mais uma real importância (CAVIGNAC, 2006, p. 71).

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João Cabral de Mello Neto, no poema Descoberta da Literatura, ilustra muito bem esse modelo de transmissão oral que era feita por aqueles que sabiam ler os folhetos: ―No dia-a-dia do engenho, / toda a semana, durante, / cochichavam-me um segredo: /saiu um novo romance. / E da feira de domingo / me traziam conspirantes / para que lesse e explicasse / um romance de barbante. / Sentados na roda morta / de um carro de boi, sem jante, / ouviam o folheto guenzo, / a seu leitor semelhante, / com as peripécias de espanto / preditas pelos feirantes. / Embora as coisas contadas / e todo mirabolante / em nada ou pouco variassem / nos crimes, no amor, nos lances, / e soassem como sabidas / de outros folhetos migrantes, / a tensão era tão densa, / subia tão alarmante, / que o leitor que lia aquilo / como puro alto-falante, / e, sem querer, imantara / todos ali, circunstantes, / receava que confundissem / o de perto com o distante, / o ali com o espaço mágico, / seu franzino com o gigante, / e que o acabassem tomando / pelo autor imaginante / ou tivesse que afrontar / as brabezas do brigante. / (E acabariam, não fossem / contar tudo à Casa-grade: / na moita morta do engenho, / um filho-engenho, perante / cassacos do eito e de tudo, / se estava dando ao desplante / de ler letra analfabeta / de curumba, no caçanje / próprio dos cegos de feira, / muitas vezes meliantes)‖ (MELO NETO, 2008, p. 83). Nota-se no poema a demonstração das leituras dos folhetos de cordel, chamados de ―romances de barbante‖, por um eu poético que sabe ler, o menino do engenho, para os cassacos de eito, trabalhadores braçais analfabetos que se deleitavam com as histórias contadas. Desse modo, observa-se que os folhetos, mesmo sendo considerados como literatura marginal, porque eram, muitas vezes, de autoria de homens sem instrução nenhuma, tinham as suas raízes fincadas na oralidade.

Se pensarmos o gênero cordel no que se refere à dialogicidade, observaremos que o sujeito-narrador travava um diálogo com os textos produzidos reelaborando o que ouvia e, muitas das vezes, acrescentando detalhes novos às histórias. Desde que chegou ao Brasil, o gênero já tinha o intuito de relatar ao sertanejo iletrado os mitos da cultura local e de outros lugares, em função da sua fácil memorização. Além disso, os muitos eventos de letramento, propiciados por esse gênero, aconteciam em meio às camadas mais pobres da sociedade, o que contribuía para que o cordel fosse tomado como uma literatura desvalorizada diante daquilo que era pregado pela burguesia como escrita de qualidade. A sua função maior era o entretenimento dos que ao redor dele circulavam.

Todo leitor ou ouvinte da literatura de folhetos aprendeu a apreciar este gênero a partir de narrativas de aventura, de proezas, de pelejas, de notícias cheias de invenções, de brincadeiras, da folia da bicharada, dos ABCs, de abordagens bem-humoradas de diferentes temas e situações. Ninguém aprende a gostar de folhetos decorando regras sobre métricas e rimas. Mesmo os que aprenderam a ler com os folhetos, foram primeiro tocados pelas fantasias das narrativas, pelo humor de situações descritas, enfim, pelo viés da gratuidade e não pelo pragmatismo de suas informações (MARINHO; PINHEIRO, 2012, p. 12).

É com essa perspectiva de entretenimento que o cordel chegou ao Brasil. O nome dado ao gênero vem da tradição da exposição dos folhetos em uma corda ou barbante fino nas feiras livres de antigamente. Essa era a forma de atrair a atenção dos populares que circulavam pelos locais em que os livretos eram vendidos a preços irrisórios.

Quem conta o motivo do nome cordel, em folheto intitulado O cordel em Cordel, é o cordelista Roberto Coutinho da Motta, o Bob Motta (2007, p. 3):

Bem antes do surgimento, Da imprensa, do jornal, O Cordel era em geral, A fonte de informação. Os fatos mui relevantes, Ou passagens corriqueiras, Tinham de qualquer maneira, No Cordel, divulgação. Para chegar ao povão, Na Espanha e em Portugal, Dava um trabalho infernal, Porém, ficava bonito.

O cordel, antes da imprensa, Era ao povo, apresentado. Num trabalho elaborado,

Em caderno manuscrito. Depois, pequenos folhetos, de estórias mirabolantes, eram presos em barbantes, por cada um menestrel. Ficavam assim expostos, Manhãs e tardes inteiras, Pelas barracas das feiras, Daí o nome, Cordel. [...]

Além disso, é importante observar que o cordel tem suas peculiaridades em relação aos outros tipos de literatura: os folhetos, que figuram como suporte do gênero, apresentam um número pequeno de páginas, cabendo muitas vezes na palma da mão; as narrativas são curtas – na sua maioria, não ultrapassam o número de 32 estrofes; as estrofes são construídas geralmente no formato de sextilhas, mas podem ser criadas como septilhas, oitavas e décimas, entre outros11; a temática abordada varia muito, indo desde assuntos polêmicos até os acontecimentos mais banais do cotidiano; podem ser encontrados, facilmente, em feiras livres, exposições, lojas especializadas em artigos de cultura popular, ou mesmo na internet há sites que os divulgam; a linguagem é simples, próxima da realidade dos alunos colaboradores desta pesquisa e, geralmente, apresentam ilustrações no formato de xilogravuras12 na cor preta.

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As sextilhas, septilhas, oitavas ou décimas são os tipos de estrofes mais comuns na elaboração dos cordéis. Elas são compostas por seis, sete, oito e dez versos, respectivamente, sendo as sextilhas o tipo mais utilizado nos dias atuais. A estrutura das estrofes segue uma padronização que é mantida durante todo o texto: sextilha – XAXAXA (a rima ocorre no 2º, 4º e 6º versos); septilha – XAXABBA (a rima ocorre com os versos 2, 4 e 7, mas o 5 e o 6 rimam entre si); oitava ou oito pés de quadrão – apresenta várias construções de rimas sendo as duas mais comuns AAABBCCB (rimando os três primeiros versos entre si, o 4º rimando com o 5º e o 8º, e o 6º e o 7º, entre si) e XAABXCCB (o 1º e o 5º versos são os únicos que não rimam, as rimas acontecem entre os versos 2 e 3, 4 e 8, 6 e 7, respectivamente); décima, também conhecida como versos de dez pés – ABBAACCDDC (as rimas ocorrem entre os versos 1, 4 e 5 / 2 e 3 / 6, 7 e 10 / 8 e 9). As décimas possibilitam aos cantadores a repetição do mote, que consiste na repetição dos dois últimos versos. Até a canção brasileira é influenciada por esse tipo de estrofe. É o que acontece na letra da canção Nordeste independente, uma composição de Bráulio Tavares e Ivanildo Vilanova, da década de 1980, imortalizada na voz de Elba Ramalho, que repete os dois últimos versos como mote: imagine o Brasil ser dividido / E o Nordeste ficar independente. Autores que também tratam sobre os tipos de estrofes: Leite Filho (1985); Maxado (2012); Melo (2005).

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Técnica que consiste em carimbar o papel usando um molde de madeira. Arte de gravar na madeira. A palavra xilogravura vem de ―xilo‖ – palavra grega que significa madeira, e de ―gravura‖ – imagem, estampa, desenho, impressão. Quem bem define o conceito da palavra é Juazeiro (2011, p. 37) que diz: ―Xilogravura consiste em desenhar na madeira, entalhada, onde as partes deixadas em alto é o preto e a parte escavada é o branco. Depois passa um rolo com tinta úmida no bloco de madeira entintado junta a uma folha de papel, tecido ou algo equivalente podendo ser prensado resultando na estampa ou gravação‖.

Em algumas situações, a leitura dos cordéis é acompanhada por uma viola e, antigamente, eram feitas declamações dos folhetos, em praça pública, mais precisamente nas feiras livres, por um repentista ou cantador que ficava rodeado pelos transeuntes do local.

Diante do exposto, a proposta de um trabalho com o cordel para o 9º ano ―A‖ do Ensino Fundamental foi um modo de fazer com que as aulas de língua portuguesa ganhassem mais vida. Um momento de resgate da cultura popular, por meio desse gênero, dando oportunidade aos alunos de conhecer os temas, a organização composicional e o estilo próprio dele. Um modo de colocar o aluno em contato com a leitura poética que em tempos de ofertas tecnológicas está cada vez mais distante da realidade da sala de aula.

Para dar conta da viabilização de uma Sequência Didática com o gênero cordel, no entanto, é preciso que o professor esteja comprometido com o seu fazer pedagógico que, segundo Antunes (2003), não deve ser o de apenas transmitir conhecimento. Nesse contexto, por exemplo, ao viabilizar um trabalho com o cordel em busca da disseminação da escrita, o professor, entre outros princípios, pode promover a participação social.

A produção de textos escritos na escola deve incluir também os alunos como seus autores. Que eles possam ―sentir-se sujeitos‖ de um certo dizer que circula na escola e superar, assim, a única condição de leitores desse dizer. [...] Essa prática, além do mais, colocaria os alunos na circunstância de exercitar a participação social pelo recurso da escrita (ANTUNES, 2003, p. 61-62).

Dessa forma, para a exploração do cordel em sala de aula, como bem lembra Barbosa e Araújo (2015), é importante que a escola reconheça, por meio do ensino e da aprendizagem, as vivências do professor e do aluno. É preciso reconhecer os saberes populares (cultural, religioso, mítico) desses agentes escolares que ao mesmo tempo são falantes e ouvintes/ escritores e leitores de todos os gêneros que circulam nas esferas comunicativas nas quais estão inseridos. Ou seja, por meio do trabalho realizado em sala de aula com o gênero cordel torna- se possível a viabilização de uma proposta de educação linguística numa perspectiva multicultural13.

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Em que há o reconhecimento das diferenças e individualidades de cada um, fazendo com que seja preservada a cultura que pode ser entendida como: ―1. Em oposição a natureza, entende-se por cultura tudo aquilo — material ou imaterial — que, não sendo dado pela própria natureza, é produto

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