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L’opposition des officiers de la ville de Dole

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 85-89)

La d´ ecision de construire une nouvelle saline

1.3 Une solution contest´ ee

1.3.3 L’opposition des officiers de la ville de Dole

Para fazer a análise do perfil dos alunos, foi aplicado um instrumento de pesquisa com 13 questões (modelo disponível no Apêndice A) que buscaram

investigar alguns aspectos da relação dos alunos com a escola, com a leitura e com a escrita. Quanto ao gênero, dos 21 alunos, 08 eram do sexo feminino e 13, do masculino. Duas das meninas tinham 15 anos e as demais, 14. Em relação à faixa etária, nos meninos, variava entre 14 e 16 anos (cinco alunos tinham 14 anos; três, 15; e os outros cinco, 16). Comparando idade x série, praticamente 50% da turma estava fora da faixa de idade ideal para o nível de ensino. Oito alunos confessaram em suas respostas que já foram reprovados pelo menos uma vez, elencando basicamente os mesmos motivos como razão para a reprovação: desmotivação, falta de compromisso com os estudos, desinteresse pela escola.

Esse fato nos faz pensar em uma questão que poderia ser levantada: como a escola pode se preparar para evitar a reprovação? Certamente, a resposta a essa questão renderia mais estudo e se configura como uma sugestão para pesquisas futuras. O importante, nesse sentido, é destacar que o desinteresse dos alunos nessa faixa de idade pode estar vinculado diretamente às condições de infraestrutura da escola, incluindo-se a não oferta de profissionais qualificados para o exercício das diversas funções escolares, além do clima desfavorável da escola, dos materiais didáticos inadequados e inoperantes oferecidos como fonte de pesquisa aos alunos, da má qualidade da merenda escolar etc., o que compromete a qualidade do ensino-aprendizagem a que os alunos têm direito.

No que diz respeito à origem, apenas 05 dos 21 alunos não nasceram na cidade de Natal. Ademais, a escola atende os alunos, em sua maioria, que residem na Vila de Ponta Negra, uma parte do bairro que é muito carente. A maioria deles é membro de família de baixa renda, com pais separados e, muitas vezes, desempregados (alguns vêm de lares desajustados, com sérios problemas de disciplina; alguns têm histórico de envolvimento com as drogas, reflexo do lugar onde vivem que é estigmatizado pela questão do tráfico de drogas e pela violência generalizada).

De acordo com o perfil dos alunos, e considerando as condições da comunidade escolar na qual a escola está inserida, e ainda a infraestrutura do espaço escolar, podemos concluir que o professor tem a desempenhar um trabalho hercúleo, muitas vezes povoado de incertezas e insucessos, que é o de promover uma educação de qualidade mesmo diante de tantos obstáculos. Esses obstáculos nos levam a pensar na pedagogia proposta por Freire (2006, p. 98) quando explicita

os vários saberes necessários à prática docente; um deles diz respeito à compreensão da educação como ―forma de intervenção no mundo‖. Nessa direção, o professor precisa ser o agente que, mesmo não tendo um espaço considerado ideal para desenvolver a sua prática, enxerga o ensino como algo transformador, um ensino que promove a interação entre os sujeitos no constructo social – uma pedagogia que está interligada com a filosofia de Bakhtin (2011) –, que enxerga os sujeitos nessa estreita relação humana e dialógica. Além disso, o professor precisa se refazer diante de tais circunstâncias, como diz Antunes (2009, p. 174), precisa se redescobrir, reinventar-se, revendo as ―suas concepções e atitudes‖, redimensionando ―seus saberes‖.

De acordo com o instrumento de pesquisa aplicado, algumas perguntas foram feitas levando em consideração os hábitos de leitura e escrita e as respostas, apesar da situação da escola, foram animadoras: 05 alunos disseram não gostar de ler, alegando a falta de paciência para o ato; já os demais que disseram ―sim‖, justificando que a leitura, em outras palavras, impulsiona a aprendizagem, ou que ela é fonte de prazer. Em relação ao tipo de leitura preferido dos alunos, as respostas variaram entre as alternativas dispostas no questionário, ficando a maioria dividida entre os gibis e os livros de romances. Alguns lembraram, inclusive, de algum livro que foi marcante na sua vida de leitor.

Uma das questões estava relacionada à leitura de cordel. A esse respeito, esperavam-se respostas negativas. Contudo, 15 dos 21 alunos disseram conhecer e gostar do gênero, o que pode indicar que o trabalho que se pretende realizar será bem aproveitado pela turma.

A última questão, relacionada à escrita, foi a que recebeu mais respostas negativas. A maioria dos alunos afirma não gostar da escrita; não se interessa pelo ato e não sabe dizer o porquê, ou não tem interesse pela escrita por não gostar de se expor para os outros. Diante do exposto, é possível vislumbrar o fio condutor para a realização da Sequência Didática planejada com o gênero discursivo cordel e responder a nossa questão de pesquisa: como esse gênero pode despertar o interesse pela escrita nos alunos do 9º ano do Ensino Fundamental?

Nesse sentido, torna-se imprescindível a compreensão de que qualquer pesquisa tem como pressuposto a curiosidade. Desse modo, o professor procura estabelecer um contato com um grupo de seu interesse, no caso, os alunos,

buscando informações que os instiguem a conhecer fenômenos decorrentes dessa relação que se forma a partir da aplicabilidade de tal pesquisa. Essa aproximação deve obedecer a critérios científicos e versar sobre concepções da educação seguindo a linha de grandes pensadores da educação. Desse modo, ao final da pesquisa, constatamos que teoria e prática devem caminhar juntas, uma justificando a outra. Para tanto, como base teórica, assumimos o que preconizam o filósofo da linguagem Mikhail Bakhtin e o Círculo de pensadores com o qual ele comungava, os quais foram imprescindíveis para que apresentássemos um trabalho de qualidade.

Quando nos propomos a executar uma pesquisa sobre o processo de autoria da escrita dos alunos do 9º ano do Ensino Fundamental, usando instrumentos como os cordéis – por meio da voz que cada um colocará em sua escrita – estamos apontando que tal trabalho vai ao encontro de um movimento significativo para a formação do aluno, pois a escrita é um dos elementos importantes nessa formação, um dos grandes componentes da educação básica.

Este trabalho ainda se faz importante pelo fato de que o Ensino Fundamental tem a necessidade de ser investigado para que possamos sobrepor às dimensões político-estruturais da educação brasileira o financiamento de ações isoladas e não financiáveis; além de ser uma escrita de referência para aqueles que necessitam de informações relevantes para uma discussão mais elaborada sobre as diferenças de uso da escrita nos folhetos de cordel, evidenciando, especificamente, a fomentação de uma prática voltada ao processo de autoria dos alunos mesmo diante do advento das novas tecnologias.

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