2.1.3 – Magasins multi-techniques
Etape 1 : Calcul de la moyenne des offres acceptables (M1), sans tenir compte
2.3 La pratique de la loi MOP aux Aéroports de LYON
• M5 - Instituto Pasteur (24/09/1985). Duração: 5min29seg.
• M6 – O primeiro hospital do mundo só para o tratamento da Aids (31/08/1986). Duração: 2min42seg.
• M12 - Simpósio em São Paulo reúne os maiores especialistas em Câncer e Aids do
mundo (21/08/1988). Duração: 2min38seg.
304
• M14 - Cientistas americanos descobrem um novo remédio para a Aids, a
imunoadesina (03/09/1989). Duração: 1min30seg.
• M15 - Aids e imunologia no Brasil (07/01/1990). Duração: 52seg.
• M16 - Os medicamentos contra a Aids foram liberados nos EUA (27/05/1990). Duração: 1min30seg.
• M19 – Dra. Dora Simbenberg faz testes com uma vacina japonesa em aidéticos (03/03/1991). Duração: 2min50seg.
• M23 - Cientistas britânicos testam remédio capaz de reduzir em até 50% as mortes
de pacientes aidéticos (29/12/1991). Duração: 1min7seg.
• M26 – Prof. Walter Accorsi estudioso das plantas medicinais está tratando Aids
através da fitoterapia (15/11/1992). Duração: 6min8seg.
As matérias aqui agrupadas mudam bruscamente o tom até então abordado, substituindo o clima de medo e ameaça por esperança. A música de fundo torna-se leve, positiva, dando aos telespectadores um certo alívio do apocalipse apresentado até então. Finalmente a ciência heroína traz soluções para aliviar a dor dos pacientes de Aids e diminuir o peso da responsabilidade que tem com a sociedade. Há um retorno do enfoque científico, com tendência de divulgar tratamentos alternativos ou medicamentos que apresentaram bons resultados no combate da doença, embora não sejam, em sua maioria, aprovados pelas entidades científicas e governamentais responsáveis. É possível, no entanto, notar um cuidado em esclarecer o público sobre os procedimentos científicos de aprovação de medicamentos, mas não há uma continuidade sobre os desdobramentos das pesquisas. Assim, novas matérias abordam novas substâncias, sem que haja menção sobre o sucesso ou insucesso das que foram anteriormente citadas. Entre elas estão a HPA-23 (M5); AS- 1001 e THF-2 (M12); imunoadesina (M14); retrovir (M15), apresentadas como novos remédios que melhoram a qualidade de vida dos pacientes, mas com pouquíssimos ou sem efeitos colaterais305, são “mais eficientes do que o AZT”306, ou “podem aumentar as
305
Definições presentes em M12 e M15.
306
Definição presente em M14. O AZT foi aprovado em 1987 e até este momento era o único tratamento aprovado e eficaz na redução da multiplicação do vírus HIV, causador da Aids. Até hoje ele é utilizado no tratamento da doença.
chances de cura da Aids”307 no tratamento de pacientes de Aids. Há também o anúncio de KM, “a primeira vacina japonesa que está sendo testada pela primeira vez no tratamento de doentes com Aids” por uma médica brasileira (M19). As descobertas servem como gancho que justifica a informação e trazem uma dose de positividade sobre a Aids.
A primeira boa notícia (M5) é o desenvolvimento do medicamento francês HPA-23, apresentado pelo repórter Sílio Boccanera, correspondente na França. Desenvolvido pelo Instituto Pasteur, está ainda em fase experimental, mas aparece como a grande promessa para os pacientes de Aids, será experimentado inclusive pelo ator norte-americano Rock Hudson308. O repórter se incumbe de mostrar o tratamento potencial: “uma ampola dessas por dia, tomada sob a forma de injeção, vem atacando diretamente o vírus da doença”. E para legitimar ainda mais o produto afirma que “já vem sendo produzida com rigoroso controle de esterilização”, como se os medicamentos em geral não o fossem. Embora em testes, a intenção é mostrar ao espectador que falta pouco para se chegar ao tratamento. Há ainda o depoimento do diretor do laboratório francês que fabrica o HPA-23 que afirma que em 6 meses, após a conclusão dos testes, “o medicamento poderá ser vendido e usado em outros países, inclusive no Brasil”. Esta afirmação vai ao encontro a uma informação divulgada em M2, quando o narrador afirma que o Dr. Robert Mayer, nos EUA, vai testar injeções de ozônio em vítimas da Aids na ilha de San Martin no Caribe309 e o Dr. Carlos Alberto Correia, da Universidade Federal de Pernambuco aposta na vacina imunoparvum que poderá dar bons resultados contra a Aids. Logo em seguida, no entanto, entra o depoimento da Dra. Valéria Petri alertando sobre a venda de medicamentos que prometem tratamento, mas não produzem efeito. Assim, fica evidente que o próprio programa muda de discurso rapidamente, esquecendo, por vezes, o que já tinha defendido anteriormente. Neste contexto, a ciência é mistificada no sentido de prometer resolver os problemas da Aids, doença ainda incurável.
307 Definições presentes em M12 e M15. 308
O interessante é que o programa não menciona que Rock Hudson é homossexual, embora ele apareça ao lado de uma mulher, talvez para reforçar sua imagem de heterossexual.
309
Nem se questiona porquê, com tantos norte-americanos com a Aids nos EUA o médico, norte-americano, prefere ir testar sua vacina no Caribe. Poderia-se desconfiar aqui de testes em humanos.
O cientista Luc Montaigner, do Instituto Pasteur, ameniza um pouco o discurso afirmando que o HPA-23 não cura a Aids, mas impede que o vírus se multiplique, mantendo o paciente vivo e com chances de curar as doenças oportunistas que ele desenvolva. Montaigner continua dizendo que não há motivo para isolar os doentes de Aids, que a doença não se transmite pela saliva ou lágrimas, e que não é correto afirmar que a Aids é 100% fatal, uma vez que há pacientes vivendo há 4 anos com o vírus. Neste ponto há, pela primeira vez, menção de que esta pode ser uma saída para os doentes de Aids, ou seja, viverem com o vírus, sem desenvolver a doença, o que mais tarde viria a se confirmar. Minimiza-se assim o temor à Aids.
Outra informação importante é a desmistificação do pânico em relação à doença, quando o repórter afirma que na França, diferentemente dos outros países, não há um clima de pânico, de paranóia, ao que uma socióloga brasileira que estava na França confirma essa informação.
E as notícias boas continuam em M6, com a inauguração do primeiro hospital dedicado ao tratamento de paciente com Aids, onde profissionais de saúde receberão treinamento especializado para lidar com estes pacientes “sem medo”310. O diretor da instituição, Peter Mansell, promete avanços nas pesquisas “que vão surpreender o mundo inteiro”. Mas o dado mais importante desta matéria é a possibilidade dos pacientes serem tratados sem preconceito ou medo pelos próprios profissionais da saúde. A conclusão mostra um dos pacientes sendo abraçado “como se fôssemos pessoas comuns”. Há aqui a humanização do paciente.
Em M12, quando se trata de um evento científico que ocorreu em São Paulo e reuniu “os maiores especialistas em câncer e Aids” é interessante notar que, mesmo quando é mencionado que o Brasil é o segundo país do mundo em número de casos de Aids, o tom da repórter é tranqüilo, sem alarde, ao contrário do que seria facilmente encontrado nos primeiros anos em que a doença chegou ao país. Ela afirma que “os números divulgados
310
pelo Ministério da Saúde preocupam” ao invés dos termos escolhidos pelo repórter Hélio Costa, de que “as estatísticas são estarrecedoras”311.
No caso da vacina KM que está em testes em Porto Alegre pela médica Dora Simbenberg (M19), fala-se das melhoras que tem proporcionado aos pacientes de Aids, como o aumento de peso e a diminuição das infecções secundárias. Um dos soropositivos entrevistados, um homem de 47 anos, aparece de costas e ao fundo, onde se pode identificar um quadro com a imagem de Jesus. Quando perguntado sobre sua crença na cura de sua doença ele responde (eu vou me curar, eu tenho certeza”, compondo ainda mais o cenário de fé construído para o espectador. No entanto, quando questionada sobre o poder de cura da vacina Dora responde em tom cauteloso: “até o momento é proibido falar em cura”.
Em 29/12/1991, M23 divulga o que seria “a descoberta mais importante nos últimos cinco anos de pesquisa”. Trata-se de um tratamento que combina o AZT com o Ciclovir e que reduziria a mortalidade de pacientes com Aids em 50%, descrito como a descoberta mais importante desde o aparecimento do AZT.
Em M26, o entrevistado é Walter Acorsi, “o cientista que transforma a voz do povo em ciência”. A intenção é mostrar que as plantas medicinais, extensivamente utilizadas pela população são um conhecimento legítimo a partir do momento que viram posse da ciência. Diz o repórter Ernesto Paglia: “Muitos cientistas sérios desenvolvem pesquisas sobre plantas que curam em lugares renomados como esta escola, a Escola de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo”. Com isso, ele demonstra que o conhecimento popular, muitas vez invalidado, passa a ser valorizado quando é objeto de estudo dos cientistas. Acorsi desenvolveu um fitoterápico para o tratamento da Aids à “base de óleos de alho, copaíba e fígado de tubarão, combinados com extrato de confrei e ginseng, além de lecitina de soja, própolis e vitaminas”. A descrição do fitomedicamento rapidamente nos leva a lembrar das poções de feiticeiros ou mesmo misturas caseiras. No entanto, para legitimar ainda mais a ciência, o repórter conta com o depoimento de um paciente que utiliza o fitomedicamento, junto com o tratamento convencional, e de uma médica que
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acompanha a evolução do quadro destes pacientes, que garante vê-los tendo uma vida quase normal depois do uso dos remédios do cientista. A intenção aqui, não é julgar a eficácia deste tratamento, mas sim indicar que, mesmo em uma cenário que poderia parecer pouco científico, o discurso é legitimado com os títulos do professor, da instituição, e com os depoimentos de um usuário e de outra cientista.
Como afirma Pierre Bourdieu (1997), a informação televisiva é perecível e, o pouco tempo e a rápida seqüência de informações não permitem tempo para a reflexão, assim, poucos notaram que tantas promessas científicas não se concretizaram ao final do tempo estimado, a exemplo das vacinas que até hoje não foram desenvolvidas ou dos medicamentos que nunca chegaram às prateleiras das farmácias. Conseqüentemente, é interessante citar que atualmente o AZT continua sendo utilizado no tratamento da Aids, junto com outras 17 drogas que através de diferentes combinações compõem o chamado coquetel contra a Aids312. Dentre as drogas mencionadas anteriormente tiveram sucesso o retrovir e derivados do ciclovir. Quanto às vacinas, ainda não se conseguiu nenhuma que pudesse curar os soropositivos ou prevenir a contração do HIV. No entanto, continuam sendo muito freqüentes as notícias na mídia313 que divulgam esperança em vacinas que ainda estão em fase de testes, indicando uma contínua crença na ciência.