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L A PARTICIPATION A LA VIE CULTURELLE : EVOLUTION SUR LA PERIODE 1999-2009

Dans le document LES PRATIQUES CULTURELLES AU LUXEMBOURG (Page 92-96)

Um dos grandes passos que devem ser dados para um apoio pedagógico eficaz no CMF é conhecer mais sobre as dificuldades que impedem ou diminuem a capacidade do aluno de aprender. De maneira geral, este ainda é um assunto muito pouco conhecido. Por isso, os professores acabam minimizando o problema e as explicações do baixo rendimento escolar recaem invariavelmente sobre a falta de suporte familiar, falta de conhecimentos anteriores e principalmente falta de interesse em aprender.

É óbvio que os professores não são e nem precisam ser profundos conhecedores do assunto. Existem profissionais especializados para isso, como os psicopedagogos, por exemplo. No entanto, o professor deve ser capaz de perceber quando uma dificuldade vai além da falta de conhecimento, solicitando ajuda para entender melhor o aluno e proporcionar-lhe melhores condições de aprendizado. Por isso, o primeiro objetivo específico desse Programa foi identificar e intervir na superação das dificuldades de aprendizagem.

Este objetivo, no entanto, não deveria se limitar às dificuldades, mas buscar também descobrir potencialidades, fragilidades, motivações e interesses, a fim de proporcionar uma compreensão do aluno como um ser complexo, influenciado por uma série de variáveis dentro da escola e fora dela. Ao se aproximar do aluno para conhecê-lo melhor e sentir de perto as dificuldades, se estaria muito mais preparado e envolvido para ajudá-lo.

4.1.1.1 Repensando o estereótipo do aluno do apoio pedagógico

Quando se pensa em fracasso escolar, em apoio pedagógico e em alunos com dificuldades de aprendizagem nos Colégios Militares, é comum se usar a figura do aluno que é filho de militar que serviu em uma das Unidades do Exército de fronteira do país. São lugares inóspitos, sem uma boa infraestrutura de ensino , havendo, portanto, uma tendência de comprometimento da escolaridade deste aluno durante os anos em que lá permaneceu.

Ao chegar a um Colégio Militar e após a avaliação diagnóstica, esse aluno ingressa no Apoio Pedagógico, para o resgate das habilidades e competências ainda não adquiridas, até que ele esteja no nível que o permita caminhar sozinho no ano escolar pretendido. Essa ideia de apoio pedagógico não deixa de estar correta, até porque quase a totalidade dos alunos do Apoio tem dificuldades em Língua Portuguesa e Matemática. No entanto, ela parece incompleta, pois existem muitas outras variáveis, além da falta de conceitos básicos nessas duas disciplinas, que interagem entre si e dificultam o aprendizado do aluno.

A complexidade deste assunto se deve também porque as dificuldades de aprendizagem nem sempre são perceptíveis, como aquelas observadas em alunos com deficiência. A escola muitas vezes não percebe que aquele aluno possui uma determinada dificuldade, sendo levada a justificar o insucesso por uma falta de esforço ou a falta de vontade em aprender. Em outras vezes até se percebe que o aluno tem uma dificuldade, mas não se sabe como resolvê-la.

4.1.1.2 Ampliando o conceito sobre as dificuldades de aprendizagem

Durante a elaboração do Programa de Apoio Pedagógico, foi necessário ampliar o conceito sobre as dificuldades de aprendizagem que, segundo Smith e Strick (2012), são problemas neurológicos que afetam a capacidade do cérebro para entender, recordar ou comunicar informações e que pode afetar qualquer área do desempenho escolar.

Para a SAP, o termo dificuldades de aprendizagem passou a ter um sentido mais amplo, compreendendo tudo aquilo que impede ou dificulta o aluno de aprender, quer seja cognitivo, físico, emocional ou comportamental. Algumas dificuldades comportamentais podem ser decorrentes de problemas emocionais, que por vezes podem estar relacionados aos aspectos cognitivos, ou não. Nem sempre o aluno é desinteressado e por isso não aprende. Muitas vezes ele não consegue aprender e, por isso, torna-se desinteressado. São duas situações

semelhantes de desinteresse e de baixo rendimento escolar, mas que exigem abordagens diferentes.

Cada aluno tem dificuldades que se relacionam entre si e que variam em gravidade, fazendo com que cada um seja um ser singular. São crianças diferentes, com histórias diferentes, necessidades e expectativas diferentes e a única coisa que todos possuem em comum é o baixo rendimento escolar (SMITH, C.; STRICK, L., 2012).

Assim, as carências afetivas e as dificuldades comportamentais se somam aos aspectos cognitivos que dificultam a aprendizagem, contribuindo para o baixo rendimento escolar. Por isso, é necessário atuar no apoio pedagógico considerando o aluno como um ser integral.

4.1.1.3 A Avaliação Diagnóstica apenas como ponto de partida

A Avaliação Diagnóstica realizada no início do ano letivo para os novos alunos é importante, mas o resultado “inapto” ou “apto com restrição” indica apenas que algo não vai bem. É apenas um sintoma, como dor ou febre. É preciso conhecer as causas do baixo rendimento e investigar que dificuldade cada aluno apresenta, para então propor uma intervenção eficaz.

Na reunião de pais e mestres do 2º bimestre de 2014, a mãe da aluna S. S. disse que não sabia o que acontecia com a filha. “Ela estava sabendo a matéria, mas não entendo por que ela foi mal na prova. Parece que dá um branco, um bloqueio e ela não consegue se concentrar durante a prova”. Este exemplo mostra que algumas dificuldades na escola estão além do que a avaliação diagnóstica consegue identificar.

Com alunos diferentes, com dificuldades que nem sempre são as mesmas, é preciso identificar que intervenções são mais adequadas para cada aluno, buscando-se, sempre que possível, a individualização das aprendizagens.

Muitos alunos desistem da escola porque tentam várias vezes e não conseguem aprender. Isso porque suas reais dificuldades não são conhecidas e não são ajudados como precisam para superar essas dificuldades. Por isso, a avaliação diagnóstica realizada no início do ano não deve ser o único instrumento de avaliação para a compreensão das dificuldades de aprendizagem, mas deve ser usada apenas como um ponto de partida.

4.1.1.4 A necessidade de informações complementares

O planejamento inicial do Programa contemplava a realização de avaliações complementares, já que apenas a avaliação diagnóstica era insuficiente para obter todas as

informações necessárias para subsidiar as intervenções pedagógicas mais eficazes. Mas para isso, era preciso investir na capacitação de profissionais e na configuração de uma estrutura que pudesse aprofundar o conhecimento a respeito de cada aluno e de suas dificuldades.

O Colégio já possuía psicólogos e pedagogos com especialização em psicopedagogia. Estes profissionais, junto com alguns professores, comporiam a Subseção de Avaliação das Dificuldades de Aprendizagem, faltando apenas um treinamento para aplicação e interpretação dos testes, além da seleção e aquisição dos testes que seriam aplicados. No entanto, não houve tempo hábil para organizar a estrutura de material e pessoal para que essas avaliações complementares fossem realizadas.

Assim, as informações que serviram de subsídio para as intervenções da equipe pedagógica foram obtidas inicialmente em uma pesquisa Pedagógica (Anexo K), respondida pelos responsáveis durante uma entrevista na Seção Psicopedagógica. Os alunos também responderam um questionário socioeconômico e cultural, com diversas perguntas que ajudaram a compreender melhor, dentre outras coisas, seu ambiente familiar, seu histórico escolar e suas motivações para o estudo.

A principal fonte de informações, no entanto, foi o olhar atento e constante dos professores. O convívio diário com os alunos permitiu que algumas dificuldades fossem identificadas, além das observações que chegavam para a equipe pedagógica por meio dos professores do turno regular. Essas observações eram discutidas nas reuniões, para que os encaminhamentos pertinentes fossem deliberados, que iam de uma simples mudança de lugar na sala de aula até reuniões com os pais e solicitações de exames clínicos.

Foi o caso, por exemplo, da aluna C. G. que, além do apoio pedagógico, passou a ser acompanhada por uma Psicopedagoga. Esta aluna tinha asma, motivo pelo qual sua família foi transferida de Campo Grande para Fortaleza. Sua mãe disse que a filha precisava muito de ajuda, que tinha muitos traumas e que sofrera bullying no ano anterior por ter muitas dificuldades. Ela suspeitava que sua filha tinha algo mais sério, pois não conseguia memorizar, etc. Ela foi reprovada em todas as disciplinas no 6º ano e chorou muito no último dia de aula. Como a aluna C. G., muitos alunos que chegavam ao Apoio Pedagógico nem sempre tinham apenas problemas cognitivos que pudessem ser resolvidos com boas aulas de Língua Portuguesa e Matemática.

Foi pensando nesses alunos que o Programa se propôs a entender o baixo rendimento escolar como consequência de diversas variáveis que interagem entre si, não apenas relacionadas ao aspecto mental, mas também ao físico, emocional e comportamental. O

Programa, portanto, careceu de outras informações que subsidiassem um conhecimento maior sobre o aluno e permitissem intervenções mais eficazes.

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