Pour une approche diachronique en langue de spécialité : éléments théoriques et
Chapitre 3 Méthodologie pour une analyse de l’évolution en corpus
3.1 Principes méthodologiques généraux pour l’analyse de l’évolution
3.1.1.2 Organisation temporelle des corpus : Choix des périodes et intervalles
As aeronaves são capazes de atravessar fusos horários a uma velocidade quase equiparável à da rotação da Terra. Estas transições transmeridianas resultam no comummente chamado síndrome de jet lag ou de rápida alteração de fuso horário. Segundo um estudo de Sharma e Shrivastava (2004), voar para leste é considerado mais cansativo do que para oeste devido ao facto da média dos ciclos circadianos naturais se situar entre 24 e 26 horas. Voar para leste resulta na compressão dos dias em períodos mais curtos, provocando um desfasamento do ciclo natural de um indivíduo, enquanto voar para oeste aumenta o dia, aproximando-o mais do seu ciclo circadiano interno.
Jet lag é um termo que se refere aos efeitos fisiológicos e psicológicos cumulativos
resultantes da passagem por vários fusos horários. De acordo com Graeber (1989), o jet lag tem três componentes principais: (i) dessincronização externa, (ii) dessincronização interna e (iii) privação do sono. A interacção entre estes factores vai despoletar todos os sintomas associados ao jet lag, dos quais a fadiga é o mais referenciado. Ao chegar ao destino, os tripulantes encontram-se em dessincronia
com as chamadas pistas do novo meio ambiente e esta dessincronia normalmente resulta em sonolência diurna excessiva, insónia e despertares nocturnos frequentes. Outros sintomas associados a esta condição são os problemas gastrointestinais (94),
dores de cabeça, fraca coordenação psicomotora, deficits cognitivos, falta de concentração, memória fraca e cansaço muscular. Os sinais e sintomas imediatamente identificados, devido à dessincronia com o ritmo circadiano, incluem disrupção do sono, fadiga a curto-prazo, irritabilidade, perda de apetite e alterações no julgamento (94).
Os distúrbios do ritmo circadiano podem levar à sonolência excessiva principalmente se as pessoas em causa forem obrigadas a se sincronizarem com o ambiente. Este é o caso dos tripulantes de cabine que ao atravessarem vários fusos horários são obrigados a adaptar os seus horários de descanso e actividade ao horário do novo destino. Na Síndrome do Atraso de Fase, por exemplo, o sono está atrasado em relação ao relógio externo, resultando em dificuldade em iniciar e finalizar o sono nos horários desejados (10). Esta situação acontece ao voar para
leste, onde a diferença horária avança em relação ao local de origem. Nestas condições, um tripulante deve adaptar-se ao novo fuso horário mas vai ter dificuldade em adormecer no horário local, pois no seu horário biológico (em sincronia com o seu local e origem) só sente sono umas horas mais tarde. Por exemplo, um tripulante da American Airlines com base em Nova Iorque, que voe com frequência para a Europa onde a diferença horária é quatro horas, vai ter de se adaptar ao horário no novo destino e será “obrigado” a ir dormir às 22h/23h locais, quando para o seu relógio biológico são apenas 18h/19h. O mais provável é que o sono só lhe chegue a partir das 2h/3h locais.
Na Síndrome do Avanço de Fase, pode-se observar o oposto. O sono neste caso vai estar antecipado em relação ao relógio externo, levando à sonolência excessiva no início da noite e ao despertar precoce. Esta é a situação comum para os tripulantes das companhias aéreas portuguesas que voam maioritariamente para Oeste (Continente Americano).
Na Síndrome do Ciclo Sono-Vigília de Não 24 Horas, os indivíduos tendem a dormir em horários irregulares a cada dia. É comum em pessoas cegas. Na Síndrome do
Jet Lag, as pessoas que viajam longas distâncias transmeridionais, atravessando
vários fusos, de maneira rápida, sentem dificuldade em iniciar e manter o sono, sonolência excessiva, sintomas gastrointestinais e psicossomáticos. Na Síndrome
do Sono do Trabalhador por Turnos, sintomas como a sonolência excessiva, fadiga,
alterações gastrointestinais, alterações cognitivas e de desempenho afectam pessoas que invertem o horário de dormir devido ao trabalho nocturno (10).
Com é mencionado acima, o jet lag e as suas consequências são menos adversas para os tripulantes que voam com mais regularidade para oeste, como é o caso de tripulantes baseados em Portugal que voam com mais frequência para o Continente Americano. Esta é desde logo uma vantagem geográfica destes trabalhadores. É um ponto muito importante a ter em conta atendendo às diferentes realidades das diferentes companhias aéreas em relação à sua operação. Este tipo de diferenças pode explicar alguns resultados de estudos que remetem para companhias diferentes com características diferentes. Saliente-se ainda, que dentro das próprias companhias há também duas realidades muito distintas, nomeadamente a operação de médio curso e a de longo curso. O jet lag vai afectar essencialmente os tripulantes que fazem longo curso. Os tripulantes de médio curso, mais especificamente os baseados em Portugal vão fazer maioritariamente voos para a
Europa e Norte de África onde a diferença horária se situa geralmente entre 1 a 3 horas.
Nagda e Koontz (2003) afirmaram que a frequência dos sintomas associados aos ritmos circadianos aumentavam com voos mais longos, alterações rápidas de fusos horários e voos de madrugada ou voos nocturnos. Destas características, apenas os voos de madrugada são mais comuns no MC do que no LC, embora no MC também haja voos nocturnos. As alterações rápidas de fusos horários, os voos longos e os voos nocturnos são mais comuns na operação de LC. Como já foi referido anteriormente, os voos mais longos e as alterações dos fusos horários são factores que vão ter fortes influências nos níveis de fadiga e na disrupção do sono, assim como uma tendência mais marcada de desenvolver sintomas associados ao jet lag.