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LA NATURE DE L’ACTE DE SUBSTITUTION

LA NATURE DE LA SUBSTITUTION

TITRE 1 LA NATURE DE L’ACTE DE SUBSTITUTION

As opções metodológicas inscrevem-se na vantagem do uso de um estudo qualitativo em que a possibilidade de incluir praticamente tudo o que vimos, ouvimos ou nos é comunicado durante o estudo, nos pode permitir perceber o contexto socio- educativo muito específico e suas influencias diretas a curto e longo prazo na construção identitária de cidadãos portadores de deficiência.

Como Maxwell (1999) assinalou, para fazer pesquisa qualitativa não existem receitas porque depende da escolha dos métodos usados tendo em conta o contexto e os assuntos abordados na pesquisa. Na recolha de dados podem ser considerados praticamente tudo o que nos é permitido obter pela observação ou que nos é comunicado para uma maior compreensão dos assuntos ou das situações que pretendemos estudar. Para o autor não existem, aquilo que chama de “provas inadmissíveis”, no que se refere a tudo e qualquer prova que possa facilitar a compreensão do estudo, contudo não pode deixar de ser referido que por uma questão de ética existem provas que não podem ser citadas. O investigador é o instrumento de pesquisa em que os olhos e os ouvidos são ferramentas para recolha de dados, enriquecendo a pesquisa, não estando esta sujeita unicamente a métodos específicos. Neste sentido, o método de pesquisa deve fazer parte do plano e deve incluir alguma estratégia de recolha de informação informal como conversas casuais ou observações informais.

54 Nesta recolha de informação para a investigação, Bogdan & Biklen referem que estes dados são designados de dados qualitativos porque são “ricos em pormenores descritivos relativamente a pessoas, locais e conversas, e de complexo tratamento estatístico.” (1994:16). Assim ao descrever investigação qualitativa os autores mencionam que esta utiliza diferentes estratégias de pesquisa utilizando determinadas características.

Ainda para Stake, o investigador qualitativo procura compreender os factos através de episódios chave ou testemunhos, representados em acontecimentos numa interpretação própria de narrativa. “A investigação qualitativa usa estas narrativas para otimizar a oportunidade de o leitor obter uma compreensão experiencial do caso.” (2012:55)

Bobert & Biklen (1994), salientam ainda que a investigação qualitativa assenta em cinco características:

1. Na investigação qualitativa o ambiente natural é a fonte direta de dados, sendo o investigador o instrumento principal.

2. A investigação qualitativa é descritiva.

3. Os investigadores qualitativos valorizam mais o processo do que os resultados ou os produtos.

4. Os investigadores qualitativos inclinam-se a analisar os seus dados de forma indutiva.

5. Na abordagem qualitativa, o significado é de importância vital.

A investigação qualitativa, neste estudo de caso, concretizou-se pela observação direta a uma Unidade de Ensino Estruturado de 2º ciclo, sendo as entrevistas obtidas uma riqueza de narrativas importantes na análise indutiva. Neste estudo é vital entender o significado da inclusão de alunos com PEA no ensino regular, recorrendo para isso às narrativas, ricas de vivências e pormenores, dos agentes educativos envolvidos, dos encarregados de educação destes alunos e de outros técnicos que apoiam neste processo de inclusão.

Num estudo qualitativo pode ou não antecipar-se o plano das metodologias a usar que os desenvolverá ou alterará ao longo da pesquisa, pois as tomadas de decisão terão em conta a filosofia e ética adotada no estudo. Maxwell (1999), identifica dois métodos de abordagem, a estruturada e a não-estruturada. A primeira atesta a comparação de dados recolhidos, como indivíduos, tempos, cenários e investigadores, sendo uma abordagem que se revela mais útil em questões de variância relacionada com a diferença

55 das coisas. Na abordagem não-estruturada, em contraste à estruturada, centra-se em fenómenos específicos e que requerem métodos individuais adaptados, tendo sido esta ultima a utilizada no presente estudo.

O modelo indutivo, modelo baseado num raciocínio lógico e no uso da dedução, revela-se uma opção mais vantajosa no acesso ao resultado que se pretende obter, tendo em conta a experiencia, o tempo e conhecimento do fenómeno a estudar, em confronto ao modelo dedutivo, um modelo baseado num tipo de raciocínio assente na enumeração, contagem e estatística, mais usado em ciências experimentais.

A importância de uma estrutura prévia que possibilite abreviar a quantidade de dados a ter em conta permitindo simplificar o trabalho analítico é defendida por Maxwell (1999). De igual importância revela-se o plano provisório para alguns aspetos do estudo com algum detalhe deixando em aberto uma possível revisão se e quando necessário. A tomada de decisão no que se refere ao nível de estruturação prévia dos métodos de pesquisa e a decisão sobre a flexibilidade que é facultada ao investigador na revisão do plano ao longo do estudo, é distinta.

Na realização de um estudo qualitativo deve-se ter em conta quatro componentes, que num primeiro ponto se pode considerar como a relação que o investigador estabelece com o objeto de estudo; num segundo momento o investigador deve selecionar o local e os participantes que vai observar ou entrevistar, e decidir que outras fontes de informação é que vai utilizar; o terceiro momento carateriza-se pela recolha de dados que vai usar no seu trabalho e por último o investigador faz uma análise de dados numa linha de dar sentido à informação de que dispõe sobre o estudo (Maxwell, 1999).

Este estudo revela-se relevante perceber em que medida alunos com PEA que iniciam a sua educação formal no jardim-de-infância seguindo para o 1º ciclo de ensino, têm efetivamente acesso à continuação do seu percurso de formação nos mesmos locais que os seus pares sem PEA frequentam. Assim a escolha de uma Unidade de Ensino Estruturado de 2º ciclo perspetivou-se evidente para uma observação direta aos alunos na sua inclusão na escola, na acessibilidade às entrevistas a obter quer aos agentes educativos quer aos encarregados de educação destes alunos. A recolha de dados obtidos através da observação direta e entrevistas, bem como de dados fornecidos pela escola e legislação consultada, foram fundamentais na análise de dados.

A metodologia usada neste estudo é baseada no modelo de pesquisa qualitativo caraterizada por um processo reflexivo em cada etapa do projeto. Este é um processo que não representa um modelo linear na medida em que permite múltiplos ciclos, é pois

56 um estudo de pesquisa qualitativa onde não há uma ordem invariável e em que diferentes componentes de pesquisa se encontram em constante organização. Numa dinâmica de procedimentos de recolha de dados que desenvolvem e modificam a teoria, que elaboram ou reorientam as questões de pesquisa e que identificam e enfrentam as ameaças de validade, tudo isto vai geralmente acontecendo em simultâneo e cada um dos procedimentos vai influenciando todos os outros (Maxwell, 1999).

Ainda segundo Maxwell (1999), este é um modelo de pesquisa interativo de estrutura definida mas de estrutura simultaneamente interligada e flexível, que se descreve em cinco componentes: objetivos, quadro conceptual, questões de pesquisa, métodos e validade.