LE DÉFI ÉTHIQUE EN ÉDUCATION À LA SANTÉ
2. LES MOTS DU CORPS
Figura 06: Foto da parte externa da EMEIF Casimiro Montenegro
Fonte: acervo da autora
Figura 07: Foto da parte interna da EMEIF Casimiro Montenegro
A Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental (EMEIF) Casimiro Montenegro foi inaugurada em 1958, sendo a princípio uma casa com única sala de aula, num terreno doado por um proprietário da localidade. A prefeitura de Fortaleza, em 1968, a reestruturou, denominando-a Escola Reunida, só depois recebeu a denominação atual, em homenagem ao doador do terreno da escola. Conforme a demanda de matrículas, foi aumentando também o número de salas. Localiza-se na Avenida dos Expedicionários, número 11360, no bairro Itaperi.
De acordo com o Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola, esta “sempre se manteve na vanguarda dos movimentos que objetivam a melhoria da escola pública.” (p. 3). Assim, na década de 1970, montou um laboratório de Ciências que depois foi transformado em sala de Matemática. No final da década de 1980, iniciou a manifestação grevista que se estendeu por todo o Ceará, abrindo discussão e extinguindo na escola o Sistema de Ensino pela TV (p. 3). Na década de 1990, criou o “primeiro Conselho Escolar do município de Fortaleza” (p. 2), e criou uma Rádio Comunitária que não teve continuidade por questão de recursos. Atualmente, funciona com Educação Infantil, Ensino Fundamental I e II, e EJA (Educação de Jovens e Adultos) I, II e III. Em 2008 tinha em torno de 1.500 alunos regularmente matriculados.
Esta escola, apesar de estar localizada em uma avenida, também se encontra na zona periférica da cidade, como podemos vislumbrar na figura 06, em que aparece em frente à escola um vendedor ambulante usando uma bicicleta; esse tipo de subemprego também é muito comum entre os pais dos alunos que estudam nesta escola.
Quanto à estrutura física, o prédio não tem uma planta uniforme, visto que foi construído por partes, mas o espaço é bastante amplo, como podemos perceber na figura 07, que apresenta a parte interna da escola. Tem 21 salas de aulas, sem forramento, uma quadra de esporte, uma cozinha, 14 banheiros, uma biblioteca, uma sala de vídeo, um auditório climatizado, uma sala de professores, uma sala para o núcleo gestor e uma sala para a supervisão pedagógica. As instalações elétricas e hidráulicas estão precisando de reparo, segundo o PPP atual da escola.
Com relação ao material didático, na biblioteca da escola, há uma média de mil livros, 80 dicionários, 10 mapas, 100 filmes e/ou documentários em DVD‟s, além de vários jogos educativos e brinquedos variados; de material permanente, existem 04 televisores, 02 aparelhos de DVD, 02 retroprojetores e um kit multimídia completo (um datashow e um computador).
Na época da pesquisa, estava na direção da escola uma professora formada em Pedagogia, com sete anos de experiência na função; um vice-diretor formado em Física, com quatro anos de experiência em gestão escolar; além de uma supervisora pedagógica formada em Pedagogia e Especialista em Planejamento Educacional. No decorrer do ano de 2008, esta equipe promoveu e participou de 13 reuniões de planejamentos pedagógicos com os professores, 05 reuniões pedagógicas e 05 reuniões com os pais. Quanto ao quadro docente, naquele ano, havia 69 professores (sendo 09 temporários), dos quais 02 professores de História formados na área (um afastado para mestrado). Compõem a equipe técnicoadministrativa um secretário, 02 bibliotecários e 04 auxiliares administrativos. Nos serviços gerais, havia 03 merendeiras, 05 vigias e 07 serventes. Dentre os segmentos organizados na escola, podemos salientar: Congregação Escola, Grêmio Estudantil, Conselho de Pais e Conselho Escolar. Junto à comunidade, a escola oferece projetos variados, como “Projeto Segundo Tempo”, “Projeto „paz na escola‟”, “Projeto Primeiras Letras: „Jornal Jovens em Ação‟”, “Promédio: curso preparatório para ingresso no CEFET” e “LIE: Laboratório de Informática Educativa”.
No Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola, não há uma parte específica com relação às disciplinas escolares, contudo é expressa uma necessidade de fomentar nos alunos uma compreensão do conceito de cidadão, destacando-se: “A escola Casimiro Montenegro concebe o homem com cidadão. O cidadão se reconhecer como uma pessoa de direitos, mas também como uma pessoa de deveres, não enxerga só a si mesmo, enxerga a si e aos outros.” (p. 13). O documento salienta o currículo como “conteúdos básicos adequados às necessidades do aluno e avaliação com caráter diagnóstico (...) enfatizando a qualidade em detrimento da quantidade.” (p. 14)
A estrutura física da sala, da turma do 6º ano pesquisada, era ampla, porém escura, quente, e as paredes sujas. A lousa não era um quadro branco e sim de cimento verde que requeria o uso de giz. As carteiras eram invariavelmente arrumadas em fileiras, portanto, os alunos ficavam dispostos um atrás do outro.
Havia quantidade razoável de aluno nessa sala, em torno de 29, com uma média de idade entre 10 e 14 anos. A maioria ia com fardamento (uniforme escolar)24 completo e morava nas mediações da escola. A professora fazia questão de se dirigir aos alunos chamando-os por nome e não pelo número da chamada, e eles se mostravam bem respeitosos com ela.
No primeiro semestre, houve poucas aulas de história, tendo em vista feriados e outras atividades marcadas justamente para o dia das aulas de História. Como uma aula- passeio, uma avaliação diagnóstica de história, de iniciativa da Secretaria Municipal de Educação (SME), para todas as escolas da prefeitura, e falta da professora por motivo de greve de ônibus.
No início do segundo semestre, a professora efetiva tirou licença prêmio, por três meses, e um professor substituto, também licenciado em história, assumiu a turma nesse período. É provável que não tenha ocorrido uma explicação entre ambos sobre o que já havia sido trabalhado na turma no primeiro semestre, pois o professor substituto iniciou com a turma repetindo praticamente o que já havia sido explicado no inicio do ano letivo, o que nos leva a pensar sobre a existência ou não de um projeto coletivo de ensino na escola, ou melhor, sobre a finalidade da disciplina de história. Mas, como já abordamos, no próprio Projeto Político Pedagógico dessa escola, não há uma parte específica sobre as disciplinas escolares.
As aulas de História dessa turma eram depois do recreio, assim, os alunos, em geral, voltavam suados e agitados para a sala de aula, e a professora efetiva levava um tempo para fazê-los se concentrar na explicação. Como estratégia, no segundo semestre, o professor substituto colocava um fundo musical logo que chegava à sala para os alunos irem se acalmando, conforme nos revelou.
Com a professora efetiva, pelo que pudemos observar no primeiro semestre, os alunos não ousavam brincar em sala de aula, não que a mesma fosse autoritária, mas sabia se impor, como diria Freire (1996) sem confundir a necessária autoridade com o “autoritarismo”, mesmo porque o tempo de aula era quase todo preenchido com explicação e exercícios. Já com o professor substituto, logo após sua explicação que realmente cativava a maioria, os alunos se sentiam a vontade, e muitos acabavam se equivocando, levantavam a toda hora para conversar com um colega, por mais que o professor dissesse que daria ponto negativo para quem estivesse brincando. E algumas vezes presenciamos conflitos entre professor e alunos, em que estes foram enviados a diretoria. Por exemplo, certo dia um aluno estava ouvindo “walkman” e o professor pediu para o mesmo guardar, porém o aluno não obedeceu e começou uma discussão em sala de aula; outra vez, uma aluna estava passeando pela sala, então o professor pediu para ela sentar e a mesma disse que não e ocorreu outra confusão.
No encerramento do ano letivo, todos os alunos da escola foram reunidos na quadra de esporte para ver e participar de uma apresentação do coral da escola cantando músicas natalinas.