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dispositif formé par un RSE via sa concrétisation sémiotique

4.1. Démarche méthodologique

4.1.4. Modèle d’analyse

O paradigma científico interpretativista, como uma alternativa ao positivismo, possibilita investigar certas questões que não podem ser investigadas à luz do positivismo, pois não há como observar o mundo isolado de suas práticas e seus significados vigentes (BORTONI-RICARDO, 2008). Em pesquisas orientadas pelo paradigma interpretativista, a capacidade de observação e interpretação do/a pesquisador/a é importante e este/a é visto/a como agente, uma vez que observa o mundo e tenta interpretar seus fenômenos, assim, não é mais um/a relator/a passivo/a. Dessa forma, quando desejamos analisar dados empíricos por meio da interpretação, como é o caso deste estudo, a pesquisa qualitativa é certamente a abordagem metodológica mais indicada.

Conforme Denzin e Lincoln (2006, p. 17), a pesquisa qualitativa “consiste em um conjunto de práticas materiais e interpretativas que dão visibilidade ao mundo”. Essas práticas situam o/a observador/a no mundo, portanto podem transformá-lo em uma série de representações, que incluem notas de campo, entrevistas, fotografias, lembretes. É justamente por ter esse caráter interpretativo e por dar importância ao contexto e ao/à pesquisador/a para investigar problemas do mundo que essa abordagem coaduna-se com a Análise de Discurso Crítica.

Flick (2004) afirma que a importância desse tipo de pesquisa deve-se à pluralização das esferas de vida, as quais exigem certa sensibilidade para estudar empiricamente certas questões. De fato, seria inviável investigar questões que envolvem discursos e poder por meio de uma abordagem quantitativa, simplesmente. Nessa perspectiva, seria impossível analisar materiais empíricos como estudo de caso, experiência pessoal, introspecção, por métodos mais objetivos. A pesquisa qualitativa oferece, pois, um suporte para dar conta de interpretar esses dados. Isso, entretanto, não significa, conforme Bauer e Gaskell (2002), que apenas esse tipo de pesquisa utilize a interpretação, pois em análises de estatísticas a interpretação se faz presente. Sendo assim, as abordagens qualitativa e quantitativa não se excluem, pelo contrário, complementam-se.

É importante ressaltar que, como a pesquisa qualitativa abarca uma série de materiais que descrevem momentos e significados rotineiros da vida das pessoas, o/a pesquisador/a, para uma compreensão mais efetiva do assunto pesquisado, lança mão de uma variedade de práticas interpretativas (DENZIN & LINCOLN, 2006). Dessa forma, o/a pesquisador/a torna-se um bricoleur, isto é alguém que “costura, edita e reúne pedaços da realidade, um processo que gera e traz uma unidade psicológica e emocional para uma experiência interpretativa” (DENZIN & LINCOLN, 2006, p. 19).

A pesquisa qualitativa não possui uma teoria própria, por isso é utilizada em muitas disciplinas, como é o caso da ADC. Flick (2004, p. 20) cita alguns aspectos essenciais da pesquisa qualitativa, como por exemplo: a) perspectivas dos/as

participantes e sua diversidade; b) reflexividade do/a pesquisador/a e sua pesquisa; c) variedade de abordagens e métodos na pesquisa qualitativa. Ainda segundo o autor, o

caminho é escolher os métodos de acordo com o problema a ser pesquisado, não o contrário. Nesse sentido, a ADC possui um arcabouço teórico-metodológico apropriado

para investigar questões que envolvem problemas sociais com aspectos discursivos (CHOULIARAKI & FAIRCLOUGH, 1999), conforme detalho na seção 3.2.

A respeito de perspectivas dos/as participantes e sua diversidade, a pesquisa qualitativa tenta analisar o problema em foco a partir de significados subjetivos e sociais de seus participantes, isto é, investiga o problema sob diversas perspectivas ou sob o olhar dos diversos participantes (FLICK, 2004). Aqui analiso representações dos/as próprios/as docentes (como eles/as se representam, em entrevistas etnográficas) e sobre docentes (como são representados/as pelo jornal Correio Braziliense, em reportagens). Assim, trago a perspectiva da grande mídia impressa, representada pelo jornal Correio

Braziliense; a perspectiva da categoria profissional, pela representação do Sinpro-DF

sobre as mobilizações grevistas, que ocorreram em 2012, em Brasília, e, por fim, a perspectiva dos/as docentes sobre carreira, profissão, (des)valorização no cenário em que são veiculados discursos de melhorias para a educação e valorização do professor/a.

Com referência à reflexividade do/a pesquisador/a e sua pesquisa, Flick (2004) encara a subjetividade tanto do/a pesquisador/a quanto dos/as colaboradores/as pesquisados/as como parte do processo e julga que reflexões destes/as, impressões, irritações, sentimentos constituem parte da interpretação. Mas isso não significa que as pesquisas qualitativas resultem em descrições pessoais e conclusões subjetivas. Em ADC, para esclarecer esse ponto, o/a pesquisador/a assume uma posição em relação ao problema investigado e não se esconde sob o véu da imparcialidade científica; segundo, seu olhar foca o uso situado da linguagem como evento social empírico, bem como as estruturas e práticas sociais, por meio de categorias sociais e linguístico-discursivas. Isso não significa que ele/a seja apenas um/a intérprete de textos, mas um/a pesquisador/a que lança mão de categorias de análise para tirar conclusões. Em outras palavras, ele/a investiga instâncias discursivas como parte de eventos sociais, por meio de um processo complexo que envolve tanto a compreensão quanto a explanação (CHOULIARAKI & FAIRCLOUGH, 1999). Esses autores fazem distinção entre esses dois processos; para eles, a compreensão resulta de diferentes arranjos das propriedades textuais e conjunturais, isto é, posições sociais, conhecimento e valores; já a explanação redescreve propriedades de textos usando um quadro teórico que situa o texto na prática social. Dessa forma, o/a pesquisador/a une uma base teórica a um material empírico a fim de investigar em textos seus efeitos potenciais e chegar à crítica social. Neste

estudo, a discussão mais social concentra-se nos Cap. 1 e 2, e as análises linguístico- discursivas que realizo serão apresentadas no Capítulo 4.

Já no tocante à variedade de abordagens e métodos, em consonância com Denzin e Lincoln (2006), Flick (2004) corrobora a ideia de que a pesquisa qualitativa não tem como base um único referencial teórico-metodológico, mas lança mão de abordagens diversificadas. Tais possibilidades vão ao encontro da ADC, por ser uma abordagem heterogênea, interdisciplinar e utilizar, por exemplo, categorias de análise oriundas da Linguística Sistêmico-Funcional.

Isso posto, opto aqui por uma pesquisa qualitativa, na qual analiso reportagens, informes publicitários, e realizo entrevistas de natureza etnográfica com o objetivo de ampliar o corpus.