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LA FACE CACHÉE DE LA PROSTITUTION

4 RÉSULTATS DU VOLET INTERVENANTES

4.2 Les souhaits des intervenantes pour le devenir des femmes impliquées dans la prostitution

4.2.6 Un long soupir d’impuissance

Nas palavras de Erbolato (1982; p. 24), os meios de comunicação social requerem uma “responsabilidade ética” em seu uso, devido ao fato de terem um alcance muito vasto e, nas próprias palavras do autor, serem “superpotentes”. Entre os vários meios de comunicação de que dispomos para a busca da informação e conseqüentemente a formação de opinião, temos o jornal.

Esse meio de comunicação diário, que tem suas páginas manuseadas por seu leitor na busca do desejo de se informar, é uma das formas mais conhecidas de vinculação de opinião e, ao mesmo tempo, formadora da opinião dos leitores. Sendo assim, o jornal desempenha uma grande responsabilidade junto aos leitores e à sociedade em geral. Nesse sentido, Erbolato (1982; p.66) sugere que:

Entre construir – criticando e formulando sugestões – ou solapar princípios morais, é incontestável e lógico que a primeira orientação deva ser a preferida. A Ética (o como

deve ser) abrange múltiplos aspectos e não encontra limites quanto aos problemas

que deve abranger. Basicamente, visar-se-á a valorização do indivíduo, (...). Formar uma opinião pública consciente, bem esclarecida, sem paixões ou distorções, é a tarefa proposta ao comunicador [...].

Podemos tomar como exemplo, para essa afirmação, a maneira como um jornalista pode se posicionar ao expressar uma determinada opinião sobre um fato

social de conhecimento público: a violência contra a mulher. Ao dar espaço de livre expressão a diferentes esferas da atividade social, acerca da relação homem versus mulher, o jornal confere, a esses interlocutores, uma “voz social” que tanto pode reforçar como eliminar, junto aos leitores, preconceitos de gênero arraigados no âmbito da sociedade.

Essa constatação reforça a grande responsabilidade do jornal, para com leitor, e a sociedade como um todo, na veiculação da opinião.

Nessa direção, Souza (2005; p. 242) aponta três dimensões para um estudo sobre os meios de comunicação e sua influência no meio social:

a) Teleológica: deve-se levar em conta as conseqüências do que se publica, pois a informação produzida é fornecida através de critérios próprios de quem escreve sem consulta ao público; e dessa forma, deve-se assumir a responsabilidade por tais atos. Essa visão se alicerça na dimensão teleológica da ética aristotélica das virtudes e na ética da responsabilidade weberiana.

b) Deontológica: inspira-se na ética do dever. A aceitação da conduta jornalística deve ter validade universal e a ação do jornalista vem apoiada em princípios de validade geral para toda a sociedade.

c) Regra de ouro: encontra-se entre as duas visões anteriores e propõe que “cada um deve agir em relação aos outros do mesmo modo como gostaria que agissem em relação a si”.

Todas as três dimensões expostas anteriormente remetem à relação de alteridade que se estabelece entre o jornal e o seu público, pois o outro, o leitor, é sempre o principal objeto do autor de um artigo de opinião ou reportagem. O leitor toma para si o discurso do jornal e se coloca “como ser associativo, (...) necessita do(s)

outro(s) para se comunicar, transmitir e receber idéias, emoções, notícias, conhecimento do mundo, instrumentos para sua educação e desenvolvimento” (SOUZA, 2005; p. 243). E é nesse outro, no qual o jornalista foca sua consciência para o ato de transmitir novos conhecimentos, que se deve pensar a ética como um ato responsável na ação jornalística, de forma que o jornalismo possa cumprir sua função social de transmitir informação.

A questão da ética, no meio jornalístico, não parece tão clara e consolidada como podemos supor. Bitteli (2005; p. 281), ao discutir as questões que envolvem privacidade e direito da comunicação, expõe a “dificuldade da exigibilidade do atendimento aos princípios éticos, que, por serem princípios relacionados a valores, carecem de efetividade”. As palavras de Bitteli deixam transparecer o fato da existência de códigos de ética no jornalismo, mas estes códigos não são observados no processo de edição dos jornais, ou seja, o código existe de direito mas não de fato.

Ainda em Bitteli (2005; p. 287), ao refletir sobre padrões de controle existentes em outros países, sugere que esses padrões agem por normas que atuam sobre o conteúdo jornalístico e a qualidade do conteúdo “que é um conceito subjetivo, mutável e de difícil poder atributivo”. Não são poucas as críticas quanto ao conteúdo vinculado pelos jornais diante da necessidade de “vender a notícia”, já que o jornal é uma empresa que precisa de dividendos para poder funcionar.

Os meios de comunicação social incorporam-se, hoje, em grandes empreendimentos privados com finalidades econômicas, sustentados pela publicidade comercial, industrial e dos órgãos públicos, o que os faz dependentes de anunciantes e das regras de mercado. (SOUZA, 2005; p. 249)

Pelo que pode ser explorado acima sobre o jornal e seu discurso, os gêneros textuais, que são foco de nossa análise, e algumas das questões éticas envolvendo a vinculação de informação por este veículo de comunicação, percebemos a atividade jornalística como um campo bem mais complexo do que simplesmente um espaço de divulgação de informação, seja ela local, nacional e internacional. Seu discurso é permeado por outros discursos e diferentes relações sociais, dois dos diversos gêneros que o compõe procuram vincular opiniões situadas em diversas esferas de atividade e situadas nas do próprio jornal. Já a ética que perpassa toda a construção de informação veiculada pelo jornal mostra-se ainda em um processo de amadurecimento e sujeita a críticas e reformulações.

CAPÍTULO 5. A CONSTITUIÇÃO DOS CORPORA E PROCEDIMENTOS