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Le local est-il universel ? (la méthode de Jean Rouch)

Dans le document Le « local » dans l’histoire du cinéma (Page 114-128)

Diante do desafio relacionado ao segundo objetivo específico desta pesquisa, ou seja, analisar o trabalho realizado pelas Auxiliares nas diferentes turmas de crianças em um CEI, a observação participante foi escolhida como procedimento metodológico para buscar “dar conta” deste aspecto.

Para analisar o trabalho realizado pelas Auxiliares no dia a dia do CEI, foi preciso efetuar inserção in loco, a fim de “estar junto”, em um movimento que Lüdke e André (1986, p. 28) descrevem como uma tentativa de “tornar-se um membro do grupo para se aproximar o mais possível da ‘perspectiva dos participantes’”.

As observações ocorreram, respectivamente, nas turmas do Infantil I, Infantil II e Infantil III, o que não significa afirmar que aconteceram restritas ao espaço da sala de atividades. Como os sujeitos da pesquisa foram as Auxiliares, pesquisá-las significou acompanhá-las em diferentes espaços do CEI, pois só assim seria possível ter acesso às tarefas por elas realizadas. Talvez, por isso, Gil (2008, p. 103) faça uso da expressão “observação ativa” para se referir a este procedimento metodológico, pois é através dessa postura ativa que se torna possível o “acesso aos eventos ou grupos que, de outro modo, seriam inacessíveis ao estudo” (YIN, 2012, p. 139).

Foram realizadas 24 sessões de observação participante. Cada agrupamento foi acompanhado oito vezes, no período de Outubro a Dezembro de 2016. Todas as observações aconteceram, pelo menos, duas vezes na semana, sem dia previamente acordado com Auxiliares e/ou professoras. Foram priorizadas as oportunidades de observação nos dias em que estiveram reunidas Auxiliares e PRA60. Porém, pelo menos em duas, dentre as observações realizadas em cada turma, as Auxiliares foram acompanhada quando estiveram na companhia da PRB61. As sessões se iniciavam pouco antes das sete da manhã e findavam somente à tarde, por volta das 17 horas. É importante mencionar que na turma do Infantil III,

60 A turma do Infantil III, no período das observações, estava sendo acompanhada pela Auxiliar e por uma

professora substituta. Isso ocorreu porque a professora PRA, efetiva, entrou de licença por conta de problemas de saúde.

61 Isso ocorreu em decorrência da organização do tempo para que todas as etapas da pesquisa de campo fossem

de atendimento parcial, a sessão, apesar de começar no mesmo horário, terminava às 13 horas, tempo em que a Auxiliar recebia a turma do turno da tarde para trabalhar.

Lüdke e André (1986, p. 25) afirmam que “a observação precisa ser, antes de tudo, controlada e sistemática. Isso implica na necessidade de um planejamento cuidadoso do trabalho e uma preparação rigorosa do observador”. A partir desta reflexão, a formulação de um roteiro de observação (APÊNDICE J), com perguntas norteadoras e alguns aspectos que deveriam ser acompanhados, foi fundamental para buscar gerar dados para alcançar os objetivos propostos nesta dissertação. A importância do roteiro de observação está na possibilidade de manter o foco naquilo que precisa ser observado, afinal, uma instituição educacional que atende crianças bem pequenas é um espaço bastante dinâmico e cheio de eventos que ocorrem ao mesmo tempo, podendo “tirar o foco” do pesquisador.

Os principais aspectos contemplados por este instrumento foram: a rotina diária de trabalho da Auxiliar, o tipo de atividades que desenvolve, o tempo de trabalho, que tarefas desempenha sozinha e quais realiza com a professora, a relação com crianças, professoras e coordenadora, dentre outros. A construção desse roteiro, mais uma vez, tomou os instrumentos do estudo de Pereira (2014) como fonte de inspiração. Ainda que esta autora tenha realizado uma pesquisa que investigava o trabalho da coordenadora pedagógica, o modo como concebeu seu roteiro de observação acabou direcionando, junto com a consulta ao segundo objetivo específico desta pesquisa, a construção do roteiro de observação do trabalho das Auxiliares.

As observações foram realizadas tendo o diário de campo como suporte para o registro de frases, gestos e conversas em diferentes situações em que as Auxiliares estavam envolvidas. A descrição minuciosa do que foi visto, sobre as expressões, emoções e sentimentos, não apenas dos sujeitos deste estudo, mas de toda a teia relacional na qual as Auxiliares estavam inseridas. Daí Minayo (1994, p. 63) afirmar que o diário de campo aglomera “detalhes que no seu somatório vão congregar os diferentes momentos da pesquisa”. Durante esta etapa da pesquisa de campo, foram muitos os desafios enfrentados, de modo que alguns merecem ser mencionados, como: a longa rotina de trabalho das Auxiliares, que exigia muitas horas de imersão no CEI; a insegurança como pesquisadora, causada pelo medo de não estar realizando um bom trabalho de registro; e a necessidade de habilidade e rapidez no momento da escrita. Um último desafio ainda merece ser citado: o de organizar, sistematizar e transcrever, diariamente e de forma disciplinada, tudo o que era visto no CEI. Afinal a gama de informações, sentimentos e percepções mostrou-se singular e

marcada por pluralidades, em um movimento de encontros e desencontros entre os “olhares” expressos pelas Auxiliares.

Esta realidade demandou esforço pessoal para saber tomar o distanciamento necessário do objeto de estudo, o que pode parecer ambíguo, já que o pesquisador, por onde vai, carrega consigo o entrelaçamento com sua pesquisa. Se para Machado (1997, p. 35), “na imersão, a amplitude de visão se restringe”, o trabalho realizado fora da instituição possibilitava adentrar numa dimensão do objeto antes não percebida, através de uma postura analítica para o desenvolvimento deste trabalho.

A observação participante mostrou-se crucial para o confronto entre os conhecimentos prévios, descritos na Introdução desta dissertação, e o que as Auxiliares possibilitaram conhecer acerca do trabalho que exercem. Portanto, este procedimento proporcionou não apenas identificar as atividades, mas, por que não dizer, (re)significá-las a partir do lugar de pesquisadora. Por fim, é importante destacar que o período em que o trabalho dos sujeitos investigados foi acompanhado foi marcado pela recepção acolhedora de Auxiliares e professoras, que sempre tentaram facilitar e colaborar com o melhor desenvolvimento do estudo.

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