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L’interdisciplinarité des phénomènes étudiés

3. Les séismes ; interdisciplinarité, histoire et prédiction

Quando o enfermeiro toma uma decisão de acordo com a preferência do doente, então, este sente-se satisfeito e percepciona o enfermeiro de forma positiva, como alguém que o trata bem, o que vai influenciar a relação enfermeiro-doente.

Para Basto (1998), é frequente os doentes quando estão hospitalizados classificarem os enfermeiros, por exemplo, em simpáticos/antipáticos, novos/velhos, comunicativos/distantes, bons/maus, etc.

Daí que nem todos os enfermeiros são do agrado do doente, devendo possuir algumas qualidades, que para Hesbeen (2000) são: ser caloroso (ter a palavra, sorriso e olhar adequado e personalizado), escuta activa, disponibilidade, simplicidade (recurso a linguagem acessível), humildade, autenticidade, humor e compaixão.

Para os informantes, o enfermeiro bom é aquele que é humano na sua prática. Phaneuf (2005, p. 14) corrobora dessa ideia ao referir que o enfermeiro deve reconhecer o doente como um parceiro nos cuidados, situando-se com ele “…numa relação de ser humano para ser humano que exclui o paternalismo condescendente, a manipulação autoritária, a vontade de prepotência e, ainda mais, a violência verbal ou outra”.

Partilhando também dessa opinião, Gonçalves (2004) refere que o enfermeiro deve possuir, entre outros aspectos, uma visão enriquecida da vida, da humanidade, da saúde e do cuidar. Esta humanização dos cuidados é um dos deveres do enfermeiro e que consta do seu código deontológico, mais precisamente no artigo 89º (Nunes, Amaral e Gonçalves, 2005).

“Para mim um enfermeiro bom é aquele enfermeiro, que sobretudo, entenda as pessoas, a dificuldade que as pessoas têm, que ajude, que seja humano.” (E2, L97-98)

“Sentia que elas eram bons profissionais. Eu achava que aqueles enfermeiros eram todas pessoas dignas para estar ali ao pé das pessoas.” (E12, L65-66)

O carinho e o conforto transmitido aos doentes são também características que também agradaram aos doentes. Para Bernardes et al. (200), no estudo que realizaram para compreender a ética da enfermagem face ao cuidado de doentes com patologia terminal, mesmo sentindo-se incapazes perante o diagnóstico do doente existe um grande empenho de toda a equipa de enfermagem para dar conforto e carinho ao doente e/ou família.

De acordo com os mesmos autores é função do enfermeiro proporcionar cuidado, carinho, atenção e conforto ao doente e família (Idem). No estudo realizado por Vaz

104 (2008) em que ela pretendia determinar o grau de satisfação de idosos face aos cuidados de enfermagem no serviço de urgência, todos os inquiridos mencionaram que os enfermeiros demonstraram carinho para com todos os doentes.

“…o enfermeiro tem carinho pelos doentes.” (E1, L189)

“…muito apoio e muito carinho do enfermeiro.” (E3, L46)

“É darem carinho às pessoas, porque há ali muita gente que não tem ninguém. Eram mesmo boas pessoas que estavam ali.” (E12, L68-69)

“Conforta a pessoa.” (E1, L66)

A simpatia e a responsabilidade do enfermeiro também foram características que os informantes referiram como favorecendo a interacção enfermeiro-doente.

De acordo com William (1997), os doentes valorizam a qualidade humanista do enfermeiro na interacção que estabelecem, esperando do enfermeiro simpatia, atenção, amizade, delicadeza e cuidado. Para Marques (1999), a simpatia foi a qualidade dos enfermeiros mais valorizada, no estudo que realizou a doentes internados num hospital central.

Relativamente à responsabilidade, Nunes (2006, p. 4) define-a como “…a capacidade e a obrigação de assumir os actos e as respectivas consequências”.

A responsabilidade depende da liberdade, isto porque a qualquer indivíduo só lhe pode ser imputada responsabilidade, às acções que ele livremente escolheu realizar (Nunes, Amaral e Gonçalves, 2005).

“Gosto da pessoa, pronto. Acho simpático, pronto…” (E2, L129)

“Mas outros enfermeiros não são assim. São mais abertos, mais meigos, mais dóceis.” (E2, L171-172)

“…sempre o fizeram carinhosamente e com responsabilidade até donde eu sentia, porque isso sente-se. Não se diz, sente-se…essa responsabilidade.” (E5, L10-11)

A escuta activa foi também referida pelos informantes. De acordo com Phaneuf (2005, p. 333), a escuta é “um estado de disponibilidade intelectual e afectiva da enfermeira. (…) é ao mesmo tempo silêncio e palavra a fim de levar a pessoa a exprimir- se”.

105 “Isso é, isso é, é uma coisa que não se consegue descrever (sorri). É bom. Todos me compreendem.” (E4, L171-172)

Em enfermagem, todo o cuidar exige uma relação, o que implica o estabelecer de comunicação (Cunha, 1999). Para o enfermeiro, como para outros profissionais, comunicar faz parte integrante dos cuidados que presta no seu quotidiano, sendo este factor um elemento essencial para a qualidade dos cuidados (Oliveira e Graveto, 2004).

Existem um conjunto de atitudes e comportamentos que podem influenciar a comunicação estabelecida entre enfermeiro-utente, tendo os informantes referido exemplos relativamente à postura e à fala, mas poderiam ter sido referidos também o contacto visual, a distância ou proximidade e a aparência geral do enfermeiro, entre outros.

“…a vossa maneira de ser, de estar, de nos tratar, tudo isso. O enf. T. é um caso flagrante disso, a boa disposição, de conversar, de falar e não sei quê.” (E10, L55-56)

“…pedem com educação. O enfermeiro chega fala normalmente, abertamente. Não está ali, hei dê cá o braço (a falar alto) …” (E2, L64-65)

“Ele entrou, carinhosamente, com educação, com respeito saúda, dirigiu-se a mim dizendo que tinha que por o cateter porque ia tomar antibiótico do que é injectado nas veias.” (E5, L26-28)

“…eles sempre com muita calma, diziam vamos ver, não há-de haver problema nenhum.” (E8, L75-76)

“Se um doente estiver triste desanimando e o enfermeiro chegar lá com uma atitude alegre e perguntar o que se passa, as coisas funcionam muito melhor a partir daí.” (E8, L120-121)

A experiência fornece ao enfermeiro, um conjunto de conhecimentos práticos adquiridos ao longo dos anos de serviço, podendo isso reflectir-se numa maior maturidade nos cuidados de enfermagem prestados (Phaneuf, 2005).

“…notei é que as enfermeiras mais velhas eram mais compreensivas que as enfermeiras, assim, novitas.” (E10, L127-128)

106 À medida que nos vamos deparando com as situações, devemos reflectir e utilizar essas experiências, para numa próxima vez em que nos deparemos com situações idênticas, estarmos mais capacitados para lidar com elas.