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Chapitre 2 : Démarche réflexive et cadre méthodologique

2.5 Les paradigmes constructiviste et interactionniste

Neste trabalho buscamos demonstrar que a ética protestante do trabalho consolidou-se ao decorrer da história por meio de um processo de mudanças e transformações em diferentes esferas como religiosa, cultural, social, política e econômica, deixando contribuições que podem ser aplicadas para a gestão de pessoas nas corporações até hoje, a partir de um panorama resumido da importância do calvinismo na sistematização da teologia reformada e da criação de uma ética protestante firmada nos dez mandamentos.

Observamos que Calvino teve limitações em suas ações e pensamentos condicionados às realidades de seu tempo com algumas limitações que com o passar dos séculos foram aperfeiçoados pelos futuros homens adeptos da fé reformada, os quais assumiram este legado, sendo uma dessas limitações, a aceitação da integração e benefícios entre Igreja e Estado, sendo hoje isso inaceitável, mas sendo necessário saber que elas se tocam em algum momento. Lutero e Calvino, como colunas da reforma protestantes, perceberam em suas concepções teológicas, por meio da interpretação reformada das escrituras, que a fé reformada, fazia interface com o indivíduo, com a sociedade e a política, assim como as relações Igreja e o Estado.

Calvino encontrou um ponto de virada da história, sendo ele um dos elos da evolução da antiga concepção econômica para uma análise científica moderna, na qual era levado em conta quase que integralmente a objetividade dos fatos. Desse modo, diversos historiadores tem mencionado a influência de Calvino e do calvinismo no surgimento e consolidação do sistema econômico moderno que se deu no Ocidente a partir do século XVI, mesmo existindo teses opostas.

Fundamentamos nossa argumentação nas propostas de Abraham Kuyper e André Biéler, além da análise do progresso econômico realizada pelo sociólogo Max Weber e uma visão contemporânea de negócios e de uma tendência cristã atual de mundo, feitas por Wayne Grudem e Nancy Pearcey entre outros autores voltados ao mundo dos negócios, gestão de pessoas e tendências do capitalismo nos dias de hoje, que tal pesquisa possibilitou o desenvolvimento sobre a hipótese central de

que um dos aspectos fundamentais do espírito do capitalismo é o trabalho a partir de uma nova cosmovisão como vocação e suas relações que Max Weber estabelece na formulação de seus argumentos, por mais aparelhados e abrangentes, não enfatizou. Por isso a partir da revisão bibliográfica de diversos autores, foi desvelado os rastros da ética protestante do trabalho ao longo da história e o processo de secularização pelo qual passou até chegar aos dias atuais.

Não obstante esta cosmovisão reformada do trabalho e suas relações na indústria, política e no comércio, temos a tese sucinta de Karl Marx, sobre a civilização industrial capitalista, que se opõe a tese de Max Weber, referente a religião ter causas e efeitos no campo econômico, principalmente no tocante ao movimento puritano que teve sua origem na Inglaterra e Escócia durante o Século XVI e logo depois, já na modernidade, nos Estados Unidos da América, o qual tinha toda uma cosmovisão reformada em sua origem que no pensamento moderno, secularizando-se e se tornando mais racionalista.

Em virtude desta racionalização, toda esta cosmovisão da ética protestante voltada ao trabalho e suas relações, perdeu a infraestrutura, ficando somente com a superestrutura, pois a ética protestante através de sua cosmovisão não era infundir em seus seguidores a mentalidade capitalista, mas o que acabou acontecendo pela perda do tônus religioso calvinista com o desvirtuamento dos seus princípios no capitalismo moderno.

Pesquisou-se inclusive, sucintamente a ética protestante do trabalho sob a lente de Max Weber tangenciando a de Karl Marx também, sem aprofunda-la, contudo, visto que a preponderância desta ética sobre a vida dos puritanos, e a secularização da cosmovisão protestante do trabalho e suas relações na modernidade, concomitantemente com o desenvolvimento do capitalismo, tendo como pano de fundo a referida perda do tônus religioso calvinista com o desvirtuamento dos seus princípios no capitalismo moderno a partir de uma concepção holística desvelada a partir de diferentes prismas.

Neste cenário, notamos que os historiadores tem tentado relatar o impacto e a influência de Calvino e do Calvinismo no modelo econômico moderno no ocidente, porém a interação entre a história e a teologia é altamente complexa.

A grande dificuldade de muitos sociólogos, inclusive Weber, é que o ponto mais importante para Calvino em sua cosmovisão reformada é a separação nítida que ele fazia da vida política e a vida da fé, devido durante todos os séculos antes da reforma estes dois polos, fé e política se fundiam, ora se separavam, mas Calvino os distinguiram judiciosamente e assertivamente e de forma resoluta conferiu ao trabalho, ao labor econômico e ao dinheiro, um lugar que nunca tiveram no passado e nisto o calvinismo engajou todas as virtudes humanas e sociais apoiando e submetendo a vida cristã ao senhorio de Cristo.

Desse modo, tentamos explicitar que a secularização da ética do trabalho se deu de forma simultânea e em consequência do desenvolvimento do capitalismo que desvirtuou a essência da ética praticada e vivida pelos puritanos, decorrente da busca incessante e irracional do dinheiro e lucro, que passou a ter o foco em si e não como base para contribuir para o desenvolvimento da família, sociedade e igreja, como fundamentada pela conduta de vida dos puritanos.

Superada a problematização da relação entre a ética protestante e o capitalismo, restou o desafio de abordar a ética protestante nas relações humanas das corporações empresariais, buscando aplica-la à realidade fática das corporações empresariais atuais, numa sociedade complexa e global, que foi objeto do terceiro capítulo.

A partir destas considerações, propomos um modelo de gestão aplicável nas corporações atuais, calcado na moral e códigos de éticas cristãs onde o foco é a valorização do homem como peça central da criação de Deus, por meio do resgate da contribuição de uma ética protestante do trabalho em suas origens, as quais influenciaram em muito para uma modernidade partindo de Genebra na valorização do trabalho como vocação e sua relações frente a sociedade, por um pensamento social e econômico de Calvino embasados dos textos bíblicos e em especial o decálogo, sabendo que posteriormente, ou seja, na modernidade veio a ser secularizada por um pensamento racionalista e individualista imposto pelo crescimento do capitalismo.

Levamos em consideração a evolução da ciência administrativa que proporciona uma abertura de novas perspectivas para gestores que se dispõe a explora-la, pois antigos problemas com visão parcial de gestão permanecem nas

corporações, onde facilitam o surgimento de ancoramento nos processos de gestão integrada ao invés de dinamiza-los.

Por isso buscou-se aplicar a ética protestante do trabalho nas relações humanas das corporações empresariais e políticas atuais, como forma de um modelo de gestão de gênero diferente que não se baseia na observação empírica como os modelos clássicos brevemente abordados no primeiro capítulo, porém em um modelo administrativo de gestão proveniente de uma ética calvinista, quem tem o trabalho em sua origem fundamentado no decálogo do Cânon Sagrado, ou seja, nos dez mandamentos.

Diante de todo o exposto, não nos resta dúvidas de que por meio de muitas tentativas, as corporações tem despendido muito tempo e dinheiro na aplicação de modelos de gestão de pessoal, com várias filosofias diferentes. Todavia, em virtude da ineficácia dos modelos propostos, que, por não serem universais, ficam à mercê de cada situação, posta a imprevisibilidade das variáveis humanas em cada época e ambiente, por isso não permitem um modelo ideal.

Por fim, se considerarmos que não existe um modelo ideal de gestão aprenderemos a mobilizar conhecimento e nos empenharemos a construir novos modelos contribuindo para uma sociedade melhor, mais justa e solidária, em qualquer tempo e sociedade.

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