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Chapitre 3. Une réflexion méthodologique

3.3 Les entretiens

3.3.2 Le déroulement des entretiens

Em 2012 a ANEEL lançou a Resolução Normativa nº 482 onde estabelece as condições gerais para o acesso de microgeração e minigeração distribuída aos sistemas de distribuição de energia elétrica, o sistema de compensação de energia elétrica, e dá outras providências (ANEEL, 2012).

Motivados por essa resolução, o Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) realizou no mesmo ano o “Workshop de geração eólica distribuída”, onde reuniu vários interessados no tema para apresentações e discussão desse mercado.

Pereira, Montezano e Dutra (2015) realizaram dois trabalhos de análise sobre o mercado dos aerogeradores de pequeno porte no Brasil. Um relativo à percepção dos potenciais consumidores (PEREIRA, MONTEZANO e DUTRA, 2015) e outro sobre a percepção dos produtores (DUTRA, PEREIRA e MONTEZANO, 2015). As informações contidas nesses trabalhos são oriundas da pesquisa realizada através de questionário online que pode ser acessado em CRESESB (2015). Esse estudo foi desenvolvido pelo Cepel solicitado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) para avaliação de mercado dos aerogeradores de pequeno porte no país, cujo objetivo é de avaliar a utilização da tecnologia como uma opção energética para os consumidores interessados em adotar o Sistema de Compensação Energética definido na REN nº 482/2012, atualizada para a REN nº 687/2015 (CRESESB, 2015). A primeira etapa da pesquisa durou 35 dias em 2014 para preenchimento do questionário. A segunda etapa durou um ano após a primeira etapa, ou seja, até dezembro de 2015 (PEREIRA, MONTEZANO e DUTRA, 2015).

O primeiro trabalho apresentou e discutiu a percepção do potencial consumidor sobre APP, identificando os determinantes que influenciam o processo de decisão de compra da tecnologia. Os resultados apontaram, na primeira etapa, que 74% dos pesquisados têm interesse em comprar um APP (PEREIRA, MONTEZANO e DUTRA, 2015). Os principais motivadores de compra dessa tecnologia estão mostrados na Tabela 6.

Tabela 6. Motivação para compra dos APPs.

Motivação %

Redução na conta de energia elétrica 54,0

Redução de emissão de gases de efeito estufa 18,0

Preço 8,0

Fácil instalação e manutenção 4,0

Independência energética 4,0

Teste experimental para centro de pesquisa 2,0

Geração distribuída 2,0

Backup da rede básica 2,0

Pesquisa 2,0

Estratégico 2,0

Interesse pessoal 2,0

Outro fato interessante da pesquisa é o quanto o consumidor está disposto a investir na tecnologia. A Tabela 7 mostra a disposição de investimento.

Tabela 7. Disposição de investimento.

Investimento % Até R$ 10.000 61,2 Acima de R$ 10.000 até R$15.000 8,2 Acima de R$ 15.000 até R$30.000 8,2 Acima de R$ 30.000 até R$60.000 2,0 Acima de R$ 60.000 até R$100.000 0,0 Acima de R$ 100.000 até R$1.000.000 2,0 Não sei/Não quero responder 18,4

Fonte: (PEREIRA, MONTEZANO e DUTRA, 2015)

No segundo trabalho, foi apresentado e discutido a percepção do fabricante, identificando a estrutura de produção em 2015, os investimentos realizados e as perspectivas de curto-médio prazo do segmento (DUTRA, PEREIRA e MONTEZANO, 2015).

Foram analisadas cinco empresas denominadas A, B, C, D e E. Os fabricantes e revendedores de APPs no Brasil têm pouco tempo de atuação no mercado, exceto por uma empresa que possui 12 anos de experiência, as demais têm no máximo cinco anos (DUTRA, PEREIRA e MONTEZANO, 2015).

A faixa de potência das máquinas fica entre 350 W e 100 kW, sendo a maior parte situada entre 1 e 5 kW, assim como cerca de 75% dos APPs disponíveis comercialmente no mundo (WORLD WIND ENERGY ASSOCIATION, 2016). Os modelos fabricados no Brasil são, em sua grande maioria, de eixo horizontal tendo apenas um modelo de eixo vertical. O fabricante desse único modelo de 1,5 kW informou que o seu desenvolvimento foi motivado pela experiência obtida com a fabricação e comercialização dos seus modelos de eixo horizontal que se mostraram pouco apropriados para uso em ambiente urbano devido ao alto grau de turbulência intrínseco ao ambiente e o nível de ruído gerado, características que se opõem aos de eixo vertical (DUTRA, PEREIRA e MONTEZANO, 2015).

Em relação aos principais compradores de APPs, verificou-se que são consumidores residenciais, fazendas, empresas/fábricas/comércio e universidades. Apenas um dos fabricantes apontou o

setor de telecomunicações como um importante nicho para seus negócios, como apresentado na Tabela 8 (DUTRA, PEREIRA e MONTEZANO, 2015).

Tabela 8. Principais compradores.

Principal comprador Empresas A B C D E Consumidor residencial (urbano) X X X

Fazendas X X X Empresas/Fábricas/Comércio X X X Consultores Revendedor Universidade X X Telecomunicações X

Não sabem/não responderam X Fonte: (DUTRA, PEREIRA e MONTEZANO, 2015).

Ainda em relação à produção, foi questionado se as empresas também comercializavam tecnologias de geração de energia elétrica, além da eólica, e 40% afirmaram que comercializam apenas produtos relacionados a aerogeradores, Tabela 9. Segundo Dutra, Pereira e Montezano (2015), essa diversificação pela maioria dos fabricantes em comercializar ao menos um produto além do aerogerador sugere que a comercialização exclusiva de APPs não produz renda suficiente para manutenção das suas atividades.

Tabela 9. Outras tecnologias oferecidas pelas empresas.

Alternativa oferecida Empresas A B C D E Solar fotovoltaico X X MCH/PCH X X Gerador de combustão X Hidrocinética Biodigestor X Solar térmico X

Fonte: (DUTRA, PEREIRA e MONTEZANO, 2015).

Em relação aos investimentos no setor, o resultado da pesquisa destacou que 80% das empresas realizaram investimentos com recursos próprios e 60% recursos de instituição de fomento à pesquisa, Tabela 10. Ainda segundo Dutra, Pereira e Montezano (2015):

“Estas duas fontes de financiamento mostram como o setor produtivo de APPs no Brasil é incipiente pois foram aplicados montantes significativos na expansão da produção e melhoria do produto. As perspectivas de novos investimentos mostram uma visão otimista do futuro que, neste caso, superam os montantes investidos nos últimos três anos. Estes novos investimentos seguem a tendência de expansão e melhoria da produção, incluindo também a diversificação da produção. ”

Tabela 10. Investimentos em APPs no setor produtivo.

Ação de investimento Aplicações atuais Aplicações futuras Empresas Empresas A B C D E A B C D E Ampliação da produção X X X X X X X Diversificação da produção X X X X X Aperfeiçoamento do produto X X X X X X Treinamento Logística X X X X X Marketing Pós-venda X X X X X Equipamento X Tranferência de tecnologia X X

Aperfeiçoamento do processo produtivo X Fonte: (DUTRA, PEREIRA e MONTEZANO, 2015).

Em relação à REN nº 482/2012, esta foi muito criticada pelos participantes da pesquisa. Segundo um dos entrevistados, a resolução, embora positiva, não é suficiente para suportar uma expansão do segmento de APPs no país. Esta afirmação está amparada pelas linhas de ações sugeridas pelos entrevistados que, em sua maioria, identificaram a necessidade de incentivos através de financiamento público para o consumidor além de a possibilidade da venda da energia gerada através de um incentivo tipo o feed-in tariff (FIT) (DUTRA, PEREIRA e MONTEZANO, 2015). A pesquisa também mostrou que, apesar do otimismo, a percepção de futuros negócios não é conclusiva, onde 60% dos participantes indicam que o ambiente de negócios para o futuro é desfavorável ou indiferente (DUTRA, PEREIRA e MONTEZANO, 2015).

Vale lembrar que as críticas foram em relação à REN nº 482/2012 e como já foi mencionado, já existe uma atualização dessa resolução que é a REN nº 687/2015, porém foi muito recente em relação à divulgação dos resultados e das críticas. Ainda não se sabe o novo posicionamento dos fabricantes em relação à essa nova REN.