5 L’argumentation champ d’étude de l’éthos
3. La structure lexicale thématique du corpus
Propor é sempre uma tarefa muito difícil que expõe o propositor aos riscos da crítica. A principal dificuldade nessa tarefa é conseguir elaborar propostas que estejam em consonância com as concepções teóricas defendidas ao mesmo tempo no que diz respeito ao ensino/aprendizagem do português e à avaliação. De fato, as considerações e análises delineadas ao longo deste trabalho nos permitem acreditar que a Avaliação Emancipatória teria grande possibilidade de se efetivar quando estiver condizente com uma abordagem interacionista de ensino/aprendizagem de língua portuguesa. Essa afirmação, conseqüentemente, parece negar a possibilidade de se aplicar os princípios da Avaliação Emancipatória num ensino tradicional de língua materna. Da mesma forma, uma abordagem interacionista de ensino do português, para ser emancipatória de fato no sentido de possibilitar o desenvolvimento de um sujeito crítico, precisa ajudá-lo a desenvolver sua competência avaliativa. Precisa, portanto, integrar a dimensão avaliativa em suas preocupações.
A abordagem tradicional não garante essa integração, dentre outras razões, porque reduz o ato de avaliar a um período específico para a realização de provas. A Avaliação Emancipatória, ao contrário, valoriza a função de regulação do processo de ensino/aprendizagem. A função de regulação resulta em constantemente existir a monitoração – pelo professor e pelo próprio aluno – daquilo que este já adquiriu em termos de competências e das necessidades de aprendizagem que ainda tem.
Em relação ao professor, a Avaliação Emancipatória lhe confere status de pesquisador, sendo essa uma tarefa bem mais complexa do que apenas transmitir conhecimentos. Assumindo essa função, o professor, com certeza, teria muito mais responsabilidade no processo, principalmente porque se tornaria mais consciente dos seus atos e de suas lacunas pessoais. Ser um professor pesquisador significa estar atento ao desenvolvimento cognitivo do aluno, investigando, monitorando, interpretando e principalmente contribuindo para o
progresso do aprendiz. Não estamos querendo dizer que os professores que atuam sob o domínio da avaliação tradicional não se esforcem para que seus alunos aprendam. Entretanto, há uma diferença qualitativa entre o modo de atuação nessas duas concepções: a consciência crítica em relação ao processo de ensino/aprendizagem que a Avaliação Emancipatória proporciona aos docentes, pois permeia todo o processo. A regulação do processo de ensino/aprendizagem possibilita ao professor questionar-se freqüentemente sobre o valor dos conteúdos que ministra, sobre a utilidade prática desses conteúdos na vida, pois tudo o que for abordado nas aulas deve servir para a formação de um sujeito emancipado. É bem verdade que esse estado de consciência pode se tornar angustiante, porque o professor acaba percebendo que sua tarefa é muito complexa e às vezes enxerga mais suas limitações e seus questionamentos do que soluções e busca por respostas, que muitas, vezes ninguém é capaz de lhe dar. Neste sentido, o professor que assume a Avaliação Emancipatória como um princípio metodológico e como objetivo pedagógico deve estar ciente que é também um aprendiz. Essa, inclusive, é uma das qualidades de um pesquisador: Sempre que necessário ir buscar conhecimentos, investigar, levantar hipóteses, errar e acertar, mudar o rumo de suas ações, se for preciso. O próprio professor, então, se torna mais emancipado. É interessante notar, porém, que ao mesmo tempo em que ganha autonomia, o professor também percebe que precisa do auxílio dos outros. Essa é mais uma qualidade da Avaliação Emancipatória: possibilitar a integração dos professores em busca de um trabalho conjunto. A interdisciplinaridade encontra um terreno bem propício nesse contexto, porque a comunidade tem a possibilidade de perceber mais nitidamente que os conhecimentos socialmente elaborados mantêm relações entre si. Em se tratando da linguagem, essa relação é ainda mais intensa.
Se por um lado a Avaliação Emancipatória proporciona ao professor a condição de pesquisador, por outro o obriga a dividir a tarefa de avaliar com os alunos. Talvez fosse
melhor dizer que o professor ao entender os benefícios de uma integração entre uma proposta interacionista de ensino/aprendizagem e uma proposta emancipatória de avaliação, passa a encarar as atividades auto-avaliativas e co-avaliativas como absolutamente necessárias à apropriação dos conhecimentos e ao desenvolvimento das competências. Ele não abre mão de prerrogativas suas, mas alça o outrora objeto de avaliação à posição de sujeito. Ao fazer isto devolve a esse sujeito, considerado como um ser cheio de potencialidades, a capacidade de, ele próprio, conduzir-se no processo de aprendizagem e, com isto, a possibilidade de se tornar um sujeito socialmente atuante. Ter o direito de participar do processo avaliativo para quem não estava acostumado a fazê-lo requer uma preparação, de certo modo, lenta e até mesmo dolorosa. Lembremos que os alunos também têm suas representações a respeito da avaliação. Para eles, avaliação é prova, nota que deve constar do boletim. As suas famílias pensam do mesmo modo. A maioria considera que a educação se resume à tarefa simplória de o professor passar uma matéria, fazer bastantes exercícios e depois marcar o dia da prova. A avaliação tradicional sempre os desconsiderou enquanto seres pensantes, não dando importância para tudo que já sabem fazer. Além disso, os conteúdos de português, numa abordagem tradicional, também não fazem muito sentido para eles. Juntando-se essas duas últimas constatações, não é de se estranhar que os alunos tenham que passar por um longo período de adaptação.
Na Avaliação Emancipatória, os alunos têm a oportunidade de aprender a aprender. Eles precisariam ser levados à compreensão de que a função do professor é apenas de orientá- los no processo de aquisição de competências, portanto a responsabilidade maior é deles mesmos. Para que se possa atingir tal nível de consciência, os alunos precisam desenvolver sua autonomia. Ser autônomo significa ter
Capacidade de posicionar-se, elaborar projetos pessoais e participar enunciativa e cooperativamente de projetos coletivos, ter discernimento, organizar-se em função de metas eleitas, governar-se, participar da gestão de ações coletivas, estabelecer critérios e eleger princípios éticos, etc. (BRASIL, 1997, p. 94).
Esse é um exercício gradual que vai se intensificando com o tempo até atingir um estágio tal que o aluno se torna um cidadão emancipado. A avaliação Emancipatória propicia essa transformação, pois desperta a consciência crítica dos alunos, ajuda-os a descobrir o verdadeiro sentido de estudar. No entanto, por mais interessante que seja essa integração, ela não depende unicamente do empenho pessoal do professor, como veremos a seguir examinando as condições da implementação dessas mudanças.