Un contrôle des actes sociaux peu adapté à la vie des sociétés
Section 1. Le cas des décisions économiques et financières
1. La décision de constitution des réserves facultatives
Essencialmente, a prática de cuidados é a mais ancestral de todas na história do mundo. Durante milhares de anos, os cuidados não eram condicionados de um sistema, menos ainda incumbiam a uma profissão. Pronunciavam respeito a qualquer pessoa que auxiliava outra a permanecer a vida em relação ao grupo e eram norteados a partir de duas situações, a saber: assegurar a vida e recuar a morte (SCHVEITZER, 2015).
125 Cuidar é, pois, manter a vida garantindo a satisfação de um conjunto de necessidades indispensáveis à vida, mas que são diversificadas na sua manifestação. (...) Velar, cuidar, tomar conta, representa um conjunto de atos que têm por fim e por função manter a vida dos seres vivos com o objetivo de permitir reproduzirem- se e perpetuar a vida do grupo (COLLIÈRE, 1989, p.29).
Neste sentido, o cuidado é basilar, inerente à sobrevivência de todo ser vivo, foi fortemente modificado entre os humanos à medida que nasceram as inúmeras transformações tecnológicas, socioeconômicas e culturais que repartiram as práticas de cuidados em uma vastidão de tarefas e atividades diversas. Com o passar do tempo, os cuidados de mantimento da vida e curativos, surgidos de descobertas empíricas, foram trocados pelos cuidados médicos, que se distinguiram como os únicos científicos. O artifício dos cuidados foi aos poucos isolado, segmentado, fendido e apartado das dimensões sociais e coletivas. O “cuidar tornou-se tratar a doença” (COLLIÈRE, 1989).
Diante o exposto, o processo de cuidar em saúde deve ser abarcado como um processo interativo, de desenvolvimento, de crescimento, que se dá de forma contínua ou em determinado momento, mas que tem o poder de gerir a modificação (KIMURA et al., 2013). Ayres (2005) ressalta que o processo de cuidar é a capacidade dos seres humanos de crescer e modificar-se em um processo constante de relação entre o ser cuidado e o cuidador.
Assim, o cuidado é o fenômeno resultante do processo de cuidar, o qual concebe a forma como ocorre o encontro ou situação de cuidar entre cuidador e ser cuidado. Desta forma, ele é visto como uma maneira de ser, algo existencial, além de relacional e contextual. No âmbito da enfermagem, ele abarca comportamentos e atitudes demonstrados nas ações, desenvolvidos com competência no sentido de favorecer as potencialidades das pessoas para manter ou melhorar a condição humana no processo de viver (WALDOW, 2001).
Corrobora, ainda, que se compreende que o modo de intervir no cuidado ao ser humano altera-se em razão com a compreensão de mundo de quem cuida e de quem é cuidado. Por isso, é necessária a aproximação, o tanto quanto possível, da compreensão de mundo daquele que é cuidado, incluindo-se as crenças religiosas e as diversas formas de expressar a religiosidade na maneira de cuidar (AYRES, 2005).
Especificamente na Enfermagem, Collière (1989) descreve a história e a evolução da forma de alcançar o cuidado em três estações, sendo: 1º - práticas das mulheres que oferecem cuidados, desde os tempos mais recuados da história da humanidade até a Idade Média; 2º - práticas de cuidados da mulher ‘consagrada’, desde a Idade Média até o fim do século XIX; 3º - mulher enfermeira – do princípio do século XX ao fim dos anos 60, que compreende o status moral e o status técnico da profissão. Além disso, a referida autora aponta a gênese da prática
126 de cuidados a partir de sua caracterização entre mulheres e homens ao longo da história da humanidade. As mulheres estariam pautadas com as práticas de cuidados para garantir a conservação da vida, ordenadas em circuito da fecundidade, do parto e do corpo sofredor. Os homens fariam recuar a morte, melhorando o corpo ferido que decretava força física para também reprimir os agitados, as pessoas em estado de delírio ou de loucura. Essa bifurcação elucida como as primeiras se tornarão enfermeiras e os segundos médicos, cirurgiões e enfermeiros de prisões, leprosários e manicômios (COLLIÈRE, 1989).
Assim, é possível entender que, além da separação social do trabalho, diferentes maneiras de compreender saúde e cuidado influenciam nas práticas assistenciais e na sua atribuição à homens e mulheres. Isto é, as contestações entre as divisões de gênero nas práticas derivam não tanto dos avanços científicos, como da própria edificação da sociedade e seus indivíduos, que induz à valorização maior de algumas maneiras de cuidado em detrimento de outras. Se primeiro o desempenho da mulher ao cuidar explanava um desenho de relação com o mundo, na qual o corpo era recinto de encontro e expressão, após a ascensão do cristianismo e a caça às bruxas, a mulher teve de se apartar cada vez mais do cuidado ao corpo e se aproximar da sua alma, por meio da caridade. É nesse cenário que se desenvolveu o cuidado apresentado por 7Florence Nightingale (SCHVEITZER, 2015).
Florence Nightingale foi considerada precursora nas ciências da saúde, nas estatísticas de saúde, nas reformas sociais, no que presentemente titulamos de Prática Baseada em Evidência, na Enfermagem Holística, nas Teorias de Enfermagem e na Saúde Pública (ZOBOLI, 2011). Todavia, essa ótica social de cuidado igualmente padeceu com a hegemonia do modelo biomédico de entendimento de saúde, que centrou o cuidado no biológico e isolou o doente. Balizar o cuidado ao físico, sem abranger o entorno social e comunitário, é uma maneira inconcebível de operar como enfermeiro, “de fazer-se presença no encontro de Enfermagem, que é um encontro de cuidado” (ZOBOLI, 2011).
Portanto, a atuação da equipe multidisciplinar, em especial, da enfermagem deve ser fundamentada na avaliação holística do indivíduo, de modo que lhe seja oferecida assistência integral, individualizada e sistematizada, voltada também para os aspectos subjetivos relacionados à representação social de seu novo estilo de vida. Almejar a integralidade no cuidado da pessoa com estomia intestinal implica que o usuário deve ser olhado como sujeito histórico, social e político, articulado ao seu contexto familiar, ao meio ambiente e à
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Florence Nightingale, Enfermeira inglesa nascida na cidade italiana de Florença, onde sua família, de origem inglesa, residia temporariamente, que com seu trabalho lançou as bases dos modernos serviços de enfermagem, ganhando fama, portanto, como fundadora da profissão de enfermeira e como reformadora do sistema de saúde.
127 sociedade na qual se insere. Para tanto, é imprescindível demonstrar a importância da articulação das ações de educação em saúde como componente produtor de um saber coletivo que manifesta no indivíduo sua autonomia e emancipação para o cuidar de si, da família e do seu entorno (KIMURA et. al., 2014).