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L’éviction difficile du commissaire aux comptes

Une faible influence sur les acteurs sociaux

Section 1. Les limites du pouvoir d’écarter les acteurs sociaux

B. L’éviction difficile du commissaire aux comptes

Para produção de saúde efetiva, há necessariamente a ampliação dos contextos de saúde no qual os diferentes seguimentos de suporte social, emocional e educacional se confluem para esta prática (BRASIL, 2009). Estas proposições no campo da saúde se aproximam da construção científica transdisciplinar, pois visa agregar saberes favorecendo de forma integrativa para compreensão abrangente da realidade em seus diferentes níveis, interagindo ao mesmo tempo sujeito, objeto e o sagrado.

Segundo Berni (2013, p.7):

“(...) Abordagens científicas como a Transdisciplinaridade e a Visão Integral vêm trazendo de forma consistente uma revisão dos paradigmas sobre os quais se fundamenta a visão contemporânea, ou pós-moderna de realidade possibilitando novas formas de compressão do humano que contemplam a ciência e a transcendência simultaneamente, e, portanto nos remetendo a possibilidades transdisciplinares, transpessoais e integrais de compreensão da vida e do homem. Tais compreensões têm se mostrado altamente integrativas e capazes de conciliar saberes de modo que os seres humanos possam rever suas perspectivas de vida e vislumbrar um futuro pessoal e coletivo com sustentabilidade” (BERNI, 2009, p.7). Para Berni (2013), estudos evidenciam que a necessidade de mudança do pensamento moderno que foram levando o homem à separação do corpo e da mente, e o predomínio da racionalidade em detrimento da intuição e da sensibilidade, reforçada pela visão científica cartesiana, levou-nos também ao distanciamento do homem e da natureza.

57 Outrossim, as Danças Circulares se enquadram no novo contexto de saúde, no incentivo ao emprego de novas práticas, ou seja, novas formas de tratamento, complementares às técnicas do homem tradicionais, e que trabalha pela busca de harmonização dos ritmos e conexões energética. Em 2009, as práticas das Danças Circulares promoveram uma compreensão da realidade de forma mais integrativa de maneira que uma vida com qualidade corresponde, a uma ação de autoconhecimento que viabilize a sustentabilidade. Este autoconhecimento é desejável ao se utilizar os referenciais mentais, emocionais, corporais e espirituais, para vivenciar o presente e construir um futuro sustentável (BERNI, 2013).

A formulação em 04/04/2006 da PNPIC, consolidada dentro do contexto nacional e recomendada pela OMS, por meio de práticas anteriormente denominadas alternativas, constitui estratégias potentes para fortalecimento de um novo paradigma: o da harmonização, do qual abrange os aspectos físicos, emocionais, mentais e ambientais concomitantemente (BRASIL, 2006).

Barros (2006, p.850) manifesta:

“(...) A Política, de caráter nacional, recomenda a implantação e implementação de ações e serviços no SUS, com o objetivo de garantir a prevenção de agravos, a promoção e a recuperação da saúde, com ênfase na atenção básica, além de propor o cuidado continuado, humanizado e integral em saúde, contribuindo com o aumento da resolubilidade do sistema, com qualidade, eficácia, eficiência, segurança, sustentabilidade, controle e participação social no uso.”

A Portaria geral n°. 971/2006 da PNPIC do Sistema Único de Saúde (SUS), mais especificamente na cartilha de Atitude de Ampliação de Acesso, ressalta que estudos têm evidenciado que tais abordagens contribuem para a ampliação da corresponsabilidade do indivíduo pela sua saúde, colaborando assim para o aumento do exercício da cidadania. Os benefícios foram demonstrados na melhora na formação de vínculos, na ampliação da percepção dos problemas e no empoderamento das redes pessoais e da possibilidade de resolução de situações adversas junto à comunidade (BERNI, 2009; BRASIL, 2006).

Estas práticas integrativas e complementares, como homeopatia, ioga, acupuntura, Danças Circulares, medicina antroposófica, movimento vital expressivo, Lian Gong, entre outras, objetivam aumentar a resolutividade das práticas do SUS, incentivar o controle e participação social e intervir por meio dos diferentes níveis de realidade e em especial a promoção de saúde. Desta maneira, as distintas abordagens configuram-se como prioritárias para o Ministério da Saúde, tornando opções preventivas e terapêuticas do SUS (BERNI, 2009).

As Danças Circulares, dentro deste novo paradigma, podem ser aplicadas em diferentes contextos de saúde e podem ser utilizadas como oficinas de Centros de

58 Convivência, em grupos abertos, Unidades Básicas de Saúde, como estratégia do Núcleo de Atenção a Saúde da Família (NASF), Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), hospitais, abrangentes do público do território em questão, ou delimitado pelos profissionais de saúde, quando utilizada em cunho estritamente terapêutico, para um público especifico (BERNI, 2013).

Na cidade de São Paulo, as práticas corporais começaram a ser fortemente utilizadas em 2001 nos serviços de saúde, influenciadas pelas práticas corporais da Medicina Tradicional Chinesa (Lian Gong em Terapias, Tai Chi Pai Lin, meditação, Lien Ch’i, Xian Gong, Tai Ji Qui Gong) e atualmente as práticas integrativas e complementares em saúde vão além, incluindo caminhada, alongamento, relaxamento, Danças Circulares, shantala, entre outras. A Secretaria Municipal de Saúde criou estratégias e vem investindo em capacitações de profissionais. Desta maneira, as formas de mobilização corporal e comunitária, adaptadas às necessidades e realidades de cada polo de atuação, atingem em média 70% de equipamentos municipais de saúde (MORETTIL et al., 2009).

Em Campinas/SP, em 2001 ocorreu a criação do Projeto Corpo em Movimento, idealizado pelo Grupo de Estudos e Trabalho em Terapias Integrativas (GETRIS) com objetivo de trabalhar prevenção, diagnósticos e tratamento dos transtornos musculoesqueléticos no SUS, para garantir maior empoderamento dos usuários em seu tratamento. Atualmente este projeto transformou-se em um programa da Secretaria Municipal de Saúde, coordenado pela área de assistência do Departamento de Saúde, especificamente na área da Saúde Integrativa, sob a responsabilidade do médico Dr. William Hypólito Ferreira (BERNI, 2013).

As Danças Circulares são ofertadas em algumas Unidades Básicas de Saúde e no Centro de Convivência, compondo a grade municipal na relação de atividades saudáveis e práticas integrativas, grupos educativos, vivências e terapêuticas do Programa Saúde e Movimento. Em 2008 e 2009 ocorreram cursos introdutórios de capacitação sobre esta temática aos funcionários da saúde, distribuídos equilibradamente entre os distritos de saúde do município para disseminação desta prática. O curso foi ministrado por profissionais defensores destas novas práticas na cidade de Campinas e funcionários da Prefeitura Municipal de Campinas, como psicóloga Maria da Glória Coelho, que iniciou as práticas integrativas a mais de dez anos em uma Unidade Básica de Saúde, como o Sistema Rio Aberto e Dança Circulares Sagradas. Atualmente, estas atividades são desenvolvidas no Distrito de Barão Geraldo (BERNI, 2013).

59 Entre os anos de 1989 a 1991, a terapeuta ocupacional Eliane Dias de Castro (1992) utilizou a dança (sem a denominação circular), como recurso terapêutico por meio de grupo aberto em um CAPS, para pessoas com transtorno psíquico, e constatou que a dança e a expressão corporal constituem-se como um recurso de autoconhecimento e expressão para pessoas que buscam auxílio psiquiátrico, assim como os instrumentaliza para a própria vida. Em seus estudos de avaliação processual notou melhoras nos aspectos físicos como: alterações na postura, movimentação, respiração, cor, temperatura. Nos aspectos psíquicos destaca a possibilidade de expressão de sentimentos, ideias, sensações, percepções e das próprias emoções. Já nos aspectos sociais, observou trocas entre o grupo, vinculação entre as pessoas e aproximação de si mesmo (BERNI, 2013).

A dança é um dos meios mais destacados da pedagogia criativa e possibilita alto valor terapêutico, pois a dança, segundo Wosien (2000), educa o homem como um todo. Para ele há uma interdependência e conexão entre as funções do movimento e as funções psicofísicas. Ela exige adaptação e integração, cria equilíbrio, dá asas à fantasia, relaxa e solta, e oferece um plano a partir do qual se pode acessar a multiplicidade da educação (Wosien, 2000, p. 64-5).

Maria Gabrile Wosien (2013) completa que, nas danças de roda, a liberdade e a ligação se equilibram e ocorre, segundo a autora, uma correção contínua do balanço interno e externo. A dança também oferece ferramenta de integração com os pares – o encontrar-se de si e o encontrar-da-comunidade, ou seja, no prazer na convivência conjunta. E, segundo Wosien, está no rol da formação humana.

Vale ressaltar que as Danças Circulares são consideradas um conteúdo social está intimamente agregado com a saúde integral, pois estudos internacionais e nacionais apontam que a qualidade percebida de suporte de relacionamentos tem evidenciado contribuições na saúde e no bem-estar dos indivíduos. Assim, pessoas que se sentem apoiadas enfrentam melhor as condições de doenças, estresse e outras dificuldades relacionadas com experiência de vida. Neste sentido, a qualidade de relacionamentos tem efeitos psicológicos, afetando, por exemplo, os níveis de depressão e qualidade de vida percebida, e efeitos físicos, associados com frequência de doenças, mortalidade e funcionamento fisiológico (ANTONUCCI, 2001).

Segundo Berni (2013), as Danças Circulares contribuem enquanto instrumento de ampliação de consciência individual e grupal, sendo um canal de desenvolvimento humano pessoal e da interação grupal. Outro aspecto, refere-se aos conteúdos neurotransmissores, pois segundo médico psiquiatra Paulo Toledo Machado Filho, do Instituto Sedes Sapientae em São Paulo, as danças em círculo levam a um ritmo diferente daqueles estabelecidos pelos

60 comportamentos ansiosos, pois a dança circular, segundo o médico, relaxa, alterando os neurotransmissores do estresse. Para mais, há também por meio desta prática, a liberação de neurohormônios, como a endorfina, ligados à sensação de bem-estar, que são liberados pelo fator de prazer (BERNI, 2013).

Agregando outro aspecto bastante requisitado, seria o que a fisioterapeuta Beth Gervitz descreve que as Danças Circulares possuem como aspecto neuromotor, uma vez que, ao dançar, desenvolve-se bastante a bilateralidade, controle motor dos lados esquerdo e direito do corpo sob o movimento de forma não habitual. Para ela o movimento em roda leva ao dançante fazer o contrário de quem está a sua frente, ou espelho do outro. A fisioterapeuta acrescenta ainda que a contagem rítmica das diferentes culturas expressas nas coreografias, também favorece ao aprendizado de movimentos corporais que eram pouco utilizadas e na medida em que os passos se repetem essas novas informações são assimiladas gradativamente. Esta assimilação é importante para inclusão de diferentes pessoas, que sabem ou que nunca tiveram experiência de danças, possibilitando a inclusão de todos na roda (BERNI, 2013).

Outro aspecto importante seria que as Danças Circulares convidam as pessoas a estarem inteiramente na situação, sendo esta conexão entendida como uma forma de meditação ativa, ou uma oração em movimento (BERNI, 2013).

Neste sentido, para Wosien (2000, p. 26) a dança é simplesmente vida intensificada e há:

(...) No jogo rigidamente regulamentado, do qual ele desenvolve foças mágicas, na livre manifestação de sentimentos, pendulado entre êxtase, movimento e calma, entre visão e meditação, o homem que dança liberto pela vontade, sente o hálito da respiração universal (…). A dança se comunica do ponto onde a respiração, a representação, a imagem e a vivência onírica afloram e se tornam criativas, desprendidas do plano da realidade prosaica e dos grilhões terrestres.

A terapeuta ocupacional focalizadora de Danças Circulares e pesquisadora Ana Lúcia Borges da Costa foi pioneira ao empregar a técnica das danças em 1995 em uma disciplina para alunos do terceiro ano do Curso de Terapia Ocupacional da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo na qual objetivava ampliação do conhecimento de métodos e técnicas do aluno e do desenvolvimento de análise de suas possibilidades terapêuticas, por meio de vivências de expressão por meio da música, da dança e do teatro. Os resultados de seu trabalho apontam que além das danças contribuírem com a reflexões de emoções e sentimentos, também favorece um instrumento de formação grupal por meio da universalização da comunicação por meio do movimento (COSTA, 2013).

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