- P REMIERE P ARTIE -
3. En passant par le jeu de langage de l’aboriginalité
3.2. Passé (dé)composé : de l’Australie contemporaine à l’Australie coloniale coloniale
3.2.3. La colonisation : une destruction source de traumatisme
O processo de integração é interativo e dinâmico e envolve várias partes, nomeadamente o enfermeiro integrador, o integrando (novo elemento em processo de integração) e toda a equipa multidisciplinar. É um processo que deve ser adaptado às necessidades de cada novo elemento e abarcar conhecimentos sobre a estrutura física, o equipamento e seu manuseamento, o relacionamento entre as várias estruturas do serviço e o conhecimento técnico e científico necessário.
O programa de integração deve estar baseado em normas do serviço e na descrição das funções desempenhadas pelos enfermeiros no bloco operatório, evidenciando as atividades referentes ao cuidar e técnico‐científicas (AESOP, 2006).
Segundo Kurcgant (1991, cit. in Carvalho 2016, p. 103), existem vantagens numa boa integração dos novos elementos, nomeadamente a “diminuição do stress, frustração e conflito, aumento da autoconfiança, do auto desenvolvimento, da satisfação no trabalho executado e das necessidades pessoais”.
De acordo com a AESOP (2006), o programa deve contemplar quatro fases: acolhimento / observação, enfermeiro de apoio à anestesia, enfermeiro circulante e enfermeiro instrumentista. No final de cada uma das fases deve ser agendada uma reunião de avaliação em que estarão presentes o enfermeiro em integração, o integrador e o enfermeiro chefe do serviço. Nessas reuniões intercalares, pretende‐se refletir sobre o processo de integração do novo elemento, de forma a detetar atempadamente necessidades ou dificuldades, de forma a poderem ser traçadas estratégias que permitam superar e / ou colmatar as dificuldades encontradas.
Em cada fase deverão ser preenchidas as fichas de avaliação existentes no programa de integração, através das quais se tomam decisões sobre a transição para a fase seguinte do novo elemento, tendo ainda em conta se os objetivos dessa fase foram atingidos.
Poderá ser dado por terminado o programa de integração, quando o elemento em integração atingir a destreza manual e intelectual necessária para a resolução de problemas básicos essenciais a um bom desempenho profissional.
As caraterísticas do enfermeiro integrador revelam‐se como tendo importância primordial no processo de integração, pois será o enfermeiro que servirá de modelo, e procurará integrar no mais
curto espaço de tempo o novo elemento, levando‐o a cumprir os objetivos traçados de forma a prestar cuidados de qualidade e em segurança.
O enfermeiro chefe em conjunto com a equipa de coordenação do serviço deverá nomear os enfermeiros integradores, devendo cumprir o requisito básico de ser o enfermeiro especialista ou o perito do serviço, com pelo menos três anos de experiência e apresentar as seguintes caraterísticas chave: Figura 5‐ Caraterísticas do enfermeiro integrador (Fonte: AESOP, 2006, p. 291)
As atividades desenvolvidas no decurso do programa de integração deverão decorrer num ambiente agradável e de confiança, propício ao diálogo, incentivando a verbalização de dúvidas existentes e dificuldades sentidas pelo novo elemento em integração. O integrador deverá demonstrar competência e compreensão que facilitem o avançar do processo de integração.
Existem alguns estudos na área da integração de enfermeiros no bloco operatório, sendo de realçar a Tese de Doutoramento de Dinora Cabral (2004) “Cuidados Especializados em Enfermagem Perioperatória. Contributos para a sua implementação” que conseguiu no seu estudo comparativo entre tipos de integração em bloco operatório de uma instituição privada e uma pública, confirmar a hipótese de que “a integração feita pelo mesmo enfermeiro influencia a integração do novo elemento” (Cabral, 2004, p. 273), referindo que a grande maioria dos inquiridos defendeu ser
Integrador
Motivado Boas relações humanas Brio profissional Conhecimentos técnicos e científicos atualizados Capacidade de planeamento e orientação Disponibilidade Sentido de responsabilidade Conhecimento da estrutura organizacional Capacidades pedagógicas Habilidades necessárias ao processo ensino / aprendizagem Conhecimentos e competências na área do perioperatórioimportante a integração ser feita por um único integrador, pelos laços que se criam entre o integrador e o elemento em processo de integração e que funcionam como facilitadores na transmissão de saberes.
No quadro 7 encontram‐se as principais atividades a desenvolver pelo integrador e pelo enfermeiro em integração.
Quadro 7‐ Atividades do integrador e do enfermeiro em integração
Atividades do integrador Atividades do enfermeiro em integração
‐ Atuar como recurso e “Modelo” de atuação e de consulta;
‐ Demostrar conhecimentos das regras e procedimentos do processo de integração; ‐ Criar uma atmosfera que promova a
aprendizagem e a confiança;
‐ Conhecer os objetivos do programa de integração;
‐ Conhecer os objetivos e os recursos utilizados; ‐ Comunicar as suas necessidades de aprendizagem ao integrador;
‐ Planear as ações a desenvolver com o integrando, de modo a enquadrar os seus objetivos com os do programa;
‐ Facilitar a orientação e a avaliação do processo de integração;
‐ Supervisionar o desempenho do enfermeiro a integrar;
‐ Manter com o enfermeiro chefe e integrador espaços de reflexão sobre a sua evolução no processo de integração;
‐ Manter o horário previamente fixado. ‐ Manter o horário previamente fixado.
(Fonte: AESOP, 2006, p. 291)
O tempo necessário para o período de integração reveste‐se de uma importância maior. As instiuições não querem perder dinheiro e tentam que os planos de integração sejam o mais curtos possível, esquecendo por vezes a importância de que se reveste o processo e os ganhos a médio / longo prazo.
Assim, e segundo a AESOP, baseada nas indicações emanadas pela AORN (Association of periOperative Registered Nurses) os tempos de integração dependem do grau de experiência prévia dos elementos em integração e da especificidade das funções a desempenhar. Esses tempos não são estanques e devem ser ajustáveis às diferentes situações, caraterísticas do enfermeiro em integração e cumprimento das objetivos delineados nas várias etapas.
Os tempos de integração deverão ser os seguintes:
‐ enfermeiros sem experiência profissional, o tempo de integração deverá de um ano e meio; ‐ enfermeiros com experiência profissional (que não seja em bloco operatório), um ano de integração;
‐ enfermeiros com experiência em bloco operatório, seis meses de integração.
A primeira fase do processo de integração toma o nome de fase de acolhimento ou de observação e deverá ter a duração de um mês. O seu principal objetivo será o de conhecer a dinâmica da organização e do serviço, bem como as normas existentes e as funções que deverá desempenhar no exercício das suas funções, logo, a sua socialização e a sua adaptação ao bloco operatório. São várias as etapas existentes nesta fase que de acordo com a AESOP (2006) são:
1. Entrevista inicial com o enfermeiro chefe e integrador, onde serão feitas as aprensentações dos elementos envolvidos no processo de integração, conhecendo as necessidades e expetativas do novo elemento. Deverá ser entregue uma ficha de colheita de dados pessoais e profissionais a preencher pelo novo elemento. São transmitidas informações gerais sobre a instiuição, o serviço, o departamento de enfermagem, o ambiente de trabalho e a equipa multidisciplinar. 2. Visita ao serviço, onde se apresenta o novo elemento à equipa multidisciplinar e se procura familiarizar o novo elemento com a forma de organização do serviço. 3. Entrega do programa de integração pelo integrador ao novo elemento de forma a planificar o processo de integração. 4. Visita à Central de Esterilização com o objetivo de dar a conhecer o processamento realizado ao material cirúrgico desde que sai do bloco operatório, até à sua esterilização na Central.
5. Observação como método pretendido nesta primeira fase. O novo elemento em processo de integração deverá observar, inspecionar, conhecer as normas do serviço, os comportamentos a adotar, os registos a efetuar, sendo incentivado a documentar‐se e a apresentar dúvidas. Deverá interiorizar as funções a desempenhar enquanto enfermeiro perioperatório (enfermeiro de anestesia, circulante e instrumentista), interiorizando o conteúdo funcional de cada uma delas.
6. Avaliação / apreciação realizada pelo novo elemento em integração em ficha própria, na presença do integrador e do enfermeiro chefe e assinda apor todos. Se necessário poderá ser feita uma adaptação ao plano inicial de acordo com as necessidades do integrando, caso contrário avança para a fase seguinte.
A segunda fase do processo de integração recebe o nome de enfermeiro de anestesia. Deverá ter a duração de 2 meses e inicia o novo elemento no desenvolvimento das diferentes funções da enfermagem perioperatória. O principal objetivo a atingir nesta fase será o de desenvolver competências como enfermeiro de apoio à anestesia. São várias as etapas a seguir, e de acordo com a AESOP (2006) são:
1. Acolhimento do doente no bloco operatório.
2. Conhecer o funcionamento de todo o equipamento necessário à anestesia.
3. Colaborar com o anestesista e realizar procedimentos de enfermagem durante o ato anestésico.
4. Conhecer a ação e interação dos fármacos utilizados nos diversos procedimentos anestésicos. 5. Conhecer as diferentes técnicas anestésicas. 6. Realizar registos de enfermagem. 7. Colaborar na transferência do doente para a URPA / UCI / internamento. 8. Transmitir informações orais e escritas que permitam a continuidade dos cuidados. 9. Reorganizar a sala operatória e repor o material que foi gasto. 10. Realizar a visita pré operatória. Ao longo desta fase, o novo elemento inicia um período de observação, adotando uma postura de escuta ativa e gradualmente irá colaborar com o enfermeiro integrador no desempenho das funções de apoio à anestesia até que o fará sozinho apenas supervisionado pelo enfermeiro integrador. Nesta fase o integrando deverá desenvolver atividades relacionadas com o cuidar e com a técnica, adquirindo conhecimentos de anestesia e o integrador deverá encontrar‐se disponível para esclarecer dúvidas que surjam e disponibilizando ou indicando bibliografia específica. Da mesma forma que na fase anterior, segue‐se um período de avaliação findo o qual se avança para a fase seguinte.
A terceira fase do processo de integração toma o nome de enfermeiro circulante. Deverá ter a duração de 3 meses e será a fase em que o novo elemento inicia a segunda função da enfermagem perioperatória. O seu principal objetivo será “desenvolver competências como enfermeiro circulante” (AESOP, 2006, p. 293). Também esta fase tem várias etapas a seguir e que segundo a AESOP são: 1. Verificar o plano operatório e planear os cuidados. 2. Controlar as condições ambientais da sala operatória. 3. Preparar e testar todo o equipamento necessário à cirurgia. 4. Colaborar no acolhimento do doente. 5. Colaborar na preparação das mesas cirúrgicas, cumprindo a técnica assética cirúrgica. 6. Colaborar no posicionamento do doente. 7. Colaborar na desinfeção do campo operatório. 8. Colaborar com a enfermeira instrumentista e com a restante equipa cirúrgica.
9. Manter a disciplina na sala e vigiar o comportamento da equipa. 10. Dar resposta a situações de urgência, no decorrer da intervenção cirúrgica. 11. Realizar contagem de compressas e dispositivos médicos, conforme protocolo. 12. Preparar material de penso e drenagem. 13. Manter a segurança do doente. 14. Realizar os registos dos dispositivos médicos implantados no doente. 15. Realizar os registos dos cuidados intra‐operatórios. 16. Colaborar na saída do doente para a URPA / UCI / internamento. 17. Reorganizar e repor a sala, em colaboração com o enfermeiro de anestesia. À semelhança da fase anterior, também nesta fase o novo elemento deve iniciar as suas funções adotando uma postura de observação e posteriormente de colaboração com o integrador, passando posteriormente ao desempenho das atividades propostas para esta fase sob a supervisão do integrador.
Nesta fase o enfermeiro deverá relembrar a fragilidade do doente que tem necessidades físicas, psíquicas, sociais e espirituais e que se encontra num momento de grande dependência sem que possa controlar ou responder às suas necessidades, devendo atuar como seu advogado, garantindo a sua segurança e que a sua vontade seja respeitada. A noção de assépsia toma uma importância relevante e deve ser sempre respeitada. No final, também se deverá proceder à avaliação e passar à fase seguinte.
A quarta e última fase toma o nome de enfermeiro instrumentista e terá a duração de 6 meses. Os seus principais objetivos são a transmissão de princípios básicos sobre instrumentação e o desenvolvimento de competências como enfermeiro instrumentista.
É composta por duas etapas, em que na primeira o novo elemento observará o integrador no desempenho das funções de enfermeiro instrumentista. Nesta primeira fase o integrando observa e realiza procedimentos básicos inerentes à função de instrumentista e é uma fase essencialmente teórica. Segundo a AESOP (2006) o novo elemento deverá ser capaz de: 1. Perceber a área de atuação do enfermeiro instrumentista e as vantagens da sua participação na equipa cirúrgica 2. Lavagem cirúrgica das mãos. 3. Vestir e retirar indumentária estéril (bata cirúrgica e luvas). 4. Princípios gerais da colocação de mesas de instrumentação, sua organização e manutenção e dos campos estéreis.
5. Conhecer as regras de movimentação da equipa cirúrgica.
6. Conhecer as normas de passagem de instrumental cirúrgico ao cirurgião. 7. Conhecer os diferentes tipos de sutura e suas aplicações.
8. Conhecer as normas de evacuação de materiais contaminados da sala operatória.
E a segunda etapa em que se invertem os papéis e o enfermeiro em integração passa ao desempenho das funções de instrumentista sob a observação e supervisão do integrador. O novo elemento deverá ser capaz de:
1. Verificar o plano operatório e planear os cuidados a desenvolver. 2. Colaborar na preparação do instrumental cirúrgico e equipamento.
3. Realizar a lavagem cirúrgica das mãos e vestir indumentária cirúrgica de acordo com o protocolo. 4. Preparar as mesas para a cirurgia. 5. Colaborar com a restante equipa cirúrgica. 6. Ser responsável pela manutenção da assépsia. 7. Conhecer e prever os tempos operatórios. 8. Realizar a passagem dos instrumentos cirúrgicos de forma correta e segura. 9. Manter a organização da mesa de instrumentação.
10. Realizar contagem de compressas, instrumental cirúrgico e de corto perfurantes segundo protocolo existente.
11. Colaborar na colocação de drenagens e realização de penso operatório. 12. Remover material operatório das mesas de instrumentação.
13. Colaborar na transferência do doente.
O novo elemento deverá desenvolver conhecimentos técnicos e científicos que lhe permitam antecipar as necessidades do doente e cirurgião, organizar, utilizar, gerir e controlar a instrumentação de forma que decorra nas melhores condições de segurança para o doente e equipa cirúrgica. Com a instrumentação deverá conseguir prevenir a infeção, evitar acidentes e diminuir os tempos cirúrgicos, reduzindo desta forma os riscos a que o doente está exposto no decurso da cirurgia.
No final desta fase dever‐se‐á procede à sua avaliação nos mesmos moldes das fases anteriores para além de se passar à avaliação de todo o programa de integração. O enfermeiro em integração deverá manifestar a sua apreciação quanto ao programa de que fez parte integrante bem como sobre o integrador, dando sugestões e possíveis alterações a introduzir no sentido de melhorar o programa de integração existente (AESOP, 2006).
Quando o plano de integração é realizado de forma correta, o profissional é induzido a ser mais produtivo num menor espaço de tempo, evita a ocorrência de erros por parte do novo elemento na execução de tarefas, diminui a ansiedade do elemento em integração, deixando‐o mais tranquilo e apto a captar todas as informações. Por outro lado, fortalece a imagem que o novo elemento tem do serviço não só para si mas também para o exterior, fazendo com que o elemento em integração caminhe rumo aos objetivos e filosofia da empresa e proporciona bem‐estar ao novo elemento diante dos seus colegas de trabalho (Carvalho, 2016).