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L’information passive ou le droit à l’information

François Bellanger *

B. L’information passive ou le droit à l’information

Objetivando caracterizar fisicamente, quimicamente e mineralogicamente os materiais utilizados na pesquisa em seu estado anidro, foram selecionadas as técnicas a fim de subsidiar a etapa do uso racional e viabilidade dos materiais.

 Análise por microscopia eletrônica de varredura (MEV);  Distribuição granulométrica das partículas;

 Massa específica;  Área específica;  Massa unitária;  Perda ao fogo (PF);

 Análise termogravimétrica (TG-DTG);

 Espectroscopia de fluorescência de raio-X (FRX);  Técnica de difração de raio-X (DRX).

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Foram avaliadas algumas características e propriedades das cinzas do bagaço de cana- de-açúcar (CBC-A e CBC-B), de maneira a comprovar os elementos que viabilizassem a sua utilização como adição na fabricação de argamassas e concreto, com a posterior verificação da hipótese de incremento da durabilidade. As amostras utilizadas nas análises de caracterização e posterior moldagem dos corpos de provas foram obtidas a partir da CBC-A e CBC-B, secas em estufa a 105 ºC, passadas pelo processo de peneiramento por 20 minutos na velocidade de 70 RPM a fim de obter a fração passante pela peneira de abertura 0,075 mm. Os aspectos das cinzas podem ser observados nas Fotografias 1 e 2, que mostram a cinza in natura e a cinza passante pela peneira de abertura 0,075 mm.

Fotografia 1 – Cinza do bagaço de cana da pizzaria (CBC-A)

Fonte: O autor (2019)

Fotografia 2 – Cinza do bagaço de cana da usina (CBC-B)

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 Análise por microscopia eletrônica de varredura (MEV)

Através da análise por microscopia eletrônica de varredura foi possível investigar mudanças significativas nos tamanhos e na morfologia das partículas das amostras, devido à vasta variação dos materiais envolvidos e pelos diversos processos de fabricação. Além disso, a microscopia foi utilizada na investigação da identificação das fases com as reações de hidratação do cimento e no desenvolvimento da microtextura do concreto em idades avançadas, superiores aos 200 dias, que serão tratadas posteriormente.

Para a avaliação da morfologia dos materiais utilizados na pesquisa, foi utilizada a técnica de microscopia eletrônica de varredura (MEV) que utiliza um feixe de elétrons para varrer a superfície da amostra, causando a emissão de elétrons secundários que são utilizados na formação das imagens a serem analisadas. O microscópio eletrônico de varredura (MEV) consiste de uma coluna eletrônica, câmara para as amostras, sistema de vácuo eletrônico e sistema de formação de imagens. Um feixe de elétrons é emitido e focalizado numa região da amostra, resultando na emissão destes elétrons com grande espalhamento de energia, sendo posteriormente coletados e amplificados a fim de fornecer um sinal elétrico. O sinal é utilizado para modular a intensidade do feixe de elétrons no tubo de raios catódicos.

Para a construção de uma imagem completa tridimensional da superfície este feixe varre uma área especifica da superfície da amostra, visto que os elétrons são gerados a partir da interação entre o feixe e a matéria.

Para a análise da morfologia das amostras, foi utilizado um microscópio eletrônico de varredura (SEM) TESCAN, modelo MIRA3, tensão de 10 kV e detector SE. As amostras foram colocadas em um Stub com uma fita de carbono para aquisição das imagens, com o uso de metalização e magnitude (MAG) variando de 650x a 25.00kx. Os resultados da morfologia das amostras estão apresentados nas Fotografias de 3 a 12. Todos os procedimentos e ensaios foram realizados no laboratório de física da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Os procedimentos detalhados do preparo e execução do ensaio, bem como os detalhes dos resultados gerais, estão apresentados no apêndice A.

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Fotografia 3 – Cinza (CBC-A) – SEM MAG (650x e 5.00kx)

Fonte: O autor (2019)

Fotografia 4 – Cinza (CBC-A) - SEM MAG (5.00kx e 25.00kx)

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Fotografia 5 – Cinza (CBC-B) – SEM MAG (650x e 5.00kx)

Fonte: O autor (2019)

Fotografia 6 – Cinza (CBC-B) – SEM MAG (25.0kx e 25.0kx)

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Fotografia 7 – Cinza volante (CV) – SEM MAG (650x e 5.00kx)

Fonte: O autor (2019)

Fotografia 8 – Cinza volante (CV) – SEM MAG (25.0x e 25.0kx)

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Fotografia 9 – Metacaulim (MET) – SEM MAG (650x e 5.00kx)

Fonte: O autor (2019)

Fotografia 10 – Metacaulim (MET) – SEM MAG (8.00kx e 25.0kx)

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Fotografia 11 – Sílica ativa (SIL) – SEM MAG (300x e 650x)

Fonte: O autor (2019)

Fotografia 12 – Sílica ativa (SIL) – SEM MAG (5.00kx e 25.0kx)

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Observa-se, através das imagens do MEV com o detector dos elétrons secundários, que as amostras da (CBC-A e CBC-B) apresentam formas de partículas irregulares, bastões e lamelares; também são detectadas cavidades (cavernas/vazios) nas duas amostras. Verifica-se na amostra (CV) a existência de aglomerados das partículas e que as partículas são esféricas e regulares. Nas amostras (MET) e (SIL) são observados com bastante frequência aglomerados das partículas, por se tratar de materiais muitos finos com uma área especifica elevada, porém esses aglomerados influenciam diretamente em outros ensaios e resultados, bem como as partículas irregulares encontradas nas amostras (CBC-A e CBC-B).

 Distribuição granulométrica das partículas

Para a distribuição granulométrica foi utilizado o equipamento disponível na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), granulômetro a laser CILAS 1090, através da via seca e úmida. Para Ribeiro (2006) existem diferenças significativas entre as duas vias seca e úmida, sua pesquisa alerta para o cuidado ao utilizar os resultados. De acordo com o método de análise utilizado, o tamanho das partículas é dado pelo diâmetro das circunferências que as circunscrevem. Desta forma, caso haja bastões e partículas com formatos lamelares longos ou aglomeração de partículas, conforme foi visualizado na análise de microscopia eletrônica de varredura (MEV) através dos detectores de elétrons secundários (SE), o equipamento (granulômetro a laser CILAS 1090) considera o comprimento da partícula como diâmetro, prejudicando a análise deste resultado. De maneira que, todas as amostras utilizadas sofreram um tratamento prévio, anteriormente sobrescrito, utilizando amostras passantes na peneira de abertura 0,075 mm. Os resultados gerais estão apresentados no apêndice A.

De acordo com esta análise, os grãos do cimento Portland (CPV) apresentaram os resultados para as distribuições das partículas médias, diâmetro a 50% (D50) igual a 5,90 µm,

enquanto as CBC-A, CBC-B, CV, MET e SIL apresentaram o diâmetro médio igual a 8,25 µm, 10,32 µm, 9,76 µm, 5,72 µm e 63,67 µm, respectivamente. Diante dos resultados, foi utilizada a técnica de microscopia eletrônica de varredura para averiguar a forma e os valores das partículas encontradas na granulometria.

 Massa específica

As massas específicas do cimento Portland (CPV), do metacaulim (MET), da sílica ativa (SIL), da cinza volante (CV) e das cinzas do bagaço de cana-de-açúcar (CBC - A e CBC - B)

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foram determinadas por meio do método do picnômetro a gás hélio, (como preconiza a NBR NM 23 (2001)) utilizando o aparelho Accupyc 1330 V2.01 – Micrometrics. O ensaio foi realizado na Universidade Federal da Bahia (UFBA), com a colaboração do Profº. Dr. Daniel Verás Ribeiro.

Em um primeiro momento, as amostras são colocadas no recipiente apropriado para o ensaio, conforme exemplificam as Fotografias 13 e 14.

Fotografia 13 – Amostra da cinza do bagaço de cana-de-açúcar (CBC-A)

Fonte: O autor (2019)

Fotografia 14 – Amostra da cinza do bagaço de cana-de-açúcar (CBC-B)

Fonte: O autor (2019)

Em um segundo momento, colocou-se a cápsula no equipamento para análise, conforme ilustrado nas Fotografias 15 e 16, obtendo os resultados em seu visor, onde foi tomado nota e estão expressos na Tabela 6.

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Fotografia 15 – Amostra do CBC-A no equipamento

Fonte: O autor (2019)

Fotografia 16 – Amostra do CBC-B no equipamento

Fonte: O autor (2019)

 Área superficial específica (Blaine)

Foram determinadas as superfícies específicas dos materiais através do equipamento Permeabilímetro de Blaine Semi-Automático ACMEL BSA 1, com conexão para microcomputador através de sua saída serial RS 232 que expressa os resultados em cm²/g em seu visor, anotados e expressos na Tabela 6. O ensaio ocorre sem a intervenção do operador. Conforme normas: NBR 16372 (2015) - Permeabilímetro de Blaine semi-automático 220V- 60Hz 4.257.225. Foram realizados os ensaios na Universidade Federal da Bahia (UFBA), com

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a colaboração do Profº. Dr. Daniel Verás Ribeiro nos materiais utilizados nessa pesquisa, conforme ilustrado na Fotografia 17.

Fotografia 17 – Ensaio através do Permeabilímetro Blaine Semi-Automático.

Fonte: O autor (2019)

 Área superficial específica (BET)

Foram realizados os ensaios das áreas específicas por unidade de massa através do método Brunauer, Emmett e Teller (BET) nos materiais utilizados na pesquisa. A determinação deste parâmetro é importante, pois materiais de mesma granulometria podem apresentar áreas superficiais diferentes devido aos vazios interiores, a forma e rugosidade das partículas (CORDEIRO, 2006). Podendo ser expressa em metros quadrados por grama, que segundo Ribeiro e Morelli (2014) é fundamental para a avaliação da reatividade do material, a técnica consiste na medida das alterações sofridas por uma mistura de nitrogênio (N2) e hélio (He),

quando uma amostra é submetida à variação de pressão na temperatura do N2 líquido. As

equações matemáticas baseadas nos trabalhos de Brunauer, Emmet e Teller (BET) permitem calcular a área específica do material, a partir da adsorção física de moléculas de N2.

As verificações das áreas superficiais específicas B.E.T dos materiais foram realizadas com o aparelho da marca Micrometrics ASPA 2420 Surface Area and Porosity Analyzer, disponível no Laboratório de Nanotecnologia do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (CETENE). Conforme ilustrado na Fotografia 18 os resultados foram tomados nota a partir do software integrado com o equipamento e estão expressos na Tabela 6. Os detalhes dos resultados gerais e os gráficos estão apresentados no apêndice A.

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Fotografia 18 – Ensaio dos materiais utilizados na pesquisa, verificação da área específica

Fonte: O autor (2019)

 Massa unitária

Foram realizados os ensaios das massas unitárias dos materiais utilizados, de acordo com a NM 45 (2006) – Determinação da massa unitária.

 Perda ao fogo (PF)

Este ensaio tem por objetivo determinar o teor de materiais orgânicos e de outros sólidos totais voláteis nos materiais utilizados na pesquisa, de acordo com a NBR NM 18 (2012). Durante o procedimento são verificados os percentuais da perda de massa do material após a queima a alta temperatura em forno mufla.

A quantidade de material restante corresponde à quantidade de inorgânicos, visto que a massa perdida representa a quantidade de orgânicos, voláteis e a umidade da amostra. Neste ensaio uma determinada massa de material é seca em estufa e após a constância de massa, é submetida à calcinação em uma temperatura de 1000°C, no equipamento mufla. A Fotografia 19 ilustra o ensaio realizado na Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP) e os resultados estão descritos na Tabela 6. Os procedimentos detalhados do preparo e execução do ensaio, de acordo com a NBR NM 18 (2012), estão descritos no apêndice A.

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Fotografia 19 – Ensaio de perda ao fogo no forno mufla.

Fonte: O autor (2019)

Os resultados dos ensaios realizados, como as distribuições das partículas, as determinações das massas específicas, áreas específicas ou superficiais específicas dos materiais, massas unitárias dos materiais e perda ao fogo, estão demonstrados na Tabela 6.

Tabela 6 - Caracterização física dos materiais, distribuição das partículas e perda ao fogo

Grandeza Cimento CBC-A CBC-B CV MET SIL

Massa unitária (kg/dm³) 1,00 0,075 0,089 0,693 0,703 0,550 Massa específica (kg/dm³) 3,17 2,72 2,37 2,39 2,81 2,22 Área superficial específica

(m2/g) (Blaine Eletrônico) 0,452 0,655 0,654 0,678 0,474 0,718

Área superficial específica

(m2/g) (BET) 1.784 5.461 22.849 1.158 16.908 20.341 Distribuição de partículas D10 µm 0,94 0,21 0,94 0,18 0,34 2,99 Distribuição de partículas D50 µm 5,90 8,25 10,32 9,76 5,72 63,67 Distribuição de partículas D90 µm 29,15 43,95 43,28 92,30 34,36 372,00 Perda ao Fogo % (PF) 6,37 19,89 13,64 2,03 3,07 3,09 Fonte: O autor (2019)  Análise termogravimétrica (TG-DTG);

A termogravimetria, é uma técnica que se baseia na medição em função da temperatura da variação de massa de amostras submetidas a uma faixa de temperatura em aquecimento pré- definido. Essencialmente, o equipamento de termogravimetria consiste em microbalança acoplada ao forno resistivo. O material, neste caso, é caracterizado através das curvas termogravimétricas, que relacionam temperatura com perda de massa ao longo do tempo. Para validar os resultados da perda ao fogo obtidos em forno mufla foram utilizados ensaios termogravimétricos.

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As análises foram conduzidas em equipamento de análise simultânea STA 449 F3 JUPITER NETZSCH, disponível no Laboratório de Nanotecnologia do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (CETENE). As condições experimentais empregadas foram: atmosfera inerte (N2), fluxo máximo de 100 ml/min e faixa de aquecimento de 30°C até 1000°C,

com uma taxa de aquecimento de 10°C/min, com porta amostra (cadinho de alumina), massa aproximadamente em torno de 20 mg ± 0,5 e purga de 50 ºC/min. Os resultados estão expressos na Tabela 7. Os procedimentos detalhados do preparo e execução do ensaio, bem como os detalhes dos resultados gerais e os gráficos estão apresentados no apêndice A.

Tabela 7 – Técnica termogravimétrica (TG) perda de massa (30°C - 1000°C)

Grandeza Cimento CBC-A CBC-B CV MET SIL

Perda de massa % (TG) 6,08 22,22 11,65 1,34 2,63 2,98 Perda ao Fogo % (PF) 6,37 19,89 13,64 2,03 3,07 3,09

Fonte: O autor (2019)

Para constatar a precisão da estimativa do ensaio de perda ao fogo de acordo com a NBR NM 18 (2012), os resultados obtidos para as amostras dos materiais foram comparados com a perda de massa obtida por termogravimetria. Observa-se na Tabela 6 os valores das seis determinações de perda ao fogo, 6,37%, 19,89%, 13,64%, 2,03%, 3,07 e 3,09% para as amostras (CP-V, CBC-A, CBC-B, CV, MET e SIL), respectivamente.

Pelo ensaio de termogravimetria, a perda de massa na temperatura aproximada de 1000°C foi de 6,08%, 22,22%, 11,65%, 1,34, 2,63 e 2,98%, respectivamente. Neste caso, a diferença entre os valores obtidos pelas duas técnicas (Tabela7) é de apenas 0,29%, 2,33%, 1,99%, 0,69%, 0,44% e 0,11% para cada amostra respectivamente. É perceptível que o resultado do ensaio de perda ao fogo é expressivamente preciso, e apresenta uma excelente correlação (R² = 0,9756) com o resultado da análise termogravimétrica apresentado na Figura 32 a seguir, essa análise corrobora com as conclusões alcançadas por Cordeiro (2006), em seus estudos.

 Espectroscopia de fluorescência de raio-X (FRX).

Em termos de caracterização é de extrema importância para a pesquisa a determinação das composições químicas dos materiais utilizados: o cimento Portland, a cinza do bagaço de cana-de-açúcar oriunda da pizzaria (CBC-A), a cinza do bagaço de cana-de-açúcar oriunda da usina (CBC-B), a cinza volante (CV), o metacaulim (MET) e a sílica ativa (SIL); sendo assim, foi utilizada a análise semiquantitativa por espectrometria de fluorescência de raios-X (FRX).

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A caracterização química dos materiais foi obtida por meio de FRX, utilizando o equipamento de marca Shimadzu, modelo XRF 1800 (Fotografia 20), disponível no laboratório do programa de pós-graduação em ciência e engenharia dos materiais (PPCEM) da UFPB. As amostras passam por alguns procedimentos iniciais até o ponto de análise propriamente dito. Inicia-se o preparo das amostras através de pastilhas, utilizando uma matriz cilíndrica de 35 mm de diâmetro (Fotografia 21). A amostra é submetida a um equipamento de marca Shimadzu, que aplica uma carga de 150 kN (Fotografia 22), durante um intervalo de tempo de 1 minuto. No segundo momento, as pastilhas passam por um processo de secagem em estufa a aproximadamente ± 90ºC. É importante destacar que após esses procedimentos é observado se as amostras aglomeram (Fotografia 23), caso isso não aconteça, é necessário adicionar mais um procedimento que consiste em adicionar ácido bórico ou ácido acetilsalicílico. Porém, vale destacar que para as amostras utilizadas nessa pesquisa não foi necessário esse procedimento. Os resultados estão expressos na Tabela 8.

Tabela 8 – Composição química por fluorescência de raios-X (FRX)

Elemento

químico Cimento CP V Sílica Ativa Metacaulim

Cinza Volante CBC-A CBC-B SiO2 22.28% 95.56% 63.92% 70.11% 43.58% 71.06% CaO 61.84% 0.29% 0.14% 1.58% 7.18% 2.77% MgO 1.82% 0.52% 1.06% 0.81% 4.85% 2.43% Fe2O3 4.44% 0.81% 2.55% 5.24% 2.86% 2.25% SO3 4.74% 0.40% 0.05% 0.50% 3.13% 0.39% K2O 0.36% 0.96% 2.63% 2.39% 6.49% 2.95% Al2O3 3.82% 0.12% 28.01% 17.34% 1.89% 4.73% Cl 0.08% 0.24% - - 2.04% 0.08% Na2O 0.18% 0.95% 0.07% 0.66% 4.40% 0.56% P2O5 0.03% 0.05% 0.05% 0.09% 3.06% 1.47% TiO2 0.24% 0.05% 1.37% 1.01% 3,42% 0.66% ZrO2 0.02% - 0.06% 0.09% 0.05% 0.21% MnO 0.09% - 0.01% 0.03% 0.46% 0.19% Cr2O3 0.03% 0.01% 0.03% 0.03% 0.06% 0.05% SrO 0.03% - 0.01% 0.02% 0.31% 0.04% ZnO - 0.02% 0.01% 0.03% 0.09% 0.04% Rb2O - 0.004% 0.02% 0.02% 0.02% 0.02% NiO 0.01% - 0.01% 0.01% 0.02% 0.008% Ga2O3 - - 0.01% 0.01% - - CuO - 0.004% 0.004% 0.01% 0.07% 0.02% BaO - - - 0.06% - 0.09% Y2O3 - - - 0.01% - 0.005% NbO - - - 0.003% - - Br - - - - 0.006% - *P.F 6,08 2,98 2,63 1,34 22,22% 11.65%

*P.F – Perda ao Fogo, obtida pela Técnica Termogravimétrica

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Fotografia 20 – Equipamento de marca Shimadzu, modelo XRF 1800

Fonte: O autor (2019)

Fotografia 21 – Matriz cilíndrica de 35 mm de diâmetro

Fonte: O autor (2019)

Fotografia 22 – Equipamento de marca Shimadzu para aplicar carga de 150 kN

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Fotografia 23 – Amostra após os procedimentos (aglomerada)

Fonte: O autor (2019)

 Técnica de difração de raio-X (DRX);

Em termos de caracterização é importante para a pesquisa a determinação das composições químicas dos materiais utilizados: cimento Portland (CPV), a cinza do bagaço de cana-de-açúcar oriunda da pizzaria (CBC-A), a cinza do bagaço de cana-de-açúcar oriunda da usina (CBC-B), a cinza volante (CV), o metacaulim (MET) e a sílica ativa (SIL), sendo assim, foi utilizada a análise semiquantitativa por espectrometria de fluorescência de raios-X (FRX). Este método permite identificar os elementos químicos presentes na amostra estudada, auxiliando diretamente na caracterização mineralógica, gerando as hipóteses de indicativos a respeito da reatividade pozolânica do material, através da quantidade de material amorfo presente nas amostras.

A identificação das fases cristalinas de um material por difração de raios-X (DRX) baseia-se na incidência de um feixe monocromático de raios-X de comprimento de onda (λ), o qual é difratado por planos cristalográficos de alta concentração atômica da amostra periodicamente distribuídos, ocorrendo interferências destrutivas ou construtivas entre as ondas difratadas. As interferências construtivas produzem deflexão em certas direções, as quais satisfazem ou não a lei de Bragg, de acordo com a Equação 7, sendo demostrado esquematicamente na Figura 05. O ângulo de difração (θ) depende do comprimento de onda dos raios X (λ) e da distância interplanar (d), conforme a Equação (7), que descreve a Lei de Bragg (Figura 6). A distância interplanar ou espaçamento é a distância entre dois planos cristalinos adjacentes. (CORDEIRO, 2006).

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Atendendo tais condições são obtidas as informações referentes às distâncias interplanares dos planos cristalográficos, à posição desses planos e à intensidade da reflexão, possibilitando a caracterização da fase cristalográfica.

Esta técnica foi empregada na caracterização dos materiais utilizados: o cimento Portland, a cinza do bagaço de cana-de-açúcar oriunda da pizzaria (CBC-A), a cinza do bagaço de cana-de-açúcar oriunda da usina (CBC-B), a cinza volante (CV), o metacaulim (MET) e a sílica ativa (SIL), utilizando um difratômetro D8 Advance, Bruker (Fotografia 24), equipamento disponível no Laboratório de Nanotecnologia do CETENE, que contém um tubo de alvo de cobre com comprimento de onda (λ) de 1,54060 Å, corrente de 10 mA e tensão de 30 kV.

Os ensaios foram realizados com a faixa de varredura (STEP) de 7º a 80º (2θ), tempo de 1s (segundos) e incremento 1º (grau), velocidade (Scan-Speed) passo angular de 0,02°/segundos e fenda divergente de 1 grau. As fases presentes nas amostras foram posteriormente identificadas com o auxílio do programa computacional DIFFRAC plus-EVA, com base de dados centrada no sistema COD (Crystallography Open Database).

Fotografia 24 – Difratômetro de raios X (DRX)

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Fotografia 25 – Difratômetro de raios X (DRX) – porta amostras

Fonte: O autor (2019)

Foi possível determinar a composição mineralógica e estimar o grau de cristalinidade das amostras em estudo (CBC-A e CBC-B), o que influencia diretamente na reatividade pozolânica do material e com suas interações. As reações pozolânicas, acontecem, em geral, na fase amorfa (CORDEIRO, 2009). Sendo assim, a quantidade de material amorfo presente nas amostras tem uma elevada contribuição para tais reações acontecerem, porém vale destacar que essas reações não acontecem exclusivamente devido a quantidade de material amorfo presente nas amostras. Nas Figuras 8 e 9 são apresentados os resultados das cinzas de bagaço de cana- de-açúcar estudadas na pesquisa, com os seus respectivos difratogramas. O procedimento detalhado do preparo e execução do ensaio, bem como os detalhes dos difratogramas de todas as amostras anidras, estão apresentados no apêndice A.

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Figura 8 – Difratograma da cinza do bagaço cana-de-açúcar oriunda da pizzaria (CBC-A)

Fonte: O autor (2019)

Figura 9 – Difratograma da cinza do bagaço de cana-de-açúcar oriunda da usina (CBC-B)

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Para o refinamento Rietveld é necessária a identificação das fases cristalinas, com posterior quantificação. As amostras foram quantificadas através do método de refinamento Rietveld, com a utilização do software TOPAS e dos arquivos cartas PDF (Powder Diffraction), disponível no laboratório do programa de pós-graduação em ciência e engenharia dos materiais (PPCEM) da UFPB. De acordo com Santos (2017), este método consiste em minimizar a diferença entre os espectros medidos e calculados em um difratograma, permitindo refinar não somente os parâmetros de rede das fases presentes, como também considerar fases cristalográficas. Os resultados estão expressos na Tabela 9.

Tabela 9 – Quantificação das fases através do refinamento Rietveld (CBC). CBC-A

Código de

Referência (PDF) Mineral Nome do Composto Composto químico Quantificação (%)

46-1045 Quartz Óxido de Silício SiO2 24,63

39-1425 Cristobalita Óxido de Silício SiO2 7,89

01-1098 Moscovita Moscovita Al3H2KO12Si3 4,8

12-0447 Caulinita Caulinita Al2H4KO9Si2 0,1

02-1160 Mulita Mulita 3Al2O312SiO2 1,4

24-0072 Hematita Óxido de Ferro Fe2O3 0,1

--- Amorfismo --- --- 61,08

CBC-B

Código de

Referência (PDF) Mineral Nome do Composto Composto químico Quantificação (%)

46-1045 Quartz Óxido de Silício SiO2 18,71

39-1425 Cristobalita Óxido de Silício SiO2 9,23

19-0926 Moscovita Moscovita AlHKO8Si3 3,9

25-0649 Moscovita Moscovita Al2H2KO12Si4 3,07

--- Amorfismo --- --- 65,09

Fonte: O autor (2019)

Após o método de refinamento (refinamento Rietveld) e as amostras devidamente quantificadas em suas respectivas fases, é observado uma quantidade expressiva de material amorfo presente nas amostras estudadas. Sendo assim, existe a hipótese de haver reações pozolânicas ao utilizar esse material como carga adicionado à matriz cimentícia.