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4.3 L’individu au travail

4.3.1 L’activité qui consiste à travailler

Este estudo teve como objetivo compreender o percurso formativo dos arte/educadores que desenvolvem o ensino de artes nas organizações do Terceiro Setor. Para isso, buscamos conhecer quais os desafios à formação docente, por meio dos estudos de Batista Neto (2006) e Imbernón (2009). A partir dos estudos de Varela (1988) e Barbosa (1984), vimos que a formação do arte/educador já era uma preocupação das Escolinhas de Arte do Brasil e do Movimento das Escolinhas de Arte, onde, desde a da década de 60 do século passado, organizaram-se e executaram-se cursos, oficinas, encontros, discussões sobe a arte e seu ensino, com ênfase nos Cursos Intensivos de Arte na Educação (CIAE), preocupação que também ecoou no Festival de Inverno de Campos de Jordão, realizado em 1983. Vale salientar que outros festivais de arte continuaram e continuam a acontecer pelo país como, por exemplo: os Festivais de Arte de Ouro Preto, em Minas Gerais, os Festivais de Arte do

Paraná, promovidos pela Universidade Federal do Paraná e o Festival de Inverno de

Garanhuns, no Agreste pernambucano. Este estudo não pode aprofundar as ações ocorridas nesses outros festivais, apesar de compreendermos a importância de uma investigação sobre eles.

A partir desses estudos, foi possível compreender que o ensino de arte no Brasil não se limitou às experiências formais de ensino e que, no contexto mais recente, tanto os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), como as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs), prioritariamente voltados à educação escolar, não se fecham às possibilidades de ensino e de aprendizagem em contextos não escolares. Isso é importante, pois a educação formal e a não formal não podem ser tidas como opostas ou rivais. Os âmbitos da educação formal, não formal (e também da informal) devem se complementar na formação do indivíduo. É no Terceiro Setor e nas organizações que o constituem (associações, fundações, ONG etc.) que a educação não formal se veste e se materializa.

Consideramos que o ensino de arte promovido pelas organizações do Terceiro Setor se utiliza de técnicas artísticas, de ensino/aprendizagem de aspectos históricos da arte e, ainda, da livre experimentação/produção de produtos artísticos, sejam esses produtos objetos materiais (um quadro, uma escultura, por exemplo) ou não (a apresentação de uma canção, de uma coreografia, uma encenação). As organizações e seus arte/educadores, portanto, não têm uma concepção única de ensino de arte. Utilizam-se, pois, tanto de técnicas tradicionais de ensino como também de abordagens mais contemporâneas da arte/educação.

Tal hibridismo pode ser visto, também, nas formações promovidas para os arte/educadores, que tanto priorizam o ensino-aprendizado de técnicas/conteúdos como buscam não perder de vista a relação dessas mesmas técnicas/conteúdos com os problemas e/ou os contextos sócio-político-econômico-cultural dos alunos e, por consequência, de suas famílias e suas comunidades.

Os alunos participantes dessas organizações são, respectivamente, a meta e o fim das propostas formativas das instituições. As relações construídas no decorrer das ações buscam a materialização de um (futuro) adulto mais engajado e preocupado com o bem coletivo. Para isso, o diálogo, a confiança e respeito mútuo são as “chaves” utilizadas pelos arte/educadores. No Grupo AdoleScER, todos os arte/educadores participantes deste estudo foram alunos do curso de Agentes Multiplicadores de Informação (AMIN) e hoje são arte/educadores. Se a Arte é um instrumento de transformação humana, os arte/educadores do Grupo AdoleScER são a prova real dessa transformação.

Entre os arte/educadores do Movimento Pró-Criança, essa transformação é atentamente acompanhada, desejada e incentivada. Alunos que eram agressivos, hoje, são músicos competentes; alunas que eram desmotivadas, hoje, ensinam os passos aprendidos a outras crianças em academias e/ou centros de dança; alunos que não tinham expectativas e planos para o futuro, hoje, estão com suas próprias cooperativas de produtos artesanais. Investigar esses alunos, compreender as mudanças operadas nas identidades pessoais, sociais e/ou profissionais desses indivíduos após o contato deles com a arte produziria um estudo não apenas interessante como necessário, mas que também ficará para outras ocasiões.

Lendo a obra Pedagogia da Esperança: um reencontro com a Pedagogia do Oprimido (1992) do educador Paulo Freire, deparei-me com o seguinte trecho, já nas primeiras páginas dessa obra:

Nunca um acontecimento, um fato, um feito, um gesto de raiva ou de amor, um poema, uma tela, uma canção, um livro têm por trás de si uma única razão. Um acontecimento, um fato, um feito, uma canção, um gesto, um poema, um livro se acham sempre envolvidos em densas tramas, tocados por múltiplas razões de ser de que algumas estão mais próximas do ocorrido ou do criado, de que outras são mais visíveis enquanto razão de ser. Por isso, é que a mim me interessou sempre muito mais a compreensão do processo em que e como as coisas se dão do que o produto em si (FREIRE, 1992, p. 18).

Encerro, desta forma e por algum instante, a escrita deste estudo. Obviamente lacunas existem e incoerências possivelmente foram cometidas. Mas o mais significativo deste estudo foi a oportunidade de compreender que os arte/educadores e as organizações do Terceiro Setor materializam não apenas uma formação em arte (tanto para os alunos, como para os próprios arte/educadores) mas, sobretudo, priorizam as relações humanas a partir dos valores da amizade, da confiança, do trabalho coletivo, baseados no desafio da autêntica fala e da autêntica escuta. A mim, portanto, também interessou sempre muito mais a compreensão/vivência do processo que do produto em si... Acredito (e espero) que essa tenha sido a opção mais acertada.

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APÊNDICE A

UFPE – PROGAMA DE PÓS – GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO Centro de Educação

Orientadora: Profª Drª Maria da Conceição Carrilho de Aguiar Mestranda : Emília Patrícia de Freitas

Título da Pesquisa: A FORMAÇÃO DO EDUCADOR QUE ATUA COM ENSINO DE ARTE NA EDUCAÇÃO NÃO-FORMAL: um estudo a partir das Organizações Não- Governamentais da Região Metropolitana do Recife

ROTEIRO DE ENTREVISTA COM RESPONSÁVEL LEGAL DA ORGANIZAÇÃO

DADOS DO PARTICIPANTE

1. Nome:_______________________________________________________ 2. Sexo:________________________________________________________ 3. Formação Acadêmica:___________________________________________ 4. Função que exerce na Organização: ________________________________ 5. Tempo na Organização:____________________________________________