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Interactions entre l’enseignant.e et les apprenant.e.s durant l’interrogation

Chapitre I Un objet et une question de recherche fortement liés

1.2 De l’Audience Response System au Système d’interactions Synchrones Médiatisées par Ordinateurs

1.2.2.1.2 Interactions entre l’enseignant.e et les apprenant.e.s durant l’interrogation

INTRODUÇÃO

A doença oncológica traduz-se numa situação crónica, muitas vezes debilitante e outras vezes fatal, que atinge cada vez maior número de indivíduos (Macedo, Andrade, Moital, Moreira, Pimentel, Barroso, Dinis, Afonso & Bonfill, 2008).

Atualmente, a morte ocorre, com frequência, no final de uma doença crónica, evolutiva, prolongada e, consequentemente é de prever que o número de pessoas em sofrimento decorrentes de uma situação terminal será cada vez maior. Passou-se a viver durante mais tempo, mas não a morrer melhor. As doenças oncológicas pela cronicidade adquirida nos últimos tempos têm um profundo impacto nos doentes, nas famílias e na sociedade em geral. Se durante décadas era o hospital que dava resposta às necessidades dos doentes, hoje em dia, com as alterações do funcionamento dos serviços de saúde, com os novos desafios quanto aos cuidados a prestar aos doentes, com o envelhecimento da população e com o aumento das doenças crónicas, esta realidade alterou-se, sendo necessário uma maior participação das famílias nos cuidados de saúde. Segundo Pereira & Lopes, 2002, p.71, “ a experiência de cancro é um acontecimento de vida que requer uma adaptação quer do próprio doente quer da

própria família”. Estas autoras afirmam ainda que “ tal como o doente, a família também vivencia um situação de crise” (Pereira & Lopes, 2002, p.72). Dado que o doente oncológico

é cada vez menos hospitalizado, a família assume um papel relevante no processo de cuidados e integra a equipa de saúde. A família é dadora e recetora de cuidados e como tal o enfermeiro deve interessar-se sobre como se encontram os familiares.

Cuidar do doente em casa pode ser gratificante, mas também emocionalmente e fisicamente desgastante.

Sorensen e Luckman (1996, citado por Martins, 2000) afirmam que as intervenções relacionadas com a família abrangem mais do que prestar cuidados de enfermagem ao membro que está doente, devendo o enfermeiro atender às necessidades da família no seu todo.

É importante considerar a família como unidade global sendo em simultâneo cuidadora e cuidada pois só assim a podemos conhecer melhor e inferir quais as suas necessidades.

É imprescindível o desenvolvimento de competências que propiciem o controlo da dor, o alívio de sintomas, a melhoria da qualidade de vida, bem como o suporte necessário tanto para o doente como para os seus familiares.

Os cuidados paliativos demostram aqui a sua extrema importância uma vez que afirmam a vida e aceitam a morte como um processo normal, não pretendendo apressar nem protelar a morte.

Em 2002 a Organização Mundial de Saúde citada por Barbosa & Neto (2010) assume os Cuidados Paliativos como sendo cuidados que:

“visam melhorar a qualidade de vida dos doentes – e suas famílias – que enfrentam problemas decorrentes de uma doença incurável e/ou grave e com prognóstico limitado, através da prevenção e alívio do sofrimento, com recurso à identificação precoce e tratamento rigoroso dos problemas não só físicos, como a dor, mas também dos psicossociais e espirituais” (Barbosa & Neto, 2010, p. 3).

A Organização Mundial de Saúde preconiza que a equipa de Cuidados Paliativos desenvolva ações para incluir os familiares no processo de cuidar, não somente na perspectiva da realização dos cuidados, mas também na possibilidade de que as suas demandas sejam atendidas.

Ao desempenhar funções num serviço de Medicina Interna, todos os dias sou confrontada com um elevado número de doentes do foro oncológico e suas famílias. Tem sido uma crescente preocupação minha, o bem-estar do doente e da sua família, procurando prestar cuidados de saúde individualizados, tendo noção, no entanto, que tal nem sempre ocorre, e que ainda existe um longo caminho a percorrer. No serviço de Medicina Interna onde desempenho funções, praticamente todos os dias são prestadas ações paliativas. Estas ações são definidas no Programa Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP) (2010-2016, p. 7) como sendo:

“qualquer medida terapêutica, sem intuito curativo, que visa minorar, em internamento ou no domicílio, as repercussões negativas da doença sobre o bem-estar global do doente”. São prestadas sem recurso a equipas ou estruturas diferenciadas, podendo ser prestadas em todos os níveis de instituições e cuidados de saúde”.

Tendo a perfeita noção de que um hospital de agudos pode ser um contexto antagónico para os doentes crónicos avançados e cujo fim de vida se aproxima, tornou-se pertinente, para mim, a realização deste estágio na Equipa de Apoio Domiciliário de forma a desenvolver novas competências e alargar o meu nível de conhecimento nesta área, prestando cuidados de saúde de com elevado grau de especificidade e dirigidos a cada doente e respectiva família. É meu objetivo com este estágio conseguir realizar uma análise pessoal acerca do que pode ser melhorado na minha prestação diária de cuidados ao doente em fase final de vida e à sua família, de forma a conseguir atingir cuidados de saúde de maior qualidade. O doente e a respectiva família têm de ser encarados como um sistema, um complexo doente-família, no

qual a existência de uma doença prolongada exige mudanças nesse mesmo sistema. A doença deve ser visualizada tanto como individual, como familiar. É um acontecimento de vida que requer adaptação do doente e da sua família e considero que, enquanto enfermeiros, podemos e devemos criar condições para estas mudanças.

O enfermeiro deve procurar conhecer o doente, de tal forma que exige que exista constantemente comunicação entre ambos. Deve cultivar a confiança do doente através do respeito e da empatia empreendidos na assistência, proporcionando um relacionamento que favoreça a diminuição da ansiedade.

Segundo Furegato, 1999, citado por Bertone, Ribeiro e Guimarães (2007, p.4), “o

desenvolvimento do relacionamento enfermeiro-paciente ocorre através de uma sequência de

encontros”, em que vão se conhecendo e relacionando-se, possibilitando uma aproximação e

passando o doente a ter confiança no enfermeiro, o que sugere o estabelecimento de uma comunicação terapêutica.

O estágio nesta Equipa decorreu durante o período de 2 de Novembro a 4 de Dezembro de 2012, tendo a duração de 150 horas. Delineei como objetivos específicos para este estágio os seguintes:

 Identificar a problemática da articulação, organização e gestão dos cuidados intra e

interinstitucionais, no apoio ao doente oncológico e sua família;

 Identificar estratégias que a equipa de Enfermagem realiza no cuidado à família que

tem a seu cargo um doente oncológico em fim de vida;

 Participar nos cuidados de Enfermagem prestados à família, que auxiliam na

diminuição da sua sobrecarga;

 Desenvolver conhecimentos e competências no domínio da gestão da informação

fornecida à família.

Considero que este estágio me irá permitir avaliar, em contexto real, as verdadeiras necessidades dos doentes e das suas famílias, observar quais os apoios existentes na comunidade e a forma como são ativados e desenvolver técnicas de comunicação, como a escuta ativa, a compreensão empática e a utilização do feedback.

Pelas razões apresentadas anteriormente, o estudo de situação da pessoa com doença oncológica que vou abordar, irá passar também por evidenciar o papel do cuidador familiar e as diferentes necessidades vivenciadas por ambos. Neste sentido, o local de estágio frequentado foi uma mais-valia, uma vez que esta Equipa visualiza a família como uma

unidade do cuidar. Barbosa & Neto, 2010, p. 4, ao afirmarem que: “…a unidade recetora de

cuidados é sempre “doente e família” e não devem considerar-se realidades desligadas.”,