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I.7. Poids et mesures

I.7.4. Instruments de mesure de poids

No segundo capítulo de Literatura indo-portuguesa é abordada a poesia indianista, bem como em geral a poesia produzida na Índia por portugueses ou, simplesmente, a poesia em que a Índia foi objeto de inspiração. Na rubrica «Literatura indo-portuguesa», essa parte do livro corresponde ao segundo número do dia 28 de abril de 1919. Em relação à rubrica, o livro de 1926 apresenta apenas duas diferenças: um excerto extra sobre a morte de Paulino Dias94 – falecido em 1920 – e um excerto em falta sobre a poesia de Joaquim Filipe Soares.95

A leitura desse capítulo é fundamental para perceber o posicionamento de Vicente de Bragança Cunha perante a literatura que está a criticar, sobretudo relativamente à carga identitária acarretada. Para o autor do livro, a literatura deve desempenhar uma função referencial para a identidade indo-portuguesa, a qual se configura como uma identidade em que os dois elementos adjetivais, indiano e português, estão ligados entre si. Daí, notamos a escassa menção, nesse capítulo – como, em linhas gerais, no resto do livro –, do nome Goa e das palavras derivadas deste – goês, goeses, goesa, goesas –, preferindo, o autor, alternar no capítulo em questão uma expressão como «poesia indo-portuguesa» com outra tal como «poesia portuguesa na Índia», comprovando, mediante a comutação das duas expressões, a relação indesatável dos elementos que constituem essa idealização identitária.

Essa manifestação lírica é retratada como um dos factos literários que melhor encena o elemento oriental da literatura indo-portuguesa. O termo oriental é usado, no segundo capítulo do livro, na sua conotação exotizada, como elemento excêntrico e singular, que, ainda que assumido como parte integrante dessa poesia, não deixa de ser indicativo de um discurso que atinge a mera dimensão representativa. Poderíamos apontar para um género de posicionamento orientalista de Vicente de Bragança Cunha, à luz da aplicação de dois dispositivos metodológicos com que Edward Said (2004) problematiza o Orientalismo no seu livro, ou seja, a localização estratégica e a 94 «Talento de alta intuição artistica, Paulino Dias sabia colorir com mestria as scenas que feriam a sua sensibilidade de

artista. É vasta a sua obra inedita – Nirvana, (poema) Suria Warta (poesias) e Jangal, (prosas). A sua memoria será sempre abençoada com saudade por todos os seus compatriotas, porque o poeta amou o paiz que lhe foi berço. Ninguen o excedeu no amor da sua India. Era um bom, duma bondade simples, sem reservas e sem refolhos. A sua prematura morte foi pranteada por todos indistintamente, porque todos o tinham por bom» (CUNHA, 1926: 7).

95 «Joaquim Filipe Soares o poeta delicado e impressionável é o autor das Melopeias indianas – publicação

comemorativa do 4.º centenário dos descobrimentos do caminho maritimo da India e subsidiada pela Comissão Provincial do mesmo centenário. È uma interessante colecção onde o poeta reduz a versos – tão sentimentais e ingênuos – narrativas e lendas tradicionais no paiz» (CUNHA, 1919c).

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formação estratégica.96 O termo estratégia é usado, por Said, pensando num método para estudar as dificuldades sentidas por quem tentou abordar, estudar, teorizar e, enfim, representar o Oriente. A superação de tais dificuldades é dada por uma tomada de posição dos estudiosos perante o seu objeto de análise, que pode ser desvendada olhando para alguns recursos textuais, como a escolha do pronome falante, da estrutura do texto, a presença de tópicos e imagens recorrentes (SAID, 2004: 23). Por isso, a localização estratégica é, para Said, uma maneira de descrever a posição de um autor dentro de um texto, relativamente ao material sobre o Oriente que está a apreciar, enquanto que a formação estratégica seria um método para analisar as relações entre diferentes textos, ou grupos de textos, averiguando como estes assumem poder referencial, não apenas entre si, mas também na cultura geral. Nessa sequência, será importante aplicar tanto a localização estratégica quanto a formação estratégica no discurso de Bragança Cunha em relação à poesia indianista, para entender melhor a presença de uma certa exterioridade no interior, que possa ser compreendida, usando uma terminologia mais apropriada, como orientalismo interno – embora Said fale da autoridade orientalista nos termos de quem ocupa uma posição exógena em relação ao Oriente «tanto do ponto de vista existencial como moral» (SAID, 2004: 23). De facto, em última instância, tem de ser especificado que o facto de Bragança Cunha se considerar um sujeito indo- português lhe permite produzir discursos desde uma posição mais legítima, podendo expressar uma opinião consentida e autorizada, apoiando-se, contudo, numa literatura crítica não indiana.

O capítulo começa com um elogio a Tomás Ribeiro, fundador do Instituto Vasco da Gama de Pangim em 1871, designado como o mestre de uma inteira escola de poetas97 que Bragança Cunha divide em duas tipologias: por um lado os poetas portugueses «que procuraram continuar na India o sentimento fidalgo da raça portuguesa» (CUNHA, 1926: 4), como Joaquim Mourão Garcez e Palha, José Pestana, Silva Campos e Tomás de Aquino Mourão, e por outro lado as figuras de Fernando Leal, Floriano Barreto, Paulino Dias, Nascimento Mendonça e Sanches Fernandes. Estes últimos foram todos poetas goeses que escreveram entre a última década do século XIX e as primeiras duas décadas do século XX; todos animados por aquilo que Bragança Cunha chama de «sentimento indiano» (CUNHA, 1926: 5) e «sensibilidade indiana» (CUNHA, 1926: 7). É à volta desses poetas que o capítulo se desenvolve, deixando apenas uma página inicial para os portugueses que

96 As ideias expostas nesta secção foram desenvolvidas, de maneira mais aprofundada, num ensaio de minha autoria,

«Orientalismo (indo-)português: uma maneira de escrever a história da literatura de Goa em língua portuguesa», publicado no livro coletivo De Oriente a Ocidente: estudos da Associação internacional de lusitanistas. Vol. 1 Sobre

Orientalismos, organizado por Cláudia Pazos Alonso, Vincenzo Russo, Roberto Vecchi e Carlos Ascenso André (2019).

O ensaio está presente na bibliografia final deste trabalho.

97 «Tomás Ribeiro fêz escola e dessa escola sairam muitos discipulos. Eram todos homens de talento e de estudo, alguns

dos quais – Cristovão Pinto e Cristovão Aires – foram mais tarde a metropole. Foi grande, não ha duvida, o impulso que o autor do Dom Jayme, o canto moderno mais patriotico – deu as letras indo-portuguesas» (CUNHA, 1926: 4).

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escolheram a paisagem natural e cultural indiana como tema e imagem recorrente nas suas obras. A frase de Tomás Ribeiro que Bragança Cunha escolhe como abertura, «A terra da India é terra para letras», faz referência tanto à Índia enquanto berço da literatura épica universal, como o Ramaiana e o Mahabarata, «as mais belas epopeias que anteciparam as de Homero» (CUNHA, 1926: 4), quanto à Índia enquanto fonte de inspiração para os poetas portugueses, descrevendo o caso de Camões – citando Os Lusíadas e as Endechas a Bárbara Escrava –, e o de Bocage – «o poeta que depois do autor do Lusíadas, é o nosso primeiro poeta popular» (CUNHA, 1926: 4).98

Sucessivamente, Bragança Cunha dedica um pequeno parágrafo a um primeiro bloco de poetas portugueses, para depois se dedicar exclusivamente a um segundo grupo de poetas goeses. Vale a pena analisar as frases que introduzem os dois grupos, dado que carregam um significado muito importante para o entendimento global do capítulo. A primeira relativa ao primeiro grupo cita: «A poesia portuguesa teve cultores na India Portuguesa» (CUNHA, 1926: 4); enquanto a frase relativa ao segundo grupo proclama: «A poesia portuguesa na India teve robusta existência no sentimento indiano» (CUNHA, 1926: 5). «Portuguesa» não diz respeito apenas à língua de expressão dos poetas, mas alude a uma maneira de fazer poesia que envolve a ostentação de um etos português, predisposto ao cultivo das letras, à fascinação pelo desconhecido, e também sensível ao apelo das suas raízes. Com efeito, uma das primeiras imagens que se pode delinear no texto de Bragança Cunha é a Índia como berço da civilização e das mais remotas tradições, uma representação recorrente na literatura orientalista e, de forma mais particular, típica do pensamento difundido pela Reinassance oriental e pelo fomento do mito das origens indo-europeias – «toutes les civilisations puisent leur origine dans la civilisation indienne» (RABAULT-FEUERHAHN apud MACHADO, 2018: 109). Como exemplo da adesão de Bragança Cunha a esse discurso, leia-se a frase: «Nessa velha India epicamente gloriosa, onde tudo convida a contemplação pela grandeza das recordações» (CUNHA, 1926: 4). Nesse caso, as «recordações» são entendidas como memória universal, de uma civilização humana que teve início no Oriente. Uma ideia que a repetição da palavra «berço» comprova.

Aplicando a localização estratégica de Said, a poesia indianista é encarada, pelo intelectual goês, como o lado romântico e irracional da literatura indo-portuguesa, simbolizando a parte da herança indiana do indo-português. Para Bragança Cunha, aquilo que desperta interesse nessa poesia é o facto de esta ser uma manifestação literária que consegue transpor para a língua portuguesa, e para o registo lírico, o encontro entre os dois legados culturais, sendo importante chamar atenção para o facto de os poetas em questão serem católicos e não de religião hindu; portanto, a componente 98 É para notar o uso de Bragança Cunha do adjetivo «nosso» para caracterizar a figura de Bocage, reivindicando a poesia

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indiana é apenas literária, e não religiosa. Em relação à formação estratégica, a posição de Bragança Cunha perante a poesia indianista apoia-se num conjunto de textos críticos que ele cita, de outra autoria e contemporâneos à sua época, os quais confirmam o seu mesmo entendimento do acontecimento literário em questão. Para comprovar a sua posição, analisarei alguns comentários que o autor compõe sobre dois desses poetas, Fernando Leal e Sanches Fernandes. Sobre Fernando Leal, autor da coleção de poemas Relâmpagos, Bragança Cunha baseia as suas observações no pensamento do orientalista Max Müller, especialista na mitologia comparada, e Teófilo Braga. A tal propósito, ele escreve:

Nascido na India, onde facilmente se confundiram elementos tradicionais da civilização indiana com a portuguesa, Fernando Leal procurou a restauração dos ideais qui outr’ora tanto enobreceram a India – berço duma literatura que representa a alguns respeitos o mais alto desenvolvimento espiritual das antigas raças humanas. Fernando leal é, pois, um nome simpatico nesta cruzada em que anda empenhada a inteligência moderna a procura da aproximação intima dos povos ocidentais e orientais, que o sabio Max Muller acentuou num congresso de orientalistas em Londres. Teofilo Braga numa notícia consagrada aos Relampagos, importante livro de versos de Fernando Leal, onde o poeta deu a direcção devida ao que a sua poderosa inspiração poetica lhe ditava, escreveu: – “Fernando Leal nasceu na India Portuguesa e vê o mundo iriado por essa luz do seu berço oriental; os seus versos pintando com efeitos pitorescos os estados morais, procuram principalmente na luz o toque expressivo da imagem, tem uma sensualidade que não é sexual e uma ternura infantil que contrasta com os gritos de revoltado. A feição oriental é representada nos Relampagos por algumas composições caracteristicas como a Serenata indiana, a Queda do homem e o Rei de Benares episodio encantador, liberrimamente parafraseado do Mahabharata em que o poeta atinge todas as delicadezas do sentimento indiano.” (CUNHA, 1926: 5)

A primeira fase desse excerto expõe a ideia de fusão entre as duas culturas e, sobretudo, o advérbio «facilmente» denota a espontaneidade com a qual isso aconteceu, comprovando a aptidão do português para deixar-se influenciar por culturas alheias. Além dessa referência à naturalidade, com que este encontro de culturas se deu, reforçada pela menção do indianista alemão Max Müller, no comentário acima transcrito podemos notar a repetição de expressões que descrevem a poesia de Fernando Leal não pela análise das formas líricas da sua obra, mas sim pela exaltação de elementos internos ao objeto poético procedentes de uma operação generalizadora do oriental e vinculadas a uma ideia imaginativa e superficial de Oriente, como por exemplo «[Fernando Leal] vê o mundo iriado por essa luz do seu berço oriental», «a feição oriental é representada», «o poeta atinge todas as delicadezas do sentimento indiano» (CUNHA, 1926: 5). O mesmo discurso é válido para a citação de um artigo de Maria Amália Vaz de Carvalho, que refere – ainda sobre a coleção

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Relâmpagos – : «a inspiração india desdobra o luxo deslumbrante das suas imagens, a doçura misteriosa das lendas, a calma tristeza infinita das suas noites, a bondade inexgotavel, imensa capaz de encher o mundo dos seus mitos e dos seus simbolos sagrados» (CUNHA, 1926: 5). Ainda que os comentários não sejam de autoria de Bragança Cunha, a reapropriação daquelas palavras, e a partilha dos significados que representam, proporciona-nos informações sobre a formação estratégica, sendo que nos diz respeito ao tipo de leituras que ele fez para a compilação dos seus textos – tanto do livro de 1926, quanto dos artigos de 1919 – e, sobretudo, respeito ao tipo discurso com o qual ele se identifica.

A frase «a restauração dos ideais qui outr’ora tanto enobreceram a India» (CUNHA, 1926: 5) pode ser interpretada como uma tentativa de representar a cultura védica com um valor meramente original, quase primitivo, sendo que o seu poder edificante se encontra limitado a uma época passada, a época das «antigas raças humanas», e representando, por isso, a parte indiana como uma cultura desprovida de valores modernos (CUNHA, 1926: 5). De facto, o lugar em que Bragança Cunha coloca Fernando Leal, no meio da «inteligente cruzada» referida por meio da piscada de olho ao indianista Max Müller, é sintomático da figura de ponte que o poeta cumpre não apenas entre Oriente e Ocidente, mas sobretudo entre passado e presente, por meio da escolha do português como língua de expressão dos seus sentimentos ancestrais. Num estudo sobre representação orientalista e poder na Índia Portuguesa, Everton V. Machado ilustra como no âmbito do orientalismo português, o «orientalista “amador”» (MACHADO, 2018: 124) Cândido de Figueiredo, em linha com o pensamento de Max Müller, escrevia «a poesia védica denuncia a infancia da humanidade, e os alvores indecisos da intelligencia e do sentimento. É rude a fórma, e as concepções quasi sempre absurdas ou pueris. Mas está alli a historia das primeiras crenças, e porventura da vida intellectual dos povos» (1873 apud MACHADO, 2018: 124). Relacionando a citação de Cândido de Figueiredo com o caso de Bragança Cunha, na obra deste último, a poesia indianista está associada a uma literatura expressa por «concepções quasi sempre absurdas ou pueris», sendo que o retorno ao primitivo, às origens, poderia ser pensado como uma tentativa de infantilização da matéria tratada por esses poetas indo-portugueses. Enquanto a língua em que essas formas líricas são expressadas representa a emancipação, o avanço em direção da modernidade.

É importante também assinalar a operação generalizadora que acontece ao substituir o adjetivo indiano por oriental, o que remete para uma representação sinedóquica em que a diversidade das identidades culturais envolvidas no tudo Oriente, é reduzida à pequena esfera espacial da parte Índia. Encontramos essa mesma tendência generalizadora e carregada de exoticismo, na descrição de quase todos os poetas dessa geração. Por exemplo, depois de ter igualado os versos de Floriano Barreto a um primoroso «trabalho de ourivesaria da India»

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(CUNHA, 1926: 6) e ter comparado a poesia Deusa de bronze de Paulino Dias com a Salammbô de Gustave Flaubert (CUNHA, 1926: 7), Vicente de Bragança Cunha termina o segundo capítulo do livro escrevendo sobre o autor da coleção A lyra da India, Sanches Fernandes:

Foi no resurgimento ideal oriental que se inspirou o poeta Sanches Fernandes, que tambem procurou realizar a autonomia literaria da India Portuguesa pela idealização de sentimentos indianos. Espírito culto e imaginação fecunda, mas preso de todos membros menos de um braço, Sanches Fernandes produziu trabalhos, embora perfeitos, onde procurou atar o fio partido das suas tradições do berço. A Lyra da India, A sciencia de Dôr,

Noites da India, As liricas dum martir são poemetos que são uma documentação da sua inspiração poetica e das

influencias etnicas e politicas que actuaram sobre o infeliz poeta indiano. (CUNHA, 1926: 7-8)

Reparamos no uso de expressões como «idealização dos sentimentos indianos», «influência oriental» e, por fim, novamente a imagem do berço – «procurou atar o fio partido das suas tradições do berço». O ressurgimento do ideal oriental que Bragança Cunha cita pode ser uma referência à renaissance oriental que foi já citada, tendo o grupo de poetas encontrado inspiração na tradição literária védica, para a sua produção lírica. Nesse sentido, a ambição de Sanches Fernandes de «realizar a autonomia literaria da India Portuguesa» poderia referir-se a esse mesmo contexto de ação, apesar de Bragança Cunha, ao longo da sua obra, não promove a ideia de autonomia para a literatura indo-portuguesa, mas, bem pelo contrário, encorajar que esta seja lida como um segmento da portuguesa. Assim, para Bragança Cunha, a reivindicação de uma autonomia literária indiana poderia ser lida ou como uma aspiração ditada pelas pulsões ancestrais desses poetas, uma espécie de delírio romântico, ou como uma prova do facto de que na origem de tudo, também da literatura europeia, esteja a literatura clássica indiana.

Finalmente, ele inicia a última parte do capítulo com a seguinte frase: «A influência oriental faz-se sentir sobre os indo-portugueses. Forças hereditarias de que êles não teem a plena consciência actuam neles. A idade vedica, a idade brâmanica, a idade budista, a epoca mussulmana aqui deixaram vestígios» (CUNHA, 1926: 8). Nesta proposição, a representação exotizada de Bragança Cunha interessa não apenas os poetas, mas, em geral, todos os indo-portugueses. A ideia de forças se aproveitarem destes – «êles não teem a plena consciência» –, a par de um espírito que possui um corpo contra a sua vontade, demonstra a forma mística e irracional mediante a qual é representada a parte indiana da literatura indo-portuguesa no livro. Esta configura-se como segmento ontológico do indo-português – incontrolável e, por isso, irrenunciável – e, ao mesmo tempo, como circunstância que pode ser aproveitada exclusivamente enquanto recurso literário.

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