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Planning a Network with Different Users, Hosts, and Services

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discussão do próprio projecto elaborado pela 3.ª Repartição.

A colaboração de Barry Parker inicia-se na última semana de Agosto do ano de 1915 (altura em que chega ao Porto) e desenvolve-se em dois momentos distintos; em cada um deles Parker circunscreveria o seu trabalho a diferenciados programas de projecto urbanístico e, por isso, as suas propostas afectariam áreas de tecido urbano de dimensões também distintas. Numa primeira, fase a questão restringe-se à Avenida da Cidade e Barry Parker elabora as suas propostas enquanto dura a sua estada no Porto149

; na fase seguinte, concretizada em Inglaterra, o seu trabalho integrava

o projecto para a Avenida da Cidade, mas abrangia a área compreendida entre o Bairro da

Sé e o conjunto da Trindade ou seja, a zona central da cidade.

146. A.H.M.P. - Actas da Comissão Executiva. Livro 8, fl. 20 v.º

147. As razões e as circunstâncias que rodearam o convite não são ainda claras. Da correspondência expedida pela Câmara entre 1913 e 1917 não encontrámos uma única carta dirigida a Barry Parker. Sabe-se, porém, que a sua estadia no Porto foi acompanhada pelo cônsul britânico Alberto Kendall que lhe serviu de intérprete, e é também por seu intermédio que a Câmara recebe a correspondência que Barry Parker dirige ao Município [Cfr. Adenda].

Por outro lado, é particularmente evidente o empenhamento pessoal de Elísio de Melo, republicano e um «comerciante dos mais activos e acreditados no Porto» (RAMOS, J. e DEROUET, Luís - Album Republicano. I, Lisboa, 1908); lembremos ainda que Barry Parker pertencia à Liga Socialista de William Morris (ver Adenda - III). Para além das circunstâncias da guerra, que aproximaram ainda mais Portugal de Inglaterra, o quadro das relações partidárias poderá ser outra hipótese para explicar o convite ao arquitecto Inglês.

148. Os documentos são: um relatório designado «Considerações que fez Joaquim Gaudêncio Rodrigues Pacheco sobre o projecto da Avenida da Cidade (da Praça da Liberdade ao Largo da Trindade) apresentado por Mr. B. Parker, na primeira conferência havida para a sua apreciação», datado de Setembro de 1915 (A.H.M.P.); uma publicação da Câmara Municipal do Porto intitulada Memórias sobre a projectada Avenida da Cidade (da Praça da Liberdade ao Largo da Trindade) pelo engenheiro Barry Parker, de Setembro de 1915, que inclui: os resumos dos relatórios apresentados por Parker nas reuniões da Comissão Técnica; a «Acta da última reunião de técnicos promovida pela Câmara Municipal para apreciar o projecto da Avenida da Cidade» (11 de Outubro de 1915); e a «Resposta do autor do projecto, engenheiro sr. Parker, às considerações feitas pelos técnicos, as quais consistem da acta da última sessão» - contém ainda 2 desenhos de duas soluções para a Avenida.

Relativamente à primeira fase, os documentos que dispomos para a sua compreensão resumem-se aos relatórios apresentados pelos intervenientes na discussão (salientando-se os do próprio Parker, de Gaudêncio Pacheco e de Marques da Silva)150, já que, até ao momento, não se encontraram os registos gráficos das três soluções apresentadas por Barry Parker à apreciação da Comissão151; dos relatórios procuraremos deduzir a formalização das diversas propostas até à última solução, aprovada em 29 de Novembro de 1915152.

O programa que a Câmara pretende concretizar é — como acentua o próprio Parker: «Abrir e alargar uma parte da cidade que está muito congestionada (...) abrir uma Avenida larga, que deverá

149. No fim da sessão da Comissão executiva de 28 de Outubro de 1915 é apresentado o balancete do cofre onde é referido: «pagamento a Barry Parker, engenheiro, prolongamento da sua demora no Porto, além de quinze dias primeiros, desde seis de Setembro até trinta e um (sic) de Novembro e outras despesas por ele abonadas; ao mesmo, sua hospedagem no Hotel Mary Castro, durante onze semanas e outras despesas» (A.H.M.P. - Actas da Comissão Executiva, Livro 8, fl. 106 v.º).

Existe ainda uma lista dos pagamentos efectuados pela Câmara entre 1915 e 1917, onde se refere a estadia de Barry Parker no Hotel do Porto desde 23 de Agosto de 1915 até 10 de Setembro e no Hotel Mary Castro durante 11 semanas. O pagamento dos serviços prestados refere-se até à data de 21 de Novembro (A.H.M.P. - Próprias, Livro 275, fl. 91; Cfr. Adenda - IV).

Figura 6 - Estudos para a praceta da Rua Formosa e respectiva ligação à Praça do Município (AHMP)

150. Ver nota 69.

151. «O projecto apresentado ao exame da Comissão - esclarecia Santos Silva - era o terceiro que o sr. Parker elaborava, tendo portanto sofrido importantes modificações que melhoraram consideravelmente o plano primitivo» (Acta da última reunião de técnicos promovida pela Câmara Municipal para apreciar o projecto da Avenida da Cidade in Memórias sobre a projectada Avenida da Cidade... p. 17).

ser, antes de tudo, muito dignificante (...) rasgar o centro da cidade o crear um verdadeiro Centro Cívico e um centro de estabelecimentos...»153.

Para conseguir um projecto que responda aos quesitos enunciados, a sólida experiência urbanística de Barry Parker [Cfr. Adenda - III] sugere-lhe um caminho que, em seu entender, deve ser seguido por todo o «...planeador de cidades chamado para remodelar uma área já coberta com casas…»: «…resumir o que teria sido a configuração do terreno antes de edificado. Daí tirará guia e inspiração para o seu trabalho. Daí lhe virá a mais fecunda fonte de encantos, e para que o seu plano seja de todo feliz, é preciso que o planeador tire todo o partido possível da primitiva conformação do terreno»154. Com efeito, procurar no «sítio original» valores que, no essencial, se transformem em indicadores significantes do projecto, é uma questão metodológica a que parece agarrar-se todo o trabalho desenvolvido e da qual Parker procurará inteligir argumentos de carácter económico acentuando, por exemplo, a redução de custos com a remoção de terras para nivelamentos155. Figura 7 - Estudos para o quarteirão situado entre a passagem de peões para a Rua do Almada e a projectada Rua Ramalho Ortigão

(AHMP)

153. Memórias sobre a projectada Avenida da cidade.... p. 7 e 8. 154. Idem, p. 5.

O «sítio original» da zona a remodelar afigura-se a Parker como: «Um pequeno vale ou depressão na encosta de um monte. A parte inferior deste vale está agora tomada pela rua do Laranjal, e de sorte que os sítios mais amplos ficarão onde este vate termina, na Praça da Liberdade, e nas linhas diagonais que cruzam com as linhas de maior declive das vertentes desse vale ou depressão»156. Com estes indicadores, que se prendem com as zonas de maior e de menor estabilidade de cota, procura uma distribuição dos elementos essenciais constantes no programa: «A primeira destas situações deveria, a meu ver, ser ocupada pelo novo edifício da Câmara Municipal, as duas outras por crescentes, ou formas de meia-lua, uma das quais poderia destinar-se, por exemplo, para um bom hotel. Nos declives do pequeno vaie, colocaria eu o ajardinamento que vós me sugeris para o centro da Avenida. No fundo do pequeno vale ou depressão, faria um passeio largo entre uma avenida e árvores»157.

Para além da leitura do «sítio original», as primeiras soluções de Parker para a Avenida da Cidade continham outros pressupostos de base relacionados com aspectos de carácter disciplinar, que ele próprio expressa nos relatórios apresentados à Comissão Técnica. Uma das suas maiores preocupações relaciona-se com a identidade das diversas situações urbanas e a articulação que elas poderão estabelecer entre si; procura-se, no caso concreto, que tanto a Avenida como as Praças tenham uma formalização clara de modo a garantir a respectiva identidade. Este era um aspecto que, em seu entender, o projecto já elaborado pela 3.ª Repartição não salvaguardava: «...nem era uma Figura 8 - Estudos para a futura Rua Rodrigues Sampaio e respectivo cruzamento com a Rua do Bonjardim (AHMP)

156. Idem, p. 5. 157. Idem, p. 8.

Avenida nem uma Praça — larga demais para rua tão curta, e comprida demais para uma praça. Além de que destruiria a vossa bem proporcionada Praça da Liberdade, que desapareceria mesmo. Igual sorte tendo a que esperava a Praça da Trindade. (...) O resultado seria ficar a Praça da Liberdade com o carácter de um simples alargamento da Avenida no seu extremo Sul, e a Praça da Trindade um remate informe da extremidade do Norte»158.

Nesta linha de pensamento, Barry Parker procura reforçar o carácter da Avenida que liga duas praças, perseguindo para cada uma delas a ideia de encerramento: «Senti que era meu dever melhorar e não destruir a boa forma e as proporções das vossas praças da Liberdade e da Trindade, aumentando mesmo, em cada uma delas, a impressão de encerramento e protecção, a que os planeadores de cidades dão tanta importância, quando tratando de praças como estas»159. Este aspecto revela não só a grande consciência urbanística de Parker, mas, ao mesmo tempo, indica que o arquitecto inglês acompanhava e dominava as formulações teóricas e os preceitos metodológicos da disciplina160.

Figura 9 - Estudos para a futura Rua Ramalho Ortigão (AHMP)

158. Ibidem, p. 5. 159. Idem, p. 8.

No primeiro projecto para a Avenida da Cidade, Parker reforçava o encerramento da Praça da Liberdade colocando o novo edifício da Câmara Municipal a Sul da Avenida, separando esta de própria Praça. O edifício era atravessado ao centro por um arco que garantia a vista do eixo central da Avenida, desde a estátua da Praça da Liberdade até à torre da Igreja da Trindade, ao longo de um passeio entre árvores que ocupava a placa central. Com esta avenida de árvores (como é designada) pretendia-se afirmar a simetria axial, princípio a que se subordinou toda a composição: «…terminando quando vista de um lado com a torre da Igreja da Trindade e, quando vista na direcção oposta, com a estátua da Praça da Liberdade, e atravessada pela ponte que dá passagem à rua de Passos Manuel sobre o pequeno vale (...) prolonga através do arco que fica atravessando o novo edifício da Câmara Municipal, o que fará com que este não se sinta»161.

160. «A place, then, in the sense in which we wish to use the word, should' be an enclosed space. The sense of enclosure is essential to the idea; not the complete enclosure of a continuous ring of buildings, like a quadrangle, for example; but a general sense of enclosure resulting from a fairly continuous frame of buildings. The breaks in which are small in relative extent and not too obvious», escrevia Raymond Unwin em Town Planning in Practice. An Introduction to the Art of designing cities and suburbs. Londres. T. Fisher Unwin. 1914. p. 197 (a 1.ª edição é de 1909). Cfr. Outros escritos deste período: GEDDES, P. - City Development. A study of Parks, Gardens and Culture Institutions (A Report to the Carnegie Dunfermline Trust): Edimburgo. 1904; TRIGGS, I. - Town Planning. Past, Present and Possible. Londres. 1909; NETILEFOLD, J. S. - Practical Town Planning. Londres. 1910; POLLOCK, Horatio M. e MORGAN, William S. - Modem Cities. Nova Iorque e Londres. Funk and Wagnalls. 1913; HOWE, Frederic C. - European Cities at Work. Londres. T. Fischer Unwin. 1913; LEWIS, Nelson P. - The planning of the Modem City. Londres. 1916 e PARKER, Barry e UNWIN, Raymond - The Art of Building a Home. Londres. 1901.

Figura 10 - Estudos para as futuras Ruas Dr. Magalhães Lemos e Dr. Elísio de Melo (AHMP)

O princípio de simetria foi também adoptado no desenho proposto para a Praça da Trindade, desta feita ao eixo tirado à fachada da igreja, uma vez que a implantação da Praça não se encontra alinhada, nem a Este nem a Oeste, pelos respectivos alinhamentos da Avenida; Parker ao referir a proposta para a Praça dirá que: «O seu arranjo simétrico, com relação ao eixo da vista principal, será muito mais aparente no sítio do que no plano. Apesar de muitas ruas desembocarem nesta Praça, duas das novas — as que punham em comunicação a Praça com a Avenida, a Este e a Oeste — têm as vistas ao fundo delas terminadas pelo configurado saliente dos dois crescentes, restabelecendo assim o efeito de encerramento da Praça. Também uma das principais ruas que sai desta Praça — a rua Oeste — fica construída na principal linha axial da igreja da Trindade, o que contribui para regularizar a aparência da Praça»162.

Mais uma vez é a ideia de encerramento que se persegue quando se valorizam determinados pontos de vista, se privilegiam enfiamentos e se elegem alguns elementos como dominantes: é o caso da torre da igreja da Trindade, explorada de forma a constituir uma referência obrigatória de todos os pontos da solução projectada, aspecto que se revela uma interessante e enriquecedora

161. Memórias sobre a projectada Avenida da Cidade …, p. 9. Figura 11 - Projecto para o edifício dos Paços do Concelho (AHMP)

manipulação do factor surpresa: «um projecto em que todos os seus elementos são compreendidos num simples relance — explica Parker — nunca pode ter o encanto de um que nos reserva surpresas»163.

Neste primeiro projecto para a Avenida vigora já a ideia de a desenvolver, não em alinhamentos paralelos, mas convergentes no sentido da Praça da Liberdade, mais concretamente ao arco que se abrira no centro do edifício da Câmara, no mesmo alinhamento da estátua de D. Pedro.

Figura 12 - Avenida da Ponte e urbanização do morro da Sé. Projecto de Barry Parker

Também já se propõe que a Avenida seja flanqueada por uma colunata, enriquecendo-se, assim, os percursos oferecidos.

O projecto previa, naturalmente, articulações transversais: na zona setentrional, próximo da Praça da Trindade, abriam-se dois arcos nos edifícios com planta em forma de crescente, os quais punham a Avenida em contacto, ora com a rua do Almada, ora com a rua Formosa; na zona central era o prolongamento da rua Passos Manuel que resolvia as ligações com a envolvente de ambos os lados da Avenida.

A insuficiência destas articulações afigura-se a principal crítica que Joaquim Gaudêncio Pacheco, um dos elementos da Comissão Técnica, fará à proposta de Barry Parker, Em seu entender, com as comunicações indicadas, a Avenida tornava-se «um quasi perfeito cul-de-sac, contribuindo decisivamente para o seu «insucesso comercial», uma vez que, assim, a Avenida perdia o contacto «com as grandes correntes de tráfico» desertificando-se de «empresas comerciais e industriais»164. O projecto de Parker atribuía à Praça da Liberdade o papel de principal centro de tráfico da cidade, aspecto que deveria ser corrigido. Neste sentido, Gaudêncio Pacheco entendia que o sucesso da Avenida seria bem maior se «lhe proporcionarmos um outro ponto de contacto que se avizinhe do largo da Trindade (…) pelo cruzamento (…) de duas outras avenidas radial ou diagonalmente

163. Idem, p. 9.

Figura 13 - Estudos para a Avenida da Ponte (AHMP)

dispostas, uma partindo de um ponto da rua de Fernandes Tomás, vizinho do mercado do Bolhão e terminando na antiga Praça de Santa Teresa, a outra partindo da rua de Sá da Bandeira, em frente à de Passos Manuel, para terminar em um ponto vizinho do Largo do Coronel Pacheco»165.

As críticas do engenheiro Gaudêncio Pacheco incidem essencialmente sobre os problemas de circulação e vão no sentido de uma melhor integração do projecto da Avenida num plano geral para a cidade. A sua proposta de criar outras «Avenidas» diagonais seria um contributo para resolver as difíceis articulações transversais no centro da cidade, criando alternativas às ruas de 31 de Janeiro e Clérigos; e, de facto, virá a tornar-se uma ideia definitiva, integrada por Barry Parker quando este revê o projecto inicial.

O problema da integração da Avenida num plano mais geral é também motivo de preocupação para Marques da Silva, outro dos elementos da Comissão Técnica, na qualidade de membro da Comissão de Estética. O arquitecto portuense chega mesmo a interrogar-se se «num projecto de conjunto, abrangendo a cidade, será a solução apresentada a melhor?»; em sua opinião, a Câmara, ao invés do convite a um técnico, deveria ter «aberto concurso para os novos arruamentos e talvez … então aparecesse um trabalho completo»166.

Figura 14 - Plantas e alçados da Avenida, Barry Parker (AHMP)

Mas as críticas do arquitecto Marques da Silva, afora aquela interrogação sobre o problema geral das ligações da Avenida com a cidade existente, parecera dirigir-se mais para os aspectos parcelares da proposta. Ainda que incidindo sobre pontos importantes da composição, tais críticas raramente afloram os aspectos gerais da própria composição. Parece-nos que as observações de Marques da Silva são conduzidas mais por um parcelar e individualizado entendimento dos problemas que haveria a resolver e menos por uma reflectida compreensão da interacção dos elementos do conjunto urbano. O que ressalta é, de facto, uma leitura mais arquitectónica do que urbanística.

Apenas uma vez o arquitecto portuense se refere a um aspecto da composição geral da Avenida, criticando o alinhamento do seu eixo principal. Em seu entender ele não deveria convergir ao centro da fachada da Igreja da Trindade, mas ao ponto em que os eixos da Praça da Trindade se cruzam; desviando então a linha axial da Avenida para poente, obter-se-ia — na opinião de Marques da Silva — não só mais amplas comunicações com a Praça da Trindade, mas sobretudo uma maior regularidade desta praça o dos edifícios que a enquadravam. É, mais uma vez, a dimensão arquitectónica a sobrepor-se à dimensão urbanística.

166. Memórias sobre a projectada Avenida da Cidade …, p. 17 e 19. Figura 15 - Plantas e alçados da Avenida, Barry Parker (AHMP)

A fragilidade urbanística das críticas de Marques da Silva acaba por ficar bem patente na sua proposta de abertura de uma rua do ângulo noroeste da Praça da Trindade à Praça da República, constituindo um ponto de vista sobre o monumento à República que, na altura, se pretendia erigir na praça do mesmo nome. O próprio Parker acentuará a dificuldade da sua execução e argumentará que a diferença de cota entre um ponto e outro impediria uma visão mútua.

Contudo, o aspecto mais saliente das críticas da Marques da Silva e que viria a ter uma repercussão imediata quando Parker revê a sua proposta inicial, diz respeito à localização do edifício da Câmara. A posição proposta não permitia um digno enquadramento do edifício exigido pela importância das funções que abrigava. «Num croquis explicativo — são palavras de Marques da Silva — tive a honra de indicar que o edifício deveria ser precedido de uma praça de honra que constituiria o parvis Municipal (...) que a praça Municipal não deve ser ajardinada (...) mas de amplas circulações»167.

Das críticas formuladas, Barry Parker aproveitará ideias para rever o seu projecto. Aceitará as considerações sobre a localização do edifício da Câmara e introduzirá a alteração mais significativa ao escolher o topo norte da Avenida para a nova situação; entende agora que a Câmara deve ficar «num ponto de onde domine toda a Avenida ou seja, no ponto mais alto dela. Se para o edifício se olhasse de um ponto mais alto da Avenida, o efeito não seria tão digno»168. Dominando todo o conjunto, a Câmara seria um edifício de frente dupla, em articulação, ora com a Praça Municipal e Avenida, ora com a Praça da Trindade, e contribuindo ao mesmo tempo para reforçar o encerramento desta última praça. A sua implantação integrada na axialidade da própria Avenida, impedia, no entender de Parker, que se dotasse o edifício de uma torre central: «Uma torre ali colocada ficaria próxima demais da torre da igreja da Trindade para ter bom efeito arquitectural — de muitos pontos se veria a torre da Trindade aparecer por cima da Câmara Municipal, e portanto a torre da Câmara estaria na linha directriz da Avenida e teria, fazendo-lhe concorrência, outra torre ainda mais alta, o que faria confusão e seria de mau efeito»169.

Outra alteração, igualmente significativa, prende-se directamente com as críticas apresentadas por Gaudêncio Pacheco e diz respeito à introdução de mais articulações da Avenida com a envolvente. Ainda que sugeridas pelas anotações de um homem da cidade, elas resultam de um exercício de leitura do traçado urbano pré-existente, onde Parker revela a sua enorme capacidade da urbanista e a sua grande experiência como «town planner» — «uma das coisas que primeiro chamou a minha atenção, ao chegar ao Porto, foi: que todas as suas linhas de tráfico convergem para dois pontos altos; que as principais estradas vindas do campo, tomam a mesma direcção, e que o único meio de ir dum destes pontos para o outro, é descendo uma rua muito acidentada até à Praça da

167. Idem, p. 18. 168. Idem, p. 14. 169. Idem, p. 14.

Liberdade para subir outra, igualmente íngreme, que parte da mesma Praça. Notei também que a

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