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2. Action culturelle et formation : quelle formule ?

2.3. Valoriser l'après-voyage

3.4.2. en aval : revivre, redécouvrir, approfondir

Muito embora nossa fundamentação teórica tenha sustentação na abordagem funcionalista da tradução, entendemos oportuno alinhar a presente pesquisa com a temática da equivalência em Nida (1964). Isso se deve ao fato de que, na busca por soluções tradutórias, os profissionais especializados em tradução se veem diante de um dilema recorrente: traduzir o TF de uma forma mais literal ou buscar equivalentes que visem a uma correspondência com a cultura, contexto e leitor do TA.

Eugene Nida, linguista norte-americano, considerado um dos pioneiros no desenvolvimento de uma teoria científica no campo da tradução e da linguística 64, apregoava não existirem duas línguas exatamente iguais. Para este estudioso não há como se falar em correspondência absoluta entre línguas.

63 Para entender a terminologia jurídica ver o subcapítulo 3.10. 64 Fonte: https://es.wikipedia.org/wiki/Eugene_Nida

92 É fato observar-se que a língua atribui a cada símbolo um determinado significado, o que não necessariamente poderá corresponder ao mesmo símbolo em outra língua. Entendemos que o processo tradutório não prescinde da interpretação do TRD. O propósito tradutório, somado aos conhecimentos práticos e teóricos do TRD, é importante para determinar a qualidade do produto da tradução. Nas linhas a seguir, Eugene Nida corrobora com Reiss; Vermeer (1996) no tocante à tradução como “oferta informativa” ao descrever a finalidade principal do tradutor (NIDA, 1964, p. 157):

A finalidade principal do tradutor pode ser a informação quanto ao conteúdo e à forma. Um tipo pretendido de resposta a um tipo de tradução informativa é em grande parte cognitivo, p. ex. A tradução de textos de informantes feita por um etnógrafo, ou a tradução de um filósofo de Heidegger. Uma tradução amplamente informativa pode, por outro lado, ser planejada para suscitar uma resposta emocional e prazerosa do leitor ou do ouvinte. 65 (Tradução nossa)

Nessa linha de raciocínio, o texto traduzido receberá não somente as informações de seu próprio conteúdo, mas também receberá as influências de interpretação de quem o traduziu e, ainda mais, herdará, em seu resultado final, as marcas determinadas pelo propósito que se pretendeu alcançar com aquela tradução. Eugene Nida entende que são três os fatores que podem influenciar no processo tradutório: (1) a natureza da mensagem, (2) o propósito ou propósitos do autor e (3) o tipo de público e que se destina a tradução.

Às vezes, os propósitos do TRD são semelhantes ao do autor original, outras vezes não. Concluindo-se esse raciocínio trazido por Nida, tais propósitos devem ser considerados mais relevantes do que os do autor original por uma questão muito simples: aqueles são os principais a serem considerados ao se estudar os tipos de tradução pelo resultado que operam. Nessa linha de raciocínio trazida por Nida, as intenções do TRD podem ir muito além do que informar. Ele pode sugerir um tipo de comportamento por meio de uma escolha tradutória e, nesse sentido, tem a clara intenção de fazer alguns ajustes no texto de chegada como o objetivo de levar o leitor-alvo a entender a completa implicação circunstancial da mensagem. Esta escolha tradutória, a qual requer uma perfeita noção de conhecimento de mundo do ponto de vista do leitor-alvo, diz respeito a fatores intrínsecos da língua no que tange ao significado das palavras no contexto de chegada. O exemplo trazido por Nida nos ajudará a entender isso (NIDA, 1964, p. 158):

65 The primary purpose of the translator may be information as to both content and form. One intended type of

response to such an informative type of translation is largely cognitive, e.g. an ethnographer’s translation of texts from informants, or a philosopher's translation of Heidegger. A largely informative translation may, on the other hand, be designed to elicit an emotional response of pleasure from the reader or listener.

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Em tal situação, um tradutor não se contenta em ter receptores dizendo: "Isto é inteligível para nós". Em vez disso, ele está procurando uma resposta como: "Isto é significativo para nós". Em termos de tradução da Bíblia, as pessoas podem entender uma frase como "mudar a mente sobre o pecado" como significando "arrependimento". Mas se o modo indígena de falar sobre arrependimento é “cuspir no chão à frente", como em shilluk, falado no Sudão, o tradutor visará obviamente o idioma mais significativo. Em uma base similar, “branco como a neve" pode ser rendido como "branco como penas da garça", se os povos da língua do receptor não estão familiarizados com a neve, mas falam de qualquer coisa muito branca por esta frase (Tradução nossa). 66

Em muitas ocasiões, o TRD necessitará de um amplo conhecimento de certas expressões idiomáticas em ambas as línguas de trabalho para poder realizar uma tradução que seja, ao mesmo tempo, fidedigna em relação ao contexto, bem como significativa para o leitor-final. A inteligibilidade muitas vezes poderá não ser satisfatória para um bom resultado que se queira dar ao trabalho tradutório. Mesmo porque, poderão ser suscitadas várias formas de interpretação, visto que a falta de familiaridade no termo empregado, levanta possibilidades interpretativas para o leitor-final.

No contexto de nossa pesquisa, por exemplo, nos contratos de distribuição, é comum a existência da seguinte cláusula: ORDERS: Orders shall be in writing and be subject to acceptance by Company in its sole discretion.67 Se o TRD fosse traduzir o termo order sem essa familiaridade com o contexto jurídico-comercial, poderia simplesmente traduzir o termo como sendo uma “ordem”. O receptor entenderia que se trata de uma ordem passada ao fornecedor para a aquisição de mercadoria. Porém, ficaria distante do contexto jurídico- comercial, cuja terminologia adequada seria “pedido”.