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Distinction et dépendance entre les notions de veille et d’Intelligence compétitive

A Présentation de l’Intelligence Compétitive

4) Distinction et dépendance entre les notions de veille et d’Intelligence compétitive

A tomada de decisão nos processos de projeto pode ser dividida em 3 categorias, de acordo com as condições em que é realizada: certeza, risco ou incerteza. Como a maioria das tomadas de decisão dá-se sob parcial incerteza, uma maneira de torná-las efetivas é basear a decisão em experiências passadas e utilizar a criatividade e inteligência para ajustá-la à situação (O’FLYNN e WALDMANN, 2011).

A análise ergonômica pode orientar a decisão do grupo de atores do processo de projeto (LANDRY, 2008). Aqui, a construção de um referencial comum torna-se fundamental para o desenvolvimento tanto das competências da equipe como do projeto em si.

2.1.3.1. Referencial Comum: Concepção Coletiva e Construção Social

Os modelos de desenvolvimento de projeto em engenharia normalmente visam otimizar produtos e processos e não integram os trabalhadores numa perspectiva de concepção coletiva.

Pahl e Beitz (1996) consideram que o projeto é uma atividade de engenheiros, que aplicam seus conhecimentos para a resolução de problemas técnicos. A atividade de projetar tem uma perspectiva descendente, na qual são considerados aspectos técnicos, fatores de custo e qualidade do produto. Ergonomia e organização do trabalho exercem pouca influência no processo de projeto.

Para Pugh (1996), projetar é um processo iterativo no qual cada estágio pode ser repetido e revertido inúmeras vezes de acordo com as mudanças que virem a ocorrer durante o processo de projeto. Para o autor, uma abordagem na qual o processo de projeto é desenvolvido por grupos têm maiores chances de sucesso, no entanto, a participação do usuário final dá-se por meio de pesquisas de mercado que buscam identificar suas necessidades para incorporá-las ao projeto, descaracterizando uma participação efetiva.

Norman (1990) também considera que o projeto deve ser centrado no usuário e emanar de suas necessidades. Para o autor, um bom projeto deve considerar a simplicidade de uso e de entendimento e ser eficiente nas suas funções.

Embora considerem a participação dos usuários, em algum estágio e em algum nível, estas abordagens não configuram um processo de concepção coletiva. As abordagens de projeto em ergonomia devem ir além da otimização de produtos e processos e considerar o desempenho humano, o custo da atividade para o operador (WISNER, 1987).

A atividade de concepção coletiva é também uma ocasião de troca, de compartilhamento e de confrontação entre diferentes pontos de vista que permite um processo dialógico de aprendizagem cruzada e que favorece a evolução das representações dos diversos atores sociais envolvidos.

Uma vez que abordamos o trabalho de concepção enquanto um processo de construção social (Bucciarelli, 1994), do qual participam diversos atores, com diversas representações sobre o trabalho, devemos esclarecer a noção de “referencial comum para a ação” inscrita nos trabalhos coletivos (BARTHE e QUÉINNEC, 1999).

O trabalho coletivo, em ergonomia, pode ser definido como todo trabalho em que atividades são realizadas, direta ou indiretamente, por vários operadores (TRAN VAN, 2010). No trabalho coletivo, os atores podem exprimir diferentes formas de cooperação, que variam de acordo com as diferentes situações e com o grau de compartilhamento dos objetivos das tarefas a serem realizadas.

Essas distintas formas de cooperação podem ser caracterizadas como: cooperação, colaboração, coordenação e negociação (DE LA GARZA, 1998; 1999).

A cooperação é o processo pelo qual os operadores efetuam um trabalho em comum. Implica a orientação de diversos atores para um mesmo resultado. O processo de cooperação pode ou não ser prescrito pelo sistema (DE LA GARZA, 1999; BARTHE e QUÉINNEC, 1999). Na cooperação, não é necessário o compartilhamento de meios pelos operadores, mas estes devem trabalhar sobre um mesmo objeto ou sobre um objeto próximo (MAGGI, 2005).

Maggi (2005) define a coordenação como a regulação da ação cooperativa A coordenação implica um ordenamento de comportamentos, ações e decisões, compartilhados por

operadores ou equipes de trabalho de especialidades diferentes, intervindo sobre um mesmo objeto.

A colaboração permite identificar diferentes atitudes de cooperação entre os atores (TRAN VAN, 2010). Para De La Garza (1999) a colaboração é uma forma de estratégia, um método de coordenação que depende de confiança mútua e do conhecimento do trabalho do outro. A negociação é uma condição necessária para o exercício do trabalho coletivo (DE LA GARZA, 1999). Refere-se ao tratamento dos conflitos nas interações, à gestão de compromissos. Processos de negociação e argumentação se desenvolvem em vista de definir uma solução aceitável por todos.

Essas distintas formas de cooperação requerem dos atores a noção de um “referencial comum para ação”, ou seja, a construção de representações compartilhadas para agir coletivamente (TRAN VAN, 2010).

O trabalho coletivo requer a construção de um referencial operativo comum, o compartilhamento de conhecimentos e competências necessários à ação e, também, de representações para a ação.

As representações para a ação são resultados da atividade dos trabalhadores que antecipam seu trabalho, assim como os resultados, sobre a base de representações que construiu a respeito da atividade. São processos ativos de tomada de conhecimento e de apropriação da situação e do meio. Essas representações são individuais, na medida em que dependem das competências de cada um, e dinâmicas, pois evoluem de acordo com os reflexos das interações entre o sujeito e o meio (WEILL-FASSINA et. al., 1993; TRAN VAN, 2010). Para agir, os trabalhadores constroem representações para a ação. Nos processos de análise e projeto estão envolvidos, num trabalho coletivo, diversos trabalhadores com diferentes “mundos objetos”, que devem ter representações compartilhadas da situação e da atividade de trabalho, devem construir um “referencial operativo comum”.

A noção de referencial operativo comum foi descrita por Terssac e Chabaud (1990), com base na noção de referencial comum criada por Leplat (1988). Esse referencial é operativo na medida em que serve à preparação e realização da ação projetada (TRAN VAN, 2010).

A construção de um referencial operativo comum depende da troca de conhecimentos, competências e saber-fazer necessários à ação. Para Tran Van (2010) esse referencial deve

levar em conta todo conhecimento que cada um deve ter em relação ao trabalho do outro e do sistema sobre o qual a ação incidirá.

O trabalho coletivo é intermediado por diálogos entre os diversos atores. Alguns objetos intermediários (Jeantet et al, 1996) podem ser utilizados para facilitar o processo de comunicação e o intercâmbio necessário de informações, conhecimentos, competências e saber-fazer.

Os objetos intermediários tem o duplo objetivo de ligar os atores ao objeto de concepção, e também de ligar os atores entre si. Além disso, também desenvolvem um papel dentro dos processos de objetivação progressiva que caracterizam os processos de concepção (JEANTET et al, 1996). São companheiros do trabalho coletivo em concepção e fazem parte dos meios fundamentais do trabalho coletivo (TRAN VAN, 2010).

Para alcançar estes objetivos é necessária a criação de espaços propícios dentro dos processos de concepção. É nesse contexto que insere-se a proposta de anexação da TRIZ à ergonomia nos processos de projeto, enquanto um objeto intermediário, suporte de ações reflexivas que sustentam o processo de desenvolvimento de melhorias em ergonomia.

O trabalho coletivo em concepção faz necessária a abordagem da atividade futura de trabalho. O próximo item traz o tema do paradoxo das ações de concepção, descrito por diversos ergonomistas, com destaque para os trabalhos de Daniellou (2007) que tratam das atividades futuras de trabalho, fundamentais nos processos de concepção.