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Introduction du chapitre 5 157 Choix conceptuels opérés

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5.4. Les diagrammes de structure

5.4.2. Les diagrammes de déploiement

simplesmente “um governo burguês”?

Parece sensato reconhecer que ainda não podemos falar em vitória de um processo revolucionário anticapitalista na Venezuela, mas

consideramos um equívoco desconsiderar/menosprezar/ignorar que o governo de Hugo Chávez foi, é - e continua sendo - parte e resultado de um amplo processo de mobilização de massas, com forte presença do proletariado e das massas populares.

Durante este governo as condições objetivas e subjetivas se tornaram mais favoráveis para aqueles que lutam contra o capital e o capitalismo, o que não significa que desapareceram as contradições de classe ou os enfrentamentos violentos entre a classe trabalhadora e a burguesia.

Mas as condições criadas pela luta de classes neste período de 1989 até 2010 favoreceram uma aproximação muito forte e rápida dos diversos setores da esquerda com os diversos setores da classe trabalhadora, o que tornou possível este processo de mobilização que vemos na atualidade.

É preciso recordar a fragilidade política, organizativa, programática e ideológica em que se encontrava a maioria dos partidos e organizações políticas e sociais de esquerda na Venezuela entre os anos 1989 e 1999. As lutas de massa que se processaram nesse período, apesar de forjarem um novo impulso de ofensiva operária e popular, não eliminaram por completo as deficiências teóricas e práticas dos instrumentos de luta da classe trabalhadora.

As diversas organizações de esquerda deste período estavam sendo dirigidas por pessoas e grupos influenciados por ideias que se identificavam com um reformismo pequeno burguês que alimentava ilusões sobre a possibilidade de um capitalismo autônomo, um novo nacional-desenvolvimentismo com reformas sociais e econômicas sem muito confronto com os interesses do grande capital e do imperialismo, ou com propostas bastante sectárias e completamente descoladas das condições reais em que se encontravam as forças sociais e políticas representantes da classe trabalhadora.

Ignorando a correlação de forças existente, bem como o ainda baixo nível de consciência política das massas, algumas correntes políticas de esquerda propagandearam o socialismo e a revolução como algo que seria consequência de uma vontade dos dirigentes, desconsiderando que a experiência política e organizativa da classe operária e das massas populares venezuelanas ainda não tinha amadurecido o suficiente para que fosse dado um passo adiante no sentido de iniciar um processo de transição efetivamente anticapitalista.

Entendemos que a ausência de um processo intenso de avaliação e autocrítica entre setores da esquerda latino-americana possa contribuir para essa falta de compreensão sobre o real significado do governo de Hugo Chávez nas lutas sociais deste início de século XXI.

A análise crítica deste governo e deste processo de transformação exige também uma análise crítica de todos os atores e forças que de alguma maneira vem participando mais ativamente no cenário político nacional, regional e internacional, pois a capacidade de mobilização e organização dos partidos e organizações progressistas, populares, antiimperialistas e socialistas/comunistas também tem uma influência decisiva na resolução dos problemas que surgem no interior da chamada Revolução Bolivariana.

Em seu livro Tornar possível o impossível: a esquerda no limiar do século XXI (2000), Harnecker defende que vivemos num mundo repleto de enormes dificuldades para aqueles que lutam contra o capitalismo, e com a existência de “uma esquerda não preparada para enfrentá-lo” (2000: 315).

Se é verdade que não existe possibilidade de uma revolução anticapitalista se consolidar plenamente sem a multiplicação de experiências revolucionárias em diversas partes do mundo, em vários países, como é possível fazer um processo de luta social avançar nessa direção num momento histórico profundamente contra-revolucionário,

onde as condições para a defesa do socialismo - e principalmente da revolução socialista - são bastante desfavoráveis? É possível fazer um processo como este avançar muito mais num momento histórico em que não se observa uma situação revolucionária em praticamente nenhum lugar do mundo? Ou, melhor dizendo, para evitar algum exagero: é possível fazer este processo avançar na direção de uma ruptura anticapitalista numa situação onde a maioria dos países do mundo - e da América Latina - não vivem uma situação revolucionária?

Temos clareza de que é possível e necessário fazer muito mais do que já foi feito na Venezuela se a estratégia for o Socialismo, mas para que a situação política evolua nessa direção é importante se verificar quais são as condições indispensáveis para se atingir tal finalidade.

Em que condições se encontram hoje a classe trabalhadora e as organizações de esquerda anticapitalistas na América Latina e no mundo? Nas condições concretas, reais - e não imaginárias ou desejadas - como estão os sujeitos históricos da transformação socialista da sociedade?

Acreditamos ser correto considerar que atravessamos, no final do século XX e início do século XXI,

uma fase ultraconservadora. Vivemos um período de refluxo da humanidade (...) Não só fracassou o socialismo soviético, como o capitalismo demonstrou uma surpreendente capacidade para se adaptar às novas circunstâncias e para utilizar em benefício próprio os avanços da nova revolução técnico-científica (...) Temos que reconhecer que vivemos tempos angustiantes, plenos de confusão e de incertezas (...) São enormes os desafios que se nos colocam e não estamos nas melhores condições para os enfrentar. (HARNECKER, 2000: 315-317, grifos do autor).

Nestas circusntâncias, como alguém pode qualificar Chávez como líder de um governo defensor do grande capital sendo ele próprio atacado todos os dias pelo grande capital em todo o mundo, fazendo alianças internacionais e regionais que contrariam os interesses do

imperialismo22, sofrendo um golpe civil-militar, com a direita planejando atentados contra a Venezuela e a burguesia mundial impulsionando um movimento cotidiano de oposição a toda e qualquer medida que possa melhorar as condições de vida da maioria da população daquele país.

Ainda assim, alguns agrupamentos políticos de esquerda insistem em acusar o governo venezuelano de ser “um governo burguês, portanto, inimigo dos trabalhadores, e que não se pode depositar nenhuma confiança nele”, e a “a estratégia do movimento operário deve ser a de derrubar o governo de Chávez (...)”. (WEIL, 2004: 86).

Essas declarações de um representante da Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT)23 demonstra o sectarismo e a cegueira que tomam conta de muitas organizações que, pretendendo fazer a crítica ao governo Chávez, acabam contribuindo para fortalecer o projeto de desestabilização econômica e política da Venezuela, um projeto que, sem nenhuma dúvida, está sob o comando do grande capital nacional e transnacional e seus representantes.

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Nesse sentido, merecem destaque: a construção da Alternativa Bolivariana para os Povos da América (ALBA), em contraposição à proposta estadunidense da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), o decisivo apoio à Cuba num momento de ofensiva do governo dos EUA contra este país, a solidariedade com o governo e o povo bolivianos, as ações de solidariedade para com o povo do Haiti, e as críticas feitas por Hugo Chávez à ocupação militar daquele país, as constantes críticas de Chávez à invasão estadunidense no Afeganistão e no Iraque, as denúncias contra o governo colombiano de Álvaro Uribe, o pedido de reconhecimento internacional das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército do Povo (FARC-EP) e do Exército de Libertação Nacional-ELN como forças beligerantes, a aproximação econômica e política com o Irã, num momento onde os governos de George W. Bush e Barack Obama tentaram jogar o mundo todo contra este país, a defesa intransigente do povo palestino diante da s ofensivas de Israel, o apoio solidário da Venezuela aos países africanos, etc.

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Duas declarações importantes, que representam a posição oficial da LIT em relação a Venezuela são: (2007a). Consideraciones sobre el cierre de RCTV en Venezuela e (2007b).

Venezuela: Por que llamamos a votar por el NO. As duas, encontradas no chamado Dossiê Venezuela (2008-2009), disponíveis no sítio www.litci.org, tem alimentado o debate sobre a

situação do país. Na primeira declaração a LIT se posiciona contra a não-renovação da concessão do governo venezuelano para o grupo empresarial de televisão RCTV, alegando que tal medida é um ataque à liberdade de imprensa. Na segunda declaração, a LIT se coloca contra o projeto de Reforma Constitucional, elaborado pelos trabalhadores e pelo governo venezuelano, e se posiciona pelo voto Não no referendo de 02 de dezembro de 2007. Tal posição gerou inúmeras críticas, pois o projeto apresentado por Chávez trazia muitas melhorias concretas para os trabalhadores, como a proposta de redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais.

Enquanto se desenvolve uma ofensiva burguesa contra o governo e a classe trabalhadora venezuelana, alguns partidos e grupos que se auto-proclamam “marxistas” ainda insistem em transformar Hugo Chávez no inimigo principal, servindo assim aos interesses daquelas forças que eles próprios dizem combater. Não existe nada mais irresponsável e equivocado neste momento da luta de classes na Venezuela do que a proposta de “derrubar o governo Chávez”.

Existem textos pretensamente marxistas que chegam a criar denominações supostamente sofisticadas para reproduzir análises completamente distantes da realidade concreta venezuelana. É o caso de Ramirez, que qualifica o governo Chávez como um “governo burguês anormal”. Segundo este,

és un gobierno burguês al que tanto el imperialismo como la inmensa mayoria de la burguesia venezolana Le han declarado la guerra y tratan de derribar, ya sea ‘por las buenas’ (referendo revocatorio) como ‘por las malas’ (paros patronales, movilizaciones callejeras y hasta intentos de golpe militar); o más bien, mediante la combinación de ambas táticas. (RAMÍREZ, 2004: 54).

Essa nova variante dos críticos de Chávez inova ao qualificá-lo como um “governo burguês anormal”. Essa anormalidade resulta, segundo esta posição, do fato de que a maioria da burguesia venezuelana e da burguesia internacional/imperialista se esforçam, de todas as maneiras, e por todos os meios, inclusive o golpe militar, para derrubar o governo Chávez. É isso mesmo. Não nos espantemos.

Segundo esta análise, é um governo burguês odiado por 99,9% da burguesia. Se a burguesia faz de tudo para derrubar um governo, será que o mesmo está atendendo a seus interesses? Como pode uma burguesia lutar com todas as forças pela derrubada de um governo burguês? Anormal é alguém se pretender marxista e ridicularizar o materialismo histórico-dialético de uma maneira tão grotesca ao fazer uma reflexão completamente desprovida de fundamento na realidade.

Fazer uma avaliação crítica e verificar os limites do processo em curso na Venezuela é uma obrigação para todos que querem desenvolver com alguma seriedade uma análise dialética da história e das lutas em curso naquele país. Já trabalhar ativamente pela derrota de um projeto operário e popular que tem na figura de Chávez um de seus representantes, isso não é ser “oposição de esquerda”, mas sim, um instrumento da burguesia e da ideologia burguesa no interior do movimento socialista.

3.7. Um debate no interior da Revolução Bolivariana: reformismo x

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