Organes conventionnels
82. Enfi n, le Comité invite instamment les É tats parties à adopter une approche des enfants autochtones qui soit fondé e sur les droits
A fim de compreender o modelo conceitual proposto, primeiramente é feita uma revisão dos conceitos relacionados à gestão de processos organizacionais, para, após, tornar mais claros os conceitos propostos de “gestão” e de “gerenciamento” da tecnologia médico-hospitalar.
1.4.1. O conceito de Gestão de Processos Organizacionais
A etimologia da palavra “gestão” vem do latim gestione, que significa ato de gerir, gerência, administração, que é definido como “um processo de tomar decisões e realizar ações que compreende quatro elementos principais e interligados: Planejamento, Organização, Execução e Controle”. Os elementos componentes da gestão são definidos como[MAXIMIANO, 2000] [MEGGINSON, 1998] [CHIAVENATO, 2002]:
• planejamento: é o processo de definir objetivos, atividades e recursos;
• organização: envolve basicamente dois processos: o processo de definir o trabalho (atividades) a ser realizado e as responsabilidades pela sua realização; o processo de distribuição dos recursos disponíveis, segundo algum critério; • execução: é o processo de realizar atividades e utilizar recursos para atingir o
objetivo. O processo de execução é amplo; por isso, envolve outros processos. Destaca-se aqui o processo de direção (ou liderança), cuja função é acionar os recursos que realizam as atividades e os objetivos;
• controle: é o processo de garantir a realização dos objetivos definidos no processo de planejamento e identificar a necessidade de mudanças e transformações desses objetivos.
Dentro da gestão de processo organizacional, todas as funções são necessárias e relacionam-se entre si. A coordenação entre elas é fundamental para atingir o nível ótimo de desempenho [MAXIMIANO, 2000] [MEGGINSON, 1998] [CHIAVENATO, 2002].
Na realidade, tais componentes desta gestão são meios para se atingir determinados objetivos, que podem ser utilizados no nível organizacional de processos tecnológicos em saúde.
1.4.1.1. Os níveis de Gestão de Processo Organizacionais
Na rotina das organizações existem diferenças significativas de atividades realizadas na gestão de processos organizacionais, que podem ser classificadas em três
níveis: o nível operacional, o nível tático e o nível estratégico. Cada nível de gestão de um processo tem características que diferem basicamente no alcance que seu planejamento adquire dentro da organização e, conseqüentemente, seus períodos de tempo.
No nível estratégico, os objetivos globais dos processos orientam o seu planejamento, tendo seus efeitos e conseqüências sentidos no longo prazo, sendo de difícil previsão em razão do grande número de variáveis envolvidas no processo. Interessa como medida a efetividade na realização do objetivo. É nesse nível que são efetuadas as políticas e diretrizes que norteiam os processos da organização.
No nível tático, o planejamento é efetuado para o médio prazo, que é um período de tempo definido, baseando-se como referência no que se convencionou como o tempo de longo prazo no planejamento estratégico. É voltado para a coordenação e integração das atividades internas da organização e subordina-se às diretrizes de realização do planejamento estratégico. Envolve um número menor de variáveis se comparado ao nível estratégico, podendo ser utilizados métodos estatísticos de previsões. Nesse nível são efetuados os programas, projetos, procedimentos e as normas que orientam os processos no nível operacional da organização.
No nível operacional, o planejamento refere-se a cada tarefa ou atividade de processo, sendo projetado para o curto prazo. Seus resultados podem ser definidos com bastante segurança, pois os encadeamentos das causas e efeitos podem ser avaliados com um nível razoável de risco. Neste nível, são realizados as metas e os métodos que norteiam as atividades componentes do processo [CHIAVENATO, 2002]. A Figura 03 representa a gestão de processos organizacionais e seus níveis de gestão.
1.4.2. Gestão e gerenciamento da Tecnologia Médico-Hospitalar
A característica de escassez de recursos de todos os tipos (humanos, tecnológicos, econômicos etc.) na prestação de serviços de assistência à saúde, predominante em países em desenvolvimento, incita os níveis gestores da assistência em saúde a tratarem o problema da TMH numa perspectiva de gestão do processo tecnológico em saúde.
Semanticamente, as palavras “gestão” e “gerenciamento” possuem o mesmo significado; a diferenciação que é dada é de cunho conceitual.
As tomadas de decisões para a melhoria do processo tecnológico em saúde são situações que exigem a necessidade de identificar melhorias (na perspectiva de “o que fazer”). Esta idéia é o que representa o conceito de Gestão da Tecnologia Médico- Hospitalar (GTMH, leia-se “G” maiúsculo). Para que haja essa identificação, tem-se de trabalhar sobre as interações da TMH com os recursos humanos dentro de um processo tecnológico. Assim, GTMH pode ser denominado também como Gestão do processo tecnológico em saúde. O conceito de gerenciamento da Tecnologia Médico-Hospitalar (gTMH, leia-se gê pequeno) está vinculado à implementação ou à operacionalização das melhorias identificadas ( do ponto de vista de “como fazer”).
A Gestão de Tecnologia Médico-Hospitalar (GTMH) é definida como a aplicação dos conhecimentos da engenharia e administração para a melhoria de processos tecnológicos em saúde. Como a GTMH trabalha com o processo tecnológico em saúde, a gestão de processos organizacionais, aliada a uma visão sistêmica, é necessária. A visão sistêmica caracteriza-se pela integração de várias perspectivas profissionais e é necessária por causa da multidisciplinariedade existente no ambiente de assistência em saúde, característica inerente à natureza do processo tecnológico, o que leva a afirmar que a efetivação da GTMH somente é possível por meio de uma abordagem em equipe multidisciplinar.
A importância da abordagem em equipe multidisciplinar é evidenciada pelo acúmulo de funções com que o engenheiro clínico e os outros profissionais da saúde se defrontam no Brasil, ou seja, na maioria dos hospitais brasileiros um profissional da área de Engenharia Clínica, geralmente, está sozinho para gerenciar desde o sistema de manutenção até obras de expansão do hospital. Isso ocasiona, naturalmente, a redução do tempo disponível para o planejamento, controle e avaliação do desempenho de suas funções [CARDOSO, 1999]. Por isso, somente uma abordagem em equipe multidisciplinar pode viabilizar a GTMH.
Os profissionais de saúde são indivíduos que trabalham de alguma maneira na assistência em saúde do paciente, como médicos, enfermeiros, farmacêuticos, engenheiros clínicos, administradores, técnicos em instrumentação cirúrgica, técnico em enfermagem, auxiliar técnico etc.
Fundamentado numa pesquisa bibliográfica sobre ciclo de vida dos equipamentos médico-hospitalares, reengenharia, difusão e incorporação tecnológica, inovação tecnológica e gestão de processos organizacionais, é proposto um modelo conceitual cíclico como um modelo de GTMH (Figura 04), sendo formado por quatro fases principais (a utilização, o reprocessamento, a inovação e a incorporação). Algumas referências utilizadas foram [KNELLER, 2001] [ANTELME, 2000] [MANGUN, 2002] [ALP, 1998] [AAMI, 1999] [WIKSTRÖM, 2004] [FRANÇA, 2001] [CHAPMAN, 2001] [SCHEEL, 2002] [KAUTZ, 2000] [MAXIMIANO, 2000] [CHIAVENATO, 2002] [ROGERS, 2001] [TORRES, 1995] [LAUDON, 1999] [STAIR, 1998] [WHO, 2003].
Para compreender o conceito do modelo de gestão proposto, deve-se considerar o funcionamento de um serviço de assistência em saúde que tenha um componente tecnológico. Inicialmente, qualquer processo tecnológico em saúde que se encontra em fase de utilização atende a uma certa demanda por assistência em saúde da população. A utilização é a etapa de interação intensa entre a TMH, os recursos humanos e o paciente, formando um processo tecnológico em saúde.
Figura 4. Modelo conceitual da GTMH, mostrando as fases de inovação incorporação, utilização e reprocessamento de um processo tecnológico em saúde.
Por meio das de informações obtidas do contexto que condiciona a adequação dos recursos utilizados dentro deste processo, podem-se identificar suas dificuldades de interação e propor oportunidades para a sua melhoria.
A partir do conhecimento e implementação das ações de melhoria, podem ser necessárias modificações em algum dos elementos componentes ou em alguma das interações deste processo tecnológico, ou até inclusões de outras interações ou elementos, transformando o processo, o que corresponderia à fase de reprocessamento. O reprocessamento é a fase em que o processo tecnológico em saúde necessita de atualização, provocada por fatores que demandam mudanças no ambiente de assistência à saúde.
Essas transformações (ou atualizações) geram uma inovação dentro do processo tecnológico, e, dependendo das características, esta inovação pode ser classificada em dois tipos: incremental e radical [FRANÇA, 2001].O fato de qualquer ação de melhoria promover modificações no estado inicial do processo é a base de referência para ser considerada uma inovação de um determinado processo. Isso corresponde à fase da inovação.
Esse processo inovado precisa ser incorporado adequadamente ao contexto da assistência em saúde para que seja efetivamente utilizado, o que corresponde à fase de incorporação. A incorporação é a fase de difusão da inovação no processo de assistência em saúde, para que seja integralmente utilizada nesse ambiente. Com isso, um processo tecnológico em saúde modificado por um ciclo de GTMH retorna à fase de utilização na assistência em saúde.
O gTMH (gerenciamento) representa a operacionalização de ações de melhorias dentro do processo tecnológico em saúde (é o “como fazer”), em que cada atividade realizada para esta operacionalização está relacionada ao funcionamento de um dos componentes do processo. Tais atividades encontram-se muito relacionadas a componentes da estrutura, que é a base para o funcionamento do processo, principalmente o equipamento médico-hospitalar; por isso, acabam sofrendo a influência do ciclo de vida do equipamento, ou seja, nascem, crescem, alcançam um nível de maturidade para, depois, tender à saturação, ao declínio ou ao desaparecimento.
Por outro lado, a GTMH, por estar atuando com uma perspectiva de processo tecnológico em saúde (“o que fazer”) é mais ampla e não sofre, tão diretamente, os efeitos
do ciclo de vida de uma determinada TMH. Isso porque um equipamento médico-
está vinculado não desaparece completamente e ao mesmo tempo que um determinado equipamento. Desde que ainda haja a demanda pela assistência em saúde, o processo tecnológico vai sofrendo transformações contínuas. É nessa evolução do processo tecnológico em saúde que se fundamenta o modelo conceitual de GTMH.
Entretanto, a área de Engenharia Clínica não deve pressupor que os conceitos de GTMH e de gTMH são conceitos excludentes, ou que uma tem mais importância que a outra. Na verdade, elas são complementares, já que a GTMH deve auxiliar na realização de um bom gerenciamento, ou seja, sabendo “o que fazer” fica mais adequado definir “como fazer”, e a gTMH, que é aonde efetivamente as atividades relacionadas diretamente ao paciente ocorrem, é o campo em que a gestão deve buscar a inspiração para verificar e readequar seus objetivos.
Os resultados da GTMH podem ser verificados na qualidade de assistência em saúde dada ao paciente. A gestão de processos organizacionais pode ser utilizada para auxiliar cada uma das fases da GTMH e a perspectiva sistêmica deve ser adequada ao alcance (limites) de responsabilidade gerencial que se quer envolver no estudo do gerenciamento do processo tecnológico em saúde.
Assim, com base na perspectiva desse novo paradigma complementar para a Engenharia Clínica e com o objetivo de desenvolver este trabalho, é necessário conhecer os indicadores geralmente utilizados pela área da Engenharia clínica e analisar se podem auxiliar na implantação do modelo proposto de GTMH.