Às vezes eu acho que só estou sonhando que você não morreu ou só está viajando quando a saudade vem não dá para agüentar o coração dói demais nem parece [nome da mãe] que você partiu eu não estava por perto e quase ninguém viu. Essa noticia abalou todo o meu coração, falei com Deus, meu Deus, por favor, não leve ela não, mas não adiantou akela ali era a sua hora não tinha jeito, você quer ir embora, você se foi e entristeceu os nossos corações, tenha certeza estará sempre em minhas orações. (Daniel, 17 anos, registro em diário de campo, 05 de março de 2009)62.
62
Música estilo funk feita por Daniel para sua mãe que havia falecido há pouco tempo. Esse jovem cantou a música em sala de aula, emocionando muitos colegas.
À pergunta sobre se possuíam religião, 77% dos jovens responderam que sim e 14,9% dos jovens disseram que não tinham; 8,1% não responderam à pergunta, como mostra a tabela 15.
Tabela 15 - Jovens segundo a religião.
Turma A B C D E F G H I Total % Sim 14 9 6 11 18 13 13 16 14 114 77,0
Não 2 6 0 5 2 2 2 1 2 22 14,9
NR 2 2 1 1 0 1 2 0 3 12 8,1 . Fonte: Questionário.
Novaes (2004, 2005), ao estudar religiosidade e juventude, informa que aconteceram algumas mudanças no cenário brasileiro quanto à religião. Houve um aumento dos evangélicos nos últimos anos e uma diminuição acentuada de católicos, além de um grande aumento dos jovens “sem religião”, citando como fonte de apoio o Censo 2000 e a pesquisa “Perfil da Juventude Brasileira”. Para esta antropóloga, a religião é considerada um dos aspectos que compõem o mosaico da juventude brasileira. É tão importante quanto os recortes de gênero, raça e classe. Nesta pesquisa, a religião foi enfatizada em virtude da importância dada a ela pelos jovens participantes do Programa. Algumas situações chamaram a atenção no cotidiano dos jovens logo nos primeiros dias da pesquisa empírica. A maioria deles, ao realizarem um trabalho ou quando iam fazer uma prova, oravam em voz baixa; outros faziam o sinal da cruz na testa. Várias experiências comprovavam que a maioria possuía uma religião ou frequentava uma igreja e alguns acontecimentos fundamentaram essa observação.
Na hora do intervalo, uma jovem chegou com um sorriso estampado no rosto. Dizia ao grupo que havia se convertido a uma igreja evangélica e que tinha recebido um
“chamado de Deus”. O grupo era formado apenas por jovens do sexo feminino.
Imediatamente ao saberem da notícia, diziam: “Oh Glória”, “Deus seja louvado”,
“Que bom”. Batiam palmas e cumprimentavam a colega. Esse grupo se formava
apenas na hora do intervalo, uma vez que elas eram de turmas diferentes, mas algumas estudavam na mesma escola de ensino regular, por isso havia uma aproximação entre elas.
Havia também, nesse grupo, algumas jovens que levavam a Bíblia Sagrada para o Programa e liam para os colegas. Uma jovem disse que existiam vários tipos de
bíblias decoradas para jovens, como capa com a estampa de jeans. A dela era em formato de bolsa e cor de rosa. Nesse grupo, todas aparentavam ser evangélicas. Após essa informação, pude perceber que alguns jovens carregavam a Bíblia no meio dos cadernos e dos livros, e muitas Bíblias pareciam agendas.
Novaes (2005, 2004) indica que, nos últimos anos, a linguagem religiosa se fez presente na camada juvenil de diferentes formas, podendo ser visualizada por meio de expressões juvenis, como na arte e na cultura63
.
Para ter acesso à Bíblia, por exemplo, os jovens brasileiros não precisam considerar a autoridade dos padres ou outros mediadores religiosos tradicionais, nem precisam a eles se submeter. A Bíblia pode ser comprada em qualquer esquina, seus versículos são cantados nas letras de rap e aparecem escritos em outdoors no centro das cidades, nos muros das favelas e periferias (NOVAES, 2005, p. 265).
Os jovens de outro grupo, e este do sexo masculino e católico, durante a elaboração de um trabalho, cantavam “louvores”, que, para eles, eram antigos louvores da
“época de criança que frequentavam a catequese”. A emoção tomava conta dos
jovens, que não demonstravam estar inibidos com a presença da pesquisadora no grupo. Diziam que gostavam de evangelizar.
Em outra situação, algumas jovens estudavam, no intervalo, para uma prova, que aconteceria no segundo horário. Mal conversavam ou comiam seus lanches. Quando o sinal tocou, uma delas gritou “que seja a vontade de Deus” e começou a cantar “Vai dá tudo certo, vai dá tudo certo, se a gente colocar a nossa fé em ação,
Glória Jesus”. Todas juntas cantavam indo em direção à sala de aula, algumas
abraçadas. O professor, logo em seguida, cancelou a prova sem motivos aparentes e a remarcou. A jovem imediatamente disse a seu grupo “Deu tudo certo porque que
a gente colocou a nossa fé em ação,” e a alegria tomou conta da sala de aula.
Alguns professores, sabendo dessa relação dos jovens com a religião ou com a crença em Deus, brincavam dizendo que Deus queria que eles fizessem as atividades. Um professor constantemente dizia: “Oh! Glória, Elba fez as atividades”. Os jovens não se importavam e brincavam junto com ele.
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No maior evento de Hip Hop da América Latina, foi instituída a categoria “Hip Hop Gospel”, mas muitos jovens ganham prêmios com as composições “sem religião”, isto é, músicas sem vínculos com instituições religiosas (NOVAES, 2004).
Dos 77% dos jovens que responderam ter uma religião, 44,7% se autodenominaram Católicos; 36% mencionaram que eram Evangélicos; 8,8% Protestantes; 2,6% Adventistas; 0,9% Testemunha de Jeová e 7% não responderam à pergunta, conforme dados da tabela 16.
Tabela 16 - Referente à denominação religiosa.
Turma A B C D E F G H I Total % Católica 8 5 2 5 10 2 7 8 4 51 44,7 Protestante 1 2 0 0 1 1 1 1 3 10 8,8 Evangélica 4 1 3 5 7 7 4 4 6 41 36,0 Adventista do 7° dia 0 1 1 0 0 0 1 0 0 3 2,6 Testemunhas de Jeová 0 0 0 0 0 0 0 1 0 1 0,9 NR 1 0 0 1 0 3 0 2 1 8 7,0 Fonte: Questionário.
De acordo com Pierucci (2006), evangélico é sinônimo de protestante, no Brasil. Assim, temos, nesta pesquisa, uma porcentagem de 44,8% de jovens cristãos não católicos, sendo esta uma porcentagem compatível com a do número de jovens católicos nesse Programa.
Ainda de acordo com esse sociólogo, algumas religiões não são consideradas cristãs, pois não pertencem à linhagem da Reforma Protestante. Para alguns estudiosos, são chamadas de “neocristãs” ou “paracristãs”. Entre elas, as principais são: Ciência Cristã; Mórmons; Adventistas; Testemunhas de Jeová; Racionalismo Cristão. No contexto do Programa a pesquisa apresentou uma porcentagem de 3,5% de jovens adeptos destas religiões.
Quando foi perguntado se faziam parte de grupos na Igreja que frequentavam, a maioria informou que sim; alguns participavam de vários grupos simultaneamente.
Eu toda vez que tem celebração eu tô lá, deixo de ir ao futebol para ir para a igreja, faço parte do grupo de canto, do grupo de jovem de vez em quando eu dou catequese para as crianças para ajudar a minha mãe. (Serginho, 17 anos, grupo focal).
Frequento todos os grupos possíveis, quarta, quinta e domingo e pertenço ao grupo de louvor. (Tom, 17 anos, grupo focal).
Eu faço parte do grupo de jovens, de louvor que canta lá na frente, e agora tão querendo me colocar no grupo que coloca data-show, não tem? Quando vamos cantar a música aparece na parede. (Cláudia, 17 anos, grupo focal). Eu sou auxiliar do líder de jovens, tenho dois ministérios de louvores, sou back e vocal, faço parte do grupo de teatro, do grupo de coreografia, e dou aula de coreografia para as crianças no sábado, só não prego [risos]. (Alcione, 16 anos, grupo focal).
Alguns jovens disseram que não participavam mais dos grupos da Igreja, com a mesma frequência e intensidade, pois precisavam estudar para as provas da escola de ensino regular ou para o Programa e também por estudarem à noite.
Eu participo do grupo de jovens e de louvor. Por enquanto assim não vou muito na igreja, por causa dos meus estudos, estudo à noite, eu falto mais na quarta-feira na escola, porque eu me acho obrigada a ir, porque eu não vou nenhum dia na semana, pelo menos na quarta-feira eu acho que eu tenho o direito e obrigação de ir, né só na quarta-feira, aí eu tenho o sábado e domingo para ir também. (Ana Carolina, 17 anos, grupo focal).
Sim. Frequento, tenho mais dificuldade agora durante a semana, por causa das aulas, curso, e jogo durante a semana, mas todo domingo to lá com fé. Participo do grupo de teatro e do jovem que sai ao sábado para fazer visita. (Bete, 17 anos, grupo focal).
Culto sim, mas dia de domingo, dia de semana não dá muito, porque nós temos que ir para escola, aí os grupos não dá para frequentar muito. (João Paulo, 17 anos, grupo focal).
A maioria dos jovens disse que a religião tinha grande importância em suas vidas. Nessa situação, os jovens associaram a religião a um direcionamento correto, à proteção contra os perigos da sociedade, à ajuda e para se sentirem mais aliviados e leves diante dos problemas do cotidiano e também para terem ideias mais positivas:
Religião é você seguir o caminho que é certo, né?. Dentro de uma religião nossa [pausa] você vai ter fé, ela vai te ajudar, ajudar a abrir os caminhos, portas, ideias, acho que é isso. (Adriana, 17 anos, grupo focal).
A religião no modo que você fica mais aliviado, quando a pessoa tem fé você fica mais leve, parece você fica com pensamento em coisas boas, é isso. (João Paulo, 17 anos, grupo focal).
Jorge e o Emílio discordaram do grupo, alegando que a importância está na crença em Deus, e não na religião de cada um. Os demais jovens respeitaram a opinião dos colegas e escutaram as respostas sem retaliações. É preciso ressaltar que os dois jovens foram de grupos focais diferentes.
A religião não, servir a Deus é de extrema importância aqui... em qualquer lugar. Igual a minha vida, tudo que eu faço, é de permissão de Deus, não tem nada que eu faça na minha vida que não seja da permissão de Deus. (Jorge, 16 anos, grupo focal).
Olha aqui, a religião em si não tem muita importância não, e sim na crença em Deus, Jesus, na salvação. Tipo assim, tem muita gente que vai na igreja e não tá nem aí, está de fachada, mas se um jovem acredita em Deus, que ele pode salvar que ele é todo poderoso, ele vai ter, tipo assim uma vida boa, não vai correr tantos perigos, correr corre, mas tem certas coisas que
ela não vai fazer, que aquele caminho não é o certo, que aquele caminho é errado, acho que é isso (Emílio, 17 anos, grupo focal).
Percebemos, nas falas, de dois jovens, sendo um católico e a outra evangélica, que o comportamento de jovens religiosos é diferenciado, e é esperado deles que exerçam sua fé e a proclamem em todos os espaços que costumam frequentar. Segundo depoimento deles, essa postura ativa a religiosidade. Eles afirmaram que a sociedade os enxerga de maneira diferenciada, e eles dão muito valor a isso.
Eu vejo uma grande importância na religião, na nossa religiosidade, quem olha para mim, quem não me conhece pensa que não sou de igreja nenhuma, né? [risos] tem grande importância quanto a partir do exemplo que a gente tem que dar, o jovem hoje que segue a igreja, é um jovem visto diferente na sociedade, tem uma visão mais ampla, se vê com mais respeito, e tipo traz uma certa união da gente com o nosso grupo na igreja, cada grupo de jovem, cada grupo que se reune na igreja, que nem meu grupo, a gente tem um ministério, que a gente toca fora, eu sinto uma satisfação tão grande, de está ali cantando, tocando, a gente viaja pra tocar, fico tão feliz, é uma satisfação está ali servindo a Deus, sabe? Eu acho que é isso que as pessoas deveriam saber, em procurar Deus, sentir em satisfação em servir ele, não tá ali só para ouvir, você saí da igreja e começa, aí volta para igreja tira o pé de novo, eu não acho isso certo. (Serginho, 17 anos, católico, grupo focal).
Na minha tem uma grande importância, tanto que o mundo tem que ver a gente diferente, a gente tem que dá exemplo não só aqui no Programa, mas na escola no dia a dia. Eu mesmo me assusto na minha sala, porque tem quatro pessoas na minha sala que são batizadas na igreja e eu me espanto, quando eles me contaram eu tomei um susto, eu não acreditava, na minha igreja tem batismo, eu pretendo batizar. Eu não sei, eu estou pensando muito porque é uma coisa muito séria, mas vejo que é um passo que a gente tem que dar, eu vejo uma grande responsabilidade, até grande demais para gente ser do evangelho, e mostrar o que a gente faz, não só demonstrar que é, mas passar para os outros o que a gente tem certeza. [...] Não é que a gente depende da igreja, mas a igreja é a base, se você não vai na igreja hoje, você vai para o mundo e por eu está estudando, fazendo curso, eu já me senti muito fraca, muitos não entendem o vazio do mundo, mas Deus está orando por todos nós, né?. (Bete, 17 anos, evangélica, grupo focal).
Segundo o depoimento de Bete, o fato de haver na sua sala jovens que são batizados, mas não se mostram “diferentes”, “não dão exemplo” causa nela um espanto. E, mesmo não sendo batizada na igreja, ela reconhece que deve ser exemplo. Expressa, ainda, a pretensão em batizar-se, mas acha uma situação séria e de grandes responsabilidades.
A maioria deles disse que é muito difícil os jovens permanecerem na igreja, em virtude de algumas religiões proibirem certos comportamentos juvenis, mas todos reconheciam a importância da religião na vida deles e na vida do jovem em geral. Cláudia diz que a entrevista em grupo só aconteceu por permissão de Deus, e, no
momento da sua fala, todos os jovens participantes concordaram com ela; foi um momento de muita emoção entre eles.
Muito importante, muito mesmo, porque você sem Deus você não é nada, eu, por exemplo, sem Deus, vão supor que sou um lixo, sem Deus. Hoje para um jovem seguir, ficar na igreja é muito difícil, principalmente para quem são de religiões mais rigorosas, porque tem igreja que pode isso, não pode aquilo então o jovem, isso acaba que o jovem se perdendo mais fácil. Tem tanta proibição quando ele se solta um pouquinho já era, eu acho que a religião é muito importante na vida da gente, para o jovem é muito difícil mesmo. Para a gente ser alguém na vida, porque se a gente tá aqui agora é permissão de Deus, se a gente tá aqui neste momento agora é permissão de Deus, [ênfase ao repetir a fala] se não fosse Deus a gente não estaria aqui neste momento discutindo tantos assuntos, eu acho que é muito importante. (Cláudia, 17 anos, grupo focal).
Eu, na minha opinião, para o jovem é mais difícil porque as tentações são muito grande, é muita bandeja, a gente tem que passar a vigiar mais, não querer ficar com aquele pensamento que sou jovem tenho que aproveitar a vida, aproveitar sim a vida mais nos caminhos do Senhor, porque não há outro caminho.Se você quer aproveitar o mundo lá fora, você bebe e bebe, a noite toda, qual a consequência no outro dia? Você vai para igreja você entra de um jeito e sai de outro, e se você for para igreja e só olhar para a igreja, você não vai a lugar nenhum, você tem que olhar para Deus, porque eu sem Deus não sou nada, principalmente eu que tenho ministério a gente tem que vigiar mais, e eu não vejo diferença nenhuma neste pessoal aqui porque adoramos o mesmo Deus, o que muda é só a doutrina, e se a gente for pensar e olhar só para o pastor a gente vai se perder é preciso olhar para Deus. Meu alvo é esse. (Alcione, 16 anos, grupo focal).
O depoimento de Alcione é ilustrativo na demonstração de que a religião é um contentor ou até opressor da moratória vital. As manifestações e condutas juvenis não se enquadram nas regras impostas pela maioria das religiões.
Para Novaes (2005) essa geração tem como característica a instabilidade, sendo caracterizada principalmente pela disponibilidade de experimentação, e isso também é evidenciado no campo religioso. Segundo essa autora, “São os jovens os que mais transitam entre os vários pertencimentos em busca de vínculos sociais e espirituais” (p. 271). Já Pais (2006), ao falar sobre esses movimentos oscilatórios da juventude, sobre a vida de inconstância dos jovens, sobre as flutuações e sobre as experimentações, também conhecidas como “metáfora do iôiô”, enfatiza: “Como se os jovens fizessem das suas vidas um céu onde exercitassem a sua capacidade de pássaros migratórios” (p.9). Alguns depoimentos dos jovens evidenciavam tais experiências:
Tipo, eu sou batizado na católica, mas frequentar é um problema, né? Eu vou na Maranata, vou na Assembléia, Presbiteriana, a Testemunha de Jeová, Assembléia Renovada, a igreja Bola de Neve em Coqueiral, também
na igreja da UFES que é de GLS. Essa igreja, tipo assim, mistura Católica, Evangélica, mistura um pouco de tudo, aí tipo assim, o pastor é um gay, pode se dizer, também tem sempre uma mulher que é lésbica, tipo assim, tanto faz se você é lésbica, gay, transexual, travesti, transformista, você vai do jeito que vai, do seu dia a dia, você vai ser recebido do jeito que você é, não precisa, só porque você vai na igreja, ir com aquela saião lá no pé, também não precisa ir com aquela sainha curtinha, tomara que caia, bermudinha, de chinelo.Você pode ir normal, é só saber respeitar. Não importa, você pode ir se você for hetero, entre aspas, normal, que a sociedade acha que é pessoa normal você pode ir lá que você vai ser bem recebida, você vai conversar, eles vão explicar direitinho como é rotina de lá, é uma igreja normal, tipo assim, porém o público gerado é de GLS. (Emílio, 17 anos, grupo focal).
Evangélica. Eu era da Católica, eu não sou batizada em nenhuma igreja, eu vou nas evangélicas, Batista, Metodista. (Ivete, 17 anos, grupo focal). Sou evangélico criado na igreja Batista, estou um pouco afastado, estou acompanhando os cultos e louvores na igreja Maranata. (Beto, 16 anos, grupo focal).
Todos os jovens disseram que a religião fazia diferença em suas vidas. Alegaram valores como “possibilidade de abrir caminhos”, “mostrar caminhos certos”,
“possibilidade de ter bons pensamentos”, “graças alcançadas”. Diante do relato de
tais valores na vida, é preciso enfatizar a fala de Jorge, pois sua mãe tinha morrido havia aproximadamente quatro semanas antes da realização do grupo focal. Quando ele comentou a situação64, alguns jovens choraram diante da trajetória de vida e da experiência religiosa do colega. Desta forma, a entrevista foi interrompida por alguns minutos.
Um exemplo que eu posso dar, não de permissão de Deus, mas um fato que aconteceu comigo. O ano passado procurei estágio o ano inteiro, procurei e procurei e chegou em setembro, no meu aniversário, lá na igreja a gente ora para quem tá fazendo aniversário, aí oraram para mim em setembro no dia do meu aniversário, aí o Senhor falou bem assim, que estava me dando uma bandeira, uma bandeira da vitória, tá. Aí eu entendi que eu receberia uma vitória, mas eu não sabia o quê, aí passou outubro, novembro, e dezembro quando chegou em dezembro, eu tive a proposta de fazer a prova no Programa aí foi onde eu passei e passei em sétimo lugar, o número da perfeição. Aí eu pude entender que a bandeira que eu recebi em setembro eu estiei em dezembro. Outro exemplo que eu posso dar também, é rapidinho, que Deus está sempre presente é a morte da minha mãe, porque ele deu um sonho a uma mulher da igreja, a mulher via a igreja como um jardim, e Deus descia, vinha e arrancava um lírio deste jardim, ou seja, tirava um membro da igreja, e um dia antes da minha mãe morrer, a minha irmã abriu a palavra e pediu o Senhor para falar, se o Senhor ia levar ela ou não, e o Senhor falou no texto lá sobre a eternidade, estas coisas, e o Senhor ia falar. Então isso me conforta, então vai fazer um mês agora no dia 12. As pessoas ficam bem assim, “Nossa!No seu lugar não sei nem
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O jovem mostrava-se tranquilo e conformado com a morte de sua mãe. Os técnicos ficaram sabendo da morte da mãe dele pela pesquisadora, cinco dias, após o acontecimento.
como eu estaria”, mas eu estou deste jeito porque Deus... bom uma folha de uma árvore não cai que Deus não permita, então a minha vida é toda nos caminhos de Deus, e Deus preparou a minha família inteira pelo o que aconteceu então a minha vida inteira é de Deus. E Deus falou com a gente que ia levar e nós estamos conformados, porque ela tá no lugar muito melhor, entendeu? E Deus nos avisa o que ele vai fazer, ele não faz assim de vez para a gente tomar um susto e desviar. Então servir a Deus é de extrema importância. (Jorge, 16 anos, Evangélico da Igreja Maranata, grupo focal).
Além de a religião ocupar um lugar muito importante para os jovens, constatamos também que eles ignoraram o ditado “religião não se discute”, pois, durante toda entrevista em grupo, eles se mostravam interessados e preocupados com o assunto, e uma jovem disse, no final da entrevista: “Quem disse que religião não se discute?”, demonstrando entusiasmo e satisfação.
Esses jovens mostraram que davam muito valor à participação em grupos,