Chapitre 1 La problématique de la gouvernance naît avec l’action
A. Toute action est intentionnelle et implique de ce fait la notion de pilotage
Vivemos numa sociedade que já não admite uma escola passiva, mas, sim, impõe uma escola ativa, empreendedora e com acesso ao meio, uma escola promotora de cultura de comunicação, de partilha com a comunidade escolar e com o meio envolvente, com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento equilibrado dos indivíduos (Saraiva, 2002). Deste modo, segundo Saraiva (2002), a escola atual requer novos procedimentos e deveres a todos os que colaboram no processo de ensino e aprendizagem, sejam professores, pais e encarregados de educação, entre outros. A função do professor, fundamental enquanto impulsor do processo, é decisiva para o êxito de qualquer reforma educativa. Assim, a escola é um contexto de troca de saberes, onde todos os intervenientes convivem parte do tempo; por essa razão, é essencial que cada um se sinta uma peça componente da mesma, pois que, pensar numa instituição como é o caso da escola, obriga necessariamente a que se pense nos sujeitos que a integram, que laboram e participam na conquista de metas comuns, assim como nas inter-relações que se criam. Como refere Teixeira (1995, citado em Saraiva 2002, p. 162), "uma organização é um conjunto de indivíduos que interagem. O que fizerem com as suas relações definirá o que é a organização".
Uma vez que por envolvimento dos educadores de infância entende-se a situação mental positiva relacionada com o trabalho e representada por vigor, dedicação e absorção (Schaufeli
um projeto político/democrático; como declaração de vantagens e de desejos; na qualidade de meio que restringe e até impede algumas ações; como forma de mediação nos domínios de decisão política e organizacional, causador quer de discórdias, quer de acordos ajustados (Lima, 1992). Lima (1992) destaca que, por meio de um sistema de combinação de quatro vertentes: democraticidade, regulamentação, envolvimento e orientação, é possível caracterizar as diversas maneiras e modelos de participação na escola. Nesse âmbito, de acordo com o mesmo autor, o envolvimento determina um comportamento de maior ou de menor compromisso dos atores nas atividades de organização, de maneira a mostrar certos interesses e decisões. Por esse motivo, a participação dos sujeitos pode mostrar vigor/energia, previdência ou indiferença. O envolvimento pode apresentar-se na forma de participação ativa, reservada e passiva:
• Participação ativa, em que os sujeitos de maneira individual ou em equipa, mostram vigor e competência para levar à tomada de decisões nos diferentes campos de ação da organização;
• Participação reservada, em que os sujeitos são prudentes de maneira a proteger os benefícios e evitar riscos. Distingue-se por alguma ação, podendo desenvolver-se para uma participação de alto ou baixo envolvimento, conforme o ponto de vista dos sujeitos;
• Participação passiva, em que os sujeitos em contexto organizacional manifestam comportamentos de dúvida, supressão e indiferença.
García-Renedo, Llorens e Salanova (2006) e Cifre (1969), ao analisarem as três dimensões do engagement indicadas por Schaufeli e Bakker (2002), realçaram que o vigor implica altos níveis de energia e resistência mental no trabalho, persistência e um forte desejo de esforçar-se, inclusivamente quando aparecem dificuldades no dia-a-dia. A dedicação denota a alta implicação laboral e manifesta-se nos altos níveis de significado, no entusiasmo,
inspiração, orgulho e nos desafios relacionados com o trabalho. A dimensão absorção ocorre quando se está plenamente concentrado e feliz enquanto se trabalha, quando se tem a sensação de que o tempo passa muito rápido e se tem dificuldade em afastar-se do que se está a fazer.
Não obstante o engagement laboral ou no trabalho ser um conceito relativamente novo e, em consequência disso, não existirem muitas pesquisas a respeito do assunto, é possível, no entanto, com base em estudos já realizados, encontrar pesquisas que confirmam a existência de engagement laboral em vários campos, entre eles, o da docência (Pocinho & Perestrelo, 2011). Existem estudos que reforçam a ideia de que o envolvimento no trabalho é um constructo mundial (Vazquez, Magnan, Pacico, Hutz, & Schaufeli, 2015). Num estudo sobre o envolvimento, realizado em Espanha (Durán et al., 2005), com docentes do ensino básico, secundário e de adultos, foram encontrados resultados de engagement altos, com valores médios de resposta de 5,03 para a dimensão de vigor, de 4,94 para a dedicação, e de 4,71 para a absorção, numa escala de 0 a 6. Os autores encontraram semelhanças entre as dimensões do
engagement, as do burnout e a satisfação laboral, relevando, em especial, a dedicação que
aparece como fundamental no que respeita à conciliação positiva do bem-estar psíquico dos trabalhadores. Estes resultados estão de acordo com os das pesquisas realizadas por Schaufeli et al. (2002), das quais se confirmou que os profissionais com graus mais altos de vigor, dedicação e absorção tinham comportamentos mais positivos em situações de stress. Num estudo realizado em cinco regiões do Brasil, cujo objetivo era adaptar e obter provas de validade da versão brasileira da Utrecht Work Engagement Scale (UWES), encontraram-se diferenças de envolvimento em relação à idade. Em contexto português, um estudo realizado por Picado (2007), com o objetivo de perceber de que forma a utilização de determinado tipo de estratégia de coping poderá conduzir ao burnout ou, preferencialmente, ao engagement, confirmou que das três dimensões, a dedicação é a que apresenta valores mais elevados, com média de resposta de 5,83, sendo que 97,2% das respostas dadas se posicionam acima do valor
médio da escala de cinco pontos usada na pesquisa. O vigor apresentava uma média de 4,87 e 84,9% das respostas estava acima do ponto três da escala; e a absorção aparece com uma média de 3,74, com 58,9% das respostas abaixo do ponto quatro. Estes valores são estimulantes e demonstram que ainda que existam muitos professores em burnout, também há muitos professores envolvidos. Por esse facto, é possível, por meio de uma adequada formação inicial e contínua, desenvolver o engagement na profissão docente, tornando-as mais importantes para todos os participantes do processo de ensino/aprendizagem.
Segundo Patrão, Pinto e Santos-Rita (2012), o bem-estar dos docentes deve incluir um conjunto de temas essenciais a serem abordados na atualidade, atendendo às alterações no sistema de educação, indo além do foco no equilíbrio afetivo dos mesmos, mas procurando compreender que causas podem estar ligadas a esse estado. Adicionalmente, o envolvimento das auxiliares de educação, pais e de outros elementos da sociedade é muito importante na concretização de situações educativas planificadas pelo educador de infância, de modo a ampliar as relações com os pares e tornar assim o processo de educação qualitativamente melhor (Portugal, 1997, citado em Vasconcelos, 2012).