Chapitre 2. Planter le décor : Mayotte
4. Gérer et protéger la mer et le littoral à Mayotte
4.4. Émergence et mise en place d’un autre outil : le PNM
Neste trabalho, as populações de Plasmopara viticola recolhidas da RDD mostraram-se sensíveis ao metalaxil, não se verificando fenómenos de resistência para nenhuma das amostras recolhidas. Contudo, a amostragem foi muito limitada devido a ter sido um ano “fraco” para míldio.
No entanto existem países onde já se verificaram fenómenos de resistência ao metalaxil em estirpes do míldio da videira, desde meados de 1981, como é o caso da França, África do Sul, Suíça e Uruguai (Pearson & Goheen, 1988).
Na Austrália, Wicks et al. (2005) testaram o aparecimento de resistências no míldio da videira ao metalaxil. Embora tenham testado apenas 3 quintas, os resultados mostram elevados níveis de resistência ao metalaxil em duas vinhas. No entanto, consideram importante a realização de outros estudos para determinar se os fenómenos de resistência estão generalizados em várias quintas ou se encontram confinados a vinhas individuais na área de Hunter Valley, na região de NSW. Este é o primeiro estudo do aparecimento de fenómenos de resistência do míldio da videira ao metalaxil. Não são conhecidos outros estudos na Austrália que relatem falhas no controlo deste pseudofungo após a aplicação do metalaxil, sendo este fungicida uma excelente ferramenta no controlo deste agente patogénico nas vinhas do Sul da Austrália. No entanto, os casos de mau controlo da doença após a aplicação de fungicidas contendo a substância ativa metalaxil, precisam ser verificados, para determinar se isso é devido à acumulação de uma população resistente ao metalaxil.
No Cabo Ocidental da África do Sul, nas campanhas de 1999/2000, 2000/2001 e 2001/2002, foram recolhidas 823 amostras provenientes de várias vinhas, com a finalidade de avaliar a sensibilidade das populações do míldio da videira à substância ativa metalaxil. Para tal foi calculada a Concentração Mínima Inibitória. A maioria dos isolados (94,2 %) apresentaram valores de Concentração Mínima Inibitória de 100 µg/mL ou ainda superiores, sendo estes isolados considerados altamente resistentes. Esta observação foi apoiada pelos registos de elevadas frequências de resistência registadas ao longo do tempo em vinhas individuais e é indicativo da estabilidade das resistências deste pseudofungo ao metalaxil (Fourie, 2004).
Fourie (2004) considera ainda que a ampla ocorrência e estabilidade da resistência das populações de Plasmopara viticola ao metalaxil, levam a uma reconsideração do uso de formulações de fenilamidas para o controlo do míldio da videira nas vinhas do Cabo Ocidental da África do Sul.
O aparecimento de fenómenos de resistência associados à aplicação da substância ativa metalaxil noutras espécies de míldio é também retratado por alguns autores. Mukalazi et
al., (2001) testaram a resistência de populações de Phytophthora infestans ao metalaxil e verificou que ao contrário das populações de Plasmopara viticola, este fungo foi considerado resistente em 44,4% dos isolados testados. Assim, verifica-se que o metalaxil apesar de ser utilizado tanto para o míldio da videira, como para o míldio da batateira, a sua ação é muito mais eficaz no míldio da videira, onde o fungo se mostrou sensível ao metalaxil em 100% dos isolados.
Śliwka et al. (2006) testaram a resistência de isolados de Phytophthora infestans ao metalaxil e de um total de 131 isolados recolhidos na Polónia em diferentes anos, verificaram que 82% dos isolados foram sensíveis ao metalaxil, 3,5% manifestaram resistência intermédia e 14,5% apresentaram resistência. Do total das amostras recolhidas, 101 amostras eram provenientes de campos experimentais que não foram tratados e 30 amostras vinham de campos protegidos quimicamente contra
Phytophthora infestans, os quais apresentaram a maior percentagem de isolados
resistentes ao metalaxil, cerca de 30%. Os resultados obtidos foram consistentes no decorrer dos diferentes anos.
Wang et al. (2012) também testaram a resistência adquirida por populações de
Phytophthora infestans à substância ativa metalaxil. Num estudo realizado numa
província da China, entre 2004 e 2008, verificaram que dos 39 isolados testados, 89,7% eram resistentes a esta substância ativa, enquanto apenas 10,3% dos isolados foram sensíveis.
Entre 1990 e 1996 na Filândia foram recolhidos isolados de folhas de batateiras e tubérculos infetados com Phytophthora infestans. Na Noruega, de 1993 a 1996, também foram recolhidos isolados para se testar a sua resistência ao metalaxil. O aparecimento de populações resistentes de Phytophthora infestans na Finlândia decresceu de 59%
entre 1990 a 1995 para 2% em 1996. Foram recolhidos cerca de 1834 isolados para se avaliar a sua resistência ao metalaxil (Hermansen et al., 2000).
Na Noruega, em 1996, dos 491 isolados recolhidos, 59% mostraram-se resistentes ao metalaxil. Houve uma maior incidência de populações resistentes nos isolados obtidos de tubérculos, do que dos isolados recolhidos de folhas de batateira. Foram observadas diferenças evidentes na frequência de sensibilidade ao metalaxil entre os isolados dos
dois países e entre as diferentes regiões dentro de cada país. Este fato pode ser explicado pela utilização excessiva de metalaxil em certas zonas (Hermansen et al., 2000).
Noventa e nove isolados de Phytophthora infestans foram recolhidos a partir de diferentes locais em Marrocos, onde foram caraterizados quanto à sua agressividade e à sua sensibilidade ao metalaxil. A agressividade dos isolados foi avaliada em batateira e em folhas de tomateiro separadamente. A avaliação da agressividade baseou-se no tamanho da lesão e na capacidade de esporulação deste pseudofungo. Foram encontradas diferenças significativas na agressividade entre os isolados. Os isolados de batateira foram mais agressivos em batateira, do que os isolados de tomateiro, enquanto os isolados de batateira e tomateiro mostraram igual agressividade em tomateiro. Os isolados moderadamente resistentes e resistentes ao metalaxil mostraram-se ser mais agressivos, ou seja, causaram lesões maiores e com uma maior capacidade de esporulação, do que os isolados moderadamente sensíveis e sensíveis ao metalaxil (Hammi et al., 2002).
Dos 99 isolados recolhidos, 29% foram sensíveis ao metalaxil e do tipo de acasalamento A1, 5% foram do mesmo tipo de acasalamento e mostraram-se moderadamente sensíveis ao metalaxil, com igual percentagem registaram-se isolados de Phytophthora
infestans moderadamente resistentes e do mesmo tipo de acasalamento e com igual
acasalamento do tipo A1, cerca de 2% dos isolados foram resistentes ao metalaxil. Com o tipo de acasalamento A2, 20% eram sensíveis ao metalaxil, 10% foram moderadamente sensíveis, 21% mostraram-se moderadamente resistentes e apenas 8% dos isolados apresentaram-se resistentes. Este estudo demonstra a heterogeneidade das populações marroquinas de Phytophthora infestans (Hammi et al., 2002).
Estes trabalhos indicam que os oomicetas desenvolvem resistência ao metalaxil, mostram também que são necessários mais estudos nas regiões vitícolas portuguesas, no sentido de analisar se as populações de Plasmopara viticola também já desenvolveram resistências. A substância ativa metalaxil é já usada há alguns anos em Portugal, principalmente nas regiões onde mais chove na primavera e de verão. Por outro lado, em anos de forte pressão de doença, os chamados “anos de míldio”, onde a situação pode reverter para epidemia, não há alternativas ao uso das fenilamidas e poderão ocorrer danos muito consideráveis caso o pseudofungo Plasmopara viticola tenha desenvolvido resistência ao metalaxil.