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4.2 Stent Model
A rotina é uma modalidade organizativa do trabalho pedagógico. A partir dela o professor tem a oportunidade de refletir sobre o seu planejamento, permitindo escolher os recursos que serão utilizados, assim como o tempo disponível para cada aula. Conforme vimos anteriormente, a rotina precisa ser dinâmica, sendo construída a partir de acordos firmados entre professores e alunos, proporcionando um maior envolvimento nas atividades cotidianas da sala de aula.
Nesse tópico apresentaremos inicialmente todas as atividades realizadas pelas professoras e posteriormente discutiremos sobre as atividades comuns e distintas no trabalho realizado por ambas as docentes.
5.2.1 Rotina de trabalho das professoras
Nesse tópico apresentaremos a rotinas das duas professoras e as atividades pertencentes a essa rotina.
5.2.1.1- Atividades realizadas pela professora Ana
A professora Ana apresentou no trabalho realizado na sala de aula as seguintes atividades :
Tabela 2: Atividades realizadas pela professora Ana Aula Atividade 1 21/05 2 22/05 3 23/05 4 11/06 5 12/06 6 06/08 7 15/08 8 16/08 9 24/08 10 28/08 11 29/08 12 30/08 13 31/08 14 19/11 15 21/11
Acolhida X X X X X X X X X X X X X X X Oração X X X X X X X X X X X X X X X Cumprime nto X X X X X X X X X X X X X X X Rotina no quadro X X X X X X X X X X X X X X Escolha do ajudante do dia X X X X X X X X X X X X X X Atividades de casa X X X X Correção de atividade de casa X X Calendário X X X X X X Chamada oral X X X X Chamada silenciosa X X X X X X X X X X X Leitura deleite X X X X X X X X X X X X X X Projeto didático X X X X X X X X X X X X X X Uso do livro didático X X Brincadeir a livre X X X X X X X X Filme X X X Uso de jogos X X Alongamen to X X X
De acordo com a tabela acima, nas quinze aulas observadas da professora Ana, foram identificadas distintas atividades. Em todas as aulas foram realizadas a acolhida, a oração, o cumprimento dos alunos e a chamada. A acolhida consistia em receber os alunos em sala de aula até a chegada de todos. Após essa chegada, realizava-se a oração com todos em círculo.
Em seguida a professora solicitava aos alunos que se cumprimentassem, dando as mãos e desejando bom dia. A chamada aconteceu de duas maneiras: oral ou silenciosa. A oral aconteceu em quatro aulas, enquanto que nas restantes, a chamada aconteceu silenciosamente. A escrita da rotina no quadro, a escolha do ajudante do dia e o trabalho com projeto didático aconteceram diariamente, com exceção da aula 9, pois houve uma apresentação dos alunos numa atividade sobre folclore para toda a comunidade escolar, esse foi um dia festivo não houve aula, sendo apenas a apresentação, por isso os alunos foram liberados mais cedo. Não houve, na escrita da rotina realizada pela professora Ana, nas quinze aulas observadas, uma exploração no que se refere à apropriação do sistema de escrita: ela apenas realizou a leitura da rotina. A escolha do ajudante do dia seguiu o critério da ordem alfabética, através de consulta na lista de nomes dos alunos exposta em cartaz.
Os projetos didáticos realizados obedeceram às exigências dos programas e projetos adotados pela rede de ensino (Programa Escola em Ação e Projeto Trilhas) foram projetos com temas de Rede no qual cada professor dava seu recorte. No caso da professora Ana no projeto realizado no primeiro semestre “pequena enciclopédia” fez o recorte para o estudo da água. Já no segundo semestre onde foi trabalho música a professora fez o recorte para o estudo das cantigas de roda.
Em treze aulas a docente realizou a leitura deleite, utilizando os seguintes gêneros: poemas, músicas, histórias, histórias bíblicas, fábulas e lendas. Consideramos a leitura deleite importante, por possibilitar o contato com os diferentes gêneros textuais e por ser uma das práticas que favorecem o desenvolvimento de estratégias de compreensão leitora.
As brincadeiras livres apareceram em oito aulas. Esses momentos de brincadeira aconteceram devido aos alunos não terem momentos de recreação por falta de espaço na escola. Foram momentos que aconteceram na rua em frente à escola, e as professoras acompanhavam essas brincadeiras para garantir a segurança dos alunos.
Em seis dias foram realizadas atividades com calendário. Elas aconteceram de maneiras distintas: em dois dias a professora informou aos alunos sobre a data; em dois dias a exploração do calendário surgiu do interesse dos alunos; e nos outros dois dias a professora perguntou a eles qual era o dia, o mês e o ano, conforme podemos ver nos extratos de aula abaixo:
Quadro 1: Transcrições de aulas com atividades de calendário da Professora Ana
Aula 2 Aula 6 Aula 7
Prof.ª Ana: Vamos gente, coloquem aí a data de hoje. Hoje é terça-feira, dia 22 do 5, que é o mês de maio de 2012.
Aluno: que dia é hoje?
Prof.ª Ana: hoje é dia, eu não marquei não né? Olha pra cá quem sabe dizer que dia é hoje?
Aluno: hoje é sexta!
Prof.ª Ana: hoje é sexta? Queria eu que hoje fosse sexta!
Aluno: dia 4.
Prof.ª Ana: dia 4, vamos ver aqui 4 foi sábado, 5 foi domingo, hoje é que dia?
Aluno: seis.
Prof.ª Ana: Que dia é hoje que eu não sei?
Alunos: 15!
Prof.ª Ana: hoje é dia 15, e o dia qual é? Terça? Quarta? Quarta- feira, dia 15...
Nas três aulas observamos que apesar de ser a mesma atividade, a docente mediou de forma distinta, corroborando a ideia de Lorini (1992), que a rotina é dinâmica e que as atividades permanentes podem ser realizadas de formas diferentes. Isso nos leva a concluir que a mesma atividade pode ser realizada de formas distintas, envolvendo os alunos e evitando uma rotina repetitiva e enfadonha.
Além do uso do calendário, a professora Ana apresentou em seu trabalho momentos de atividade de casa. Das quinze aulas observadas, em quatro foram realizadas atividades de casa em que ela propôs a pesquisa com familiares em relação ao conteúdo trabalhado em sala de aula.
Outras atividades presentes no trabalho realizado pela professora foram com filmes e alongamentos realizados em três aulas cada. Em apenas uma aula houve uma discussão sobre o filme, que tinha relação com o projeto didático trabalhado. Nos outros dois dias, foram apresentados filmes com histórias infantis para entretenimento dos alunos. A professora realizou alongamentos com o objetivo de exercitar o corpo e tirar um pouco a tensão da aula. Esses foram momentos de relaxamento, segundo depoimento da professora, em conversa informal:
Quadro 2: Extrato de fala da professora Ana sobre as atividades de alongamento
Outras atividades que apareceram no de trabalho da professora Ana foram as correções das atividades de casa, o uso do livro didático e o uso de jogos didáticos; essas últimas foram feitas apenas duas vezes.
Prof.ª Ana: As atividades de alongamento eu tento fazer pelo menos uma vez na semana, mas às vezes a demanda de atividades é grande e infelizmente essa atividade não é realizada. O objetivo dessa atividade é fazer com que os alunos tirem um pouco a tensão do dia a dia e exercitem o corpo, é sempre um momento prazeroso eles gostam muito.
No tocante à correção das atividades de casa, a professora chamava os alunos e realizava uma correção individual. Observamos que ela parecia não orientar os alunos quanto aos seus erros e acertos, apenas indicava colocando certo ou errado nas atividades, sem retomá-las posteriormente.
Quanto ao livro didático, a professora fez pouco uso, pois acreditava que os alunos não conseguiam acompanhar as atividades propostas por ele, conforme vemos no seu relato:
Quadro 3: Extrato de fala da professora Ana sobre o livro didático
A fala da professora Ana reflete a ideia de muitos docentes ao trabalhar com o livro didático. Porém, o livro didático é um recurso e não precisa ser compreendido como único instrumento de trabalho e sim como um importante material que, segundo ressaltado por Morais et al. (2008), pode ajudar o professor a elaborar as atividades relacionadas a alfabetização.
Os jogos foram realizados nas aulas 4 e 7. Na aula 4 foi realizado o “Bingo dos sons iniciais”, elaborado pelo CEEL/UFPE. Como haviam poucos alunos, a professora entregou uma cartela a cada um e foi explorando o jogo, suscitando reflexões acerca da escrita das palavras:
Quadro 4: Transcrição de aula com jogos da professora Ana
Conforme observado acima, a professora objetivou um trabalho voltado à reflexão sobre as sílabas, apesar de um aluno ter identificado o nome da letra inicial da figura mostrada.. Entretanto, a professora antecipa a resposta correta sem dar a oportunidade ao aluno de refletir sobre a sílaba inicial da palavra. Esse tipo de atividade é importante por fazer o aluno refletir sobre as partes menores das palavras. Conforme salienta Morais (2010), é preciso haver um trabalho sistemático com as unidades sonoras. Porém, o autor salienta que,
Prof.ª Ana: O livro didático, principalmente o de Português, ele não atinge o nível dos meus alunos, porque o nível deles ainda é baixo para o livro, então por isso que eu não utilizo muito, mas não deixo de passar.
Prof.ª Ana: Vamos dizer que eu sorteei aqui a palavra Piolho. Aí quem tem pirata é igual o começo? Aluno: Não!
Prof.ª Ana: É não? PIolho, PIrata não começa igual não? Aluno: Começa!
Prof.ª Ana: Começa tudo com que som? Aluno: Com P!
apesar de serem habilidades importantes para a apropriação do sistema de escrita alfabética, o trabalho com consciência fonológica não garante e nem deve ser entendido como pré- requisito para que os alunos se alfabetizem.
No jogo realizado na aula 7, “Rimas”, que consta no material do “Trilhas”, a professora formou um grupo de 4 alunos que iam se revezando. Nesse momento ela ora ia corrigindo e explicando para os alunos, ora ia fazendo com eles a reflexão sobre o som final das palavras, conforme observamos a seguir:
Quadro 5: Transcrição de aula com rimas da professora Ana Prof.ª Ana: Gaiola rima com o que? Olhem aí o desenho.
Aluno: Gato!
Prof.ª Ana: A palavra que rima é o som que termina, não é a que começa! Tem que ver o final. Tem que olhar o final.
Aluno: Então é barata.
Prof.ª Ana: Barata não rima com gaiola. O que a gente tem aqui, olha: gato, esse aqui é carambola, panela, ... (mostrando as fichas do jogo). Agora deixa eu ver como é que eles colocaram o nome: baralho, leão, borboleta. [...]
Prof.ª Ana: H. (referindo-se a um aluno), qual foi o desenho que você pegou? Aluno: Fivela.
Prof.ª Ana: Tem alguma que rima com fivela na sua cartela? Aluno: Tem panela.
Prof.ª Ana: Muito bem! Quem for acertando pega outra ficha. E aí, gaveta rima com panela ou com abacate? Aluno: Nenhum.
Prof.ª Ana: Muito bem! Nenhuma. Vamos lá, K. (a aluna pega uma ficha). Gaveta rima com o que? Aluna: Leão.
Prof.ª Ana: Não! Leão termina com ÃO, gaveta termina com ETA. Pode não!
Nas situações de jogos ilustradas acima houve a exploração do sistema de escrita, no entanto, nem sempre o mesmo constava no planejamento. No caso da aula 4, na rotina registrada no quadro pela professora já constava a presença da atividade com bingo. O mesmo não aconteceu na aula 7, pois, conforme o destaque em itálico, a professora revela indícios de que não conhecia previamente o jogo, pois não sabia que nomes haviam sido atribuídos às figuras. O que sugere que no planejamento realizado pela professora teve um momento livre que a mesma quis aproveitar com um jogo didático.
Outro aspecto que salientamos é de que os jogos foram trabalhados ao término das aulas, revelando indícios que pode haver uma relação com a rotina sugerida pelo Programa Escola em Ação. Assim como Pessoa e Melo (2011) e Silva e Morais (2011), defendemos que os jogos são recursos que estimulam a aprendizagem dos alunos, apesar de, por si sós, não garantirem esse aprendizado; ou seja, é necessário a conjugação entre a utilização de jogos e a mediação docente para a sistematização dos conteúdos, nesse caso, a apropriação do sistema de escrita alfabética.
Dentre as atividades apresentadas na tabela 2 observamos que tinham atividades que aconteciam de forma mais sistemática e atividades que apareciam de forma mais assistemática, desta forma caracterizamos como fazendo parte da rotina as atividades que apareciam de forma sistemática, ou seja, que era ou apresentavam indícios de serem realizadas uma vez na semana, quinzenalmente ou mensalmente foram elas: acolhida, oração, cumprimento, escrita da rotina no quadro, escolha do ajudante do dia, exploração do calendário, chamada dos alunos, leitura deleite, projetos didático e brincadeiras livres. As outras atividades mostradas na tabela apareceram de forma esporádica.
5.2.1.2 Atividades realizadas pela professora Luíza
A professora Luíza distribuiu seu trabalho, durante as quinze aulas observadas, da seguinte forma:
Tabela 3: Atividades realizadas pela Professora Luíza
Aula Atividade 1 28/05 2 31/05 3 18/06 4 19/06 5 20/06 6 11/09 7 12/09 8 13/09 9 30/10 10 26/11 11 27/11 12 28/11 13 11/12 14 12/12 15 13/12 Acolhida X X X X X X X X X X X X X X X Oração X X X X X X X X X X X X X X X Escolha do ajudante do dia X X Atividades de casa X X X X X Correção de atividade de casa X X X X Chamada oral X X Chamada silenciosa X X X X X X X X X X X X X Leitura deleite X X X X X X Uso do caderno de caligrafia X X X X
Uso do livro didático X X X X X X X X X X X X X Conversa sobre a aula do dia anterior X X X X Filme X X X X Brincadeira livre X X X X X X X X X Escovação X X
A acolhida, a oração e a chamada apareceram em todas as aulas observadas. No que se refere a acolhida, esta acontecia em dois momentos: primeiramente no pátio, onde os alunos ficavam enfileirados e realizavam a oração; depois na sala de aula, para os alunos retardatários. A chamada também aconteceu de duas formas: oral e silenciosa. Na maioria das vezes, aconteceu de maneira silenciosa.
Em treze aulas foi observado o uso do livro didático, o livro didático de Língua Portuguesa foi utilizado em 10 aulas, das treze aulas que foi utilizado o livro didático, em sete delas, o livro de Língua Portuguesa e também livros de outras disciplinas, cada um em um horário da aula. Em três dias utilizou apenas o de Língua Portuguesa e em três dias utilizou apenas os livros de outra disciplina. Isso evidencia o quanto o programa Alfa e Beto influenciou na sala de aula, pois o programa impõe o uso do livro didático como , um dos importantes recursos para o trabalho em sala de aula, com o objetivo de favorecer a aprendizagem dos alunos.
Foi verificada em nove aulas a presença de brincadeiras livres. Esses momentos aconteceram na sala de aula antes do término do horário, pois apesar de haver espaço suficiente na escola, inclusive na quadra, não havia um horário para a recreação dos alunos. De acordo com o relato da professora Luíza, em conversa informal, os alunos não tinham recreio por ser uma escola muito grande, com muitos alunos dos anos finais do ensino fundamental. Essa decisão escolar foi tomada para evitar acidentes.
A leitura deleite aconteceu em sete aulas observadas, nas quais a professora realizou a leitura de histórias, fábulas e textos científicos existentes no livro de Língua Portuguesa. Em algumas ocasiões a professora trouxe o texto na íntegra e realizou a leitura dos dois textos, sendo a primeira a do livro didático e a outra do paradidático. Quando questionada sobre as
motivações que a levaram a utilizar essa prática, a professora Luíza afirmou que gosta que “eles tenham duas visões da história, uma visão mais completa” .
Entendemos que, apesar de a professora Luíza trazer inovações, ao realizar a leitura deleite do texto na versão completa utilizando livros paradidáticos, a mesma demonstra uma prática ligada à rotina estabelecida pelo Programa Alfa e Beto, conforme discutimos quando apresentamos os projetos e programas..
As atividades de casa foram constatadas em cinco aulas, duas realizadas no livro didático e três realizadas no quadro.
A professora corrigiu a tarefa de casa em quatro aulas. Ela recolhia os livros didáticos e cadernos dos alunos para corrigir sozinha em outro momento. Essa prática sugere que ela não costumava retomar as atividades e nem dava devolutivas das mesmas aos alunos.
Também durante quatro observações foram verificadas a presença de filmes, conversas sobre o dia anterior e o uso do caderno de caligrafia. Nas aulas observadas em que os filmes foram apresentados não houve nenhuma proposta didática para os mesmos, portanto foram usados apenas como entretenimento.
As conversas sobre o dia anterior aconteceram depois da acolhida e tratavam sobre distintos assuntos. Em uma das aulas foi sobre um filme visto no dia anterior, em outra foi sobre a aula dada por uma professora que a havia substituído, em outra a professora questionou os alunos quanto ao que tinham realizado durante o feriado e na última foi sobre o natal, assunto que havia sido trabalhado anteriormente.
Já o uso da caligrafia foi uma atividade em que a professora utilizou o caderno de caligrafia que vem nos materiais do Alfa e Beto. Essa atividade é prevista na agenda proposta pelo Programa e objetiva o trabalho com a coordenação motora fina para a melhoria do traçado das letras. Isso está indicado no depoimento da professora a seguir:
Quadro 6: Extrato da fala da professora Luíza sobre o uso de caligrafia
Como vemos, a professora tinha a preocupação de pedir aos alunos que atualizassem seus cadernos de caligrafia, sempre nos horários próximos ao final das aulas. Percebemos que
Prof.ª Luíza: Eu acho importante. É importante pra que justamente eles aprendam, se for uma frase, como se escreve; o movimento correto da letra... Porque muitos é a primeira vez que frequentam a escola, então eles não sabem o movimento correto da letra. Então eles começam: o J, por exemplo, eles começam de baixo pra cima. Entendeu? Aí eu acho importante pra isso, pra que eles identifiquem o movimento correto. Não é pra deixar a letra bonita. Nada disso não! É o movimento correto da letra.
esses momentos não eram explorados pela professora, que apenas orientava os alunos a escrever na linha e observar o tamanho da letra, sendo que a mesma apagava o que os alunos faziam errado.
A escolha do ajudante do dia aconteceu em duas aulas, como forma da professora ter um apoio para entregar os livros, mas a escolha era feita de modo aleatório, não havia nenhum critério estabelecido previamente.
Dentre as atividades apresentadas na tabela 3 observamos que, assim como a professora Ana a professora Luiza, apresentou atividades que tinham que aconteciam de forma mais sistemática e atividades que apareciam de forma mais assistemática, desta forma caracterizamos, a mesma, como fazendo parte da rotina as atividades que apareciam de forma sistemática, ou seja, que era ou apresentavam indícios de serem realizadas uma vez na semana, quinzenalmente ou mensalmente foram elas: acolhida, oração, atividade e de casa e sua correção, chamada dos alunos, leitura deleite, o uso do caderno de caligrafia, uso do livro didático e brincadeiras livres. As outras atividades mostradas na tabela apareceram de forma esporádica.
5.2.1.3 Atividades comuns realizadas pelas duas professoras
Ao observar as práticas de ambas as professoras, verificamos que aparecem dez atividades em comum, são elas: acolhida, oração, escolha do ajudante do dia, atividade de casa, correção da atividade de casa, chamada dos alunos, leitura deleite, uso do livro didático, brincadeira livre e filme.
Para efeito de análise, consideramos apenas as atividades (sistemáticas e assistemáticas) que ajudaram na promoção da reflexão sobre o Sistema de Escrita Alfabética. Desta forma, abordaremos apenas as seguintes atividades: atividades de casa (e suas correções), leitura deleite e uso do livro didático.
As atividades de casa (e suas correções)
As atividades de casa foram realizadas pelas professoras Ana e Luíza em quatro e cinco aulas, respectivamente. Como já foi citado anteriormente, a professora Ana, nessas quatro aulas, propôs atividades que levaram os alunos a realizarem pesquisas com familiares. Já a professora Luíza, das cinco aulas que ministrou, realizou essas atividades em duas e
pediu para que os alunos respondessem em casa atividades no livro didático de matemática. Em duas propôs atividades nas quais os alunos tinham que escrever as letras, os padrões silábicos e seu nome completo e uma atividade de pesquisa de palavras com a letra R com diferentes sons.
Quando questionadas sobre a importância das atividades de casa e a pouca quantidade de vezes que apareceram em suas rotinas, nas quinze aulas observadas, ambas as docentes afirmaram que se tratam de atividades importantes e que só não realizaram em maior quantidade por não terem o auxílio dos familiares, como podemos observar no quadro abaixo:
Quadro 7: Opinião das professoras sobre atividades de casa
Prof.ª Ana Prof.ª Luíza
Eu entendo que a atividade de casa é uma revisão do que foi trabalhado em sala de aula. Porém, no caso do 1º ano, ou seja, desta referida turma eu não passava a tarefa de casa todos os dias porque os alunos não faziam as atividades, e seus pais não tinham o menor interesse no aprendizado dos mesmos. Sem falar que os alunos refletiam seus pais, pois também não se interessavam pelos assuntos estudados, em sala ou em casa. Além da atividade de casa ser um reforço, pra mim é importante, pois com a correção dos cadernos posso perceber em qual ponto específico eles estão