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Introduction of Lattice Boltzmann method

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1.3 Introduction of Lattice Boltzmann method

Tem sido crescente o número de pesquisas sobre a prática dos professores alfabetizadores, pesquisas essas que procuram entender e mostrar as discussões atuais sobre o ensino e o processo de apropriação do Sistema de Escrita Alfabética e visualizar um pouco algumas realidades explícitas em nossas escolas.

Cruz e Albuquerque (2011) realizaram um estudo com 60 crianças que estudavam na Rede Municipal de Ensino de Recife2, em turmas de 1º ciclo distribuídas nos anos 1, 2 e 3. As autoras tinham como objetivo compreender como se dá o processo de apropriação do SEA

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e de produção de textos no primeiro ciclo e o que as crianças aprendem a cada ano. Foi realizado, para tanto, um ditado mudo e uma reescrita de texto.

Os dados indicaram que o desempenho dos alunos dos três anos do primeiro ciclo não tiveram diferenças significativas no que se referia à apropriação do SEA, indicando que uma boa prática pode levar os alunos a se alfabetizarem já no 1º ano. Quanto à produção de textos, foi observado que os alunos do 1º ano conseguiram um bom nível de textualidade, já os alunos do 2º e 3º ano não conseguiram o desempenho almejado nesse quesito, indicando que parecia haver uma preocupação com a aprendizagem dos alunos, pois os professores e a escola estabeleceram metas para o ensino de Língua Portuguesa ao final de cada ano.

Em sua dissertação, Cruz (2008) investigou como eram as práticas de alfabetização e letramento no 1° ciclo no ensino fundamental e suas relações com as aprendizagens dos alunos de uma escola municipal de Recife.

Como procedimentos metodológicos a autora realizou, em dois momentos (no início e ao final da pesquisa), atividades de diagnose dos níveis de escrita, produção de texto, leitura e compreensão de textos com os alunos. A autora realizou ainda entrevistas e observou oito aulas de três professoras (anos 1, 2 e 3 do 1°ciclo). Vale ressaltar que na Rede não havia metas estabelecidas para o ciclo de alfabetização, as metas foram táticas criadas pela escola pesquisada.

A partir das análises dos dados, Cruz (2008) observou que todas as crianças avançaram na apropriação do SEA, na produção textual e na leitura. No 1° ano foi observado que a maioria dos alunos conseguiram construir a hipótese alfabética de escrita, avançaram quanto à produção textual e na leitura de palavras e frases. No entanto, não conseguiam ainda compreender os textos lidos.

Na turma de 2º ano os alunos avançaram quanto ao sistema de escrita alfabética (eles já começaram a pesquisa num nível alfabético e foram evoluindo em relação à construção de regularidades diretas, contextuais e morfogramaticais) e quanto à produção textual e à leitura. Essa melhoria indica que, provavelmente, essa turma foi submetida a um trabalho de consolidação da alfabetização e a uma imersão em práticas de leitura e escrita.

A turma de 3º ano mostrou avanços quanto à apropriação do sistema de escrita e da norma ortográfica, bem como na produção textual. Na leitura, só foi significativo o avanço da turma quanto à leitura de frases.

Ao comparar os três anos em relação à apropriação do sistema de escrita, produção de textos e leitura, Cruz (2008) verificou que havia uma progressão nas aprendizagens dos

alunos entre os anos investigados, apesar de os alunos do 2º ano terem concluído o ano letivo num nível igual ou mais elaborado que os alunos do 3° ano. Esses resultados permitiram que a pesquisadora inferisse que era possível garantir a alfabetização dos alunos já no 1º ano do 1º ciclo, deixando para os anos seguintes a tarefa de consolidá-la e aprofundá-la.

Os resultados apresentados pelos alunos participantes da pesquisa foram explicados pela autora a partir das análises das observações e das entrevistas realizadas com as professoras, as quais realizavam com frequência atividades de apropriação do SEA, valorizando o trabalho com distintos gêneros textuais e proporcionando atividades de estudo das características e dos usos sociais desses gêneros. Além do trabalho sistematizado, as professoras apresentaram na sua prática e no seu discurso os objetivos que devem ser atingidos em cada ano do 1° ciclo. Num trecho da fala de uma professora é dito o seguinte: “o 1° ano deve alfabetizar, o 2° deve consolidar e o 3° aprofundar.” (CRUZ, 2008, p. 211).

A pesquisa realizada por Cruz (2008) apresenta indícios de que muitos professores alfabetizadores sabem o que deve ser feito para alfabetizar e a partir de seus conhecimentos criam táticas próprias para alfabetizar.

O estudo realizado por Albuquerque, Morais e Ferreira (2008) aponta indícios de que os docentes fabricam táticas em suas práticas de sala de aula, confirmando as práticas apresentadas pelas docentes investigadas por Cruz (2008). Participaram da pesquisa nove professoras de alfabetização (1º ano do primeiro ciclo) da cidade do Recife no ano de 2004. Foram realizadas dez observações em cada sala de aula e analisados também os materiais utilizados pelas docentes nessas aulas. Após as análises das aulas das professoras, os autores classificaram suas práticas de alfabetização em dois tipos de trabalho com o SEA: 1) prática sistemática de alfabetização, que englobava as professoras que trabalhavam todos os dias a apropriação do SEA; e prática assistemática de alfabetização, em que as atividades priorizadas pelas docentes eram de leitura e produção de textos, contemplando muito poucas as atividades de apropriação.

Como resultado, percebeu-se que, apesar de elas participarem de formações continuadas iguais e lecionarem na mesma escola, como foi o caso de três professoras da pesquisa realizada por Cruz (2008), suas práticas são distintas, afirmando a ideia de fabricação de táticas. (ALBUQUERQUE; MORAIS; FERREIRA, 2008).

Nas três pesquisas apresentadas percebemos que a prática e a maneira como os professores organizam seu trabalho pedagógico podem influenciar na aprendizagem dos alunos, como observado na pesquisa realizada por Cruz (2008). Vemos também que os

professores participantes das pesquisas de Cruz (2008) e de Albuquerque, Morais e Ferreira (2008) mostraram que fabricam suas táticas para que seus alunos se apropriem do sistema de escrita e saibam usar esse conhecimento na sociedade.

Em outra pesquisa realizada por Silva, Arruda e Leal (2010), que tinha por objetivo relacionar o que as professoras diziam fazer com o que de fato faziam, contatou-se que as professoras alfabetizadoras não tinham clareza ao conceituar as metodologias que utilizavam.

A pesquisa foi dividida em três etapas: a primeira consistiu em aplicação de questionário com 12 professoras; a segunda, em entrevistas semiestruturadas com quatro professoras que apresentaram respostas divergentes na etapa anterior; e a terceira, em observações de 20 aulas de duas professoras, sendo 10 aulas de cada.

Os dados dessa pesquisa mostraram que houve mais aproximações do que distanciamentos entre seus discursos e práticas, contradizendo o senso comum de que as professoras “dizem uma coisa e fazem outra”. Em relação às práticas das professoras, as autoras observaram que as professoras trabalhavam com leitura, produção de textos e apropriação do SEA; no entanto, ainda era percebido que faltava uma sistematicidade no ensino.

A pesquisa acima citada mostrou que as professoras apresentam elementos de teorias diversas em sua prática. No entanto, as autoras apontam para a necessidade da teorização do ensino, pois o estudo mostrou que as docentes tem dificuldades de conceituação, mostrando que ainda falta clareza quanto às metodologias de alfabetização que utilizavam.

Conforme vimos anteriormente na pesquisa realizada por Chartier (2007), é necessário que o professor reflita sobre sua própria prática, teorizando-a reflexivamente.

CAPÍTULO 3